quarta-feira, 3 de abril de 2013

NÃO FOI no GRITO 071.



AS MÁS COMPANHIAS dos

SOBERANOS



“As desgraças dos Soberanos procedem quase sempre
dos conselhos temerários, que lhe dão ministros
amigos do despotismo. Os povos nunca desejam
revoluções, e ainda que se diga, que os intrigantes
as podem promover, contudo estes nunca
achariam séquito bastante para completar
seus desígnios, se as opressões do
Governo não irritassem os indivíduos”.
CORREIO BRAZILENSE - Nº 059 – abril de 1813 - Miscellanea.532- 533


CRUIKDHANK George -1792-1878 -  GENTE --- REGENTE  1816 e
Fig. 01 – Os cortesões tomam posse da autoridade e a transformam em manequim dos seus próprios interesses. Para esta ação não existem meios que eles não achem legítimos, por mais que a ética e a moral pública e particular sofram vexames.  Cercam-se de rituais ridículos pela sua natureza, mas, de profundo sentido impositivo e repetidos até estontear e convencer os mais renitentes opositores.



O texto do CORREIO BRAZILENSE - Vol X.- 
 Nº 059 – abril de 1813  pp 529 – 534 -
expõe silenciosamente as raízes do Regime
Colonial  e as consequências atrozes da escravidão
passiva e ativa no Brasil. Ele é de atualidade
cruel ainda em 2013. Assim não há
comentários a este documento além de um
convite para uma leitura atenta e
comparação com o presente:


Reflexoens sobre as novidades deste mez. BRAZIL.

Decreto.

Por justos motivos, convenientes ao meu Real Serviço, Hei por bem, que nenhum prezo, dos que entram nas cadêas de Ordem do Intendente Geral da Policia, possa ser solto por qualquer authoridade, por mandados, sentenças, ou assentos de visita, sem que antes o mesmo Intendente seja sciente, e o de por corrente. O Chanceller da casa da supplicaçaõ, que serve de Regedor, o tenha assim entendido, e o execute, sem embargo de quaesquer leys, decretos, e ordens em contrario.

Palácio do Rio de Janeiro, em 7 de Novembro, 1812.


James GILLREY  (c. 1757- 1815)- HONY SOIT QUI MAL Y PENSE
Fig. 02 – Os mediadores, atravessadores e tuteladores da opinião do PODER OROGINÁRIO constituem mais um “CULPADO de TUDO”. Eles estão procura de alguém sobre o qual seja possível jogar a CULPA de TUDO depois de guilhotinarem LUIS XVI e MARIA ANTONIETA e se verem livres  deles. O processo inicia pela sedução de atribuições mirabolantes e promessas  fora da realidade. Os mesmos mediadores, atravessadores e tuteladores prosseguem o seu projeto com um rigoroso e milimétrico patrulhamento ideológico de quem caiu na armadilha desta cínica encenação. No ato final expor a sua vítima à  execração publica e fazer com qual a multidão se julgue amedrontada e ao mesmo tempo aliviada de se ver livre de mais um “corrupto” fictício. Ao longo desta cena montada e fictícia ficam com todos os lucros que de fato pertencem ao Poder Originário e somem nos desvãos da História, sem deixar o menor vestígio ou testemunha do mal feito.
¿- Afinal quem se interessa pela história dos mediadores, atravessadores e tuteladores da opinião?

Eis aqui um decreto de poucas linhas, era que se desfaz com uma pennada, o trabalho de annos, em que os jurisconsultos e legisladores se applicáram a fazer regulamentos, para se instituírem os processos.

Prenda o Intendente da Policia, quem, como,e por quanto tempo quizer. NaÕ haja ninguém que o possa cohibir.

Tal he este Decreto !!!

Naõ achando este Decreto contrasignado por algum Ministro, atribuímos isto a que o homem, que se atreveo a aconselhar esta medida a seu Soberano, quiz dar a pedrada, e esconder a maõ. A injustiça, porém, e a impolitica desta medida nos faz suppôr, que quem a acconselhou, ou hé absolutamente ignorante da legislação pátria, e das conseqüências funesta» que se seguem nos governos pela infracçaõ dos direitos dos individuos ; ou, se conhece isto, tal conselheiro quiz de propósito comprometter o Soberano, e lançar sobre elle a impopularidade e o ódio de tal medida, fazendo-o dar um passo taõ arriscado, sem a contra assignatura de um Ministro, para quem o Povo olhasse como responsável das conseqüências.

O estabelicimento da Intendencia da Policia cm Portugal, he um dos actos por que se organizou o despotismo, no Reynado d'EI Rey D. Jozé ; naõ tendo o Ministro outra razaõ com que justificar aquelle terrível golpe ao systema da legislaçaõ de Portugal, senaõ o alegar com o exemplo da França; aquella França caixa dc Pand ora, d'onde tantos males tem vindo & Europa.

A instituição da Policia, data de 25 de Junho 1760; e como este estabelecimento éra destinado a proteger as vistas despoticas do Ministro, naõ se lhe deo regimento, que obviasse os abusos a que naturalmente se abria a porta, dando a um sò homem os poderes quasi sem limites que aquella ley lhe concede. O Alvará de 15 de Janeiro, do 1780, querendo continuar este estabelecimento (porque nenhum ministro gosta de perder antes sim ganhar na causa do despotismo) se vê obrigado a confessar, que as muitas obrigaçoens, que se impunham ao Intendente, naõ saõ as mais proporcionadas para se conseguir uma verdadeira policia no Reyno: declaração esta que atribuimos á virtuosa Raynha, que assignou o Alvará, e que faz  infinita honra ao character daquella Soberana.

