quarta-feira, 8 de outubro de 2014

105 - NÃO FOI no GRITO

OUTUBRO de 1814 e 2014:
Sirva o exemplo de escarmento”.
Sabemos muito bem das tentativas que tem feito as pessoas mais implicadas nestas desgraças da Naçaõ, para imputar a culpa aos Inglezes. Este he o seu ultimo subterfúgio; havendo largado nas maõs dos Estrangeiros os interesses nacionaes, querem agora sacudir a carga de seus hombros, e lançalla ás costas dos InglezesCorreio Braziliense VOL. XIII. Nº. 77. outubro 1814, p. 552
Domingos Antônio de Siqueira o LUZITANO - Povo pede retorno do rei -  Lisboa 17.12.1813
Fig.01. O povo lusitano tinha pouco a comemorar no fim das guerras napoleônicas. Na sua angustia e depois da tripla ruina este povo não sabia mais a quem recorrer. Este povo se exaurira entre os exércitos franceses e ingleses.  Em outubro de 1814 estava esmagado econômica e politicamente. Sentia-se abandonado pela corte e a mercê de atravessadores, de mediadores e falsos tuteladores.
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Em politica, esporte e em arte não existe perdão. Um pedido de desculpa é muito pior do que o erro, a derrota ou fracasso em arte no esporte e na política,. Certamente que errar é humano. Porém insistir no erro já é tolice consumada. Pior ainda é achar um culpado e jogar o erro, a derrota e o fracasso sobre este “bode expiatório” físico ou virtual.
O fazer arte é uma decisão livre e espontânea da vontade da pessoa. O mesmo vale para quem compete no esporte ou resolve abraçar a carreira política e nela concorrer para ocupar cargos e funções. Na política ninguém é obrigado a continuar este exercício do poder por mais que honrada seja uma coroa e elevado um trono e os seus rituais.  Em outubro de 1814 estava viva ainda a Rainha Maria I (1734-1816) que fracassara ao exercer a política lusitana e renunciara e se recolhera à vida particular. No passado das monarquias europeias estava bem viva a memória da rainha Cristina da Suécia (1626-1689).  A renúncia do Rei Eduardo VIII (1894-1972) da Inglaterra ainda estava ainda para acontecer. Isto sem mencionar e renúncia recente de um papa. Todos renunciaram sem pedir desculpas ou apontar para o seu insucesso  “bodes expiatórios” físicos ou virtuais. 
João CARDINI - BATALHA de VIMEIRO 21.08.1808 Ingleses e Portugueses contra franceses.- detalhe superior
Fig.02. O povo lusitano era motivado e alimentado visualmente e por uma rígida parafernália simbólica arcaica para qual a corte e os cortesões recorriam sistematicamente para manter os seus cargos. Em outubro de 1814 estava em fase de montagem, fabricação das versões dos fatos e dissimulação dos resultados da Guerra Peninsular e altamente desastrosa para os interesses do POER ORIGINÁRIO e Portugal. No entanto os méritos reais ou imaginados foram apropriados por regimes políticos mais cultos, ágeis e solidamente ancorados em pactos nacionais mais experimentados no solo seu próprio PODER ORIGINÀRIO. Todos eram armas simbólicas que deveriam desfilar e convencer o Congresso de Viena e a convenção de Paris. Diante do Congresso de Viena   os méritos e os louros das Guerras Peninsulares de 1808 até 1814 eram embolsados  exibidos como troféus pela esperta e ágil diplomacia britânica. Isto apesar de todas as perdas e os sacrifícios indescritíveis dos lusitanos -.

Reflexoens sobre as novidades deste mez. BRAZIL 1814 outubro Correio Braziliense VOL. XIII. Nº. 77.Miscellanea, pp. 549-552
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Relaçoens da Corte do Rio de Janeiro com as Potências Estrangeiras.

