quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

161 – NÃO FOI NO GRITO

 O GOVERNO e os seus SÓCIOS.

Fig. 01 –  A nação brasileira possui, em fevereiro de 2018,  diante dos seus olhos e suas mentes aquilo que o Correio Braziliense de Fevereiro, de 1818,  apontava como uma das causas da infelicidades geral do GOVERNO que lhe imposto por pessoas que apenas visam a “POSSE de CARGOS”. Os partidos que deveriam teoricamente PREPAR os seus integrantes para EXERCER FUNÇÕES e SERVIÇOS PÚBLICOS de forma IMPESSOAL e se deter diante dos LIMITES do EXECUTIVO, avançam no sinal e transformam este SERVIÇO PUBLICO no FEUDO HEREDITÀRIO. Em  FEVEREIRO  de 2017 continuam as manobras dos SÓCIOS do GOVERNO mais vivos e atuantes do que aqueles registrados, em FEVEREIRO de 1817,  no CORREIO BRAZILIENSE “nomearam-se muitos homens ineptos, cujas pretensões a tais empregos consistiam unicamente em pertencer aquele partido”.



“É da mesquinha sorte dos Portugueses serem governados por um clube de Secretários de Estado, cujo fim é fazer um partido de seus parentes e aderentes. Nenhum homem é empregado, que não pertença á sua combinação, e nenhuma medida é aprovada, senão provém de sua intervenção. Mesmo o que é sugerido por El Rey em pessoa não presta nem tem merecimento, quando não vem por via do partido dominante, (Correio Braziliense, fevereiro de 1818, p. 204.)


Os profundos hábitos coloniais e servis geraram  formas de governo absolutamente coerente entre si tanto em fevereiro de 1818 como em fevereiro de 2018[1]. O MEDO, a COBIÇA e o ARBÍTRIO manipulam as poções de TERROR, de PROMEÇAS VÂS e a AMEAÇA de um FUTURO PIOR do que o PRESENTE.  

Procure, pois, um príncipe, vencer e manter o Estado: os meios serão sempre julgados honrosos e por todos louvados, porque o vulgo sempre se deixa levar pelas aparências e pelos resultados, e no mundo não existe senão o vulgo; os poucos não podem existir quando os muitos têm onde se apoiarMAQUIAVEL - O PRINCIPE Cap XVIII[2].

Fig. 02–  Sem GRITOS ou AVISOS, as serpentes atacam silenciosamente na calada da noite e até imobilizar as suas vitimas pelo seu VENENO ou  pelo seu ABRAÇO MORTAL Um REGIME MONOCRÁTICO e HEREDITÀRIO é um NINHO  de VÌBORAS .  As SERPENTES NÂO CUIDAM da sua PROLE.  Elas sabem do poder do seu VENENO. Além disto, as VÌBORAS são  altamente FÈRTEIS e UNIVERSAIS.  A metáfora da AÇÂO SILENCIOSA, IMORAL e MORTAL da SERPENTE BÍBLICA no PARAISO é uma das suas HABILIDADES para jogar TODOS na DESGRAÇA IRREMEDIÁVEL e PERPÈTUA, sem oferecerem nenhuma CONTRAPARTIDA.  .

Os profundos hábitos servis e coloniais brasileiros são dissimulados pelo populismo, pela aparência de um pertencimento vazio,  de um presente tacanho e de uma História dissimulada, reduzida e falsa. Hábitos que são constantemente reaquecidos, cultivados e exibidos como o BEM, o BOM e VERDADEIRO possíveis. HÀBITOS e COMPORTAMENTOS ESPERADOS e que MAQUIAVEL já descrevia (O PRINCIPE  Cap. XXIV)[1] na época em que os portuguesa tomavam a POSSE do Brasil 
os homens são levados muito mais pelas coisas presentes do que pelas passadas e, quando nas presentes encontram o bem, ficam satisfeitos e nada mais procuram”.

Nestas condições os que se apropriam e tomam POSSE dos CARGOS PÚBLICOS LUSITANOS e BRASILEIROS comportam-se como perigosas e abjetas SERPENTES. A sua tática e SURPREENDER as suas VITIMAS SEM GRITOS e ALARDES. Depois tratam de subjugar fisicamente ou pelo veneno mais mortal no MAIOR SILÊNCIO e dos quais as suas vítimas não podem escapar.

Fig. 03–  O personalismo administrativo era uma das características do REGIME MONOCRÁTICO e HEREDITÀRIO. A FAMÍLIA do MONARCA cerca-se de apoiadores, de vassalos e súditos absolutamente leais. Qualquer expressão infeliz, descuido ou falta de devoção expressa e visível poderia ser julgado como CRIME LESA MAJESTADE e PUNIDO com a MORTE. A ausência de PROVAS sempre seria a favor do MONARCA como continua sendo em fevereiro de 2017 a favor da suspeita do JUIZ INQUISIDOR


CORREIO BRAZILIENSE  DE FEVEREIRO de 1818. 
Volume XX. Nº 117, pp, 204 - 207
 Mîscellanea. 
Reflexoens sobre as novidades deste mez. 
REVNO UNIDO DE PORTUGAL BRAZIL E ALGARVES. 
Despachos no Rio-de-Janeiro. 
Fig. 04 –  O PALÁCIO REAL de SÃO CRISTÓVÃO era um misto de CASA GRANDE COLONIAL com uma FORTALEZA . FORTALEZAS que protegiam o LITORAL do BRASIL do NORTE ao SUL do BRASIL:.. Esta arquitetura é favorável ao parentesco, compadrio e trocas de favores entre iguais O POVO passava ao longe sem chance de ali penetrar a não ser para o TRABALHO BRAÇAL  e SERVIÇAL ou de ESCRAVO rigidamente domesticado.


