sexta-feira, 7 de outubro de 2022
228 - NÃO FOI NO GRITO - A PROCLAMAÇÃO da INDEPENDÊNCIA do BRASIL .
A PROCLAMAÇÃO da INDEPENDÊNCIA do BRASIL .
“Acordemos pois, generosos habitantes deste vasto, e poderoso império, está dado o grande passo da vossa independência, e felicidade, ha tantos tempos preconizadas pelos grandes Políticos da Europa. Já sois um povo Soberano, já entrastes na grande Sociedade das Nações independentes, a que tínheis todo o direito. A honra, e dignidade nacional, os desejos de ser venturosos, a voz da mesma Natureza mandam que as colônias deixem de ser colônias, quando chegam à sua virilidade, e ainda que tratados como colônias não o éreis realmente, e até por fim éreis um Reno”.
Manifesto de S. A. R. o Principe Regente Constitucional,e Defensor Perpetuo do Reyno do Brazil, aos povos deste Reyno - Palácio do Rio-de-Janeiro; no 1.° de Agosto de 1822 CORREIO BRAZILIENSE LONDRES OUTUBRO DE 1822 VOL. XXIX. N.° 173. 3 Op, p.423
Fig. 01 - A obra de Jean Baptiste DEBRET consegue uma síntese visual dos temas dos dois textos, assinados em 01 de agosto de 1822, pelo príncipe Dom Pedro de Alcântara De outra parte esta inagem faz pensar na MARIANA, da Revolução Francesa, sentada no trono da Razão .
REYNO UNIDO DE PORTUGAL BRAZIL E ALGARVE,
Manifesto de S. A. R. o Principe Regente Constitucional, e Defensor Perpetuo do Reyno do Brazil, aos povos deste Reyno.
Brazileiros!—-
Está acabado o tempo de enganar os homens. Os Governos, que ainda querem fundar o seu poder sobre a pretendida ignorância dos povos, ou sobre antigos erros e abusos, tem de ver o colosso da sua grandeza tombar da frágil baze, sobre que se erguera outrora.
Foi por assim o naõ pensarem, que as Cortes de Lisboa forçaram as províncias do Sul do Brazil a sacudir o jugo, que lhes preparavam, foi por assim pensar, que eu agora ja vejo reunido todo o Brazil em torno de mim ; requerendo-me a defeza de seus direitos e a mantença de sua liberdade e independência. Cumpre portanto,oh Brazileiros, que eu vos diga a verdade; ouvime pois.
As cortes constituintes de Portugal de 1822 por Veloso Salgado ASSIS
Fig. 02 - Os constituintes lusitanos eram o principal alvo dois textos, assinados em 01 de agosto de 1822, pelo príncipe Dom Pedro de Alcântara De uma certa forma é possível raciocinar que foram estes constituintes lusitanos proclamaram a INDEPENDÊNCIA de PORTUGAL em relação ao BRASIL
.
O Congresso de Lisboa, arrogando-se o direito tyrannico de impor ao Brazil um artigo de nova crença, firmado em um juramento parcial e promissório, e que de nenhum modo podia envolver a approvaçaõ da própria mina, o compellio a examinar àquelles pretendidos títulos e a conhecer a injustiça de tam desasizadas pretençoens.
Este exame, que a razaõ insultada aconselhava e requeria, fez conhecer aos Brazileiros, que Portugal, destruindo todas as formas estabelecidas, mudando todas as antigas e respeitáveis instituiçoens da Monarchia, correndo a esponja de ludibrioso esquecimento por todas as suas rellaçoens, e reconstituindo-se novamente, naõ podia compulsâllos a aceitar um systema deshonroso e aviltador, sem attentar contra àquelles mesmos princípios, em que fundara a sua revolução, e o direito de mudar as suas instituiçoens politicas, sem destruir essas bazes, que estabeleceram seus novos direitos, nos direitos inalienáveis dos povos, sem atropelar a marcha da razaõe da justiça, que derivam suas leys da mesma naturezadas cousas, e nunca dos caprichos particulares dos homens.
Gravura de Charles SIMON PRADIER - “Dom Pedro Defensor Perpétuo”
Fig. 03 - O jovem príncipe Dom Pedro de Alcântara assumiu literalmente a recomendação do seu pai de manter no tono a sua família real Nas entrelinhas é posisível perceber que o projeto do pai e do filho era manter os ALCÂNTARAS em DOIS tronos de DOIS países independentes e soberanos
Entaõ as províncias Austraes do Brazil, colligando-se entre si, e tomando a attitude majestosa de um povo, que reconhece entre os seus direitos os da liberdade, e o da própria felicidade, lançaram os olhos sobre mim, o filho do seu Rey, e seu amigo, que encarando no seu verdadeiro ponto de vista esta tam rica e grande porção do nosso globo, que conhecendo os talentos dos seus habitantes e os recursos immensos do seu solo, via com dôramarcha desorientada e tyrannica dos que tam falsa e prematuramente haviam tomado os nomes de pays da pátria, saltando de representantes de povo de Portugal a Soberanos de toda a vasta monarchia Portugueza. Julguei entaõ indigno de mim, e do grande Rey, de quem sou filho e delegado, o desprezar os votos de subditos tam fieis ; que sopeando talvez desejos e propensoens republicanas, desprezaram exemplos fascinantes de alguns povos vizinhos, e depositaram em mim todas as suas esperanças; salvando deste modo a Realeza, neste grande Continente Americano, e os reconhecidos direitos da Augusta Casa de Bragança.
Accedí a seus generosos e sinceros votos, e conservei-me no Brazil, dando parte desta minha firme resolução ao nosso bom Rey, persuadido, que este passo devera ser para às Cortes de Lisboa o thermometro das disposiçoens do Brazil, da sua bem sentida dignidade, e da nova elevação de seus sentimentos ; e que os faria parar na carreira começada e entrar no trilho da justiça, de que se tinham desviado. Assim mandava a razaõ, mas as vistas vertiginosas do egoísmo continuaram a su trocar os seus brados e preceitos, e a discórdia apontou-lhes novas tramas; subiram entaõ de ponto, como éra de esperar, o resentimenlo e a indignação das províncias colligadas, como por uma espécie de Mágica, em um momento, todas as suas ideas e sentimentos convergiram em um sô ponto, e para um sô fim.
Sem o estrepito das armas, sem as vozerias da anarchia, requerêram-tne ellas, como ao garante da sua preciosa liberdade e honra nacional, a prompta installaçaõ d' uma Assemblea Geral Constituinte e Legislativa no Brazil. Desejara eu poder alongar este momento, para ver se o desvaneio das Cortes de Lisboa cedia às vozes da razaõ e da justiça, e a seus próprios interesses; mas a ordem por ellas suggerida, transmittida aos Cônsules Portuguezes, de prohibir despachos depetreehos e muniçoens para o Brazil éra um signal de guerra, e um começo real de hostilidades.
Fig. 04 - Jean Baptiste DEBRET foi testemunha ocular e projetistas de cenários para realçar e abrilhantar os atos do príncipe Dom Pedro de Alcântara Na imagem pública do “DIA do FICO” de 09 de janeiro de 1822 evidencia0se esta dupla função do artsta da Missâo Francesa de 1816. .
Exigia pois este Reyno, que ja me tinha declarado seu Defensor Perpetuo, que eu provesse do modo mais enérgico e prompto â sua segurança, honra e prosperidade.
Se eu fraqueasse na minha resolução, attraiçoava por um lado minhas sagradas promessas, e por outro ¿ quem poderia sobre estar os males da anarchia, desmembraçaõ das suas províncias e os furores da democracia ? ¿ que lucta porfiosa entre os partidos encarniçados, entre mil successivas e encontradas facçoens ? ¿ A quem ficariam pertencendo o ouro e os diamantes das nossas inesgotáveis minas; esses rios caudalosos, que fazem a força dos Estados ¿ esta fertilidade prodigiosa, fonte inexhaurivel de riquezas e de prosperidade?. ¿ Quem acalmaria tantos partidos dissidentes, quem civilizaria a nossa povoaçaõ disseminada, e partida por tantos rios, que saõ mares ?
¿Quem iria procurar os nossos índios no centro da suas matas impenetráveis, atravez de montanhas altíssimas inaccessiveis ? De certo, Brasileiros, lacerava-se o Brazil: esta grande peça da benéfica natureza, que faz a inveja e a admiração das naçoens do mundo, e as vistas bem fazejas da Providencia, se destruíam, ou pelo menos se retardavam por longos annos.
Eu fora responsável por todos estes males, pelo sangue, que ia a derramar-se, e pelas victimas, que infallivelmente seriam sacrificadas ás paixoens e aos interesses particulares: resolvi-me por tanto ; tomei o partido, que os povos desejavam, e mandei convocar a assemblea do Brazil, a fim de cimentar a independência politica deste Reyno, sem romper com tudo os vinculos da fraternidade Portugueza; harmonizando-se, com decoro e justiça, todo o Reyno unido de Portugal, Brazil, e Algarves; e conservando-se debaixo do mesmo chefe duas famílias, separadas por immensos mares, que só podem ser reunidas pelos vinculos da igualdade de direitos e recíprocos interesses.
Brazileiros!—
Para vós naõ he preciso recordar todos os males, a que estavas sugeitos, e que vos impelltram à Representantaçaõ, que me fez a Câmara e Povo desta Cidade no dia 23 de Maio, que motivou o meu Real Decreto de 3 de Junho do corrente anno, mas o respeito, que devemos ao Gênero Humano, exige, que demos as razoens da vossa justiça e do meu comportamento. A historia dos feitos do Congresso de Lisboa a repeito do Brazil, he uma historia d' enfiadas injustiças, e sem razoens, seus fins eram paralysar a prosperidade do Brazil, consumir toda a sua vitalidade, e reduzillo a tal inacçaõ e fraqueza, que tornasse infallivel a sua ruína, e escravidão. Para que o mundo se convença do que digo, entremos na simples exposição dos seguintes factos.
Legislou o Congresso de Lisboa sobre o Brazil sem esperar pelos seus representantes, postergando assim a Soberania da maioridade da Naçaõ.
Negou-lhe uma Delegação do Poder Executivo, de que anto precisava para desenvolver todas as forças da sua virilidade, vista a grande distancia, que o separa de Portugal; deixando-o assim sem leys apropriadas ao seu clima, e circumstancias locaes. sem promptos recursos às suas necessidades.
Recusou-lhe um centro de uniaõ, e de força o para debilitar incitando previamente as suas Províncias a deepegarem-se daquelle, que ja dentro de si tinham felizmente.
Decretou-lhe Governo sem eatabelidade, e sem nexo, em três centros de actividade differente, insubordinados, rivaes, e contradictorios, destruindo assim a sua cathegoria de Reyno, aluindo assim as bazes da sua futura grandeza, e prosperidade, e sô deixando-lhe todos os elementos da desordem, e da anarchia.
Excluio de facto os Brazileiros de todos os empregos honoríficos, e encheo vossas Cidades de bayonetas Europeas, com mandadas por chefes forasteiros, cruéis, e immoraes.
Recebeo com enthusiasmo, e prodigalizou louvores a todos esses monstros, que abriram chagas dolorosas nos vossos coraçoens, ou promettêram naõ cessar de asabrir.
Lançou maõs roubadoras aos recursoss applicados ao Banco do Brazil, sobrecarregado de uma divida enorme Nacional, de que nunca se occupou o Congresso: quando o credito deste Banco estava enlaçado com ocredito publico do Brazil, e com a sua prosperidade.
Negociava com as Naçoens estranhas a alienação de porçoens do vosso território, para vos enfraquecer e escravisar.
Desarmava vossas fortalezas, despia vossos arsenaes, deixava indefesos vossos portos, chamando aos de Portugal toda a vossa Marinha; esgotava vossos Thesouros com os saques repetidos para despeza de tropas, que vinham sem pedimento vosso, para verterem o vosso sangue e destruir-vos, ao mesmo tempo que vos prohibia a introducçaõ de armas, e muniçoens estrangeiras, com que podesseis armar vossos braços vingadores, e sustentara vossa liberdade.
Apresentou um projecto de relaçoens commerciaesque sob falsas apparencias de chimerica reciprocidadee igualdade, monopolizava vossas riquezas, fexava vossos portos aos estrangeiros, e assim destruía a vossa agricultura, e industria, e reduzia os habitantes do Brazil outra vez ao estado de pupillos, e colonos.
Tractou desde o principio, e tracta ainda, com indigno aviltamento e desprezo os Representantes do Brazil, quando tem a coragem de punir pelos seus direitos, e até (quem ousará dizêllo!) vos ameaça com libertar a escravatura, e armar seus braços contra seus próprios senhores.