Lemos nas gazetas do continente um paragrapho, que foi copiado em todos os Periódicos Inglezes, e que julgamos mui importante; assim o submettemos aqui á ponderação dos nossos Leitores. He o seguinte:—
" Vienna, 14 de Outubro. Os Ministros de Áustria, Rússia, Prússia, Inglaterra, e Hespanha, tiveram uma conferência preparatória aos 30 de Septembro. Suppunha-se que quando o Congresso se abrir formalmente, se admittiraõ os Ministros de Suécia, e de Portugal. Segundo um artigo de Berlin o Principe da Coroa (de Suécia) naõ foi convidado para Vienna cornos outros Soberanos; e de novo se insinuam protecçoens a favor do filho do Ex-Rey de Suécia;  mas quanto a isto receamos que seja facto duvidoso,"
João CARDINI - BATALHA de VIMEIRO 21.08.1808 Inglese e Portugueses contra Franceses..- detalhe
Fig.03. O gravador João CARDINI desenhou e gravou a glória do seu tempo e do passado lusitano. Porém esta honesta produção  simbólica foi pouco conhecida, paga e difundida. Materializava a observação de Miguel Ângelo  para Francisco de Holanda de que “mesmo quem gostava muito de suas obras o português não paga os seus artistas. Era o contrário da Itália onde mesmo quem não gostavam da arte a pagavam bem”. Miguel Ângelo tinha um ajudante português que lhe passou este infortúnio do artista lusitano. Não adiantava culpar o artista de colocar no centro de sua obra a bandeira britânica vencendo a águia  das legiões franceses. A culpa não era nem dos franceses ou dos ingleses e nem adiantava censurar ou enforcar o artista. Eles estavam ali apenas para evidenciar esta contradição portuguesa

Chamando a attençaõ do Leitor para este importante paragrapho temos de pedir-lbe que naõ perca de vista duas circunstancias, 1*. Que estando as gazetas do Continente debaixo da rigorosa inspecçaõ dos Censores, tudo quanto nellas apparece, principalmente sobre objectos politicos, saõ expressoens congenies ao modo de pensar do Governo. 
Joaquim Napoleão MURAT (1767-1815) Rei de Nápoles.
Fig.04. O pragmático e desconfiado Napoleão tentou colocar nas cortes europeias a sua família e aparentados. Na sua condição de origem tentou misturar o seu sangue plebeu com as mais antigas casas reais europeias. Poucos tinham o gênio, vontade e temeridade dele. Porém, mesmo na França um dos descentes de sua família voltou como presidente e depois ocupou o trono como Napoleão III, após o fracasso dos primeiros Bourbons de República.

2°. Que havendo-se mostrado duvidas, em quasi todas as gazetas da Europa, sobre a conveniência e politica de admitir ao Congresso de Vienna Ministro do Rey de Nápoles (Murat) e do de Suécia, (governado por seu jurado Successor Bernadotte) como únicos Soberanos filhos das ervas ainda reynantes, creaturas de Bonaparte, ou abortos da revolução de França; vem agora o nome do Soberano de Portugal ligado com o de Suécia neste paragrapho.
Jean Baptiste Bernardote Charles XIV ou John como Príncipe da Suécia por François_Gérard.
Fig.05. Os pragmáticos povos suecos e noruegueses conseguiram um equilíbrio do poder político e impuseram uma monarquia constitucional que equilibrou as antigas práticas reais simbólicas medievais com o os princípios iluministas. O general Berdardote um crítico azedo dos métodos napoleônicos entendeu este equilíbrio nórdico e passou a praticá-lo. Assim fundou uma dinastia que se projetou tempo afora.- apesar das críticas do editor do Correio Braziliense -

Seria até ridiculo imaginar, que nenhum Governo da Europa, nem ainda qualquer dos seus mais Ínfimos gazeteiros, pensasse seriamente, que os estabelecidos, antigos, reconhecidos, sustentados, defendidos, protegidos, indubitaveis, legalissimos, firmes, jurados, confirmados, &c. &c. &c. direitos da casa reynante de Portugal ao throno Portuguez que occupa, se podessem porem parallelo ou comparar com as pretençoens de um Murat, que foi eleito Rey de Nápoles pelo usurpador desthronizado Napoleaõ ou Nicolao Bonaparte; ou com o General Bernadotte, que nem Rey ainda se chama, e que, ao muito dizer, naõ he mais do que o Successor supposto de um Rey da Suécia, naõ successor hereditário ou eleito pelos legítimos representantes da Naçaõ ; mas somente levantado por Rey, pela facçaõ descontente do Monarcha, que se aproveitou da impopularidade do legitimo Rey para o deitar abaixo.
Dom Pedro SOUZA HOLSTEIN
Fig.06. O editor do Correio Braziliense não poupava criticas a Dom Pedro SOUZA HOLSTEIN que abreviava como a “familia dos Souzas”. Este embaixador plenipotenciário lusitano - tanto em Paris e em Viena - era intimamente aparentado com a casa real.   Com  o cargo assegurado por este parentesco estava distante das funções que momento exigia. Este fracasso destes  atravessadores, mediadores e falsos tuteladores pode ter convencido ao Príncipe Regente prolongar sua permanência no continente americano. Esta permanência cimentou uma classe política que conduziu a passagem para a soberania brasileira sem os traumatismos e guerras que outros povos enações experimentaram no início de sua soberania.