Quando no nosso N°. passado dissemos alguma cousa em louvor dos melhoramentos, que se haõ feito no Brazil, pelo ministerio do Intendente Geral da Policia, tivemos um presentimento do que vemos agora realizado, na communicaçaõ de nosso correspondente, que vai ao diante publicada. He da mesquinha sorte dos Portuguezes serem governados por um club de Secretarios de Estado, cujo fim he fazer um partido de seus parentes e adherentes. Nenhuns homens saô empregados, que nao pertençam á sua combinacaõ, e nenhumas medidas sao approvadas, senoõ provêm de sua intervençaõ' Mesmo o que he suggerido por El Rey em pessoa nao presta nem tem merecimento, quando naô vem por vîa do partido dorainante. Vemos isto exemplificado nos ultimos despachos no Rio-de-Janeiro, como justamente observa o nosso conrespondente. Nomeou El Rey os novos Secretarios d'Estado, e entre elles Joaô Gomes Bezerra ; este, ja com os pés na sepultura, naõ quiz esperar que chegasse á Corte o Secretario de Estado dos Negocios Estrangeiros, Conde de Palmella, para encher os lugares vagos de Diplomacia- Combinou-se com a Condessa de Linhares, e empregou a todos, que tinham connexaõ com o partido dos Roevides, sem exceptuar o mesmo Conde do Funchal, que foi mandado saîr dc Londres, pelo rigoroso Avizo, que nesse tempo publicamos; e nomeáram-se para representar El Rey nas Côrtes Estrangeiras muitos homens ineptos, cujas pretencoens a taes empregos consistiam unicamente em pertencer áquelle partido; atando assim as maõs ao Ministro, que ia occupar o lugar de Secretario d'Estado dos Negocios daquella reparticaõ.

Por outra parte o Intendente da Policia, cujos serviços essenciaes, desde que a Familia Real passou para o Brazil, saõ conspicuos e ficam provados pelos melhoramentos, que temos annunciado, e os serviços de abrir novas estradas, pontes, fontes, &....caínda fôra de sua reparticaõ, naô tem merecido até aqui premio algum. Este zêlo dos Secretarios de Estado, ainda mesmo para com as medidas, que se originam era El Rey, se naõ vem por meio do partido que governa, se mostra nas medidas do Alvará de 15 de Septembro, e que publicamos no nosso N°. passado. Havia S. M. , com infinita gloria sua, suggerido a prommoçaõ do uso dos productos e manufacturas de Portugal no Brazil, e mandou para isso publicar um alvará com força de ley, aos 28 de Abril de 1809. Mas os Secretaríos, como isto naõ foi medida sua, deixaram ficar a materia ein esquecimento, até que El Rey houve por bem tornar a decretar isto de novo, e fazer expedir as cartas Regias, para soa execuçaõ, que publicamos no principio do nosso N°. passado. A utilidade manifesta destas boas intençoens d'El Rey naõ podia deixar de tocar a todo o mundo: assim achamos, que o Juiz do Povo de Lisboa, mandando uma copia da Carta Regia å Casa dos Vinte e Quatro, lhe annuncia, que pedira uma audiencia a S. M. para lhe agradecer este favor; em nome do Povo de Portugal, — Assevera mais o dicto Juiz do Povo, que El Rey, haveado-o recebido com a maior affabilidade, lhe prometteo outras medidas de igual tendencia. Dizem-nos, que o actual, Secretario de Estado dos Negocios do Reyno, no Rio-de-Janeiro, fora igualmente objecto e victima do zêlo de seu predecessor, só porque tinha o ouvido d'El Rey. Dejamos portanto, e esperamos de sua conhecida integridade, que elle, aprendendo pela experiência propria, naõ faça parte de taes combinaçoens de Gabinete, que sendo tam injuriosas a El Rey. saõ de manifesta ruina para os Povos.

Fig. 05–  Uma das características do REGIME administrativo MONOCRÁTICO e HEREDITÀRIO era o comportamento e o formalismo dos CORTESÕES presos a RÍGIDAS ETIQUETAS e um  FORMALISMO sem FIM . Neste REGIME administrativo MONOCRÁTICO e HEREDITÀRIO era impossível GOVERNAR sem estas EXPRESSÕES de PATERNALISMO, de APADRINHAMENTO e SUBMISSÂO VISÍVEL da MENTE, da VONTADE e dos SENTIMENTOS mais INTIMOS..

Emprestimo á Fazenda Real, em Lisboa.

Fig. 06 –  Em fevereiro de 1817 a  MONETARIZAÇÂO da POLITICA estava na torrente das inovações da ERA INDUSTRIAL.  Os GOVERNOS dos ESTADOS EUROPEUS passaram a CONTROLAR  as SUAS MOEDAS NACIONAIS. A EFIGIE do SOBERANO foi tomada para expressar este vínculo ESTADO e ECONOMIA.. A partir da ÉPOCA PÓS-INDUSTRIAL esta “CARA” da MOEDA NACIONAL começou a desaparecer além do lastro FÌSICO em OURO. Em contrapartida a ECONOMIA começou a manietar cada vez mais a POLÌTICA NACIONAL. Desta forma as DITADURAS POLÙICAS CEDERAM o seu PASSO e o seu  ESPAÇO para a DITADURA ECONÔMICA.

A p. 130, copiamos uma Portaria dos Governadores de Portugal, pela qual se anuncia, que o longo projectado empresticuo ao Real Erario ainda naõ está completo, e se manda entrar uos cofres, estabelecidos para o pagamento do principal e juros desta divida, com o dinheiro, que para isso he necessário, A expressaõ, de que o emprestimo esta proximo a ultimar-se, prova, que ainda se naõ concluîo; mas os Governadores do Reyno tem cuidado em naõ dizer quanto lhes falta, para o tal complemento O fim apparente da portaria, he mandar entrar nos cofres, com o dinheiro necessario para o pagamento dos juros: mas como isto se tinha ja determinado na portaria, por que se abrio o emprestimo, em 8 de Juiho do anuo passado, he claro que o fim verdadeiro desta portaria, he propor novo estimulo aos capitalista a ver se concorrem com o emprestimo. Mas he claro, que a Portaria deve produzir o effeito opposto; porque, se desde Julho do anno passado os Governadores naõ pensáram em mandar entrar nos cofres, com o dinheiro preciso para a satisfacçaõ dos juros do emprestimo, que solicitávam ¿ que prova mais clára pôde haver de falta de punctualidade, do que esta tardia providencia ?

Fig. 07 –  A  MONETARIZAÇÂO da POLITICA da PRIMEIRA ERA INDUSTRIAL pode se acompanhada e ilustrada com as MOEDAS com suas “FACES”  portadoras das EFIGIES dos SOBERANOS NACIONAIS. A NUMISMÀTICA NRASILEIIRA possui amplo material de estudo no período do REINO e que fluiu para a consolidação da SOBERANIA BRASILEIRA.  A conquista definitiva desta SOBERANIA foi lastreada e expressa por uma  ECONOMIA. Pouco SIGNIFICADO teria. Para a POLÌTICA NACIONAL, um problemático GRITO de um IPIRANGA sem a esperança e a crença de um NÙCLEO ADMINISTRATIVO IMPESSOAL no controle da MOEDA NACIONAL. Evidente que os 200 anos que separam FEVEREIRO de 1818 e FEVEREIRO de 2018 não conseguiram evidenciar um PROJETO BRASILEIRO consistente e um CONTRATO NACIONAL solidamente estabelecido e reconhecido pelas demais 200 soberanias nacionais do planeta.