Para acabar finalmente esta longa narração de horrorosas injustiças, quando pela primeira vez ouvio aquelle Congresso as expressoens da vossa justa indignação, dobrou de escarneo, oh Brazileiros, querendo desculpar seus attentados com a vossa própria vontade e confiança.
A Delegação do Poder Executivo, que o Congresso regeitara por anticonstitucional, agora ja uma Commissaõ do seio deste Congresso nola offerece, e com tal liberalidade, ue em vez de um centro do mesmo poder, de que sô precisaveis, vos querem conceder dous e mais.
Que generosidade inaudita! Mas quem naõ vê que isto só tem por fim destruir a vossa força, e integridade, armar províncias contra províncias, e irmaõs contra irmaõs.
Accordemos pois, generosos habitantes deste vasto, e poderoso império, está dado o grande passo da vossa independência, e felicidade, ha tantos tempos preconizadas pelos grandes Políticos da Europa. Ja sois um povo Soberano, ja entrastes na grande Sociedade das Naçoens independentes, a que tinheis todo o direito. A honra, e dignidade nacional, os desejos de ser venturosos, a voz da mesma Natureza mandam que as colônias deixem de ser colônias, quando chegam à sua virilidade, e ainda que tractados como colônias naõ o éreis realmente, e até por fim ereis um Reyno. Demais, o mesmo direito que teve Portugal para destruir as suas instituiçoens antigas e constituir-se,com mais razaõ o tendes vós, que habitais um vasto, e grandioso paiz, com uma povoaçaõ (bem que disseminada) ja maior que a de Portugal, e que irà crescendo com a rapidez, com que caiem pelo espaço os corpos graves.
Se Portugal vos negar esse direito, renuncia elle mesmo ao direito, que pode allegar para ser reconhecida a sua nova Constituição pelas naçoens estrangeiras, as quaes entaõ poderiam allegar motivos justos para se intrometterem nos seus negócios domésticos, e para violarem os attributos da Soberania, e independência das naçoens.
Dona LEOPOLDINA e o CONSELHO - Pintura - - 1922 por Giorgina ALBUQUERQUE
Fig. 05 - A obra de Girrgina ALBUQUERQUE recria um seciulo após os fatoos a intensa e decisiva atividade de Dona LEOPLDINA e do GRUPO quetentava assessorar o príncipe Dom Pedro de Alcântara na tomada de descisões . De dectretos e estratégisasd para unir rivais na mesmsa causa da Independência do Braso em 1822 è possível especular que os dois texto de 01 de agosto de 1822 sã frutos de longas e demoradas discussões anteriores
¿ Que vos resta pois, Brazileiros ? Resta-vos reunir-vostodos em interesses, em amor, em esperanças, fazer entrar a Augusta Assemblea do Brazil no exercício das suas funcçoens, para que, maneando o leme da razaõ, e prudência, haja de evitar os escolhos, que nos mares das revoluçoens appresentam desgraçadamente França, Hespanha, e o mesmo Portugal, para que marque com maõr segura, e sabia a partilha dos Poderes, e firme o Códigoda vossa Legislação na saã Philosophia, e o applique ãs vossas circumstancias peculiares.
Naõ o duvideis, Brazileiros, vossos Representantes occupados naõ de vencer resistências, mas de marcar direitos, sustentarão os vossos, calcados aos pés, e desconhecidos ha três séculos : consagrarão os verdadeiros princípios da Monarchia Representativa Brazileira : declararão Rey d'este bello Paiz o Senhor D. Joaõ VI.,
Meo Augusto Pây, de cujo amor estais altamente possuídos : cortarão todas as cabeças â Hydra da anarchia, e a do Despotismo: imporaõ a todos os empregados, e funccionarios públicos a necessária responsabilidade; e a vontade legitima, e justa da Naçaõ nunca mais verá tolhido, a todo o instante, o seo vôo magestozo.
Firmes no principio invariável de naõ sanccionar abusos, donde a cada passo germinam novos abusos, vossos Representantes espalharão a luz, e nova ordem, no cáhos tenebroso da Fazenda Publica, d'Admintraçaõ econômica, e das Leys Civis e criminaes. Teraõ o valor de crer que ideas úteis, necessárias ao bem da nossa espécie, naõ saõ destinadas somente para ornar paginas de livros, e que a perfectibilidade, concedida ao homem pelo Ente Creador, e Supremo, deve naõ achar tropeço e concorrer para a ordem social, e felicidade das Naçoens.
Dar-vos-haõ um Código de Leys adequadas à natureza das vossas circumstancias locaes, da vossa povoaçaõ, interesses, e relaçoens, cuja execução será confiada a juizes íntegros, que vos administrem justiça gratuita, e façam desapparecer todas as trapaças do vosso foro, fundadas em antigas leys obscuras, ineptas, complicadas, e contradictorias.
Eles vos daraõ um Código penal dictado pela razaõ e humanidade, em vez dessas leys sanguinárias e absurdas, de que até agora fostes victimas cruentas. Tereis um systema d'impostos, que respeite os suores da Agricultura, os trabalhos da industria, os perigos da Navegação, e a liberdade do commercio: um systema claro, e harmonioso, que facilite o emprego, e circulação dos cabedaes, e arranque as cem chaves mysteriosas, que fechavam o escuro labyrintho das finanças, que naõ deixavam ao cidadão lobrigar o rasto do emprego, que se dava às rendas da Naçaõ.
Valentes soldados, também vós tereis nm Código Militar, que, formando uni exercito de cidadãos disciplinados, reúna o valor, que defende a Pátria, ás virtudes cívicas, qne a protegem, e seguram.
Cultores das Letras, e sciençias, quazi sempre aborrecidos ou desprezados pelo despotismo, agora tereis aentrada aberta, e desempeçada para adquirirdes gloria e honra. Virtude, merecimento vós vireis junctos ornar o Sanctuario da Pátria, sem que a intriga vos feixe as avenidas do Throno, que só estavam abertas á hypocrisia e â impostura.
Cidadãos de todas classes, mocidade Brazileira, vós tereis um código de Instrucçaõ publica nacional, que fará germinar, e vegetar viçosamente os talentos d'este clima abençoado, e collocarã a nossa constituição debaixo da salva-guada das gerações fucturas, transmittindo a toda a Naçaõ uma educação liberal, que communique aos seos membros a instrucçaõ necessaria para promoverem a felicidade do grande todo Brazileiro.
Encarai Habitantes do Brazil, encarai a perspectiva de gloria e de grandeza, que se vos antolha; naõ vos assustem os atrãzos da vossa situação actual: o fluxo da civilizaçaõ começa a correr já impetuoso desde os desertos da Califórnia até ao estreito de Magalhaens. Contituiçaõ e liberdade legal saõ fontes inesgotáveis de prodigios, e seraõ a ponte por onde o bom da velha, e convulsa Europa passará ao nosso continente. Naõ temais as naçoens estrangeiras : a Europa, que reconheceo a independência dos Estados Unidos de America, e que ficou neutral na lueta das Colônias Hespanholas, naõ pode deixar de reconhecer a do Brazil, que com tanta justiça, e tantos meios , e recursos procura também entrar na grande famíliadas naçoens. Nós nunca nos envolveremos nos seus negócios particulares; mas ellas também naõ quererão perturbar a paz e commercio livre, que lhes offerecemos; garantidos por um governo Representativo,que vamos estabelecer.
Naõ se ouça pois entre vós outro grito que naõ seja Uniaõ.—Do Amazonas ao Prata naõ retumbe outro écho que naõ seja—Independência—Formem todas nossas províncias o feixe mysterioso, que nenhuma força pode quebrar. Desappareçaõ de uma vez antigas preoccupaçoens, substituindo o amor do bem geral ao de qual quer provincia, ou de qualquer cidade. Deixai oh Brazileiros, que escuros blasphemadores soltem contra vós, contra mim, e contra o nosso liberal systema injurias, calumnias, e baldoens: lembrai-a vos que, se elles vos louvassem, o Brazil estava perdido.—
Deixai que digam que attentamos contra Portugal, contra a mãe Pátria, contra os nossos benefeitores; nos, salvando os nossos direitos, punindo pela nossa justiça, e consolidando a nossa liberdade, queremos salvar a Portugal de uma nova classe de tyrannos.
Deixai que clamem, que nos rebellamos contra o nosso Rey: elle sabe que o amamos, como a um Rey Cidadão e queremos salvallo do affrontoso estado de captiveiro a que o reduziram; arrancando a mascara da hypocrisia a demagogos infames, e, marcando com verdadeiro liberalismo os justos limites dos poderes políticos. Deixai que vos vozeem, querendo persuadir ao Mundo, que quebramos todos os laços de uniaõ com nossos irmaõs da Europa: naõ; nós queremos firmalla em bazes sólidas, sem a influencia de um partido, que vilmente desprezou nossos direitos, e que, mostrando-se à cara descoberta tyranno e dominador em tantos factos, que ja se naõ podem esconder, com deshonra, e perjuizo nosso, enfraquece, edestroe irremediavelmente aquella força moral, tam necessáriaem um Congresso, e que toda se appoia na opinião publica e na justiça.
Illustres Bahianos, porçaõ generosa e malfadada do Brazil, a cujo solo se tem agarrado mais essas famintas, e empestadas harpias; quanto me punge o vosso destino! Quanto o naõ poder a mais tempo ir enxugar as vossas lagrimas, e abrandar a vossa desesperaçaõ! Bahianos, o brio he a vossa divisa, expelli do vosso seio esses monstros, que se sustentam do vosso sangue ; naõ os temaes, vossa paciência faz a sua força. Elles ja naõ as Portuguezes, expelli-os e vinde reunir-vos a nós, que vos abrimos os braços.
Valentes Mineiros, intrépidos Pernambucanos defensores da liberdade Brazilica, voai em socorro dos vossos vizinhos irmaõs: naõ he a causa de uma provincia, he a causa do Brazil, que se defende na Primogênita de Cabral. Extingui esse viveiro de fardados lobos, que ainda sustentam os sanguinários caprichos do partido faccioso. Recordai- vos Pernambucanos das fogueiras do Bonito, e das scenas do Recife. Poupai porem e amai, como irmaõs, a todos os Portuguezes pacíficos, que respeitam nossos direitos, e desejam a nossa e sua verdadeira felicidade.
Habitantes do Ceará, do Maranhão, do requissimo Pará, vós todos das bellas, e amenas províncias do Norte, vinde exarar, e assignar o acto da nossa emancipação, para figurarmos (he tempo) directamente na grande associação politica: Brazileiros em geral, Amigos, reunamos-nos ; sou vosso compatriota, sou vosso defensor; ncaremos como único prêmio de nossos suores, a honra, a prosperidade do Brazil. Marchando por esta estrada vermeheis sempre á vossa frente, e no lugar do maior perigo.
A minha felicidade (convencei-vos) existe na vossa felicidade: he minha gloria reger um povo brioso, e livre. Dai-me o exemplo das vossas virtudes e da vossa uniaõ. Serei digno de vós.
Palácio do Rio-de-Janeiro em o primeiro de Agosto de 1822.
(Assignado.) PRÍNCIPE REGENTE
Dom Pedro mandando Avilez voltar para PORTUGAL -Pintura - 1922- de Oscar Pereira da Silva (1867-1939).
Fig. 06 - O próprio príncipe Dom Pedro de Alcântara tomou a iniciativa pessoal de dar o exemplo do conteúdo que publicou nas recomendações militares no dia 01 de agosto de 1822 Ao dar exemplo pessoal no ato que lhe poderia valer a captura e a sus deportação para LISBOA e para as mãos de sua Junta Governativa
Decreto de S. A. R. o Principe Regente, ordenando a resistência ás hostilidades de Portugal.