Se pois os direitos da Casa reynante de Portugal naõ soffrem comparação com os dos dous mencionados.  ¿Qual pôde ser o motivo de os ajunctarem em um paragrapho, pondo em duvida a admissão de geus ministros no Congresso ?
Naõ se pôde fazer outra conjectura racionavel, senaõ que os negócios politicos destes tres soberanos, supposto que um seja legitimo por todos os títulos, e os outros tenham só pretençoens mui duvidosas, ficaram por tal maneira decididos nos tractados de Paris, que já náõ he necessária a sua ingerência nas negociaçoens de Vienna.
Será fácil aos Negociadores Portuguezes responder a este argumento; porquanto, pelo artigo 22 do tractado de Paris; todas as Potências, que o assignaram deviam entrar no Congresso de Vienna: mas será mui difficultoso desfazer a impressão, que preocupa os homens públicos da Europa contra as forças e recursos, que possue o soberano de Portugal. A esta opinião desvantajosa he devido o tractar-se em menoscabo um Governo, que insistimos em dizer, que tem meios de ser poderoso, e de se fazer respeitar. Mas vejamos as causas próximas desta má opinião.
Fig.07. O pintor Domingos Antônio SIQUEIRA o LUZITANO exaltou, nesta pintura, o “General Junot como Consolo de LISBOA”. Em outra obra o pintor  exalta “As VIRTUDES de Dom JOÃO VI”.  O maior conflito não eram os opostos na visibilidade nos campos de batalhas das imagens e seus temas. O confronto era entre o paradigma dos soberanos monocráticos, divinos centralistas contra as ideias da igualdade, Liberdade e Fraternidade. Evidente que ambos produziram monstrengos. Em outubro de 2014 este maniqueísmo esta longe de encontrar o seu ponto de equilíbrio. Manifesta-se na crença em MITOS irreconciliáveis e excludentes que renascem na forma de radicalismos, fundamentalismos face a um pragmatismo materialismo crasso e carente de qualquer transcendência.

Quando os povos de Portugal s revoltaram contra os Francezes em 1808; uma expedição Ingleza, que estava preparada para certa empreza do outros lado do Atlântico, teve ordem de mudar o seu destino, e dirigir-se a Portugal, para animar os Portuguezes, e combater os Francezes. 
Fig.08. Os franceses começaram a mostrar o seu serviço na limpeza dos maiores e seculares tesouros das igrejas, os mosteiros e os museus lusitanos. Este controle, seleção de valores e o furto dos mais valiosos são realizados, em 2014,  pelas grandes usinas de dados nas mãos e gerenciados pelas nações e culturas mais ágeis com sólido e articulado serviço diplomático das culturas mais adiantadas do planeta. O saque é o memo. Mudaram os valores e a forma.

Nós observamos sobre isto no nosso Periódico, escrevendo naquelle tempo, que êra absolutamente necessário, que o Embaixador Portuguez em Londres, cuidasse era naõ deixar ir aquelle exercito, sem estipular com o Governo inglez, que as suas armas se considerariam somente como auxiliares, e de forma nenhuma como principaes; e indicamos as funestas conseqüências, que se podiam seguir de se naõ attender a esta essencial formalidade. 
Fig.09. A invasão inglesa de Portugal veio por mar e de noite. Encontrou uma terra e um povo lusitano abandonado. Esta armada britânica  obedecia à vagos e imponderáveis tratados. Assim os britânicos não fizeram a menor em assumir o comando das operações de guerra. Julgavam e enforcam aqueles que julgavam fracos ou traidores. Em outubro de 2014, interferências, as invasões e julgamentos sem apelo ou lógica civilizada ainda é prática comum em nomede vagos interesses econômicos e de uma democracia que nada pergunta e nem quer saber da cultura que afeta e interfere.