Neste alvará aquella religiosa, e virtuosa Raynha ordenava, que as pessoas, que o Intendente prendesse por causas crimes, fossem logo entregues aos ministros, a cuja jurisdicçaõ pertencessem; e a estes recommendava o instruir-lhes os processos, e sentenciallos na forma das leys e estylos do Reyno.


Francis BACON 1909-1992 pintura
Fig. 03 – A Inquisição buscava vítimas para a execração pública e a transformava em bodes expiatórios exemplarmente punidos com os mais horrorosos suplícios seguia a norma romana das execuções públicas para intimidar qualquer um especialmente ao poder publico por mais injusto e ilegal que fosse. Bastavam acusações de qualquer natureza e o clamor público orquestrado por mediadores, atravessadores e tuteladores de opinião para desencadear prisões, torturas, garrote vil e fogueiras.  

Também, entre outras providencias, determinou este alvará, que as visitas das cadêas ; uma das mais sabias providencias da legislação criminal de Portugal, fosse feita pelo Regedor das Justiças, na forma da Ordenação do Reyno.

Ja nisto se deo ao Intendente a perigosa faculdade de prender qualquer cidadão sem preceder pronuncia, requisito que as antigas e sabias leys de Portugal julgaram sempre necessário: requisito que se define na Ley da Rcformaçaõ da Justiça, que até aquelle que for prezo por crime capital, ou se lhe ha de formar a culpa dentro em oito dias, ou se ha de absolutamente soltar (§.14.)

Em uma palavra, segundo as leys de Portugal, que sempre tiveram em vista a protecçaõ das pessoas, e das propriedades dos cidadãos; nunca se pôde começar o processo pela prizaõ do réo; e para que elle se prenda, naõ basta a queixa do que morre, nem a suspeita da fuga, nem a fama ou rumor do delicto, nem a mera informação verbal, deve a prova ser escripta e autuada, legitima, seja plena, seja semiplena. Em uma palavra todo o systema da legislação criminal Portugueza, suppoem que ninguém pôde ser prezo senaõ um reo verdadeiro, ou supposto com os requisitos de Direito, isto heem consequência de juramento de testemunhas, e naõ por méras conjecturas do juri.



Francisco José GOYA y LUCIENTES 1746-1826 As bruxas c. 1797 - óleo 43 cm X 30 cm detalhe
Fig. 04 –  O jogo mortal da culpa confessada e o perdão concedido, desestabiliza a vontade e permite que o infeliz desavisado caia sob a autoridade das mais horrendas e mal intencionadas criaturas da face da terra. Neste jogo interessa aos mediadores, aos atravessadores e aos tuteladores da opinião apropriar-se da vontade do infeliz que conduzem, como um zumbi, pelos caminhos que eles mesmos não querem se meter e que sabem que são delituosos.

A terrível, e horrenda ley de Policia, foi corrigida, em grande parte, como dissemos, pela humanidade da Augusta Soberana; porque o Regedor nas visitas, que lhe obrigado a fazer ás cadêas, podia soltar aquelles prezos, que achasse que eram injusta e indevidamente retidos nas prizoens. He bem sabido que este remédio éra tardio, e sugeito ainda a sei evadido pela influencia e ardileza do Intendente mas em fim havia um remédio legal, havia um homem, que éra o Regedor, o qual podia oppor-se, e servir de freio ao arbítrio do intendente ¿ que resta agora de protecçaõ ao cidadão contra um Intendente interessado em arruinado ?

Os homens naõ se unem em Sociedade, senaõ para mutua protecçaõ: as leys e os Governos naõ tem outro fim senaõ proteger a pessoa, e os bens do cidadão - se naõ conrespondem a estes fins saõ contrarias aos fins da Sociedade; e naõ podem justificar-se nem chamar-se validas.


Joseph Ignace GUILLOTIN [1738-1814] propôs - em 1789 - a guilhotina
Fig. 05 – O médico francês  Joseph Ignace GUILLOTIN (1738-1814) industrializou as execuções públicas e que foram aplicadas em série na  França até a metade do século XX. Esta execução pública pela guilhotina no momento em que a lâmina mortal despencava fisicamente sobre o  pescoço do condenado colocava um ponto final e irreversível no processo. A maioria dos países civilizados baniu a pena de morte do seu código penal. Mas o hábito de vigiar e punir permanece e se sofistica inventando formas de controle e intimidação subliminares controlados e manipulados por tuteladores da opinião da opinião pública, por mediadores de toda ordem e atravessadores dos interesses mais sórdidos e vis.