E se as medidas, que tomáram, quando abrîram o emprestimo, éram sufficientes, ésta segunda portaria, por isso que éra escusada, necessariamente se faz suspeita. A verdade he o Governo terá sempre tanto menos credito, quanto obrar mais arbitrariamente; porque, como os individuos, que emprestam ao Governo naõ tem meios nem legaes, nem violentos, para o obrigar a cumprir com o que promette, he claro que os credores sô emprestaraõ ao Governo, se estivérem convencidos de sua justiça, e que tanto menos estaraõ, quanto mais arbitrario for esse Governo. Agôra ¿ que medidas tem adoptado os Governadores de Portugal, para se acreditarem por justos? Degradar os da Septembrizaida, sem proceso; e enforcar os inimigos do Marechal, com processo tal, que nunca se vio igual. Logo, o emprestino naõ pode nunca ser voluntario: porque naô haverá mutuante,que naõ esteja exposto a ser, pelo menos, expulso do Reyno, quando naõ sêja enforcado, e dar-se-lhe assim as contas por justas, tanto nos juros, como no principal.

Mas diraõ, que o Senhor Ricardo Raymundo mandarå escrever pelo padre bebado, ou energumeno, contra o Correio Brazilieuse, e assim ficará outra vez accreditado o Governo. Desejavamos sinceramente podermos dar lhes os parabens pelo expediente. Mas quer haja, quer naõ, Correio Braziliense, quer elle seja refutado. quer naõ, os homens de senso commnm teraõ sempre as mesmas ideas de tal Governo; e se o Correio Braziliense. expondo taes males, dá com isso uma esperança deque elles se remediaraõ, os Governadores de Portugal, empregando um bebado para os defender, degradûam o seu character, e deteriôram a sua causa.
Fig. 08 –  A figura de Dom João VI a cavalo expressava a nobreza e a soberania sobre o peão ou gente a pé. A verdadeira parafernália icônica com que se exalta  os senhores e senhoras do REGIME administrativo MONOCRÁTICO e HEREDITÀRIO tinha livre curso enquanto que a imagem singular do súditos era proibida.. Com este expediente o Brasil ignora a imagem e os rostos daqueles do PODER ORIGINÀRIO por mais importantes e significativos seria a historiografia brasileira. Este tabu pela imagem personalizada também se aplicava para a arquitetura colonial com exceção das igrejas e dos raros e  modestos palácio governamentais.


Os emprestimos publicos, naõ forçados com o temor de îr degradado para ás Ilhas, mas voluntários, saõ o criterio da confiança que a Nacaõ tem no Governo. Julguem-se os Governadores de Portugal a si mesmos, por ésta pedra de toque; considcrem, que desde Julho passado aiuda naô podéram completar o emprestimo, e que nenhum estrangeiro achou, que devia confiar-lhes nem uiu vintem; compárem isto com os rnilhoens, que todos os estrangeiros confiam annualmente ao Governo Inglez; e entaô" veraõ os Governadores do Revno a justa situaçaõ em que se acham; e conheceraõ, que nem os oradores mais eloquentes, nem os escriptores mais agudos, serîam capazes de mudar a opiniaô publica a seu favor, em quanto clles na5 mudassem de systema

MOEDA de DOM JOÃO VI

FALÊNCIA do PRIMEIRO BANCO do BRASIL

Fig. 09–  O compadrismo, o clientelismo e o jeitinho brasileiro conseguem fazer costuras políticas, econômicas e de interesses dos quais  são excluídas as mulheres, o povo e os operários. É o retorno ao REGIME MONOCRÁTICO e HEREDITÀRIO onde reina personalismo administrativo.. Nos projetos coloniais europeus não era possível governar sem o paternalismo, o apadrinhamento e submissão de mente, vontade e sentimentos dos  súditos. A soberania nacional não tinha grande sentido. Um soberano podia governar simultaneamente vários estados. Para tanto a maquina governamental tinha de demonstrar absoluta obediência. Nada melhor do que o parentesco, o compadrio e o encilhamento.  


CORREIO BRAZILIENSE  DE FEVEREIRO de 1818. Volume XX. Nº 117, pp, 223 - 224

Conrespondencia.

Carta ao Redactor sobre o Intendente da Policia do Rio-de-Janeiro.

Senhor Redactor do Correio Braziliense!

Como as gazetas do Rio-de-Janeiro e o seu Jornal fallam dos melhoramentos no Brazil, por intenvençaô e via do Intendente Geral da Polícia Paulo Fernandes Vianna[1], e como este honrado e digno ministro se acha, sicut erat in principio fira quanto a despachos, e se com o resultado de doenças, que tem adquirido no serviço, naõ obstante os Targinis, e outros se acharem Baroens e Viscondes, &c. &c, lhe direi, para maior informaçaõ dos seus leitores, que Paulo Fernandes Vianna tem trabalhado e feito em 10 annos mais serviços que todos os intendentes geraes da policia desde a sua creaçaõ.



[1] Intendente Geral da Polícia Paulo Fernandes Vianna https://pt.wikipedia.org/wiki/Paulo_Fernandes_Viana




Fig. 10 –  Paulo FERNANDES VIANNA foi  Intendente Geral da Polícia da Corte de Dom João VI. Porém o seu NOME, TRABALHOS e OBRAS foram ignorados pelo GOVERNO e pelos SEUS SÓCIOS conforme registra o CORREIO BRAZILENSE em fevereiro de 1817: “Intendente da Policia, cujos serviços essenciais desde que a Família Real passou para o Brazil, são conspícuos e ficam provados pelos melhoramentos, que temos anunciado, e os serviços de abrir novas estradas, pontes, fontes, &.” . A mesma discriminação oficial silenciou outras valorosas expressões como do Conde da BARCA e o General  GOMES FREIRE de ANDRADE[1] e dos seus companheiros do lúgubre infortúnio exterminados pela inércia de uma corte voltada apenas para os seus sócios e prosélitos