Esperávamos naõ somente, que as nossas representaçoens fossem attendidas, pelo Ministro Portuguez, mas que elle conseguiria facilmente o estipular taes condiçoens, que salvassem completamente a honra nacional; porque em periodo nenhum puderam os Soberanos de Portugal ter tanta influencia coin o Governo Inglez; visto que naquele tempo a exclusão do Commercio, Inglez no continente era generalissima, c os negociantes da Inglaterra olhavam para os portos do Brazil, como ultima appellaçaõ. Deixou-.se passar este momento favorável, que nunca mais voltará: naõ se estipulou cousa alguma á cerca das tropas Inglezas, que entrando victoriosas em Lisboa, arvoraram a sua bandeira, e tomaram posse da esquadra Russiana, que se achava no porto, e pertencia a uma naçaõ entaõ inimiga da Inglaterra, mas em amizade com Portugal.
Fig.10. O povo ibérico esta cansado dos desatinos das suas casas reais monocráticas, divinas e concentrador de poderes. Este ambiente abria oportunidades para as ideias iluministas francesas. Porém estes estavam entregues aos desígnios de um imperador ainda mais monocrático e concentrador de poderes e que valia de todo patrimônio simbólico das casas reais decaídas. Em outubro de 2014 ainda não se dissiparam estas forças simbólicas. Transfiguradas em novos rituais e suportes tecnológicos continuam a gerar tantos ou  males maiores do aqueles que Napoleão levou aos campos europeus. No lugar dos olhos vigilantes da águia napoleônica estão agora as antenas parabólicas colocadas sobre os prédios mais altos, os morros e montanhas complementam que rebem e emitem os sinais para os satélites em rede mundial..

Esta negligencia, naõ podia deixar de produzir no espirito dos Russos ti ma desastrosa opintaõ sobre a independência da Coroa de Portugal;—impressão,- que se teria obviado, se convenientes estipulaçoens em Londres, sobre o exercito auxiliar, declarassem o serviço a que. se destinavam áquellas tropas.
Accresceo a-isto, que formando-se de novo a Juncta do Governo do Reyno em Lisboa, entrou Como membro o Ministro Inglez ali residente; erro na verdade fatal para o character nacional; porque se a infelicidade e mao nome do Governo Portuguez, na administraçaõ de suas finanças éra razaõ bastante para que Inglaterra se naõ quizesse fiar em lhe dar os subsídios, sem ter no Governo um Inspector seu, que visse o modo porque esses subsídios eram empregados ; ao menos naõ fosse esse Inspector o idêntico Embaixador Inglez; fosse outro qualquer indivíduo como nome de Commissario, ou cousa similhante, e esta cautella conservaria a apparente, mas necessária independência da Soberania da Naçaõ; desattendendo-se a isto se deo novo motivo á opinião, de que os negócios de Portugal eram Governados pela Inglaterra.
Fig.11. No dia 19 de fevereiro de 1810, foram assinados tratados de aliança e comércio com a Inglaterra. O lusitano Oliveira Martins comenta duramente (História de Portugal pp. 525 a 527) que: “mais uma vez a dinastia vendia o reino, como Esaú a primogenitura; mais uma vez, depois de tantas, o Bragança, para conservar o trono, sacrificava o país (...). A consequência destes tratados era ver, e logo se viu. O comércio, a indústria portuguesa ficaram de todo arruinados. (...).

Seguiram-se os infelizes tractados de 10 de Fevereiro, com que a familia dos Souzas arreigou o seu poder; e com que a Europa toda se persuadio, de que havendo alguma cousa a tractar com Portugal, bastava que as negociaçoens se fizessem com a Inglaterra.
 Ultimamente, deixando de fallar em muitos outros factos de menor importância; posto que tendentes ao mesmo fim; assignou-se o armisticio; em que Portugal foi comprchendido, sem que ali se achasse um Ministro de Portugal para o assignar também; sofrendo-se que estipulaçoens, importantissimas aos Portuguezes, fossem ajustadas por outras Potências; e isto ao mesmo tempo que os amigos do Conde de Funchal espalhavam em Londres, que aquelle Ministro tinha Plenos Poderes eventuaes para apparecer no Continente sempre que fosse necessário.
Fig.12. A bandeira do povo lusitano figura apenas como mais um troféu na caneca dedicada ao britânico  Lord Wellington Símbolo que ignora todos os sacrifícios e perdas indescritíveis dos lusitanos -  os méritos e os louros das Guerras Peninsulares de 1808 até 1814. A forte indústria cultural e comércio físico e simbólico britânicos tratavam de transformar esta imagem em valores econômicos e em moeda sonante a favor do erário inglês. Os seus empresários e comerciantes  embolsavam e  exibiam os troféus ajudada e motivada pela sua  esperta e ágil diplomacia britânica. Em outubro de 2014 o quadro continuamuito próximo deste. Basta ver para onde foram parar os lucros gerados pela FIFA no Campeonato de um dos muitos jogos britânicos disputados no Brasil. A Olimpíada de 2016 promete não reverter este quadro de heteronomia nacional.