Alguns dos mais illuminados Jurisconsultos Portuguezes, tem chamado a certas leys e Ordenaçoens do Reyno, em seus escriptos, atrozes, e cruéis: ¿ porque naõ nos atreveremos nos confiadamente a dizer o que pensamos sobre esta, escrevendo em tempo que reyna o Sereníssimo Principe do Brazil, cujas intençoens puras naõ saõ nem podem ser outras senaõ o bem de seus vassallos ? A elle aplicaremos o dicto de Plataõ que cita taõ a nosso propósito o celebre Portuguez Paschoal Joze de Mello:

"Prescrevam-se por tanto (diz Plataõ, no dialogo IX das leys) leys ás cidades, de tal maneira, que o Legislador pareça como pay ou mãy na sua familia ; tenham mais de caridade e de virtude, do que de dominio, ou império de tyranno, que so ameaça, e naõ assigna a razaõ do que prescreve."



PRISIONEIROS RUSSOS - Foto c.1910 de Serguéi Mijáilovich Produkin GORSKY.(1863-1944)
Fig. 06 – O vasto império russo conheceu as formas mais atrozes e sumárias  de aprisionamentos e de deportações massivas. Prisões arbitrárias e deportações que se prolongaram em todos os regimes estabelecidos nesta nação.  Uma corte de mediadores, atravessadores de influências e tuteladores das instituições mantiveram os tiranos de plantão em todos os tempos e lugares e através dos quais exerciam o seu arbítrio  sobre o Poder Originário eslavo. O constante patrulhamento onipresente e operante e as prisões sumárias  produzem outros tiranos abonáveis, mesmo nos momentos de qualquer pequeno descuido ou ficção de democracia. Acontece o que já foi previsto por Platão: “o tirano e filho do democrata”.  

Este character do bom Legislador he o que atribuímos  ás piedosas intençoens de S. A. R.; e por isso nos atrevemos a referir aqui verdades, que se naõ lhe chegarem por nossa via, de certo as naõ ouvirá da bocca de cortezaõs.

¿ Que povo he mais submisso, que o povo do Brazil? Logo  ¿ para que he privallo dá protecçaõ das leys, e deixallo à mercê d'um mero Intendente da Policia ?
Saõ essas infracçoens dos direitos sagrados da humanidade, as que tem produzido as desordens, e misérias, que em nossos calamitosos tempos tem inundado a Europa de sangue. Os cortezaõs, os parazitas, os aduladores, e toda a casta de Godoyanos, dirnõ a S. A. li , assim como pregam por toda a parte, que as causas da terrível revolução, que está afüigiudo a Europa, saõ os escriptos dosphilosophos, ai combinaçoens dos revolucionários, c o espirito de rebelião ilos povos. Nós, confiados na justiça e virtude, e bons desejos daquele Principe, ouzamos levantar a nossa vóz era contrario daquelles malvados ; e asseveramos, que a ruina das finanças, as oppressoens dos grandes, os castigos arbitrários, e illegal, ainda quando fossem moralmente justos, naõ sendo fundados nas leys, saõ e tem sido a causa das desgraças da Europa, que todo o homem de bem lamenta.


RIVERA Diego 1886-1957-Fundos Congelados 1931-2
Fig. 07 –  O imenso poderio norte-americano possui na sua raiz um jogo de vigiar e de punir qualquer desvio deste projeto coletivo. Para que esta ação seja eficiente impera um formalismo puritano e comportamental público onde a geometria, o equilíbrio e a racionalidade predominam sobre qualquer emoção humana.

Infeliz o Soberano, que naõ quizer ouvir estas verdade», e que se deixar levar pelos conselhos dos malévolos, que favorecem o despotismo.

-  ¿ Quem levou Carlos IV à França; os escriptos dos philosophos, ou o infame Godoy ?

¿ Quem reduzio Luiz XVI á necessidade de declarar uma bancarrota nacional, que foi o proemio de todas as suas desgraças: as combinaçoens dos revolucionário», ou o estado deploravel de suas dilapidadas finanças?
¿ Quem reduzio a presente Familia Real de Sicilia ao estado do submissão, e a ser objecto dc ódio dc todos os seus vassallos: o espirito de revolução nos seus povos, ou as execuçoens sanguinárias da Raynha em Nápoles, ajudada pelo almirante Nelson
Fig. 08 –  O sistema penitenciário brasileiro continua a ideologia, os hábitos adquiridos no cultivo da mentalidade colonial.  A lei e as cidades precedem os fatos e a ocupação do interior brasileiro, acumula os delinquentes desvalidos da lei e da posse urbana ou rural em presídios fétidos e desumanos. Esta massa amorfa transforma e potencializa os transgressores da lei. Estes incapazes de entender e de praticar qualquer projeto civilizatório cumprem a pena em estabelecimentos que se transformaram em escolas [ lugar do ócio] de delinquências e elucubrações de vinganças e formação de quadrilhas articuladas.

Mil exemplos podíamos citar da historia antiga e moderna, para provar, que as desgraças dos Soberanos procedem quasi sempre dos conselhos temerário», que lhe. daõ ministros amigos do despotismo. Os povos nunca desejam revoluçoens, e ainda que se diga, que o» intrigantes as podem promover, contudo estes nunca achariam séquito bastante para completar seus designios, se as oppressoens do Governo naõ irritassem os individuos. Abra-se a pagina da historia; e se ficará convencido desta verdade.