Para prova disto basta olhar para o estado atrazado a até desconhecido de policia, em que se achava o Brazil; e o Rio-de-Janeiro, antes da chegada da Familia Real. Basta olhar para o estado critico e melindroso, em que se deveria achar o Rio-de-Janeiro a cada momento; visto ser ésta cidade o lugar, que servia de escála e rendevous para as possessoens Hespanholas; e para onde se muniam os revolucionarios com passaportes. Em fim basta olhar para as immensas cousas, que o Intendente tinha a fazer, achando-se o Rio-de-Janeiro mudado, em um momento, de Cidade de Colonia em Capital do Reyno e em Côrte, e tudo isto sem estabelicimentos previos, sem rendas fixas. Paulo Fernandes Vianna sem receber do Erario ajuda alguma de custo; sem ter á sua disposiçaõ as rendas das limpezas das ruas, como tinha o Manique; nada menos que 200 contos, sem ter as rendas da Casa Pia; &c. &c. tem mantido, naô sá o que mantinha o Manique, mas atê de raais a mais tem feito oque ja mais fez Intendente algum ; por exemplo, carregar com as immensas despezas dos colonos, que viéram das Ilhas, e que a naô ser elle serta raesmo baldada a sua vinda: pois que se deveo ao seu cuidado infatigavel a distribuicaô delles pelas differentes terras. Carregar com as grandes despezas das festas, curros, &c. &c. E até servindo muitas vezes de Bolcinho para gastos, que exclusivamente pertenctam a outrem. Em fim carregando com despezas extraordinarias para serviços particulares e entendidos entre elle e El Rey.

Fig. 11 –  O antigo prédio  da Delegacia da Polícia da Corte de Dom João VI numa foto do final do século XIX.  Um governo da nova ERA INDUSTRIAL deveria exercer a VIOLÊNCIA como delegação do cidadão avulso que renunciava a fazer a justiça,  com as próprias mãos e meios, DELEGANDO e CONTRATANDO, para este feito,  o ESTADO NACIONAL. Para tanto este ESTADO NACIONAL não só se precisava aparelhar e contratar agentes, mas também dispor de um espaço físico fixo conhecido de todos. De outro lado -  para que este ESTADO NACIONAL NÂO se transformasse num ESTADO POLICIAL - ele avançava com PROJETOS COMPENSADORES desta VIOLÊNCIA. O trabalho honesto e positivo, as escolas públicas e as artes davam um corpo físico e institucional  estes PROJETOS COMPENSADORES desta VIOLÊNCIA  contratual.


Naõ digo, Senhor Redactor, que estes gastos os faça da sua algibeira, mas sim que, a naõ serem os fundos da sua casa, adquiridos com o seu casamento, lhe seria impossivel com as rendas da Policia, por mais exaggeradas que se façam, o supprir a tanto gasto, e digo, portanto, que o desembolso em que elle muitas vezes está de sommas avançadas, para o serviço de Estado, he um serviço de grande lote; e saõ a titulo do que obtiveram Quintela e Bandeira os titulos de Baraõ. ainda mesmo que tirávam destes avanços como negociantes, que éram, 200 por 100.- e tinham além disto os Contractos Reaes por muito menos que dariam outros.

Fig. 12 –  A crescente especialização e divisão de tarefas, imposta pela lógica da ERA INDUSTRIAL,  levou os GOVERNOS dos ESTADOS EUROPEUS, ao longo do século XIX a criar a POLÌCIA SEPARADA do EXÈRCITO. EXÈRCITO a quem incumbia  a DEFESA dos TERITÒRIOS NACIONAIS enquanto a POLÌCIA cabia a SEGURANÇA INTERNA. Espinosa já havia defendido, no plano filosófico,  a tese de que ao ‘ESTADO cabe a SEGURANÇA enquanto ao CIDADÂO CABIA a LIBERDADE’, Para os SOBERANOS MONOCRÀTICOS, HEREDITÀRIOS isto significava a drástica limitação do seu PODER PESSOAL ou dos seus SÓCIOS. De outro lado pouco importava as PESSOAS SEREM BOAS ou MÀS, quando existe um aparelho estatal competente dentro dos limites constitucionais e contratuais. Esta AUTOMAÇÂO do PODER ESTATAL vem sendo TENTADA ainda em FEVEREIRO de 2018 e SEM UMA SOLUÇÂO DEFINITIVA a VISTA

Fig. 13–  O deputado Eduardo CUNHA tornou-se “boi para as piranhas”  para salvar o REBANHO dos seus PROSÉLITOS e SÓCIOS de ocasião. Uma das figuras mais notórias do GOVERNO BRASILEIRO,  do início do século XXI, ele enganou  multidões anônimas  e com o decidido apoio dos seus SÓCIOS se apropriou dos mais altos CARGOS NACIONAIS. Porém os seus próprios SÓCIOS o abandonaram, o condenaram ruidosamente e ele foi para a cadeia  para que a MALTA dos seus SÓCIOS e  PROSÈLITOS pudesse prosseguir no caminho dos seus próprios projetos perversos e lesivos à NAÇÂO BRASILEIRA..


Na conclusão é necessário sublinhar que, em fevereiro de 1818 os SÓCIOS do GOVERNO eram,  e continuam sendo em fevereiro de 2018, um pequeno FEUDO fechado sobre si mesmo. A este FEUDO não  importa a NAÇÂO, a sua natureza, problemas e até recursos.  O SEU ÚNICO e ÚLTIMO objetivo é empolgar o PODER e, ato contínuo, mantê-lo sob o seu controle através da POLÍCIA, do ENCILHAMENTO e das CHANTAGENS SEM FIM.

Fig. 14 –  O mecanismo  LEVIANO e MAL INTENCIONAD da acusação de que “ A CLPA é do ELEITOR”  começa a se desvendar pelo fato de VOTO ser OBRIGATÓRIO. Esta OBRIGATORIEDADE é uma ARMA que o ELEITOR  faz questão de usar para colocar nos CARGOS, os MAIS PALHAÇOS, os MAIS CORRUPTOS  e os MENOS EFICAZES. Assim materializa a “pedrada”  do Barão de ITARARÈ “QUER CONHECER o INÀCIO: o COLOQUE no PALÀCIO  O SERVIÇO PÚBLICO - que, em tese, deveria ser destinado ao BEM PUBLICO - é CORROMPIDO, INUTILIZADO e se volta contra o BEM da NAÇÂO. De outro lado o ELEITOR SABE de ANTEMÂO que ESTE PODER PERTENCE de uma ou de outra forma a um SELETO CLUBE DE SÓCIOS. O ELEITOR também sabe, de antemão,  que o seu voto não possui o menor sentido diante do ESTELIONATO ELEITORAL, da AUDÁCIA dos DONOS do PODER e das IINCRIVEIS e mirabolantes GINCANAS JURÍDICAS.  GINCANAS JURÍDICAS que estão FORA das SUA COMPREENSÂO, da sua COMPETÊNCIA e sempre FAVORÀVEIS aos ETERNOS SÒCIOS do PODER.