He pois a esta serie de actos, em que escusadamente se tem comprometido a dignidade e apparencias de independência nacional, que attribuimos a desgraça de até se duvidar, no paragrapho da gazeta Alemaã, que copiamos, se os Ministros do Soberano de Portugal, seriam ou naõ admitidos ás negociaçoens de Vienna.
Naõ julgamos preciso recorrer a exemplos mais antigos, os que temos referido bastam para mostrar, qué a Corte do Rio de Janeiro deve conservar-se firme; até que recobre o seu bom nome, e do vida fama; e até que prove ás demais Potências, que tem recursos, e meios, que a podem fazer digna de consideração.
Fig.13. Na leitura dos textos dos tratados com os ingleses evidencia a dura prática destes na concepção, redação e assinatura pelos cortesões de Dom João VI. O alvo direto destes tratados eram também os tesouros, o trabalho e produção do povo lusitano. Os brasileiros eram vítimas indiretas. O distanciamento, o atraso e critica colocavam barreiras aos ambiciosos britânicos. Critica e distanciamento brasileiro que e tornava cada vez mais urgente a soberania das terras americanas sob o controle e descontrole dos  cortesões lusitanos. Certamente o redator do Correio Braziliense era um destes críticos. O texto acima  - de uma carta de Dom João VI - percebe-se outra mentalidade do que os  atravessadores, de mediadores e falsos tuteladores que cercavam o Príncipe do Brasil e Regente em exercício do cargo.

Sabemos muito bem das tentativas que tem feito as pessoas mais implicadas nestas desgraças da Naçaõ, para imputar a culpa aos Inglezes. Este he o seu ultimo subterfúgio; havendo largado nas maõs dos Estrangeiros os interesses nacionaes, querem agora sacudir a carga de seus hombros, e lançalla ás costas dos Inglezes. Sejamos justos: os Inglezes poderiam pedir cousas que lhes fizessem conta e fossem de seu interesse, mas nunca podiam pedir sacrifícios da honra nacional, que humilhavam Portugal, o de nenhum lucro eram para a Inglaterra. He pois uma calumnia contra o governo Inglez as insinuaçoens que se tem feito a este respeito, em varias publicaçoens e impressos Portuguezes, evidentemente fomentados por aquelles que se interessam em lançar a culpa aos Inglezes, para occultarem os seus próprios crimes ou ignorância.
Como quer que seja, suppondo, o que naõ concedemos, que os Inglezes pediram taes cousas  ¿para que lhas concederam? Mostrem que foram coactos no que fizeram, e entaõ os acreditaremos. Só a coacçaõ e força insuperável os pode justificar, justiça, nem ainda apparencias de razaõ, naõ poderão elles produzir para desculpa.
Fig.14. O titulo de “PRINCIPE do BRASIL” deve ter motivado  Dom João VI para prolongar a sua permanência nesta parte o seu reino. Explica simbolicamente a relutância real em voltar aos braços do povo lusitano após sete anos do fim das guerras napoleônicas e a fazer sob a mais forte coação política e familiar. No entanto, em outubro de 2014, a presença física das autoridades não consegue corrigir o distanciamento oceânico entre o povo e os seus governantes a  mercê de atravessadores, de mediadores e falsos tuteladores. Estes substituíram a coroa real física pelos cargos oficiais  de cujas funções nem quer ouvir falar.
A amizade da Inglaterra he utilissima a Portugal, os soccorros e auxilios, que lhe tem prestado saõ de summa importância, tera-no sido, e podem sello para o futuro; he logo naõ so da honra, mas do interesse de Portugal naõ ser ingrato; mas nenhuns benefícios possíveis ou imagináveis podem ser iguaes ou exigir a submissão da independência de Portugal. Tudo depende das pessoas que a Corte do Brazil empregar; as que até aqui tem empregado, ja se vê como tem obrado. Sirva o exemplo de escarmento.
Em outubro de 2014 o povo brasileiro continua esmagado econômico, político e pelas forças de segurança física e virtual. Continua abandonado por aqueles que TOMARAM “POSSE” dos CARGOS PÚBLICOS e que estão a mercê de atravessadores, de mediadores e falsos tuteladores. 
Domingos Antônio de Siqueira o LUZITANO - Povo pede retorno do rei -  Lisboa 17.12.1813 - Detalhe
Fig.15. O eterno povo lusitano, brasileiro ou de qualquer outra paragem  pouco tem a comemorar em outubro de 2014. As guerras tribais, as ameaças do ebola e as desgraças das intempéries são combustíveis para vender as noticias - pautadas e editadas - conforme os interesses das forças hegemônicas. O panorama do povo de 17 de dezembro de 1813 de Lisboa pouco difere da multidão aglomerada e ansiosa da Rua 25 de Março e São Paulo, da Rua Voluntários de Porto Alegre ou do Largo da Carioca. Povo que mais se defende dos mediadores, atravessadores e tuteladores do poder da nação na qual este povo é origem, razão de ser e pretextos. Estes entes governamentais, centralistas e onipotentes nada mais querem saber das angustias e deste povo exaurido e anônimo.
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 Certamente os políticos, esportistas e artistas autênticos acham tolice consumada pedir desculpas. Em vez deste pedido inútil tratam de não insistirem nos seus eventuais erros. Porém os atravessadores, os mediadores ou tuteladores continuam a achar algum culpado de plantão em quem jogar a sua culpa. Buscam um “bode expiatório” real ou imaginado, sobre quem jogar os seus erros e de sua camarilha. Continuam a imitar as ações perversas das pessoas ineptas e responsáveis pelas desgraças da Nação lusitana em outubro de 1814.