Parece-nos, que se um Principe que tem tantas qualidades boas como he S. A. R. o Principe Regente do Brazil, naõ fosse inteiramente illudido por homens de intençoens sinistras, que sabem propor  tudo com as cores as avessas, quando faliam em segredo, e sem temor de que lhe repliquem, S. A. H reflectiria na possibilidade de que este seu decreto fosse a causa de padecerem innocentes muitos de seus vassallos.
Supponhamos o caso, de que o actual, ou outro qualquer Intendente tem rixa, ódio, ou mà vontade a um homem, que o manda prender de segredo; sem causa legitima; e por conseqüência, o detém só para satisfazer a sua paixaõ particular: o Regedor, nem outra alguma pessoa, naõ pode conhecer disto ; E ha de S. A. R. permittir assim, que um vassallo seu, a quem elle por todos os direitos divino e humano he obrigado a proteger, morra em uma prizaõ, sem meios de recurso», de appellaçaõ, de se queixar, nem mesmo a esse seu Soberano, esse seu Protector Natural ?

PRISIONEIROS - The Guardian 22.03.2012
Fig. 09 –  Prisioneiros caminham em fila e com olhos vendados da invasão da Líbia em 2012. As normas europeias, estabelecidas pelas armas, continuam a serem aplicadas aos povos dos continentes africano e asiático violentando qualquer Poder Originário destas regiões culturais. Enquanto os interesses econômicos europeus buscam suprir-se dos bens destas regiões e estabelecer novas fronteiras para os seus mercados virtuais e venda de bens culturais exóticos para estas culturas, uma civilização autóctone torna-se uma utopia.

Pode dar-se um caso raro, em que seja necessário uma destas prizoens, que se chamam de Estado. Supponhamos, dizem os Godoyanos, defensores destas prizoens arbitrarias, que um Embaixador if um paiz estrangeiro se vendeo á corte aonde residia, que atraiçoou os interesses de seu Soberano, ede sua Naçaõ, em vez de negociar em sua vantagem, tractou de servir a Potência estrangeira, para que esta o protegesse em taes ou taes vistas particulares que tivesse : n'um caso destes se o Soberano processasse, e castigasse publicamente este individuo; além de ser mui difficil obter provas legaes em taes casos; arriscava-se a uma altercaçaõ perigosa cora a Potência estrangeira; e a prizaõ secreta, he tal vez a única alternativa que lhe resta de punir o crime passado, e prevenir os perigos da traição para o futuro.

Nos concedemos aos Godoyamos, que pode existir, e infelizmente tem ja extido algumas vezes este caso extremo; mas por ventura ¿ a mera possibilidade desta hypothese justifica a medida de se adoptar por via de regra o systema das prizoens arbitrarias* e indefinidas, por meio de um sô magistrado, de quem naõ se permitte appellaçaõ ou recurso?

A liberdade individual do cidadão he o primeiro bem; e protegêlla he o primeiro dever de qualquer Governo : e no caso extremo que se figura, nada menos seria necessário do que um decreto assignado pelo Soberano, lavrado em pleno Conselho d'Estado, revisto por alguma grande personagem na Magistratura, tal como o Chanceller mor; registrado nos registros mais authenticos do Reyno, e n'uma palavra, acompanhado de todas as formalidades necessárias para mostrar a todos os subditos, e á posteridade , que tal prizaõ arbitraria, e sem as formalidades das leys, he extraordinária, que naõ deve servir de exemplo, c que he justificada por consiilcrarnens taõ ponderosas, que nenhuma outra medida se lhe podia substituir.




BATALHA ESTUDANTES e GUARDAS MUNICIPAIS de POA-RS - CP 24.03.2013
Fig. 10 – As ações dos estudantes em  Porto Alegre, do mês de março de 2013, refletem a insatisfação,  a falta de leis claras e que permitam um contrato público quanto aos valores monetários dos transportes urbanos de uma metrópole. Os pactos e cálculos realizados longe do olhar público não permite a este  conferir e avaliar nada além da ótica empresarial e não diante das reais condições do Poder Originário. Estes contratos ocultos são impostos pelo emprego da força pública financiada e paga pelo erário público cuja fonte é o próprio Poder Originário.

Outra vez repettimos a segurança pessoal dos indivíduos he o primeiro dever do Governo, o fim primário de sua instituição ; confialla ao caprixo de um Intendente de Policia, he tractar dc bagatela nm objecto da primeira importância.

Mais diríamos: mas receamos que se jalguem demasiado longas estas reflexoens, porem sempre declaráramos; que taes mediriis nos parecem as mais próprias para fazer impopular o Governo miis bem estabelecido; e para um vacilante, novo, e ha taõ pouco tempo obrigado a hir procurar azylo em prayas distantes, pode ser de consequências as mais tristes; e taes que nem nós nem nenhum homem honrado desejaria testemunhar.

Conclui-se que a natureza humana é uma só em qualquer tempo e lugar. Mas nos locais e culturas nas quais trinfa o colonialismo e a subsequente escravidão a corrupção da vontade e as agressões à liberdade individual e coletiva é considerado como fato natural e necessário. Sobre esta crença são construídas doutrinas, ideologias que reforçam hábitos e costumes que impedem, como camadas de gelo, a emergência da liberdade, da autonomia e do livre arbítrio.

A plangente nota do editor “obrigado a ir procurar asilo em praias distantes, pode ser de consequências as mais tristes; e tais que nem nós nem nenhum homem honrado desejaria testemunhar” é uma afirmação individual para o exilado em Londres como pode valer para o conjunto da própria corte do Príncipe Dom João refugiada no Brasil.