Tendo-me sido confirmada, por unanime consentimentoe espontaneidade dos povos do Brazil, a dignidade e poder de Regente deste vasto Império, que El Rey meu Augusto Pay me tinha outorgado; dignidade de que as Cortes de Lisboa, sem serem ouvidos todos os Deputados, ousaram despojar-me, como he notório: e tendo eu aceitado outro sim o titulo e encargo de Defensor Perpetuo deste Reyno, que os mesmos povos tam generosa e lealmente me conferiram: cumprindo-me portanto, em desempenho dos meus Sagrados Deveres, e em reconhecimento de tanto amor e fidelidade, tomar todas as medidas indispensáveis ã salvação desta máxima parte da Monarchia Portugueza, que em mim se confiou, e cujos direitos jurei conservar illesos de qualquer ataque: e como as Cortes de Lisboa continuam no mesmo errado systema, e a todas as luzes injusto, de recolonizar o Brazil, ainda â força d' armas; apezar de ter o mesmo ja proclamado á sua independência politica, a ponto de estar ja legalmente convocada pelo meu Real Decreto de 3 de Julho próximo passado uma Assemblea Geral, Constituinte e Legislativa, a requirimento geral de todas as Câmaras, procedendo-se assim com uma formalidade, que naõ houve em Portugal, por ser a convocação do Congresso em sua origem somente um acto de clubs occultos e facciosos: e considerando eu, igualmente, S. M. El Rey, oSnr. D. Joaõ VI., de cujo nome e authoridade pretendem as Cortes servir-se para os seus sinistros fins, como prisioneiro naquelle Reyno, sem vontade própria, e sem aquella liberdade de acçaõ, que he dada ao Poder Executivo nas monarchias coustitucionaes : mando a todas as Junctas Provisórias de Governo, Governadores d' armas, Commandantes Militares, e a todas as Authoridades constituídas, a quem a execução deste Decreto pertencer,o seguinte:—
1. Que sejam reputadas inimigas todas e quaesquer tropas, que de Portugal ou de outra qualquer parte forem mandadas ao Brazil, sem prévio consentimento meu, debaixo de qualquer pretexto que seja; assim como todas as tripulaçoens e guarniçoens dos navios, em que forem transportadas, se pretenderem desembarcar; ficando porém livres as relaçoens commerciaes e amigáveis entre ambos os Reynos, para conservação da uniaõ politica, quemuito desejo manter.
2. Que se chegarem em boa paz, deverão logo regressar, ficando porém retidas a bordo e incommunicaveis, até que se prestem todos os mantimentos, e auxílios necessários, para a sua volta.
3. Que no caso de naõ quererem as dietas tropas obedecer a estas ordens, e ousarem desembarcar, sejam rechaçadas, com as armas na maõ, por todas as forças militares da Primeira e Segunda Linha, e até pelo povo em massa; pondo-se em execução todos os meios possíveis para, se preciso for, se incendiarem os navios, e se metterem a pique as lanchas de desembarque.
4. Que, se apezar de todos estes esforços, succeder que estas tropas tomem pé em algum porto, ou parte da costa do Brazil, todos os habitantes, que o naõ puderem impedir, se retirem para o centro, levando para as matas e montanhas todos os mantimentos e boiadas, de que ellas possam utilizar-se; e as tropa do paiz lhe façam crua guerra de postos e guerrilhas; evitando toda a oceasiaõ de combates geraes, até que consigam ver-se livres de similhantes inimigos.
5. Que desde ja fiquem obrigadas todas as Authoridades Militares e Civis, a quem isto competir, a fortificarem similhantes desembarques, debaixo da mais restricta e rigorosa responsabilidade.
6*. Que se, por accaso, em algumas das províncias do Brazil naõ houverem as muniçoens e petrechos necessários para estas fortificaçoens, as mesmas authoridades acima nomeadas representem logo esta Corte o que precisam, para daqui lhes ser fornecido, ou dem parte immediatamente á provincia mais vizinha, que ficará obrigada adar-lhes todos os soccorros precisos, para o bom desempenho de tam importantes obrigaçoens.
As Authoridades Civis e Militares, a quem competira execucçaõ deste meu Real Decreto, assim o executem e hajam de cumprir, com todo o zelo, energia e promptidaõ, debaixo da responsabilidade de ficarem criminosas de Lesa Naçaõ, se assim decididamente o naõ cumpriem.
Palácio do Rio-de-Janeiro; no 1.° de Agosto de 1822.
Com a Rubrica de S. A. R. o PRÍNCIPE REGENTE
Luiz Pereira da Nobrega de Souza Couttinho.
09 de janeiro de 1822 dia do FICO PEDRO
https://www.brasilparalelo.com.br/artigos/dia-do-fico
Por DEBRET dia do FICO
https://institutopoimenica.com/2018/01/09/dia-do-fico-jean-baptiste-debret/
DEBRET Pano de BOCA
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Jean-Baptiste_Debret_-_Pano_de_boca_-...-_1.jpg
+
https://www.researchgate.net/figure/Jean-Baptiste-Debret-Pano-de-boca-Stage-Background-in-Viagem-pitoresca-e-historica_fig1_237780512
13 de maio de 1822 Dom PEDRO como DEFENSOR PERPETUO do BRASILEIROS
https://multirio.rio.rj.gov.br/index.php/historia-do-brasil/brasil-monarquico/8885-d-pedro-imperador-constitucional-e-defensor-perpétuo-do-brasil
Charlies SIMON PRADIER
https://multirio.rio.rj.gov.br/index.php/historia-do-brasil/brasil-monarquico/8885-d-pedro-imperador-constitucional-e-defensor-perpétuo-do-brasil
Dona Leooldina por Girgina ALBUQUERQUE
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GOVeRNO CONSTITUCIONAL
https://www.historia-brasil.com/reino/monarquia-parlamentar.htm
quarta-feira, 5 de outubro de 2022
227 - NÃO FOI NO GRITO - PORTUGAL INVADE e ANEXA o URUGUAI
PORTUGAL INVADE e ANEXA o URUGUAI
“Monte-Vedio.
As ultimas noticias do Rio-da-Prata saõ de Montevedio 1 deAgosto. Houve naquella praça uma revolução de importante natureza,havendo-se aquella província declarado parte do Brazil.
Aos 15 de Julho se convocou uma assemblea de representantes do povo, para considerar a alternativa, ou de estabelecer um governo ndependente, ou unir-se ao Brazil. Escolheo a assembleaeste segundo expediente, mas naõ se dizem ainda as condiçoens;só se menciona, que se manterão ali 6.000 homens detropas Portuguezas, para protecçaõ do paiz ; a parte do exerciMiscellanea. to acampada fora da praça, descontente pelo atrazo de 22 mezes no seu pagamento, avançou amotinada para os portoens da fortaleza, qne forçariam, se o General Lecor naõ os accommodasse,promettendo-lhe o pagamento dos atrazados dentro de um mez. Ha qnem diga; que a posse de Monte-Vedio naõ vale a penado sacrifício de manter ali 6.000 homens. Nós somos de opiniãocontraria; porque julgamos a accessaõ de Monte Vedio mui importante ao Brazil, e porque, em vez de ter tropas em outros pontos do Brazil, aonde o pOvo, n'uma constituição livre,he mui capaz de se defender a si mesmo, as tropas devem irpara as fonteiras, aonde saõ necessárias ; porque sem ellas nemse pode manter Monte-Vedio, nem guardar as fronteiras do Rio-Grande, contra as incursoens dos povos, que vivem em anarchia, nas margens do Urugay e Rio-da-Prata.
CORREIO BRAZILIENSE VOL. XXVII. N.o 160 xx OUTUBRO DE 1821 p. 340
”
Em outubro de 2022 o mundo está assistindo e acompanhando a evolução invasão e anexação de territórios da Ucrânia pela Rússia. Há 201 anos Portugal desconhecia e rasgava o Tratado de Madrid que devolvia para a Espanha a Colônia do Sacramento e retomava Montevidéu e transformou o atual Uruguai em PROVÍNCIA CISPLATINA
Fig. 01 - As forças militares de PORTUGAL entraram em Montevidéu no dia 20 de janeiro de 1817 e foram recebidas triunfalmente por apoiadores receosos das múltiplas forças estrangeiras e de caudilhos locais em conflitos entre si Na realidade a população dispersa do interior do atual Uruguai não se subordinou à proclamada Província Cisplatina .
Monte-Vedio.
Correio Braziliense – outubro de 1821 Miscellanea.pp. 340 -34l
As ultimas noticias do Rio-da-Prata saõ de Montevedio 1 de Agosto. Houve naquella praça uma revolução de importante natureza, havendo-se aquella província declarado parte do Brazil.
Fig. 02 - O general Carlos LECOR comandou as forças militares lusitanas que entraram em Montevidéu no dia 20 de janeiro de 1817. A partir de outubro de 1822 estava dividido em obedecer a Lisboa ou ao de Rio de Janeiro. Com a tropa não remunerada há 22 meses a proclamada Província Cisplatina. A situação começou a tornou-se critica quando Montevidéu aderiu ao Brasil mas com um exército de .6,000 homens que deviam obediência a Lisboa
Aos 15 de Julho se convocou uma assemblea de representantes do povo, para considerar a alternativa, ou de estabelecer um governo independente, ou unir-se ao Brazil. Escolheo a assemblea este segundo expediente, mas naõ se dizem ainda as condiçoens; só se menciona, que se manterão ali 6.000 homens de tropas Portuguezas, para protecçaõ do paiz ; a parte do exerci to acampada fora da praça, descontente pelo atrazo de 22 mezesno seu pagamento, avançou amotinada para os portoens da fortaleza, qne forçariam, se o General Lecor naõ os accommodasse, promettendo-lhe o pagamento dos atrazados dentro de um mez. Ha qnem diga; que a posse de Monte-Vedio naõ vale a penado sacrifício de manter ali 6.000 homens.
Fig. 03 - A bandeira da Província CISPLATINA foi adotada pelo Brasil após as forças entraram em Montevidéu no dia 20 de janeiro de 1817 No entanto o seu uso não foi adotado pela população dispersa do interior do atual Uruguai quye não se subordinou à proclamada Província Cisplatina .
Nós somos de opinião contraria; porque julgamos a accessaõ de Monte Vedio mui importante ao Brazil, e porque, em vez de ter tropas em outros pontos do Brazil, aonde o povo, n'uma constituição livre,e mui capaz de se defender a si mesmo, as tropas devem ir para as fonteiras, aonde saõ necessárias ; porque sem ellas nem se pode manter Monte-Vedio, nem guardar as fronteiras do Rio-Grande, contra as incursoens dos povos, que vivem em anarchia, nas margens do Urugay e Rio-da-Prata.
Fig. 04 - A partir de 1822 as forças militares estacionadas Montevidéu deveriam obediência do Brasil. No entanto, continuavam fiéis a Lisboa. Foi necessária uma expedição militar para convencer Província Cisplatina a se incorporar ao Brasil como mais uma estrela no escudo nacional
Curiosamente esta vontade de anexar territórios limítrofes do Brasil reapareceu em variadas formas e intenções. Consta que em 1961, sob a presidência de Jânio QUADROS, alguns burocratas retornaram ao antigo projeto de transformar o URUGUAI e a GUIANA FRANCESA e ESTADOS BRASILEIROS; Assim o território brasileiro iria do rio Amazonas até o Prata. Uma década depois, sob os influxos militarísticos do marechal Emílio Garrastazu Médici do Brasil dominaria o Uruguai, em “TRINTA HORAS” se tornaria um protetorado ou mais um ESTADO FEDERADO.
Uma colonização que resultou em fracasso, mortes e um vexame internacional.
Fig.05 - Uma visão romantizada da partida do Suíços de cantão de Friburgo, em 1818 rumo à esperada AMÉRICA Dos 2.000 que partiram da Suíca 300 ficaram no mar antes de chegarem ao sonhado destino. .
Em outubro de 1821 Portugal não conseguia levar a bom termo a imigração de suíços ao Brasil As CORTES CONSTITUCIONAIS de LISBOA estavam preocupadas apenas com as questões locais perdendo a visão de conjunto do REINO de PORTUGAL e deixava entregue à sua própria sorte quem queria começar a vida no BRASIL da época. Abandonados à sua própria sorte os suíços e sentiram todas as agruras que levantou uma onda de solidariedade dos seus patrícios
Colônia de Suissos no Brazil.
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Correio Braziliense VOL. XXVII. N.o 160 xx– outubro de 1821 Miscellanea.pp. 338 -340
He mui importante para o credito e honra do nome Poitugiiez, que as Cortes da Naçaõ saibam o que se passou em Londres, a respeito da Colônia de Suissos no Brazil ; e esperamos, que sobreesta matéria se ciem algumas providencias.
Aos 27 de Septembro houve um ajunetamento dos Suissos, residentes em Londres, para deliberarem sobre o estado miserávelde seus patrícios, que tinham ido estabelecer-se no Brazil,sobre a protecçaõ do Governo daquelle paiz. Leo-se o relatórioda Commissaõ, nomeada em um ajunetamento anterior, para exporo estado daquella Colônia
Fig. 06 - A gravura reflete e exagera a percepção britânica de povos coloniais a serem dominados e espoliados A Europa,, diante destas rebeliões imaginadas e exageradas, tinha o pretexto para mandar exércitos treinados e mercenários equipados e municiados com as armas produzidas pelas industriais bélicas para domesticar, colonizar subordinar e escravziar estes povos “rebeldes” imaginados.