  A OPINIÃO PRONTA, DIGERIDA e VOMITADA pelos MEIOS de COMUNICAÇÃO de MASSA é a ÚNICA INFORMAÇÂO que CHEGA ao PODER ORIGINÀRIO da NAÇÂO. Enquanto isto o NOVO, o INEDITO e o VERDADEIRO são atropelados. Estes são aniquilados pela ESCRAVIDÃO VOLUNTARIA e pelo COLONIALISMO. Para estes vale a normativa governamental de MAQUIAVEL: Os homens  ficam satisfeitos e nada mais procuram quando presente encontram o bem.”.

Torna-se impossível de desvelar o EMBUSTE -  apontado por este florentino - quando os MEIOS de COMUNICAÇÃO de MASSA DIGEREM, VOMITAM a OPINIÃO PRONTA daquilo  que pretendem que seja o BEM GERAL, e o BOM VERDADEIRO e ÚNICO. Na SOMBRA destes GIGANTES ÓCOS e FALSOS  se instala e agem subliminarmente a ESCRAVIDÃO VOLUNTARIA e o COLONIALISMO REQUENTADO. Agem  pelo REPERTÓRIO ABASTARDADO, pela IMAGEM com a qual não é possível discutir e pela NARRATIVA SEDUTORA, EMPOSTADA e FALSA


FONTES NUMÉRICAS DIGITAIS


PAI e FILHA

ESPOSA de PRESIDENTE com CINQUENTA (50) SERVIÇAIS

MAQUIAVEL - O PRINCIPE  Cap. XXIV,

Intendente Geral da Polícia Paulo Fernandes Vianna 

POLITICOS e POLÌCIA

ELEITOR X POLÌTICO  x POLÌCIA

GOMES FREIRE de ANDRADE

DESEMPREGO CRESCE no BRASIL em JANEIRO de 2018

REVANCHISMO

RIO GRANDE do SUL ESTADO PRIVILEGIADO pela POLÍCIA FEDERAL

FALÊNCIA do PRIMEIRO BANCO do BRASIL

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domingo, 7 de janeiro de 2018

160 – NÃO FOI NO GRITO

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NAÇÃO - ESTADO - GOVERNO
Em janeiro de 1818 e de 2018

Fig. 01 –  No início do século XIX  multidões anônimas  se moviam em toda a AMERICA do SUL. Estas multidões reagiam contra os GOVERNOS dos ESTADOS EUROPEUS em confrontos mortais e dilacerantes de todos os contratos anteriores. Estes povos, antes submissos aos projetos coloniais europeus, começaram a construir o seus próprios projetos nacionais  e, aos poucos, assumindo a sua soberania.   .  

A força não está da parte dos que governam que são poucos homens; mas sim da parte da multidão. Se o povo todo não quiser obedecer, o Governo não terá forças para o subjugar. O povo submete-se ao Governo, pela opinião, em que está, de que deve obedecer. As medidas arbitrarias do Governo tendem a diminuir essa opinião, e por consequência a enfraquecer o seu poder”
Correio Braziliense, VOL. XX. No. 116. janeiro de 1818, p. 96
Assinatura da Independência CHILE no dia 01.01.1818 -  DIÁRIO de CONCEPCIÓN  -   Dia 31.12.2017 -  Ano X, - nº 3.495 -  p.17
Fig. 02 –  A SOBERNIA - das novas  NAÇÕES SUL AMERICANOS -  nasceu do diálogo e da busca de interação entre etnias, grupos e ideologias com profundas diferenças. A  busca do ESTADO SOBERANO  respeitou e manteve estas diferenças. As complementariedades entre as eventuais contradições tiveram - e continua tendo – um espaço comum.   Porém em janeiro de 1818 a formação dos GOVERNOS estava muito distante de encontrar um ponto fixo de estabilidade contratual ente a NAÇÃO e o ESTADO. A verdade é que, em janeiro de 2018, ainda não completou e se consolidou este contrato. Sabendo desta fragilidade, dos GOVERNOS EMERGENTES, os GOVERNOS EUROPEUS se aproveitaram amplamente destas indefinições, destes contratos públicos vazios e continuam suas intensas investidas,  interesseiras e universais.

As novas nações sul americanas debatiam-se nas suas dores do parto do nascimento de sua soberania o seu território e o poder estavam sendo cobiçados, em dezembro de 1817, por quatro forças. De um lado estava o Reino da Espanha, do outro o Império Brasileiro, enquanto a Argentina cobiçava a Banda Oriental e ARTIGAS era um forte representante entre os nativos.
Enquanto o REINO CONTINENTAL de PORTUGAL continuava sob o alto arbítrio dos britânicos
Fig. 03 –  Os camisas vermelhos britânicos haviam perdido as suas 13 Colônias Norte Americanas. Assim as guerras napoleônicas foram um ótimo pretexto para dominar militarmente o Reino Lusitano. Assim a Grã Bretanha estava lançando as bases militares das suas conquistas e formar o NEO-COLONIALISMO no século XIX.
Esta escancarada presença militar britânica em solo de Portugal foi um aviso  para o Brasil tratar de conseguir o mais cedo possível a sua soberania. A elevação ao estatuto de REINO UNIDO dava margem para exercer esta distinção e que se concretizou em 1822.