FONTES NUMÉRICAS DIGITAIS



1813 - abril – CORREIO BAZILIENSE


REVOLTAS e PRISÕES COLONIAIS BRASILEIRAS









2013 - MINISTÈRIO PUBLICO e POLÍCIA se desentendem








POLÍCIA e MINISTÈRIO PUBLICO se desentendem




POLÍCIA e JUIZ se desentendem em PORTO ALEGRE




SISTEMA PRISIONAL BRASILEIRO




ESCRAVIDÃO + COLONIALISMO



SISTEMA PRISIONAL FRANCÊS
http://www.lemonde.fr/idees/article/2013/04/02/il-faut-supprimer-les-peines-planchers_3152042_3232.html

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segunda-feira, 4 de março de 2013

NÃO FOI no GRITO 070.


BRASÍLIA no HORIZONTE de 1813

A CAPITAL no INTERIOR.

Fig. 01 – A localização geográfica de Brasília, em pleno cerrado, marcou, de forma definitiva, a ocupação do Brasil Central. Não havia interesse da corte de Lisboa nesta ocupação do interior brasileiro a não se em lucros imediatos e vultosos como efêmero ouro de aluvião. O efetivo projeto de interiorização da capital nacional teve de esperar 143 anos até a iniciativa de um ex-governador de Minas Gerais para dar corpo físico a este projeto que o Correio Braziliense sustentava em março de 1813.

Uma cultura ou uma pessoa torna-se histórica na medida e na proporção dos projetos que é capaz de criar, manter e reproduzir ao longo do tempo. O caso contrário é entregara-se á correnteza do tempo da Natureza que a tudo arrasta e destrói sem a menor alma..

Assim surpreende encontrar no número de março de 1813 do Correio Braziliense a sustentação articulada e as vantagens de ter a sua capital onde se originam as suas bacias fluviais tipicamente nacionais.

É verdade que em março de 1813, o tempo das ‘bandeiras’ já ia longe e o ouro está reduzido á uma expressão inexpressiva.  O Planalto Central estava entregue à expansão e exploração da pecuária anterior aos alambradores. A exploração agrícola intensiva teria de esperar a implantação efetiva de Brasília.

Fig. 02 – As diversas ‘bandeiras’ que partiram de São Paulo eram inicialmente exploratórias e para escravizar o indígena. Com o movimento e resistência dos Tamoios elas se voltaram para a busca do ouro e depois para a formação de centros de criação de gado.

  O editor do Correio Braziliense inicia, no seu número de março de 1813, as suas reflexões a partir de uma tímida noticias de um periódico impresso do Rio de Janeiro.  Assim nas suas “Reflexoens sobre as novidades deste mez: BRAZIL” (Nº 056, pp. 373-376) escreveu:

“Na gazeta do Rio-de-Janeiro de 2 de Dezembro do ano passado, achamos o seguinte annuncio.  "Saiu à luz Carta Regia de 5 de Septembro 1811, para o Governador e capitão General de Goyaz; aprovando o plano do estabelecimento de uma-sociedade de commercio, entre a dicta Capitania, e o Pará; concedendo vários privilégios aos accionistas; e dando varias providencias sobre a civilização dos Índios mansos, e a respeito das naçoens Carajá, Apinagi, Chavante, Cherente, e Canoeiro; como também sobre a navegação, dos rios Tocantins, e Maranhão, Ac, vende- se casas do costume a 240 reis.".

Fig. 03 – Os brasileiros começaram a tomar conhecimento empírico do seu potencial a partir de São Paulo de Piratininga e das margens do Tiete que apontava para o interior do Brasil. Este movimento exploratório não tinha ajuda, de financiamento ou de orientação científica lusitana. Apenas existia um controle legal de Lisboa e intervenções quando interessava à corte.

O projeto de qualquer nação é ter o seu Estado soberano e o seu território físico geográfico com fronteiras definidas. Ainda que o projeto de Hipólito José da Costa fosse um império lusitano ao modelo Commonwealth britânico. Porem seguia contraditoriamente o modelo ele defendia interiorização da capital o que certamente tiraria esta capital do controle marítimo lusitano. Os Estados Unidos haviam colocado a sua nova capital em Washington longe dos canhões das naves britânicas feito com a dominação marítima inglesa.



Supposto que nos naõ tenha ainda chegado á maõ (graças aos bellos arranjamentos do correio no Brazil) a carta Regia de que aqui se tracta; e que, portanto, naõ possamos formar opinião sobre a conveniencia ou disconveniencia do plano com os seus objectos; com tudo, naõ hesitamos em louvar a medida como de grande utilidade.

Persuadidos como nós estamos de que o commercio externo do Brazil naõ pôde ter bazes mais seguras do que o mesmo commercio interno daquelle paiz; e que os innumeraveis rios, que banham aquelle fértil território, offerecem as maiores facilidades á exportação dos productos do interior; naõ podemos deixar de alegrar-nos com todas as medidas tendentes a estes fins; e tal consideramos a que achamos annunciada neste extracto da gazeta do Rio-de-Janeiro, que acabamos de copiar.