Este relatório, que he demasiado longo para podermos inserillo por extenso; começa expondo os motivos desta associação caridoza, para soecorrer seus infelizes compatriotas no Brazil; cuja colônia foi visitada por Mr. Schmidlmeyer, a fim de podercorrectamente informar esta associação, e ajunetava o relatóriouma copia do tractado entre S. M. Fidelissima e o Cantaõ deFriburgo, para a formação desta colônia no Brazil.
Fig. 07 - Os suíços em 1818 acampados em Londres a espera do transporte para AMÉRICA Com as levas de europeus deslocados para todas s as direções do planeta tinham preferência os que podiam pagar. Ali as promessas e contrtatos começaram a falhar para os 2.000 suiiços que contrazioram azs mais variadas doenças w debilidades.
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As pessoas emigradas montavauí a 2.000, homens, mulherese crianças; iam debaixo da protecçaõ do Governo Portuguez, csob condiçoens e regulamentos assás próprios. A Commissaõ naõ imputa ao Governo, o que os emigrados sofTréiam no decursoda viagem, nem a falta de preparativos paia os receber no Brazil:politicamente se attribue isto a causas accidenlaes, a naõestarem os matos roçados, e as terras limpas para receberem osnovos habitantes ; pelo que ainda na data das ultimas noticias se achavam muitas familias em estado de naõ poderem proenrar sua subsistência, e sem saberem que terras ou porçaõ de terra lhes cabia em sorte. Alguns, depois de lerem Tocado e limpado terras, disséram-lhes que pertenciam a outrem e foram consequentemente obrigados a começar de novo os seus trabalhos em outra parte.0 descuido e negligencia, neste ponto, he evidente, mas a Commissaõ, passando por isso sem fazer observação algnma, sómente expressa a sua esperança de que S. M. Fidelissima fará com que seu Governo ponha em exeençaõ suas bcnrvolas intençocnR,significadas no tractado; principalmente polo que respeita as terras concedidas á municipalidade da colônia, melhoramentodas estradas publicas, e medição do3 terrenos, assim comoa clara verificação das datas aos diversos occupantes.
Fig .08 - A antiga e falida casa grande e senzala da Canta Galo no Rio de Janeiro abrigou os Suíços de cantão de Friburgoque rumaram para a AMÉRICA Sem o conhecimento das culturas ali possíveis, sem terras delimitadas e legalizadas pouco havia para fazer nesta serrania abandonada. Muitos procuraram ocupação e renda na cidade do Rio de Janeiro.
A Commissaõ louva positivamente os esforços charitativos de muitos indivíduos no Brazil, a favor das viuvas e orfaõs de alguns desses colonistas, que tem morrido ; mas assevera, que esses soccorros naõ saõ sufficientes; e muitos dos colonistas teriam morrido de miséria e desesperaçaõ, se naõ fosse a firmeza e bom manejo do Clérigo, que acompanhou a Colônia, do Coramissario de Policia, e outras pessoas da mesma colônia, que confortam, animam e dirigem os colonistas. Conclue a Commissaõ propondouma subscripçaõ, ou contribuição voluntária, para o auxilio daquellescolonistas no Brazil.
Fig. 09 - O atual Parque da Serra dos TRÊS PICOS em Nova Friburgo Rio de Janeiro certamente lembrava aos Suíços o romântico cantão de Friburgo No entanto, era o cenário de uma senzala e de uma casa grande falidas. Sem os recursos de uma multissecular cultura , civilização, administração e política helvética poucos colonos tiveram algum êxito neste ermo
O Ajunetamento approvou o relatório ; e que se participasse isto aos Suissos em Paris, e a um Committé de Suissos, que já existe, para o mesmo fim, no Rio-de-Janeiro. E procedeo-se ácollecta, que foi logo assas abundante, para dar esperanças deseu bom exi o*
Podiamos notar aqui, que, apesar da moderação com que neste Ajunetamento se fallou dos culpados nas desgraças daquelles emigrados Suissos, nós temos bastantes informaçoens particular espara dizer; que desde o sen alistamento na Suissa, ate o seuestabelicimento no Canta Gallo, houve uma continuada prevaricaçãoda qual resultou toda a miséria dos colonistas.
Pede pois a honra nacional, pede o interesse da população do Brazil, (1'onde as queixas daquelles infelizes Suissos, e a publicidade de seus soffrimentos deve afugentar os Europeos, que para ali quizessem emigrar ; o indagar-se seriamente esta matéria, edar aos culpados tal castigo, que com elle se lave a honra da Naçaõ, e que por elle também veja a Europa, que ha verdadeira intenção de proteger os emigrados para o Brazil, contra as concussoens e prepotencias dos empregados públicos.
Fxamine-se o modo porque o Negociador Portuguez na Suissa empregou o dinheiro, destinado a fazer transportar os colonistas, com toda a comraodidade, e naõ apinhoados em navios, aonde adquiriram moléstias contagiosas, de que tantos morreram.
Examine-se porque, havendo tantas terras devolutas no Brazil, se comprou por alto preço uma fazenda a um particular,para nella fundar a colônia.
Examine-se porque, quando os colonistas chegaram ao Brazil, naõ estavam promptos mantimentos para os sustentar; transportes para os conduzir ao lugar de seu destino, e accoromodaçoens convenientes ; assim como demarcação feita dos terrenos, que se deviam dar a cada família; e regulamentos arranjados para a distribuição das terras divididas em datas, e demarcadas.
Se as Cortes deixarem passar sem exame um facto destes, tam conspicuo no Mundo, roal pode a Naçaõ esperar lavar-se da nodoa, de ser cúmplice, corm os culpados nas desgraças daquelles colonistas : nem o Governo esperar, que haja alguma útil emigração para o Brazil, em quanto durar a lembrança de tam cruéis prevaricaçoens.
Sopa_dos_Pobres_em_Arroios_(1813)_-_Domingos_Sequeira
Fig. 10 - Dez anos após esta gravura a situação da população lusitana ainda sofria agruras e dificuldade para suprir a necessidades básicas humanas. Se a situação era critica na metrópole muito pior nas colônias subjugadas e comescravidão legal na porta e na própria casa. Assim todos pensavam nas suas necessidades imediatas, perdendo qualquee interesse e percepção do conjunto do reino lusitano
Se há 201 anos Portugal não conseguia levar a bom termo a imigração Suíços ao Brasil o próprio povo do REINO de PORTUGAL passava por necessidades extremas sempre a beira de revolta aberta contra as CORTES CONSTITUCIONAIS de LISBOA.
Por sua parte a imigração da população helvética esteva buscando no BRASIL uma terra na qual a ESCRAVIDÃO era LEGAL, algo impensável na sua terra de origem. Alguns suíços se envolveram de diversas formas nesta prática local Recentemente estão emergindo relatos e documentos de suíços envolvidos no trafego, guarda e exploração da mão de obra escrava
Fig. 11 - Em outubro de 2022 as forças militares da RÚSSIA invadiram a UCRÂNIA da mesma forma como exércitos de PORTUGAL invadiram e tomaram Montevidéu no dia 20 de janeiro de 1817. No entanto, vale o sábio conselho de Charles Maurice de TALLEYRAND-PERIGORD (1754-1838) para Napoleão Bonaparte., de que : “com as baionetas é possível fazer tudo, menos ficar sentado sobre suas pontas”.
A invasão e a anexação de territórios da Ucrânia pela Rússia, e outubro de 2022, segue o mesmo padrão de 201 anos atrás quando Portugal tomou Montevidéu e transformou o atual Uruguai em PROVÍNCIA CISPLATINA.
FONTES NUMÉRICAS DIGITAIS
A POSSE da FOZ INTEIRA do RIO AMAZONAS.122 – NÃO FOI NO GRITO
http://naofoinogrito.blogspot.com.br/2015/07/122-nao-foi-no-grito.html
ACTE du CONGRÉS de VIENNE du 9 Juin 1815 avec ses annexes
http://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k91227n
PROVÍNCIA CISPLATINA
https://pt.wikipedia.org/wiki/Província_Cisplatina
i
Imigração Suíços ao Brasil
https://pt.wikipedia.org/wiki/Imigração_suíça_no_Brasil#:~:text=Os%20primeiros%20imigrantes%20suíços%20chegaram,261%20famílias%2C%20totalizando%201.682%20imigrantes.
NOVA FRIBURGO -RJ
https://pt.wikipedia.org/wiki/Nova_Friburgo
SERRA do TRÊS PICOS
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Visual_do_Caminho_Para_Parque_dos_Os_tres_Picos.jpg
Emigração de SUÍÇOS ao BRASIL: “sempre se acharão alguns descontentes” .179– NÃO FOI no GRITO
https://naofoinogrito.blogspot.com/2019/04/179-nao-foi-no-grito.html
Os SUÍÇOS e a ESCRAVIDÃO
https://www.swissinfo.ch/por/racismo_comércio-de-escravos-graças-à-suíça--esta-mulher-da-argóvia-pesquisou-no-brasil--apesar-das-oposições/43539868
A RÚSSIA INVADE a UCRÂNIA
https://www.poder360.com.br/europa-em-guerra/volta-ao-mundo-russia-invade-a-ucrania/
https://www.beefpoint.com.br/russia-invade-ucrania-as-perspectivas-da-xp/
sábado, 3 de setembro de 2022
226 - NÃO FOI NO GRITO - A PRIMEIRA CONSTITUIÇÃO do BRASIL.
A PRIMEIRA CONSTITUIÇÃO do BRASIL.
“A questão ante a Junta de Pernambuco não era o juramento, que seus membros tinham prestado, mas qual era a vontade do povo, e qual o expediente porque se podia salvar a nação, conservando a integridade, e união do Brasil, para se poder defender contra seus inimigos, que procuravam aniquilar o pais, reduzindo-o de Reino a Colônia” CORREIO BRAZILIENSE VOL. XXIX Nº .172. 3 A Miscellanea.P. 367
”
Uma nação ganha aval e reconhecimento de sua Independência, diante das demais nações do mundo, quando é competente para convocar, elabora e aprovar a sua própria Constituição. O Brasil começou esta elaboração no dia 03 de junho de 1822. No núcleo desta elaboração estava o problema brasileiro da escolha ente continuar reino ou o retorno a regime colonial O desafio para o a unidade do Brasil frente a interesses colonialistas tanto num regime monocrático e como centralista dava argumentos aos LIBERAIS e um instrumento de credibilidade aos seus interesses de classe dominante e ilustrada. Assim NÃO FOI no GRITO do IPIRANGA que aconteceu a INDEPENDÊNCIA do BRASIL de PORTUGAL. O sofrido e lento caminho efetivo e oficial da INDEPENDÊNCIA do BRASIL se produziu no dia 03 de junho de 1822 com a PRIMEIRA CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA
Fig. 01 - Uma amostra da população de 4.480,500 de habitantes das províncias mais expressivas do Brasil de 1822 Não consta nesta contabilidade distante, dispersa e belicosa Província do Rio Grande do Sul nem as profundezas da Amazônia .
CORREIO BRAZILIENSE VOL.XXIX Nº .172. 3 A Miscellanea. pp. 364 -371 setembro de 1822
Reflexoens sobre as novidades deste mez. REYN O UNID O DE PORTUGA L BRAZI L E ALGARVES ,
Convocaçaõ do Parlamento Braziliense.
Começamos este N.° pela portaria, expedida por ordem de S. A. R. o Principe Regente, em que se explicam os motivos e fins do decreto de 1G de Fevereiro deste anuo, pelo qual se creou, e mandou eleger pelo povo um Conselho d' Estado no Brazil. A Portaria he dirigida á Juncta Provisória de Governo de Pernambuco; porque esta recusou cumprir o Decreto; e nada ha mais próprio de um Principe Constitucional, do que similhante explicação ; e nem élla podia ser concebida em termos mais moderados, conciliatórios ou argumentativos.
https://www.clickestudante.com/assembleia-constituinte-de-1823.html
Fig. 02 - Dom Pedro I convocou a primeira assembleia constituinte brasileira no dia 03 de junho do ano de 1822 como príncipe regente do Brasil Estes deputados constituintes foram escolhidos pelas províncias e começaram a trabalhar, na capital, em maio de 1823.