Sob o alto arbítrio dos britânicos foram trazidos aos precários tribunais lusitanos uma série de réus acusados pelos ingleses de alta traição; Isto aconteceu em setembro de 1810 na denominada SETEMBRIZADA[1] acontecida logo após a partida do Dom João VI ao Brasil. Porém mais cruel e vexatório foi a condenação de GOMES FREIRE de ANDRADE[2] executado, junto com os seus companheiros no dia 18 de outubro de 1817 sob a acusação de atentaram contra o odiado BERESFORD. O Correio Braziliense de janeiro de 1818 voltava sua atenção aos condenados de 1810 arrastas de tribunal em tribunal.
Cenas de procrastinação jurídica que os brasileiros conhecem ainda em janeiro de 2018

Condemnacaõ dos Reos por alta traicaõ em Portugal.
He natural, que a repeticaõ desta materia faça com que os rabiscadores do Governo em Lisboa digam, que nos somos tediosos em repetir materia velha, como ja nos disséram a respeito dos Deportados da Septembrizaida, muitos dos quaes estaõ ainda sofrrendo pela materia velha. Mas naõ saõ esses rabiscadores os que nos hao de impedir de expôr os males nacionaes, resultantes de procedimentos arbitrarios e injustos, de que nôs assim como outros inuitos, teraos sido vittimas, e que todos os habitantes de Portugal estaô sugeitos a soffrer em seu turno. A repetida exposicaõ desses abusos, pôde tender a melhorar a disposicaõ, senao dos que governam agora, ao menos de outros individuos que succêdam nos seus importantes empregos, e, portanto, havendo em outros numeros exposto a injustiçaa dos procediraentos de que se tracta, passaremos agora a mostrar, quanto elles saô perniciosos em suas consequencias, a esses mesmos que governam; a fim de que o sentimennto do interesse proprio sirva de algum modo de freio, áquelles, cuja consciencia calejada naõ se doe aos argumentos da justiçaa. Quando o Conde de Linhares sevandijou todos os Magistrados de Portugal, no Avizo que do Rio-de-Janeiro remetteo ao Dezembargo do Paco em Lisboa, arguimos com vehemencia, contra aquella indecorosa medida, pela persuaçaõ, em que estamos, da necessidade de fazer respeitar, e fazer que sêjam respeita veis, os Sacerdotes da Justica.


[1] SETEMBRIZADAS de 10 a 13 de setembro de 1810


[2] Um judiciário lusitano coagido pelos britânicos condena os patriotas a forca:

Domingos SIQUEIRA (1768-1835)  “Sopa dos Pobres em Arroios” (1813) Gravura 42 x 78 cm
Fig. 04 –  As multidões lusitanas , tratavam de se manter vivas. Multidões abandonadas á sua própria sorte e sob o rígido controle britânico.  Os precários tribunais que haviam permanecido em Portugal - sem o  apoio LEGISLATIVO e um EXECUTIVO refugiado no Brasil - tornaram-se meras fachadas legais.  A corte de DOM JOÃO VI  permanecia no Rio de Janeiro a espera de que estas MULTIDÕES LUSITANAS pudessem recompor-se e restaurar uma soberania sob as novas condições gerais que o Congresso de Viena havia traçado


Sem que exista este sentimenlo no povo, as leys naô sao de algum proveito. Neste mesmo sentido he para lamentar,que a perseguicao, contra os infelizes condemnados agora neste exemplo, fosse cuberta com a capa de procedimentos judiciaes; porque o odio e falta de respeito, que de tam injusta sentenca se deve seguir aos Juizes, naturalmente se estende á Magistratura em geral; e naõ haverá criminoso, que seja punido com a maior justiça, a quem naõ sirva de abrigo ésta injusta sentença, para pôr em duvida a legulidade de seu castigo. O povo, que naõ tem meios de averiguar os processos convencido como deve estar cla illegalidade deste naõ terá motivos de acreditar, que outro algum processo criminal sêja justo; e daqui sem duvida se segue o desabono da administracaõ da Justiça. com indizivel detrimento do respeito das leys. Por mais injusto e atroz, que fosse o procedimento dos Governadores do Reyno, contra os deportados da Septembrizaida, aquelle acto naõ he comparavel com o de que se tracta, em suas terriveis consequencias. Na Septembrizaida, caîo todo o odio sobre os Governadores, e Secretarios do Governo; todos vîram. naquelle acto uin abuso do poder, em pessoas, que tinham nas suas maôs a administracaõ politica; mas naõ se violou o sanctuario da Justiça, naô se fez dos juizes instrumento do poder. No presente caso, porem, fez-se recair o odio nos magistrados; que déram a sentençaa; e mil outros casos, julgados conforme as leyss naô seraô bastantes para recobrar á Magistratura a authoridade e respeito, que esta unica injustica lhe tem feito perder. Os que apôiam sirailhantes medidas nos responderaõ, que as prizoens e os esbirros faraõ com que se obedeca aos magistrados; e se os esbirros naõ bastarem, as bayonetas dos soldados obteraõ esse fim. Este modo de raciocinar he um engano. A forca naõ está da parte dos que governam, que saô poucos homens; mas sim da parte da multidaõ. Se o povo todo naõ quizer obedecer, o Governo nao terá forcas para o subjugar. O povo submette-se ao Governo, pela opiniaô, em que está, de que deve obedecer. As medidas arbitrarias do Governo tendem a diminuir essa opiniao, e por consequencia a enfraqnecer o seu poder.
Fig. 05 –  Os pesados e massivos castelos medievais lusitanos prestaram o seu último serviço militar como fortalezas contra as invasões das tropas napoleônicas. Desaparecido este perigo as suas altas e sinistras muralhas tornaram se prisões controladas pelos britânicos e onde os juízes e advogados não tinham outra opção a não ser obedecer. Era contra este descalabro que o CORREIO BRAZILIENSE se revoltava em janeiro de 1818. Em janeiro de 2018 os presídios brasileiros só conseguiram piorar este quadro


He prova disto o que succede, nos infelizes territorios de Asia e Africa, aonde os qne governam se fiara, pela maior parte, nos seus soldados, para ter o povo em sugeiçaõ. Nenhum particular pôde contar com a sua cabeça segura: mas tambem os que govemam saô em um momento precipitados do throno em uma masmorra, e dali ao cadafalso. Acaba de succeder agora em Argel, o que continiiadamente se tem observado ali, em Constantinopla, e nos demais paizes aonde similhantes governos existem. A segurança, pois, do Governo, naô consiste nos esbirros, nem na força armada; mas sim na boa opiniaõ da naçaõ. A revolucaõ de Pernambuco, quaesquer que fossem as suas causas, foi executada pelas tropas; em quem o Governador se fiava para a sua defensa; e este motim em Lisboa, que os juizes qualificáram por crime d' alta traicaô foi intentado por railitares, conlra o commandante das tropas; vêjam pois os que goveraam, com estes dous exemplos em casa, se as bayonetas pádera jamais constituir baze segura para algura Governo. Por mais torluosa e embaracada, que os juizes fizessem a sua sentença, por mais que arranjassem os dictos dos réos, visto que nao tinham provas, a fim de justificarem a conclusaô, que tíráram, da criminalidade dos réos, ficou, na obstante isso, patente, que alguns desses officiaes condemnados tinham  má Vontade ao Marcchal, por offensas reaes ou imaginarias, que delle tinham recebido. Essa má vontade ao Marechal tornou-se em odio, e desejáram desfazer-se delle, fosse porque meios fosse- Eis aqui o que apparece da sua sentença, segundo o entender de todas as pessoas, que a tem lido e meditado.
INVASÃO INGLESA de PORTUGAL em 1589
Fig. 06 –  As invasões britânicas ao território metropolitano de Portugal foram frequentes.  Isto já havia acontecido em 1584 quando as coroas lusitana e espanhola se unificaram e Inglaterra resolveu tomar a parte que julgavam do seu direito.. Com os malfadados tratados lesivos a Portugal - como o de Methuen - muitas terras lusitanas passaram para o controle de particulares britânicos e que demandavam guarnições militares inglesas para cobrar, pelas armas, se necessário fosse, esta posse. Assim os ingleses procederam  na ausência de Dom João VI quando patrulham terras e mares de Portugal    