ALMEIDA JÚNIOR (1850-1899) estudo da “Partida da Monção”,  1897 – Óleo sobre tela 74 X 119 cm
Fig. 04 – A ocupação do Brasil Central não feito a partir dos portos do mar.. Também não contava com subsídios da metrópole.. Este poder só se interessou na medida em que podia cobrar o quinto do ouro que eventualmente estas temerárias bandeiras descobriam. Há de se destacar a figura do filho das indígenas com o descendente de lusitanos. Estes semi índios, sabiam preparar alimentos e dominavam a língua geral (Avanhenga) que permitir permanecer em movimento ao longo de anos a fio sem dependerem do ponto de sua origem.

A conquista do interior brasileiro exigia um projeto nacional continuado e com conexões com bolsões culturais forjadas ao longo do Regime Colonial e coerentes com este interior.

A gazeta da mesma cidade, de 16 de Dezembro passado, noticia também, que tanto a navegação do rio Belmonte, como a nova estrada aberta pela sua margem, vaõ sendo mui freqüentadas; e que no mez de Outubro subira para Minas Novas o Capitaõ Jozé da .Silva Mariz, c descera para Mugiquicaba o Capitaõ Jozé Pacheco Rolim, conduzindo um grande comboy de cargas d'algudaõ ; e alem disto, que aquella navegação cada dia se torna mais segura, fácil, e comoda.

Os Brazilianos nos permittiraõ lembrar-lhe, ao mesmo tempo, que louvamos estes seus esforços para o melhoramento do Brazil; que elles conservam obstáculos à sua prosperidade, que retardarão infinitamente os progressos da civilizaçaõ, e da agriculutura, e commercio interno. E, por agora, faremos mençaõ de dous. Um he, a má escolha da sede do Governo; outro a falta de população, popria e conveniente áo estado actual do Brazil-


Fig. 05 – Milhões de romances como o de Diacui, índia calapalo, e de  Aires Câmara da Cunha se produziram no Brasil desde o tempo de Pero Vaz Caminha que já elogiara as formas femininas e a desenvoltura das indígenas encontradas na costa Brasileira. O português não tinha títulos nobiliárquicos como o castelhano e assim não tinha objeções a esta miscigenação de etnias. Porém as barreiras entre as duas civilizações e regulavam não só a reprodução, mas continuava nas crenças, mentalidades, tabus e hábitos de toda natureza.  A  mãe indígena alimentava, educava e ensinava a sua língua ao filho e o entregava ao pai lusitano que aprendia com este rebento da terra todos os segredos que lhe permitiam lançar-se na ocupação do Brasil Central. Este filho indígena ensinava ao pai lusitano a comportar-se sem o apoio material e imaterial a corte de Lisboa. Os dois saiam da terra dos caranguejos exóticos que permaneciam presos à costa brasileira e dos portos que os conectavam com a sua metrópole. Estes caranguejos protegiam-se com fortalezas dos quais alvejavam qualquer pirata ou aventureiro que se aproximasse de forma suspeita de sua posse.

O editor do Correio Brazilense lançou, março de 1813, um autentico projeto de interiorização dos instrumentos, equipamentos e instituições administrativas para o imenso território brasileiro. Porem se de uma lado o poder real instituído naquele momento provisoriamente numa terra que considerava como um exílio de outra parte somente com  a soberania brasileira deveria ser conquistado com um projeto nacional e com as culturas forjadas coerentes com este interior.

Porem ele já estava bem ciente desta má vontade lusitana e dificuldade para superar velhos hábitos, governamental quando escreveu:

O Rio-de-Janeiro, naõ possue nenhuma das qualidades, que se requerem, na cidade que se destina a ser a capital Ao Império do Brazil; e seos cortezaõs que para ali fôram de Lisboa, tivessem assaz patriotismo, e agradecimento pelo paiz, que os acolheo, nos tempos de seus trabalhos, fariam um generoso sacrifício das commodidades, e tal qual do luxo, que podiam gozar no Rio de Janeiro, e se iriam estabelecer cm um paiz do interior, central, e immediato às cabeceiras dos grandes rios; edificariam ali lima nova cidade, commeçaríam por abrir estradas que se dirigissem a todos os portos de mar, e removeriam os obstáculos naturaes que tem oi diferentes rios navegáveis, c lançariam assim os fundamentos ao mais extenso, ligado, bem defendido, e poderoso império, que he possível que exista na superfície do Globo, no estado actual das naçoes que o povoam.

Este ponto central se acha nas cabeceiras do famozo rio de S. Francisco. Em suas vizinhanças estaõ as vertentes de caudalosos rios, que se dirigem ao norte, ao sul, ao nordeste, e ao sueste, vastas campinas para creaçoens dc gados, pedra em abundância para toda a sorte de edifícios, madeiras de construiçaõ para lodo o necessarior e minas riquissimas de toda a qualidade de metaes; em uma palavra, uma situação, que se pode comparar com a descripçaõ que lemos do paraizo terreal.


Fig. 06 – O romance de Aires Câmara da Cunha e da índia Diacui, encontrou no empresário Assis Chateaubriand (1891-1968) e o pai indígena calapalo um momento de brilho num evento de um casamento caricato realizado na capital Rio de Janeiro no dia 29 de novembro de 1952. Evidente quem saiu ganhando foi a indústria da cultura da mídia da época que produziu, editou e vendeu este “produto” com a presença do próprio Getúlio Vargas.