Mas a Jnncta ainda assim se naõ dêo por convencida, e supposto naõ posamos convir com ella, quanto ao argumento, com tudo reconhecemos, que tinha o direito de fazer taes representaçoens, segundo seu melhor entender ; do contrario, de nada serviriam essas corporaçoens populares; e tanto mais, quanto a Juncta, a pezar da opinião, que expuzéra, mandou consultaias Câmaras, para saber authenticamente qual éra a vontade dos povos da Provincia. Este comportamento, visto o modo de pensar da Juncta, éra prudente e acautelado; e com tudo nierecêo a reprovação das Cortes em Lisboa, aonde houve quem dissesse, que tudo islo era uma farça preparada pela mesma Juncta: juizo este temerário, naõ supportado pelos factos, e tendente a irritar a gente de Pernambuco, e fazer que se decidissem pela medida, adoptada pelo Principe Regente, aqueiles, que ainda poderiam hesitar. O Presidente da Juncta de Pernambuco argue, que a creaçaõ do Conselho d' Estado éra uma medida só pertencente ao Poder Legislativo : mas, entre outras cousas, que esse Conselho d' Citado tinha a fazer, éra deliberar, se devia ou naõ haver no Brazil um Poder Legislativo; e sendo certo que as Cortes de Lisboa em tal nunca consentiriam, claro está que só no Brazil se podia tomar uma resolução a este respeito.
Fig. 03 - Os deputados constituintes, escolhidos pelas províncias, começaram a trabalhar em maio de 1823, Serviu para as suas reuniões o predio reformada da CADEIA VELHA. Foram constantes as divergências e confrontos entre do CONSERVADORES – ligados ainda a Portugal - com os LIBERAIS voltados ao Brasil concebido .para os seus interesses pessoais Esta bipolaridade politica perpassará os 67 anos do Regime Imperial com diversas matizes.
Agora, se o Conselho de Estado tinha de dar ao Principe Regente o seu parecer, sobre haver ou naõ um Corpo Legislativo 110 Brazil, sem o qual parecer o Principe se naõ podia resolver a chamar Deputados para o Corpo Legislativo, por naõ saber authenticamente qual éra a vontade dos povos ; fica o argumento do Presidente de Pernambuco nos mesmos termos da questão metaphisica de qual existio primeiro, se o ovo se a gallinha; porque naõ ha gallinha, que naõ saísse d' um ovo, nem ovo que naõ viesse da gallinha. O principe resolveo a dificuldade, e resolveo-a bem ; porque chamou um Conselho d' Estado eleito pelo povo ; para saber se esse povo queria ou naõ um Corpo Legislativo no Brazil. Assim naõ ha neste decreto de 10 de Fevereiro medida alguma legislativa, mas sim uma de mero expediente, e única, que se podia adoptar, nas circumstancias actuaes. Agora se para o diante deve ou naõ haver um Conselho d'Estado, como deve ser composto, e quaes as suas attribuiçoens, isso mui bem está que seja obra de um Corpo Legislativo quando o houver. 0 outro argumento da Juncta de Pernambuco apenas vale o tempo de o mencionar; porque se estriba na esperança dos bens, que podiam resultar, do relatório que fez ás Cortes a Commissiaõ Especial sobre os negócios políticos do Brazil. Naõ precisava ser grande advinhador, para saber o que devia resultar de tal Relatoiio: attendêsse a Juncta de Pernambuco ao que lhe tem exposto os Periódicos do tempo, naõ ja nos raciocínios ou reflexoens de cada um, mas nos documentos officiaes dimarados das mesmas Cortes, e fácil sertia prever o resultado. Mas em fim esse resultado agora faz ja imiteis essas profecias : o Relatório, em que a Juncta de Pernambuco fundava suas esperanças, foi regeitado pelas Cortes, e mandado fazer outro projecto, e o segundo apresentado ainda naõ satifcz, por ser demasiado libefr«l «o Brazil.
RNAMBUCANA de 1817 NÃO FOI NO GRITO nº151 -
http://naofoinogrito.blogspot.com.br/2017/05/155-nao-foi-no-grito.html
Fig. 04 - Na mente dos pernambucanos estavam os feitos e a malograda experiência da sua REVOLUÇÃO de 1817. Dura e exemplaremente reprimida com sumárias e crueis execuções deixou marcas e perdas indeléveis na Província e depois Estado de Pernambuco
Mas naõ queremos parar aqui; porque os argumentos da Juncta de Pernambuco nos obrigam a ir mais longe. O Presidente da Juncta observa, que éra necessário, antes de se fazer um Conselho d' Estado no Brazil, e antes de se tractar de constituir um Corpo Legislativo, revogar as procuraçoens dos Deputados, que o Brazil mandou ás Cortes de Portugal, e seguir outras formalidades de direito, que pudessem fazer mui regular todo este procedimento. Assim houvera de ser em casos ordinários ; mas no presente, extraordinário, o Brazil se veria queimado e assolado, antes que se revogassem as procuraçoens de seus Deputados, ou se executassem se quer metade das formalidades, que aquelle Presidente exigia. Prova disto he, a resolução das Cortes, para que os Deputados do Brazil fiquem detidos em Lisboa, e que sirvam na seguinte Legislatura, queiram ou naõ queiram os povos do Brazil; e o que sobre o mesmo Presidente de Pernambuco se disse nas Cortes, a pezar dessa moderação de desejos, que devia ser enforcado. Essas formalidades, que desejava a Juncta de Pernambuco, quando muito seriam admittidas no caso de argumentos legaes, ou pleitos em que ha o tempo preciso, e a protecçaõ necessária de um Governo, para a replica, tréplica, embargos, &c. mas quando se faz um armamento, em Lsiboa, para subjugar o Brazil, perder tempo em formalidades, e alegar com as réplicas e tréplicas para se naõ preparar á defensa, he um excesso de boa fé, que apenas merece desculpa, em homens que aceitaram o Goveno Politico de tam importante provincia, como he a de Pernambuco.
Fig. 05 – As mobilizações militares, tanto aquelas trazidas de Portugal, como aquelas arregimentadas entre os brasileiros começaram a pender para o lado do Brsasil quando as Cortes portugesas de 1820 a 1822 começaram a pesar os ganhos e a perdas para os seus interesses particulares e para o estado lusitano. Portugal ainda mantinha a hegemonia militar sobre a sua colônia na época da REVOLUÇÃO de 1817 e que reprimiram daura e exemplarmente com sumárias e crueis execuções
O argumento mais especioso do Presidente da Juncta de Pernambuco, he que dous Poderes Executivos destroem a unidade da Monarchia, e que o seu juramento em obedecer ao Executivo e Legislativo de Portugal naõ pôde ser violado. Vamos por partes. Quanto ao destruir-se a uniaõ, pela existência de dous Executivos, o Presidente de Pernambuco lirou isto dos argumentos, que se produziram nas Cortes de Lisboa, para mostrar que o Poder Executivo era indivizivel e indelegavel. Mas os mesmos, que tam estrenuamente sustentaram este principio, voltaram a casaca por tal maneira, que naõ só quizéram um Poder executivo no Brazil, mas dous, três ou tantos mais, quantas saõ as províncias; e assim tractáram de menos cabo esses escrúpulos do Presidente de Pernambuco. Quanto ao Juramento. A mesma Juncta de Pernambuco decidio, que se ouvissem as Câmaras da Provincia, para saber luthenticamente qual éra a vontade dos povos. t E por que decidio assim ? Porque salus reipublica: suprema lex esto. Logo se os povos mostraem que desejam um Corpo Legislativo no Brazil, seja qual for o juramento da Juncta ou de seu Presidente, essa vontade se ha de seguir ; do contrario seria i Ilusório pedir a opinião dessas Câmaras. Donde se segue, que a questão ante a Juncta de Pernambuco naõ éra o juramento, que seus membros tinham prestado, mas qual éra a vontade do povo, e qual o expediente porque se podia salvar a naçaõ, conservando a integridade, e uniaõ do Brazil, para se poder defender contra seus inimigos, que procuravam annihilar o paiz, reduzindo-o de Reyno a Colônia. E isto que a Juncta será obrigada a fazer, quando as Câmaras Ibe declararem que tal he sua vontade, podia mui bem ter executado a Juncta logo ao principio, quando tal resolução houvera sido de summa importância para a salvação de sua Pátria. Vejam os agora o resultado practico desses escrúpulos, e dessa hesitação de Pernambuco. Meros pontos de formalidade impedem que a Juncta obre de concerto com S. A. R. e entaõ dam tempo a seus inimigos em Lisboa, para preparar uma expedição, que vai ter á Bahia, formar um ponto de apoio ali, e atacar Pernambuco, desprovido, e destituído da cooperação do Riode-Janerio. ? E quem commandará essa expedição contra Pernambuco ? « ti ja nomeado, e preparem-se os Pernambucanos, para contender com Rego, o seu antigo déspota, movido por todos os prejuízos doa Portuguezes contra os Brazilienses, estimulado por motivos de vingança contra Pernambuco, e desesperado de recuperar sua fama passada, ou adquirir futura gloria; senaõ fazendo descarregar sobre Pernambuco tam pezada maõ de despotismo, que justifique seus procedimentos passados, e faça com elles persuadir o mundo, de que todos os seus anteriores despotismos eram necessários, e que só um sceptro de ferro pôde conter em socego a Provincia de Pernambuco.
06 - o malogro e derrota da REVOLUÇÃO de 1817 foram transfigurados em totem e motivação pernambucana
Na medida em que a JUNTA GOVERNAMENTAL de RECIFE agia para sustentar-se e se preparar para uma CONSTITUINTE e uma LEI mais favorável às suas antigas aspirações tão duramente desconsideradas e brutalmente reprimidas e,m 1817.
Este quadro fatal, tam terrível aos Pernambucanos, e que resulta de sua hesitação, nada influirá nos futuros destinos do Brazil; porque estes marcham seu caminho, e ja naõ podem retrogradar: mas pezará sobre Pernambuco, com duplicado furor, e aquella Provincia, se naõ tomar as mais vigorosas medidas de defensa, terá de sofFrer males, que lhe custarão longos annos a remediar. Mas, no entanto que isto se passava em Pernambuco, S. A. R. o Principe Regente progredia em seus trabalhos a favor do Brazil; porque mandou installar o Conselho de Estado, com os Deputados, que tinha presentes; estes requerêram a Convocaçaõ de um Corpo Legislativo Constituente ; e o Principe ordenou a sua convocação, como se vê pelos documentos, que publicamos no nosso N. passado. De todo o Brazil só se acham as seguintes províncias discordes. 1." A Bahia, pelo que respeita a capital; porque está assoberbada por uma força Europea; posto que o resto da provincia naõ só esta decidido, contra a continuação da obediência ás Cortes de Lisboa, mas até ja creáram na villa da Cachoeira uma Juncta Prorvsoria de Governo, a fim de servir de centro de uniaõ á Provincia; e a mesma Juncta, que está na cidade da Bahia tem declarado ao Principe Regente e ás Cortes de Lisboa, que a vontade dos povos da Provincia he unirem-se a S. A. R. como centro da uniaõ do Brazil.
http://rethalhos.blogspot.com/2011/10/oreconcavo-baiano-e-regiao-geografica.html
Fig. 07 – A rica CACHOEIRA e bem localizada, as margens do Rio Paraguaçu ,mobilizou os seus lideres para formar uma JUNTA PROVISÓRIA competente para assumir as responsabilidades e os riscos s ideais de uma CONSTITUIÇÃO de um PAIS LIVRE e SOBERANO .
2.° Pernambuco: que só deixou de acceder á uniaõ Brazilica, temporariamente, pelos escrupulos do Presidente da Juncta, e em quanto se ouviam as Câmaras, cujas respostas sem a menor duvida seraõ pela mesma uniaõ Brazilica ; e a liçaõ, que Rego lhe vai dar, acabará de decidir á questão. 3." Maranhão e Para, que, sendo governados nas duas cidades capitães, pelo partido dos negociantes Europeos, que ali residem, estaõ em directa opposiçaõ com os sentimentos dos naturaes do paiz, e só se sustentam, porque tem ainda alguma força Europea, que os apoia. Notaremos aqui de passagem, que o Bispo do Pará disse agora nas Cortes, que a vontade manifesta da sua provincia éra, que houvessem duas dellegaçoens do Poder Executivo no Brazil. Mas ha alguns mezes, quando foi moda nas Cortes o sustentar-se, que o Poder Executivo éra indelegavel e indivizivel, disse este mesmo Bispo, que os povos da sua Provincia só quedam estar sugeitos ao Poder Executivo em Lisboa.