FONTES BIBIOGRÀFICAS
HOLANDA, Francisco.  Diálogos de Roma: da pintura antiga. Lisboa: Sá da Costa,        1955,  158p.
MARTINS, Oliveira (1845-1894) História de Portugal – J.P. Oliveira Martins (3ª ed) Lisboa: Bertrand, 1882, 2 vol

FONTES NUMÈRICAS DIGITAIS
CAMPANHAS INGLESAS em PORTUGAL e ESPANHA

CARDINI, João

CASA BERNARDOTE
BERNARDOTE Jean-Baptiste ou Carlos XIV

GUERRA PENINSULAR 1808-1814 na VISÃO INGLESA

CORREIO BRAZILIENSE de OUTUBRO de 1814

Dom Pedro de SOUZA HOLSTEIN (1781-1850)

Domingos Antônio SIQUEIRA (1768-1837) o LUZITANO

Dona Maria I de Portugal

Rainha Cristina da Suécia

Eduardo VIII

PEIXEIRADA em Bayonne

FRANÇA e BRASIL

MURAT, Joaquim Napoleão 1767-1815

TRATADO ANGLO-LUSITANO  de 19.02.1810
ANTIGOS TRATADOS entre PORTUGAL e GRÃ BRETANHA



ANEXO:
No séc. XIX, em 1810, foram assinados tratados de aliança e comércio com a Inglaterra (19.02) desta maneira dura comentados por Oliveira Martins:

Mais uma vez a dinastia vendia o reino, como Esaú a primogenitura; mais uma vez, depois de tantas, o Bragança, para conservar o trono, sacrificava  país(...). A consequência destes tratados era ver, e logo se viu. O comércio, a indústria portuguesa ficaram de todo arruinados. (...).
Arruinada no fim do XVI século, à mercê da Europa e das suas intrigas e equilíbrio. No século XVIII o rendimento do Brasil vem dar riqueza a um país desolado e despovoado; e agora, de facto perdida outra vez a independência – se alguma houve realmente a não ser durante o reinado do marquês de Pombal – perdia com ela o tesouro português. No fim do XVI século, era desabar do império ultramarino que fazia cair por terra a nação. A dinastia de Avis soube acabar heroicamente. O D. Sebastião de agora, o D. Sebastião dos Braganças, sabia fugir em vez de morrer; sabia apenas sacrificar tudo para salvar a si, como fizera o seu avô, Dom João IV. Por tudo isto, o último homem dos Avis deixou no coração do povo um rastro de luminosa saudade, e o último homem dos Braganças deixou apenas aquele enjoo que provoca o vômito..” ( Oliveira Martins, História de Portugal, excertos de pp. 525 a 527) 
MARTINS, Oliveira, 1845-1894 História de Portugal / J. P. Oliveira Martins. - 3ª ed. emendada. - Lisboa : Viuva Bertrand, 1882. - 2 v. ; 18 cm. - (Bibliotheca das Sciencias Sociais ; 2, 3)

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Círio SIMON








Um comentário:

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