O Regime Colonial lusitano expunha no Rio de Janeiro todo o se fétido interior e todo o cortejo de vassalagens. Porém a criação de nova capital no Planalto Central poderia ser oportunidade para reverter este quadro e o soberano ligar o seu nome à esta capital.

Desprezou-se tudo isto, pela cidade do-Rio-Janeiro; porque já ali havia algumas casas de habitação, commodidades para que algumas pessoas andassem em carruagens, um mesquinho theatro, demasiado numero de cantoneiras, para o divertimento dos cortezaõs ; em uma palavra ; porque se evitava assim o trabalho de crear uma cidade de novo, e os incommodos iuberentes a novos estabelecimentos ; e por estas miseráveis consideraçoens se roubou n F. A. R. o Principe Regente, a gloria incomparavel de ser o fundador de uma cidade, a que afixaria o seu nome, fazendo-se immortal na creaçaõ de uma vasta monarchia.


Fig. 07 – O que perecia o retorno para o paraíso do Brasil Central escondia armadilhas e serpentes de confrontos com outros que desejam não só o as luzes da mídia. Confrontavam se dois paradigmas contrários e excludentes. De um o principio fundamental indígena que é a posse coletiva da terra pelo clã ou tribo que defendem até o presente. No paradigma oposto estava a posse individual e nominal da terra. Posse individual pela qual os seus defensores valiam-se de todos os meios, mesmo os mais obscuros. Neste jogo mortal o casal Aires Câmara da Cunha e Diacui entraram como novos Romeu e Julietas e sem menor arma física ou mental. Ela pereceu no seu primeiro parto e Aires sumiu da visibilidade e deixando a filha entregue aos cuidados de sua mãe em Uruguaiana-RS onde esta criança criou se anônima. Nada de novo neste fato diante de numerosos lusitanos que abandonavam os filhos e mãe indígena para retomar a cultura lusitana onde eram tratados com “ricos brasileiros” e tinham ou constituíram outra família.

Depois da abertura dos portos para as ‘nações amigas’ e a invasão de comerciantes para encontrar um ponto de escoamento dos produtos das máquina da primitiva era industrial o Rio de Janeiro tornava-se um alvo fácil. Bastaria apropriar-se da capital para se apropriar de todo o seu interior que estava sem defesas significativas.   

Naõ nos demoraremos nas objecçoens, que ha contra a cidade do- Rio-de-Janeiro, alias mui própria ao commercio, e a outros fins; mas summamente inadequada para ser a capital do Brazil: basta lembrar, que está a um canto do território do Brazil, que as suas communicaçoens com o Pará, e outros pontos daquelle Estado, he de imensa difficuldade, e que sendo um porto de mar está o Governo ali sempre sugeito a uma invasão inimiga de qualquer potência marítima.

Quanto as difficuldades da creaçaõ de uma nova capital; estamos convencidos, que todas elas naõ saõ mais do que meros subterfúgios.


Fig. 08 – Os Estados Unidos haviam colocado a sua nova capital em Washington longe dos canhões das naves britânicas e da dominação marítima inglesa. Porém isto não impediu que, no dia 24 de agosto de 1814, a Casa Branca e os principais edifícios da nova capital fossem queimados como represália das tropas terrestres da Grã Bretanha das suas derrotas sofridas no Canadá.


Hipólito José da Costa havia passado um período nos Estados Unidos e havia visto o esforço norte-americano para as novas capitais em cada estado americano como sabia dos motivos constituição da Washington DC. Assim sugeria entusiasmado com a ideia para a nova capital. Não fica evidente se este projeto era para todo reino lusitano ou para a colônia brasileira. Pela convicção da não independência Brasileira certamente estava sonhando para todos os territórios lusitanos.  

A facilidade com que nos Estados Unidos da America Septentrional se edificam novas cidades; o plano que os Americanos executaram de fundar a sua nova capital, Washington, aonde naõ havia uma só casa, mas no centro de seu território, he um argumento tirado da experiência de nossos tempos que nada pode contradizer.

Porém a contradição veio no ano seguinte quando,  no dia 24 de agosto de 1814, as tropas terrestres da Grã Bretanha queimaram os principais edifícios da nova capital e a Casa Branca como represália das derrotas que haviam sofridas no Canadá.

No entanto o novo poder originário norte-americano era constituído pela acolhida e incorporação de populações vindas de todo planeta. O recém-vindo, o estrangeiro, em busca de uma pátria de oportunidades era um argumento que enfrentava vícios de antigas culturas pejadas de privilégio disfuncionais.

O segundo obstáculo, que desejamos lembrar, sobre os progressos de melhoramento do Brazil, he a falta de população conveniente ás suas circumstancias. Os únicos estrangeiros, que freqüentam agora o Brazil saõ negociantes, a peior sorte de população que ali pôde entrar; porque o negociante estrangeiro, que ali chega, naõ possue outra pátria senaõ a sua carteira, e o seu escriptorio; chega, enriquece- se e vai-se embora, morar no seu paiz natal, ou aonde lhe faz mais conta. Durante a sua residência temporária, conforma-se, por prudência, com os usos estabelecidos, sejam boni sejam máos, tira todo o partido que pôde, até da ignorância dos naturaes do paiz, e faz o que elle chama o seu officio, que he comprar por menos, e vender por mais.