Fig. 08 – É forçoso reconhecer que não bastava um texto de uma CONSTITUIÇÃO para mudar da noite e apagar os hábitos e açoes coloniais, interesses e de vassalagemdo brasileiro e especialmente de suas elites Os hábitos arraigado do colonialismo de três séculos pouco mudaram com a PRIMEIRA CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA. Uma série de eventos revolucionários sacudissem o frágil e inconstante regime imperial das três décadas posteriores à independência e de constituição , A revolução encabeçada por FREI CANECA (1776-1825) foi apenas uma que sacudiu o Brasil de Norte a Sulo
Como isto éra uma asseveração de facto, e naõ argumento de lheoría, o Bispo do Para, asseverando em duas vezes duas cousas diverssas, em uma dellas nos naõ disse a verdade ; quizeramoa pois, que nos dissesse, sua Excellencia Rverendiissima, qual das suas asseveraçoens naõ éra verdade. Em quanto naõ ouvimos a sua explicação inclinamos-nos a crer, que em ambas ai vezeR faltou a ella Sua Excellencia Reverendissima, e que o povo da provincia do Pará, naõ fatiando nos mascates daquelles portos de mar, nem querem duas delegaçoens do Poder Executivo no Brazil, nem serem desmembrados delle, ficando sugeitos a Lisboa ; e quando virmos prova do contrario, teremos grande prazer em retractar-nos de nossa opinião, e reparar a injuria que nesse conceito fazemos, ao Excellentissimo e Reverenditiimo Deputado. Tomando, porém, o Brazil na situação em que se acha, unido em uma só vontade, e com as três excepçoens, que, que pelo temos visto, saõ meramente temporárias, convém examinar, a medida proposta da convocação de um Parlamento Braziliense. A cidade do Rio-de-Janeiro naõ he o lugar mais próprio para «te ajunetamento dos Deputados do Brazil, mas na presente situação das cousas, naÕ ha outro melhor: o Parlamento decidirá depois aond» deve ser sua residência. Seja qual for o numero das Províncias, que mandem seus deputados para a Assemblea Geral Constituinte do Brazil, essa Assemblea deve legislar somente para as Províncias, que a compõem por seus Representantes; e quando tenham feito sua Constituição,deve ficar livre às demais províncias uniremse ou naõ ás que estiverem constituídas, sem que nisso se obre com a menor coacçaõ. Com erleito, no estado de dilaceraçaõ em que se acha a Monarchia Portugueza, naõ ha authoridade, que possa obrigar a essa uniaõ ; e, quando a houvesse indisputável, seria imprudente o tentallo ; porque a convicção, e naõ a força, he quem pôde fazer uma durável uniaõ das províncias do Brazil entre si, persuadindo-se os povos de que lhe convém e he da sua maior utilidade terem um centro Commum de Legislação e de Execução, para em corpo de naçaõ se fazerem respeitáveis no mundo. Se paixoens particulares,se consideraçoens erradas, se princípios falsos fizerem com que por agora algumas, províncias do Brazil se naõ queiram unir ao centro commum de Governo, que se lhe prepara ; o remédio para isto naõ he a força nem a violência, a convicção, a experiência, o tempo saõ os que devem remediar este mal. Outra cousa, porém, dizemos da coacçaõ externa, que algumas províncias possam soffrer; porque, nesse caso, será do dever das demais províncias ja colligadas soccorer aquellas, e auxiliallas com todas as forças, para expulsarem seus oppressores. Pelo que respeita os primeiros trabalhos da Assemblea Constituinte, somos de parecer, que, desligando-se de toda a outra consideração, deixando obrar o Executivo livremente, como está nas maõs de S. A. R. applique toda a sua attençaõ a formar a Constituição, por que se deve reger o Reyno do Brazil: entaõ pôr em movimento a inachina politica, fazer tomar posse de suas repartiçoens ás differentes authoridades, que a mesma Constituição estabelecer; dahi fazer a Portugal as proposiçoens, que julgar convenientes. No entanto S. A. R. teia de dirigir livremente as medidas do Executivo para a tranquillidade interna, e cuidar dos meios de defeza, contra invasoens externas. E em quanto o Governo de S. A. R. se conduzir com a prudência e actividade, que até aqui tem mostrado, continuará a gozar da illimitada confiança dos povos, que agora possúe, e que he essencial, para o bom desempenho das importantes funcçoens que tem a exercitar. A convocação do Parlamento Brazilizense, além de ser indispensável, para formar a Constituição daquelle Reyno, e pôr fim á iucerteza em que se acham os povos, sobre seu destino politico, trará com sigo outro incalculável bem ao Brazil, e tal qual nunca ali se vio, nem se poderia ver no passado Governo, nem éra de esperar da imperfeita representação, que se tentou faicr de Deputados do Brazil, nas Cortes de Portugal. Com este Parlamento se veraõ as províncias em communicaçad politica directa umas com outras, pof meio de seus representantes ; poderão expor, combinar e deliberar sobre suas mutuas precisoens e vantagens; adquirirão um character de nacionalidade, que por nenhum outro modo se poderia obter; e tomando parte nas deliberaçoens sobre a causa publica, conhecerão a necessidade de sua uniaõ, sendo instruídas dos motivos das leys geraes, a que pelo bem commum saõ obrigadas a obedecer. Ja naõ será um Governador, que despoticamente commande uma província, e cujo fim primário seja desligar essa provincia de todas as mais ; seraõ, pelo contrario, partes componentes de unia naçaõ, combinando medidas entre si, e todas dirigidas ao bem commum ; em fim naõ seraõ colônias destacadas, sem outro objecto commum, que servir de engiandecer a metrópole; seraõ, sim, províncias de uma mesma naçaõ, ligadas pira o bem de todas. Constituição do Brazil. Está em fim decidido, que o Brazil vai a ser um país livre
Em setembro de 2022 é necessário admitir que as frequentes e reiteradas ações, projetos e ideologias que abalaram os fundamentos da SOBERANIA e da INDEPENDÊNCIA do BRASIL continuam quando uma murcha e desmotivada comemoração do BICENTENÁRIO da INDEPENDÊNCIA não consegue fortalecer as fragilidades de uma democracia e afastar as polarizações movidas por interesses de classes,
Fig. 10 – Todos os hábitos, ações coloniais, interesses e a busca de vassalagem dos brasileiros renascem diante dos comportamentos daqueles que se quer como as suas elites governantes Os hábitos arraigado do colonialismo de três séculos pouco mudaram nos primeiros dois séculos da PRIMEIRA CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA, Apenas mudam de forma e ocasião com aquele que um presidente da república agride fisicamente um dos seus apoiadores cuja atitude o desagradou
https://content.jwplatform.com/previews/OjCQVErx?fbclid=IwAR3_chlFgpJx2NbzRA-VNlVgRAeQ5vyAu31FKdUhDE7I43dp2TDZFD2OAbk
Em setembro de 2022 multiplicam-se os surtos do POPULISMO que quer GANHAR TUDO no GRITO, no SOCO e na AGRESSIVIDADE dos políticos brasileiros distantes dos ideais de uma CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA CIVILIZADA.
Quem sofre é a nação brasileira que perde o aval e o reconhecimento de uma imagem positiva diante das demais nações civilizadas do mundo,
REVOLUÇÃO PERNAMBUCANA de 1817 NÃO FOI NO GRITO nº151 -
http://naofoinogrito.blogspot.com.br/2017/05/155-nao-foi-no-grito.html
CONSTITUIÇÃO de 1824
https://escolaeducacao.com.br/constituicao-de-1824/
FREI CANECA (1776-1825)
https://www.edmarlyra.com/o-frei-caneca/
LAGOS ALGARVE PORUGAL fotos
https://www.alamy.com/stock-photo/lagos-algarve-portugal-statue.html
sábado, 6 de agosto de 2022
0-0225 - NÃO FOI NO GRITO - O CONFLITO ABERTO
O CONFLITO ABERTO em AGOSTO de 1822
“Temos tão amplamente demonstrado as disposições hostis de Portugal contra o Brasil, que nos parece não haverá já Brasiliense algum tão incrédulo, que possa disso duvidar. Segue-se agora tratarmos das operações hostis já adotadas e contempladas. há muito tempo, que se fez evidente, que os esforços do Ministério Português, e do seu partido nas Cortes, dirigiam-se a fazer popular essa meditada guerra civil, desencaminhando a opinião pública de maneira, que os iludidos Portugueses se prestassem de boa vontade á sua ruína”.
CORREIO BRAZILIENSE AGOSTO de 1822 VOL. XXIX N. 171. Miscellanea. P 277
”
Em agosto de 1822 Portugal estava conduzindo o Brasil para o conflito, para o confronto e numa guerra civil pelas armas, se fosse necessário,. Isto significava que PORTUGAL estava PROCLAMANDO de fato a sua INDEPENDÊNCIA ou sua retirada do BRASIL. A sua ex-colonia era muito mais forte econômica e mesmo militarmente a além de conhecer e de dominar o terreno, o clima e a logística.
Com toda certeza o GRITO de INDEPENDÊNCIA do BRASIL NÃO foi dado a beira do riacho IPIRANGA. Mas em LISBOA por alguns rábulas impotentes em conseguir reduzir o Brasil a condição de colônia lusitana e ávidos para obter pessoalmente os últimos lucros numa situação nebulosa.
CORREIO BRAZILIENSE AGOSTO de 1822 VOL. XXIX N. 171. NN Miscellanea. Pp 277 – 285
Hostilidades de Portugal contra o Brazil.
Temos tam amplamente demonstrado as disposiçoens hostis de Portugal contra o Brazil, que nos parece naõ haverá ja Braziliense algum tam incrédulo, que possa disso duvidar. Segue-se agora Iractarmos das operaçoens hostis ja adoptadas e contempladas. Ba muito tempo, que se fez evidente, que os esforços do Ministério Portuguez, e do seu partido nas Cortes, dirigiamse a fazer popular essa meditada guerra civil, desencaminhando a opinião publica de maneira, que os illudidos Portuguezes se prestassem de boa voutade á sua ruina. Conseguido isto, em grande parte, he escusado que falemos mais nos desastres, que aguardam Portugal; porque, naõ restando ao Brazil outra escolha senaõ preparar-se para sua justa defeza; este he o ponto principal a que se deve dirigir a attençaõ de iodos os Brazilienses
O CONFLITO ABERTO em AGOSTO de 1822
“Temos tão amplamente demonstrado as disposições hostis de Portugal contra o Brasil, que nos parece não haverá já Brasiliense algum tão incrédulo, que possa disso duvidar. Segue-se agora tratarmos das operações hostis já adotadas e contempladas. há muito tempo, que se fez evidente, que os esforços do Ministério Português, e do seu partido nas Cortes, dirigiam-se a fazer popular essa meditada guerra civil, desencaminhando a opinião pública de maneira, que os iludidos Portugueses se prestassem de boa vontade á sua ruína”.
CORREIO BRAZILIENSE AGOSTO de 1822 VOL. XXIX N. 171. Miscellanea. P 277
”
Em agosto de 1822 Portugal estava conduzindo o Brasil para o conflito, para o confronto e numa guerra civil pelas armas, se fosse necessário,. Isto significava que PORTUGAL estava PROCLAMANDO de fato a sua INDEPENDÊNCIA ou sua retirada do BRASIL. A sua ex-colonia era muito mais forte econômica e mesmo militarmente a além de conhecer e de dominar o terreno, o clima e a logística.
Com toda certeza o GRITO de INDEPENDÊNCIA do BRASIL NÃO foi dado a beira do riacho IPIRANGA. Mas em LISBOA por alguns rábulas impotentes em conseguir reduzir o Brasil a condição de colônia lusitana e ávidos para obter pessoalmente os últimos lucros numa situação nebulosa.
CORREIO BRAZILIENSE AGOSTO de 1822 VOL. XXIX N. 171. NN Miscellanea. Pp 277 – 285
Hostilidades de Portugal contra o Brazil.