Agôra, a severidade dos castigos dos réos poderá satisfazer ao Márechal, mas, se havia descontentamento contra elle, esles procedimentos, longe de diminuir, devem augmentar o odio. Acresce a isto, que o Marechat he um estrangeiro, e, por tanto, ainda que os castigos de seus inimigos pessoaes fossem contidos nos limites da justica, sempre os Portuguezes se esentirîam de verem sacrificados tantos de seus compatriotas, para satisfazer á queixa deste estrangeiro. Esta observaçaõ tem tanto mais força, quanto lemos visto tratado, pelas mesmas gazetas Inglesas, entre outras o Times o qual disse, que fosse ou nao fosse justo o odio, que se tinha concebido em Portugal contra o Marechal, uma vez que isso tinha chegado a ponto de ser preciso dar castigos tam rigorosos, por sua causa, melhor seria que elle se viesse em boa para a sua terra, e deixasse os Portuguezes em paz. Porém nem o Times, nem os outros jornalistas Inglezes sabem, que ha em Portugal motivos de desconlentamento contra o Marechal, que se extendem alem da tropa: tal he o Regulameuto das Ordenancas, como nos observamos ao tempo de sua publîcaçaõ, cujas inovacoens odiosas, fazendo. por exemplo, presidir uin militar na Camara, se attribuem ao Marechal.

Fig. 07 –  As doze invasões inglesas da Argentinas pelo exército britânico evidenciam o interesse da Inglaterra por esta região estratégica no planeta. Esta extensa lista de interesses comerciais, políticos e militares ingleses que estavam inaugurando um extenso IMPERIO COLONIAL em pleno século XIX.. Antes da fuga de Dom João VI de Lisboa as tropas britânicas invadiram o Uruguai e depois se dirigiram para Buenos Aires onde Marechal William Carr Beresford foi preso pelo argentinos ..  

 Quando o Marechal Beresford commandava em Buenos Ayres. havia ali quem quizesse fazer daquelle paiz utna colonia Ingleza mas em vez de se adquirir ésta vantagem para lnglaterra, o povo prende-o o Marechal, elle fugio da prizaõ e Buenos Ayres he hoje um paiz independente. Isto aconteceo commandando o Marechal tropas Inglezas, mas porque o povo se naã dêo por satisfeito com elle. Melhor pois tivera sido, que quando ellc vio que naô estávam satisfeitos com dle os de Buenos Ayres, tivesse voltado para Ihglaterra.

Fig. 08 –  O Marechal William Carr Beresford e os seus soldados britânicos em Buenos Aires numa das 12 invasões  britânicas ao território Argentino.. Uma destas invasões inglesas ocorreu antes da vinda de Dom João VI ao Brasil. A corte do Rio de Janeiro  evitava que o Marechal  BERESFORD fosse  recebido e percebido no Rio de Janeiro ..      

Ninguem aprecia mais, ninguem tem dado mais louvor aos serviços do Marechal no espírito mpiito a disciplina do Exercito Portuguez, do que tem sido o Correio Braziliense; porém isso nao nos pode cegar, para que naô desapprovar aos da maneira mais decidida, as suas medidas para amesquinhar mais a condicaõ do Reyno: Paguem-se-Ihe em hora boa os seus servicos; porém uma vez que he necessario enforcar gente ás duzias, para que se obedeça ao Marechal, em nome da paz, mande-se o Marechal para a sua terra,  e nomeie-se um official Portuguez; que commande as tropas, para cessar a necessidade de tam sanguinolentas catastrophes.

Fig. 09 –  As tropas inglesas se renderam no 05 de julho de 1807 depois de uma feroz batalha de rua em rua em Buenos Aires  . O Marechal William Carr Beresford ficou preso em Buenos Aires ao longo de seus meses, conseguindo escapar. Isto não impediu a sua volta triunfal a Londres onde  recebeu 11.995 libras como participante e protagonista deste assalto..  

As doze invasões da Argentina pelos britânicos abalaram profundamente os ânimos dos Argentinos. De outro lado o espólio dos oito toneladas de prata das indenizações e saques praticados pelos ingleses foram um preço alto para que esta região não fosse reduzida a mais um colônia ou protetorado sujeito a Londres.

A tomada das Malvinas certamente foi um preço pago para que toda nação argentina se tornasse mais um terra sob o comando do COMMONWEALTH[1]

De outro lado Portugal se afigurou um velho e submisso vassalo de sua majestade britânica.  Assim o Marechal BERESFORD pode descarregar todas as suas frustrações de seus humilhantes seis meses de cativeiro em Buenos Aires e a crescente antipatia que a nação lusitana nutria contra ele e as sua desmesurada voracidade econômica Do saque do tesouro argentino o Marechal Beresford recebeu 11.995 libras como participante e protagonista deste assalto[2].



[2] - Beresford recebeu 11.995 libras como participante e protagonista do saque do tesouro argentino.

Fig. 10 –  O Marechal William Carr Beresford (1768-1854), Barão e Visconde de Albuera e Dungarvan, Conde de Trancoso, Marquês de Campo Maior e Duque de Elvas  encarnava um governo militar o que era tudo que o Correio Braziliense sempre combateu com todo o vigar... Apesar de estrategista brilhante de pouco valiam estes méritos pessoais para as multidões famintas, desorientadas  e pobres que se acumulavam nas vilas e nas cidades portuguesas

Voracidade econômica que os brasileiros conhecem ainda em janeiro de 2018 em cenas de procrastinação jurídica e cujo combustível são acertos de contas de quem não pode se locupletar ainda como o Marechal Beresford recebeu como recompensa do seu assalto a Buenos Aires

Fig. 11 –  O montagem de um cenário favorável a uma nova corte e realizado por um dos integrantes da Missão Artística Francesa entrada no Brasil em 1816. Contrariando as tendências coloniais  e tentando aproximar e atualizar no Brasil a nova ERA INDUSTRIAL apelava para a imagem de multidões que se aproximam e exaltam o soberano.  