A população estrangeira, de que o Brazil necessita, he aquella que naõ recebe ao presente nenhum convite eficaz, para ali entrar, e se estabelecer no paiz; e vem a ser agricultores, artistas, mineiros, pescadores, homens de letras, &c. Tudo isto se podia obter, com summa facilidade, de differentes paizes do mundo, com tanto que se lhes assegurasse a liberdade de suas pessoas, e o gozo impertubavel de suas propriedades; naõ com meras promessas em papel; mas por leys fixas, e invariáveis, cuja observância fosse demonstrada com factos.

Mas ¿ a differença das religioens? Até quando reynaraõ as máximas de perseguição e tyrannia da Inquisição ! Naõ bastam os rios de sangue que até aqui tem corrido, em nome da mais branda e suave religião, que jamais se pregou aos homens? O espirito de tolerancia, se he o mais útil à prosperidade dos Estados; he inquestionavelmente o mais conforme ao verdadeiro systema do Christianismo, Adopte-se uma bem entendida tolerância; e todas as difficuldades a este respeito te desvanceraõ.

Da Irlanda, Escócia, e Hollanda se podem obter excellentes agricultores; da Inglaterra e França artistas: da Alemanha, mineiros: dos Estados Unidos, colônias inteiras de pescadores, principalmente dos Estados de Conecticut, Rhode Island, e Massachussets ; homens sábios de todo o Mundo ; e este grande, e precioso augmento de população se pôde obter, sem a menor despeza da parte do Governo.
 
Fig. 09 – O Rio de Janeiro dezoito anos depois da independência. O regime imperial brasileiro não se interessava objetivamente pela ocupação do Brasil Central como também não interessava à corte de Lisboa. Com o regime republicano e com a criação de Belo Horizonte (1895-1897) e depois Goiânia (1933-1942) mostrou que também era possível a mudança da capital nacional.

Parece que os esforços científicos, logísticos e trabalhosas travessias amazônicas de ALEXANDRE RODRIGES FERREIRA (1750-1815) não produziram grandes efeitos na rotina da corte lusa. Esforços que esbarrara conta as muralhas da “rotina ordinária do despacho de Gabinete que pode ser tão bem ou melhor executada por qualquer oficial da Secretaria” e que fato não tinha condições de avaliar o que constava nos relatórios desta expedição. Esta avaliação só poderia realizada depois da soberania brasileira conquistada com um projeto nacional e com as culturas forjadas coerentes com este interior.

No entanto a cultura, os hábitos e os postos arduamente conquistados na corte lusitana eram bem fortes e subliminares do que as realizações materiais.
Sem duvida, que a formação de planos para estes objectos requer, alem de conhecimentos, e um espirito desabusado, e sem prejuízos assiduidade, e grande trabalho; sem duvida a execução, era todo» os seus ramos, e circumstacias particulares, requer ainda maiores trabalhos ; mas nisso está o merecimento dos que governara ; que louvor merecem elles, que agradecimentos esperam da posteridade, se naõ fazem mais do que applicar-se á rotina, ordinária do despacho de Gabinete que pode ser taõ bem ou melhor executada por qualquer official da Secretaria ?


Fig. 10 – Apesar de todos os cuidados possíveis a ocupação do Brasil Central significou não só violência às antigas civilizações, mas queimadas, destruição da fauna e das flora além de introdução de culturas exóticas e uma administração muito mais agressivas do que as levas de imigrantes puderam trazer na época das sua tradicionais sistemas agropecuários.   .


Taes homens saõ comparáveis ao barqueiro, que conduz o barco segundo a corrente da maré, movendo unicamente o leme com quis. nenhum trabalho, e ainda assim encalham o seu vaso, ao menor encontra- de uma revês inesperada.

O projeto da unidade nacional e a ocupação efetiva do seu território tiveram sustentação articulada e as vantagens de ter a sua capital próxima do seu centro geográfico. Em 2013 Brasília representa um passo concreto e decisivo Se surpreende encontrar no número de março de 1813 do Correio Braziliense esta manifestação é índice deste projeto nacional.

A soberania brasileira deveria ser conquistada com um projeto nacional e com as culturas forjadas coerentes com este interior. Como em toda escolha há numerosa perdas a serem administradas. Brasília está procurando administrar estas perdas somadas como todas as corrupções que acompanham este projeto de uma magnitude continental.  

FONTES NUMÉRICAS DIGITAIS

CORREIO BRAZILENSE Nº 058 – março de 1813  pp 374 - 376


HISTÓRIA de GOIÁS


 HISTÒRIA de BRASÍLIA


EXPEDIÇÂO de ALEXANDRE RODRIGES FERREIRA (1750-1815)


RELATO de SAINT HILAIRE sobre viagem par GOIÁS


DIACUI calapalo e AIRES CÂMARA da CUNHA


Dramas sertanejos


A filha de Diacui em Uruguaiana- RS


MESTRE VALENTIM *c. 1744 + 01.03.1813


CASA BRANCA projeto 1792



CASA BRANCA depois do incêndio 1814


Commonwealth
http://pt.wikipedia.org/wiki/Commonwealth

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