Temos tam amplamente demonstrado as disposiçoens hostis de Portugal contra o Brazil, que nos parece naõ haverá ja Braziliense algum tam incrédulo, que possa disso duvidar. Segue-se agora Iractarmos das operaçoens hostis ja adoptadas e contempladas. Ba muito tempo, que se fez evidente, que os esforços do Ministério Portuguez, e do seu partido nas Cortes, dirigiamse a fazer popular essa meditada guerra civil, desencaminhando a opinião publica de maneira, que os illudidos Portuguezes se prestassem de boa voutade á sua ruina. Conseguido isto, em grande parte, he escusado que falemos mais nos desastres, que aguardam Portugal; porque, naõ restando ao Brazil outra escolha senaõ preparar-se para sua justa defeza; este he o ponto principal a que se deve dirigir a attençaõ de iodos os Brazilienses
http://paxprofundis.org/livros/sebastiasnismo/sebastianismo.html
Fig. 02 - O SEBASTIANISMO é a celebração de uma derrota e ao mesmo tempo o ato de voltar-se sobre si mesmo e o malogrado passado de PORTUGAL Em agosto de 1822 os deputados lusitanos constituintes sentiam e previam, de uma certa forma a derrota certa e sua impotência pa\azra lidara com o seu presente e cuja íunivca alternativa era as mitificação. Em agosto de 2002r esté em pleno curos o MESSIONISMO esccorendo pelo valão Aberto pelo SEBSTIANISMO
https://www.infoescola.com/historia/sebastianismo/
He possível, que os Sebastianistas de Portugal ainda creiam assas nesta cruzsda, para contribuírem com o seu vintém da bulla, para tam pio fim ; mas acabados estes vinténs, entaõ começarão os choros. Aos 24 de Julho publicou o Ministro da Marinha o seu Edictal, em Lisboa, para o concurso das propostas dos que se quizeasem encarregar do preparo, municiamentoe transporte da expedição contra a Bahia; e nos três dias 27, 28, e 29 apparecêram as seguintes offertas. Joaõ Antônio de Almeida e Companhia offerece fazer a despeza dos viveres, transportes, e o mais inherente, por menos 20 por cento do que importaram as três antecedentes expediçoens, recebendo 10 por cento mensaes sobre a importância total, pelos rendimentos da Alfândega Grande, Casa da índia e Sette Casas, pagando-se-lhe a primeira destas mezadas um mez depois da data da confirmação deste ajuste. O patriotismo destes ofTerentes naõ fez com que se esquecessem do seu interesse particular; porque, sendo bem sabido o enorme cujto das expediçoens precedentes, muito a seu salvo poderiam offerecer esse rebate dos 20 por cento; principalmente sendo o pagamento feito a mezadas de 10 por cento, o que os deixaria pagos em 10 mezes : e contando os juros dessas mezadas, pode-se calcular, que o pagamento seria recebido só com três mezes de credito, espécie de negocio, que faria conta a qualquer commerciante, fosse a expedição a favor do Governo de Portugal, ou de Argel, ou de quem quer que fosse. Quanto da parte dos ofTerentes tudo vai bem; mas da parte do do Governo a cousa he bem diversa; porque naõ chegando essas rendas da Alfândega para pagar aos empregados públicos, que estaõ morrendo de fome 't hypothecadas essas rendas a Joaõ Antônio de Almeida e Companhia, donde ha de sair o dinheiro para as despe?as ordinárias do Governo? Depois veremos como se intenta remediar isto. 0 segundo offerente he Joaõ Baptista de Salles ; offerece o seu navio Gram Careta, por venda, no estado em que se acha, ou aparelhado, estabelecendo-lhe prestaçoens certas e moderadas, para e seu pagamento, sendo infalliveis. O patriotismo deste offerente reduz-se a querer vender o seu navio, de que naõ precisa, se o Governo lho comprar com prestaçoens infalliveis: o mesmo faria naturalmente a qual quer particular, que lho quizesse comprar, e tivesse com que lho pagar. aqui o favor naõ parece demasiado. Caetano Martins da Silva offerece o navio Canoa gratuitamente, por tempo de seis mezes, entregando-o agora no estado em que se acha: e recebendo-o aqui ou na Bahia, no fim do dicto tempo, como entaõ se achar, tanto em casco como em quaesquer fornecimentos: e como reputa o dicto no valor de 40:000.000 de reis, pagar-lhe-ha o Estado 8 por cento sobre o dicto valor, para fazer o respectivo seguro. Findos os seis mezes, se por mais tempo for necessário ao Estado ficará vencedo 2:000.000 de reis por mez, até a entrega, sendo todas as despezas por conta do mesmo Estado. Quanto ao pagamento, ou seja do prêmio do seguro, ou das demoras se as houver, se lhe fará na Casa da índia, ou por encontro de despachos de suas próprias fazendas, ou por consignaçoens de 10 por cento por mez. Esta offerta gratuita tem por objecto o apparelhar-lhe o Governo o navio deste patriota, pagar-lhe o seguro para o Brazil, para onde se seu dono o quizesse mandar o mandaria em lastro, ganhando assim este patriótico negociante todo o preparo de seu navio, e mais 8 por cento no pieço que arbitra; depois dous contos de reis mensaes, ou por outras palavras 5 por cento por anno sobre a valor arbitrário que poz ao navio: ora he preciso confessar, que he esta uma offerta bem gratuita! No caso de naõ convir este contracto, offerece o mesmo navio Canoa e o Gram-Pára, pelas mesmas condiçoens offerecidas por Joaõ Antônio de Almeida e Companhia. Pôde offerecer isto affoito, que ja vimos acima o que nisso lucra. Segue-se Antônio Jozé de Miranda Júnior. Este offerece o seu brigue General S. Paio, com as condi çoens de ser o seu frefratamento menos 3 por cento de outro qualquer; que o importe delle lhe deve ser pago pela 3a. parte dos direitos das fazendas, que lie tem a despachar, tanto nas alfândegas desta cidade, como na casa da índia, e isto lhe será abonado até seu real embolço, que a aguada e aloja meu to para os officiaes e tropa será prumplificada pelo Arsenal. Este offerente também obra seguro, porque, a demais de requerer o mesmo pagamento dos outros, só com a pequena diminuição, de 3 por cento, requer o pagar-se por suas maõs nos direitos da alfândega, o que obterá, sempre que entre com fazendas suas, ou em seu nome na alfândega, cujos direito montem a três vezes o importe da divida, condição de pouca difficnlde na execução. Joaõ Foster offerece o seu brigue Fulham, pelo preço do seu frete 1:000.000 reis livres de toda a despeza. Este favor faria elle naturalmente a outrem qualquer. Joaõ Armande offerece a Galera Sarda Verdadeiros Amigos, nsô declara preço. Suppomos, que se contenta com o ordinário, que lucrou na expedição passada, era que trouxe tropas do Brazil. Finalmente Joaõ Paulo Cordeiro propõem a venda de 249 sacas de arroz da Bahia, pelo preço mais commodo, que desta qualidade for offerecido, sendo pago no dia que se lhe arbitrar. Este heo uuico offerente, que naõ affecta seiviços de patriotismo ; he um negociante, que tem arroz para vender, e vendelloba ao Governo, se este lhe pagar promptamente. E mais naõ disse este deponente; e naõ apparecendo outras ofertas voluntárias, vio bem o Covenio o pouco, que éra de esperar das bem dietas emohis, para fazer a guerra: assim recorreo»e com muita pressa ao plano de um empréstimo, por duas ve'«•t tentado, pura pagar aos empregados públicos, e por outras duas vezes abandonado; desta vez, porém, promette melhor suecesso. Aos 2 de Agosto annunriou o Miuistro da Fazenda, em Lisb°n, que receberia as piopostos para um empréstimo de dez niilhoens de cruzados; e como esta medida se annunciára ha navio Gram Careta, por venda, no estado em que se acha, ou aparelhado, estabelecendo-lhe prestaçoens certas e moderadas, para eseu pagamento, sendo infalliveis.
Fig. 03 - O BRASIL teve, no mar, a sua primeira nau capitânia denominada DOM PEDRO I Este vaso de guerra foi construiido na Bahia em 1763. Serviu aos portugueses e, em 1822 ,tornou-se a nau da MARINHA do BRASIL a fazer frente à MARINHA LUSITANA hostil
https://commons.wikimedia.org/wik/File:Batalha_de_4_de_maio.png
O patriotismo deste offerente reduz-se a querer vender o seu navio, de que naõ precisa, se o Governo lho comprar com prestaçoens infalliveis: o mesmo faria naturalmente a qual quer particular, que lho quizesse comprar, e tivesse com que lho pagar. aqui o favor naõ parece demasiado. Caetano Martins da Silva offerece o navio Canoa gratuitamente, por tempo de seis mezes, entregando-o agora no estado em que se acha: e recebendo-o aqui ou na Bahia, no fim do dicto tempo, como entaõ se achar, tanto em casco como em quaesquer fornecimentos: e como reputa o dicto no valor de 40:000.000 de reis, pagar-lhe-ha o Estado 8 por cento sobre o dicto valor, para fazer o respectivo seguro. Findos os seis mezes, se por mais tempo for necessário ao Estado ficará vencedo 2:000.000 de reis por mez, até a entrega, sendo todas as despezas por conta do mesmo Estado. Quanto ao pagamento, ou seja do prêmio do seguro, ou das demoras se as houver, se lhe fará na Casa da índia, ou por encontro de despachos de suas próprias fazendas, ou por consigna çoens de 10 por cento por mez. Esta offerta gratuita tem por objecto o apparelhar-lhe o Governo o navio deste patriota, pagar-lhe o seguro para o Brazil, para onde se seu dono o quizesse mandar o mandaria em lastro, ganhando assim este patriótico negociante todo o preparo de seu navio, e mais 8 por cento no pieço que arbitra; depois dous contos de reis mensaes, ou por outras palavras 5 por cento por anno sobre a valor arbitrário que poz ao navio: ora he preciso confessar, que he esta uma offerta bem gratuita! No caso de naõ convir este contracto, offerece o mesmo navio Canoa e o Gram-Pára, pelas mesmas condiçoens offerecidas por Joaõ Antônio de Almeida e Companhia. Pôde offerecer isto affoito, que ja vimos acima o que nisso lucra. Segue-se Antônio Jozé de Miranda Júnior. Este offerece o seu brigue General S. Paio, com as condiçoens de ser o seu frefratamento menos 3 por cento de outro qualquer; que o importe delle lhe deve ser pago pela 3a. parte dos direitos das fazendas, que lie tem a despachar, tanto nas alfândegas desta cidade, como na casa da índia, e isto lhe será abonado até seu real embolço, que a aguada e alojamento para os officiaes e tropa será promptificada pelo Arsenal. Este offerente também obra seguro, porque, a demais de requerer o mesmo pagamento dos outros, só com a pequena diminuição, de 3 por cento, requer o pagar-se por suas maõs nos direitos da alfândega, o que obterá, sempre que entre com fazendas suas, ou em seu nome na alfândega, cujos direito montem a três vezes o importe da divida, condição de pouca difficnlde na execução. Joaõ Foster ofTerece o seu brigue Fulham, pelo preço do seu frete 1:000.000 reis livres de toda a despeza. Este favor faria elle naturalmente a outrem qualquer. Joaõ Armande offerece a Galera Sarda Verdadeiros Amigos, naõ declara preço. Supporaos, que se contenta com o ordinário, que lucrou na expedição passada, era que trouxe tropas do Brazil. Finalmente Joaõ Paulo Cordeiro propõem a venda de 249 sacas de arroz da Bahia, pelo preço mais commodo, que desta qualidade for offerecido, sendo pago no dia que se lhe arbitrar. Este he o uuico offerente, que naõ affecta seiviços de patriotismo : he um negociante, que tem arroz para vender, e vendelloha ao Governo, se este lhe pagar piomptamente. E mais naõ disse este deponente ; e naõ apparecendo outras ofertas voluntárias, vio bem o Coveruo o pouco, que éra de esperar das bem dietas emolas, para fazer a guerra: assim recorreose com muita pressa ao plano de um empréstimo, por duas vezes tentado, pura pagar aos empregados públicos, e por outras duas vezes abandonado: desta vez, porém, promette melhor suecesso. Aos 2 de Agosto annunciou o Miuistro da Fazenda, em Lisbon, que receberia as piopostos para um empréstimo de dez milhoens de cruzados; e como esta medida se annunciára ha muito tempo, aehavain-se ja em Lisboa os Agentes de varias casas Inglezas, com instrucçoens para proporem seus termos. Se o empréstimo se realizar, será necessariamente por alguma dessas casas Inglezas; porque em Portugal claro está que naõ ha taes dez milhoens para emprestar ao Governo