Melhoramentos no Brazil.

No REINO do BRASIL o próprio governo, além de sua submissão como vassalo de sua majestade britânica, se atrapalhava nos seus próprios atos e feitos. Ai de quem quisesse governar para o bem da nação; uma feroz e retrógrada corte estava de plantão para exercer um meticuloso patrulhamento ideológico que encobria puros interesses econômicos seculares. 

Recorremos sempre a este assumpto com o mais decidido prazer, porque nos naõ podem ser indifferentes as vantagens, que tem lugar no nosso paiz natal, de qualquer natureza que ellas sêjam. He assim que louvamos no nosso N°. C'XIV a medida, que entaô annunciamos a p. 518, e que se conlém nos documentos officiaes; que publicamos agora por inteiro neste N°- a p. 6. Estas medidas tendem a estreitar os vinculos da uniaô; porque reciprécam os interesses dos dous reynos de Portugal e do Brazil: talvez a execucaô destas medidas sêja defeituosa; a triste experiencia do como vam as cousas publicas faz sempre temer isto; e porém sempre nestas ordens se ganha ja, o ter o Ministeiro reconhecido o raal na theoria, e determinado o remedio, o tempo irá fazendo o resto. Mais de perto porém nos toca o prazer, pelos melhoramentos, que vem annunciados a p. 75. Estimamc*, que o Intendente Geral da Policia se applique, como faz, á abertura de estradas, construecoens de pontes, e outros melhoramentos desta natureza, principalmente, quando isso se faz pelos mesmos povos, levando os com geito, e sem despeza para o Erario.

Remisso he o Intendente da Policiado Rio-de-Janeiro, em prízoens e outros actos de Policia Maniquense; por isto Ihe tem má vontade varios figuroens da Côrte; mas continue elle nestes melboramentos, que constituem a verdadeira policia de qualquer paiz, e terá sempre por si os votos de seus compatriotas, e a approvacaô de seu Soberano.

Fig. 12 –  O antigo palácio de São Cristóvão do Rio de Janeiro adaptado para as necessidades mais urgentes de um corte lusitana no Novo.  Esta mentalidade secular não abdica do centralismo, da pompa e circunstância  apesar das condições precárias em que a Colônia Brasileira tinha sido mantida aos longo de 300 anos ,


Desejavamos porém, neste ponto, duas cousas, que serîam de grande proveito e honra nacional. A primeira, que se extendesse esta jurisdicîaodo Intenes u[.. ] como elle tem mostrado assas intelligencia e zêlo, na construcçaõ dessas estradas e pontes mencionadas, ninguem serîa mais capaz de estender os mesmos beneficios a todos os mais pontos do Brazil, em que taes melboramentos se precisam; dando-se-lhe podeies e ineios de os levar a diante Segunda; que se publicassem annualmente relatorios officiaes de taes melhoramentos, ou pelo mesmo Intendente, 011 por Sua Majestade em pessoa. Todas as naçoens fazem estas exposiçoens, mais ou menos circumstanciadas; e a authenticidade de taes relatorios, que naô restem somente no dizer do Gazeteiro, serve para das ás nacoens estrangeiras ideas justas da grandeza da Naçaô; e aos nacionaes agradam, mostrando-se-lhes com isto, que o Governo cuida efficazmente de seus interesses; e que o Ministerio medita no que convem ao povo; nada pode contribuir mais para manter o contentamento, e augmentar a affêicaô dos subditos ao Soberano.
A Inglaterra vê continuadamentc isto, nas fallas do Soberano ao Parlamento; a neste mesmo N°. damos outros exemplos; na mensagem do Presidente dos Estados Unidos ao Congresso; e na exposicao d'El Rey de Suecia á Dieta
Fig. 13 –  O Rio de Janeiro era capital do Brasil desde 1763. Com a vinda de Dom João VI, em 1808, tornou-se capital do Império Lusitano. Em 1815 com a elevação do BRASIL a REINO UNIDO  e a proclamação da Independência brasileira gozou deste centralismo político nacional ate 1960 com a criação de Brasília. Em janeiro de 2018 está entregue ao mundo como um dos pontos mundiais de maior prestígio do turismo, de  eventos coerentes com a ÉPOCA PÓS-INDUSTRIAL  


A transparência torna-se algo impossível num governo sem dados objetivos. A falta absoluta desta atualização numérica e objetiva favorecia a inércia de um governo monocrático, central e parado no tempo. Num cenário destes  pouco adiantava trocar as figuras para uma massa escrava ou senhores feudais firmemente agarrados ao trono, ás armas e ao dinheiro. O ideal democrático A força não está da parte dos que governam que são poucos homens; mas sim da parte da multidão. Se o povo todo não quiser obedecer, o Governo não terá forças para o subjugar. O povo submete-se ao Governo, pela opinião, em que está, de que deve obedecer. As medidas arbitrárias do Governo tendem a diminuir essa opinião, e por consequência a enfraquecer o seu poder”.


FONTES NUMÉRICAS DIGITAIS da PRESENTE POSTAGEM

SETEMBRIZADAS de 10 a 13 de setembro de 1810




INGLESES em PORTUGAL




INGLESES dominam a POLÍTICA de PORTUGAL CONTINENTAL de 1808 até 1820




INVASÕES de PORTUGAL pelas TROPAS  FRANCESAS


William Carr Beresford (1768-1854), Barão e Visconde de Albuera e Dungarvan,
Conde de Trancoso, Marquês de Campo Maior e Duque de Elvas



WILIAM CAR BERESFORD em BUENOS AIRES




As 12 invasões inglesas da ARGENTINA




INGLESS ocupam BUENOS AIRES em 1806 e 1808







A UNIDADE BRASILEIRA e FRAGMENTAÇÂO LATINO AMERICANA




DESGRAÇAS do  REINO de PORTUGAL x PROSPERIDADE no REINO do BRASIL



RAZÕES para os INGLESES PERMANECER em PORTUGAL e aadiar a VOLTA de D. JOÃO VI




CONSTRUÇÃO VISUAL do BRASIL e do 1º IMPÉRIO




MEHORAMENTO do RIO de JANEIRO com DOM JOÃO VI



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