Fig. 04 - O ouro do BRASIL estocado em LONDRES Este estoque é resultado de malfadados tratados como aquele de Methuen que infelicitou os BRASILEIROS e LUSITANOS que esbanjavam e comprometiam todo o OURO que podiam saquer na AMÉRICA, AFRICA e ÁSIA e , com ele, pagar os JUROS e os EMPRÉSTIMOS dos BANCOS de LONDRES
Suppomos a hypothese mais favorável, que podem desejar estes alvitristas da guerra contia o Brazil; e he, que se realiza o empréstimo. Em primeiro lugar, as condiçoens devem ser mui onerosas; por que ninguém emprestará dinheiro a um Governo tam falto de credito e recursos, e que vai a emprender tam desastrosa guerra, sem que os lucros sejam tanto de tentar, que equiralham grande risco da perda iminente do Capital. Depois, sendo esie empréstimo feito por capitalistas da Inglaterra, fica o pobre Portugal, alem das demais desgraças, sugeito a pagar á Gram Bretanha um tributo annual, iguala somraa dos juros desse empréstimo; e daqui se seguirá logo o outro mal filho deste, de abaixarem os câmbios contra Portugal, em razaõ das remessas, que tem a fazer nos pagamentos desses juros. Finalmente, gritando todos, queerá preciso fazer um empréstimo para pagar aos empregados, agora vai o Governo applicar esse dinheiro na guerra do Brazil, e por tanto ficam os empregados a morrer de fome, como d'antes estavam. Ora devemos lembrar, que entre as pessoas, que, nas Cortes e fora dellas, tem mostrado os perigos de naõ pagar o Governo aos empregados, Castello Branco disse, que sem se tomarem medidas próprias para este pagamento, desfar-se-hia tudo quanto se tem feito, em mudar o Governo: Borges Carneiro julgou essa providencia essencial á mantença do presente systema ; e Fernandez Thomas declarou, que sem isto estava acabado o systema constitucional : porque reforma sem dinheiro, e sem pagar o Governo a quem deve, nem se quer concebia que pudesse existir. Vistas pois estas profecias dos mesmos coirfeos du Revolução, a conclusão he, que a applicaçaõ deste empréstimo para a guerra do Brazil, em vez de pagar com elle os empregados, vai atirar como Governo em terra. Be de presumir, que os partidistas da uniaõ de Portugal com Hespanha se naõ embarassem cora estas conseqüências, visto que ellas favorecem o seu plano. Com effeito, exhaurído o Erário com a guerra do Brazil, amotinados os empregados e talvez a tropa, por naõ terem que comer, facilmente poderão os Hespanhoes entrar por Portugal e assenhorear-se delle, naõ tendo ja o Governo Portuguez, nem vigor, nem credito, para se lhe poder oppór. Como porém a perversidade desse partido intenta, ja que naõ pode recolonizar o Brazil, tractar de reduzillo a cinzas, tem muitos suggerido, e ja se começa a pór em practica, o plano da sublevaçaõ dos escravos. Nos ja indicamos este mal, para que no Brazil se acautellassem delle, agora diremos mais as noticias, que sobre isto temos, proque convém que se faça geral o conhecimento desta horrorosa conspiração Portugueza, cujo resultados seraõ tam funestos ao Brazil, que naõ ha indivíduo algum que naõ deva fazer todos os sacrifícios pessoaes, a fim de o previnir. Paris he o foco desta conspiraraçaõ. E os Agentes Portuguezes ali, que estaõ neste segredo, convidaram dous sugeitos, que iodo viajar ao Brazil a titulo de naturalistas, se oecupássera de organizar entre os negros uma insurreição geral. Um desses convidados naõ quiz ultimar o ajuste, por desconvir no preço, deo com a língua nos dentes, e por este meio, diz o nosso informante, se veio a saber de quem eram os que meditavam esta negra trama, e cujos nomes nos foram transmittidos, sendo o cabeça um ex-diplomatico Pcrtuguez. O Norte do Brazil éra o principal alvo desta infernal machinaçaõ ; porque na Bahia se deixa isso para ultimo recurso, visto que se suppoem segura actualraente a posse da quella cidade. Temos feito nosso dever, annunciando estas noticias; mas se a pezar dellas o Maranhão e Pará continuarem a deixar-se governar pelos mandoens Portuguezes, dando-lhes tempo e opporlunidade paru verificarem suas medidas, teraõ os habitantes des° sas duas províncias mais culpa em seus próprios desastres, porse naõ precaverem, sendo admoestados do perigo, do que os próprios inimigos, que recorrem a esse funesto estratagema. Quanto á Bahia, se ali naõ ha uma apathia quasi próxima á demência, devem ja estar mais do que convencidos do jugo que lhes preparam as Cortes. As tropas Poi tuguezas assas tem feito conhecer á Bahia o jugo de ferro, que intentam impôr-llie. a Bahia deve ser espremida, para pagar esses mesmos verdugos, que para lá lhe mandam ; e quando naõ tiver mais que dar, a cidade rerá saqueada: e se depois disto forem as tropas Poi tuguezas obrigadas a largar esta preza; faraó antes de sahir sublevar os escravos, para deixarem dessolada a provincia que uaõ podem conquistar ou reter
ig. 04 - O ouro do BRASIL estocado em LONDRES Este estoque é resultado de malfadados tratados como aquele de Methuen que infelicitou os BRASILEIROS e LUSITANOS que esbanjavam e comprometiam todo o OURO que podiam saquer na AMÉRICA, AFRICA e ÁSIA e , com ele, pagar os JUROS e os EMPRÉSTIMOS dos BANCOS de LONDRES
Suppomos a hypothese mais favorável, que podem desejar estes alvitristas da guerra contia o Brazil; e he, que se realiza o empréstimo. Em primeiro lugar, as condiçoens devem ser mui onerosas; por que ninguém emprestará dinheiro a um Governo tam falto de credito e recursos, e que vai a emprender tam desastrosa guerra, sem que os lucros sejam tanto de tentar, que equiralham grande risco da perda iminente do Capital. Depois, sendo esie empréstimo feito por capitalistas da Inglaterra, fica o pobre Portugal, alem das demais desgraças, sugeito a pagar á Gram Bretanha um tributo annual, iguala somraa dos juros desse empréstimo; e daqui se seguirá logo o outro mal filho deste, de abaixarem os câmbios contra Portugal, em razaõ das remessas, que tem a fazer nos pagamentos desses juros. Finalmente, gritando todos, queerá preciso fazer um empréstimo para pagar aos empregados, agora vai o Governo applicar esse dinheiro na guerra do Brazil, e por tanto ficam os empregados a morrer de fome, como d'antes estavam. Ora devemos lembrar, que entre as pessoas, que, nas Cortes e fora dellas, tem mostrado os perigos de naõ pagar o Governo aos empregados, Castello Branco disse, que sem se tomarem medidas próprias para este pagamento, desfar-se-hia tudo quanto se tem feito, em mudar o Governo: Borges Carneiro julgou essa providencia essencial á mantença do presente systema ; e Fernandez Thomas declarou, que sem isto estava acabado o systema constitucional : porque reforma sem dinheiro, e sem pagar o Governo a quem deve, nem se quer concebia que pudesse existir. Vistas pois estas profecias dos mesmos coirfeos du Revolução, a conclusão he, que a applicaçaõ deste empréstimo para a guerra do Brazil, em vez de pagar com elle os empregados, vai atirar como Governo em terra. Be de presumir, que os partidistas da uniaõ de Portugal com Hespanha se naõ embarassem cora estas conseqüências, visto que ellas favorecem o seu plano. Com effeito, exhaurído o Erário com a guerra do Brazil, amotinados os empregados e talvez a tropa, por naõ terem que comer, facilmente poderão os Hespanhoes entrar por Portugal e assenhorear-se delle, naõ tendo ja o Governo Portuguez, nem vigor, nem credito, para se lhe poder oppór. Como porém a perversidade desse partido intenta, ja que naõ pode recolonizar o Brazil, tractar de reduzillo a cinzas, tem muitos suggerido, e ja se começa a pór em practica, o plano da sublevaçaõ dos escravos. Nos ja indicamos este mal, para que no Brazil se acautellassem delle, agora diremos mais as noticias, que sobre isto temos, proque convém que se faça geral o conhecimento desta horrorosa conspiração Portugueza, cujo resultados seraõ tam funestos ao Brazil, que naõ ha indivíduo algum que naõ deva fazer todos os sacrifícios pessoaes, a fim de o previnir. Paris he o foco desta conspiraraçaõ. E os Agentes Portuguezes ali, que estaõ neste segredo, convidaram dous sugeitos, que iodo viajar ao Brazil a titulo de naturalistas, se oecupássera de organizar entre os negros uma insurreição geral. Um desses convidados naõ quiz ultimar o ajuste, por desconvir no preço, deo com a língua nos dentes, e por este meio, diz o nosso informante, se veio a saber de quem eram os que meditavam esta negra trama, e cujos nomes nos foram transmittidos, sendo o cabeça um ex-diplomatico Pcrtuguez. O Norte do Brazil éra o principal alvo desta infernal machinaçaõ ; porque na Bahia se deixa isso para ultimo recurso, visto que se suppoem segura actualraente a posse da quella cidade. Temos feito nosso dever, annunciando estas noticias; mas se a pezar dellas o Maranhão e Pará continuarem a deixar-se governar pelos mandoens Portuguezes, dando-lhes tempo e opporlunidade paru verificarem suas medidas, teraõ os habitantes des° sas duas províncias mais culpa em seus próprios desastres, porse naõ precaverem, sendo admoestados do perigo, do que os próprios inimigos, que recorrem a esse funesto estratagema. Quanto á Bahia, se ali naõ ha uma apathia quasi próxima á demência, devem ja estar mais do que convencidos do jugo que lhes preparam as Cortes. As tropas Poi tuguezas assas tem feito conhecer á Bahia o jugo de ferro, que intentam impôr-llie. a Bahia deve ser espremida, para pagar esses mesmos verdugos, que para lá lhe mandam ; e quando naõ tiver mais que dar, a cidade rerá saqueada: e se depois disto forem as tropas Poi tuguezas obrigadas a largar esta preza; faraó antes de sahir sublevar os escravos, para deixarem dessolada a provincia que uaõ podem conquistar ou reter
Fig. 06 - O militar quando cumpre ordens não CONHECE mais RAZÃO ou SENTIMENTOS. A justificativa emana das da COBIÇA, da SELVAGERIA e dos DESMANDO dos seus SUPERIORES, Quem paga, até com a sua vida. são, em geral os inocentes e indefesos . Uma das vitimas do DESMANDOS e SELVAGERIA foi a MADRE JOANA morta no dia 11 de fevereiro de 1822 na porta do convento que tentava defender com seu frágil corpo.
https://eitaxi.com.br/conhecendo-a-soteropolis-xii-por-alcir-santos/
CORVETA MARAI da GLÓRIA
https://www.naval.com.br/ngb/M/M031/M031.htm
Em agosto de 1822 todos sinais vindos dos “DOUTOS autodenominados DEPUTADOS provenientes da dita REVOLUÇÃO LIBERAL do PORTO de 1820” nada sabiam ou queriam saber de qualquer COLONO vivendo situada além MAR.
Os três seculos de ocupação, posse e exploração da AMÉRICA, da ÁFRICA e da ÁSIA nada haviam ensinado a estes “DOUTOS autodenominados DEPUTADOS” além de estimular o seu apetite pela POSSE, pela ACUMULAÇÃO de BENS MATERIAIS e SIMBÓLICOS.
https://gazetaarcadas.com/2021/05/17/messianismo-a-brasileira/
Fig. 07 - A manipulação do PODE SIMBÒLICO pelos canis da midia e a apropraiçaõ de imagem obrvimente retirados do se contextogeram um calto e substrato para um mESSINISMO pelo qual muitos datiam a vida, os eus trabalho e poucosbens que possuem No entanyto funvciona como o SEBASTINISMO LUSITANO alastriu0se seculos afoar e era usado para o mais vis objetivos
Estas sementes sinistras e desagregadoras continuam ativas em AGOSTO de 2022 e se reproduzindo no BRASIL quando um bando de LEGISLADORES, EXECUTIVOS e JUÍZES não consegue refrear o seu próprio apetite pela POSSE, ACUMULAÇÃO de BENS MATERIAIS e SIMBÓLICOS e muito menos dos seus sócios e protegidos pela LEI, pelo FISCO e pelos TRIBUNAIS.
R$ 336, 8 BILHÕES de FRAUDES no BRASIL INDEPENDENTE den20221
https://www.diariodepernambuco.com.br/noticia/brasil/2022/08/prejuizos-com-fraudes-no-brasil-somaram-r-336-8-bilhoes-em-2021.html
EXERCITO de DOM PEDRO I
http://www.eb.mil.br/o-exercito?p_p_id=101&p_p_lifecycle=0&p_p_state=maximized&p_p_mode=view&_101_struts_action=/asset_publisher/view_content&_101_returnToFullPageURL=/&_101_assetEntryId=1539194&_101_type=content&_101_urlTitle=guerra-da-independencia&inheritRedirect=true
O MESSIANISMO no BRASIL de AGOSTO de 2022
https://www.scielo.br/j/rbcsoc/a/GK6DpnYKKJsftjJYmTWLYqR/?lang=pt
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https://www5.usp.br/noticias/messianismo-e-milenarismo-no-bras
s
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