quarta-feira, 8 de abril de 2020

195 – NÃO FOI NO GRITO – ABRIL de 1820 e 2020

MUDANÇAS no BRASIL em abril de 1820 e de 2020

“Não se podem fazer, de um dia para o outro, planos de alterações essenciais, no Governo de uma Nação”.
Refiexoens sobre as novidades deste mez.
REYNO UNIDO DE PORTUGAL BRAZIL E ALGARVES.
Volta de El Rey para Lisboa
CORREIO BRAZILIENSE VOL. XXIV. N\ 143. 3 H  abril de 1820 . Miscellanea p.418-427

A rígida MONOCRACIA dos REIS de PORTUGAL derreteu e as mentes da nação lusitana foram sacudidas, em abril de 1820, devido a um volumoso questionamento deste centralismo.
Em abril de 2020 o governo brasileiro está trilhando o caminho contrário e convergindo cada vez mais para a MONOCRACIA  e reduzindo a política “AO MEU GOVERNO”.

Os proprios reis de Portugal
Copiamos a p. 392, uma carta publicada na gazeta Times, de 11 de Abril, e assignada pelo antigo Conrespondente " Um Braziliano estabelecido em Londres;" e, considerando a authoridade com que o escriptor daquella caria custuma fallar, este papel merece bastante attençaõ. Dirige-se a carta a refutar vários rumores, que se tem propagado em algumas gazetas Francezas e Inglezas, sobre os negócios de Portugal, e entre outros um, de que Sua Majestade havia decretado a final, fixar a sua residência, no Rio-de-Janeiro. Temos sempre mantido a opinião, de que El Rey naõ podia deixar o Brazil e vir para a Europa, em quanto as colônias Hespanholas, em revolução, continuam sua guerra, incertas na forma de Governo, que adoptaraõ, e mais incertas ainda no systema político, que tem de seguir, tanto no interno como no externo; mas por isso mesmo, que as circumstancias actuaes impediam a El Rey o voltar para Europa, quando isso desejasse fazer, vinha a ser desnecessário, e inútil o declarar formalmente, que fixava irrevocavelmente a sua Corte no Rio-de-Janeiro, quando naõ pôde agora saber-se, se haverá para o futuro razoens, que o movam a vir á Europa. Daqui se vê ser irnprovavel a noticia, que " Um Braziliano estabelicido em Londres," refuta directamente como falso. 
BATALHA de CARABOBO 24.07.1821 Obra de 1888 de- Martin TOVAR y TOVAR 1827-1902   - 1888

Fig. 01  Os movimentos de independência das COLONIAS AMERICANAS da ESPANHA foram contra a coroa de MADRID.
Enquanto isto a independência  do Brasil, om a presença da corte lusitana no Novo Mundo foi mais a favor da COROA dos BRAGANÇA do que contra LISBOA  A VENEZUELA - tanto em abril de 1820 como em abril de 2020 - continua convulsionada neste processo da busca de sua identidade e soberania .

E com tudo o mesmo escriptor admitte, que a emancipação commercial do Brazil exige, "que se ponha sobre novas bazes todo o edifício administrativo e social da Monarchia Portugueza," e couclue a carta dizendo, "que se lisongea de que Portugal conhecerá, dentro em pouco tempo, que as suas esperanças naõ seraõ frustradas," aludindo ao que dissera antes, que o Soberano certamente preparava medidas nesta matéria. Longo tempo ha, que nòs mesmo annunciamos, que El Rey contemplava planos de summa utilidade a Portugal; mas também vimos, que o gênio náo tinha feito procrastinar as benéficas intençoens do Soberano bem facejo; e ainda que conheçamos muito bem, que se naõ podem fazer de um dia para o outro planos de alteraçoens essenciaes, no Governo de uma Naçaõ, com tudo naõ se pôde disfarçar, que os ministros devem pensar, que a Corte reside no Brazil ha mais de doze annos, e que he este um espaço de tempo demasiado longo, para se conservar o Reyno de Portugal com um Governo provisional, ineficaz de sua natureza, composto de pessoas, contra quem se objecta, clara e distinctamente, a mais decidida falta de capacidade. A uniaõ dos dous Reynos de Portugal e Brazil, naõ pôde suppór-se consolidada, pelo mero facto de que a Corte do Rio-deJaneiro nomeie os Governadores de Portugal; ou que, mudando-se El Rey para a Europa, nomeie a Corte de Lisboa os Governadores do Brazil. Todo o systema de administração está hoje em dia arranjado por tal maneira, que Portugal e Brazil saõ dous Estados diversos, mas sugeitos ao mesmo Rey ; assim, a residência do Soberano, em um delles, será sempre motivo de sentimento para o outro, a naõ se fazer mais alguma cousa. Nestes termos, a mudança d' El Rey, para a Europa, trará com sigo a mudança do lugar dos queixosos, mas naõ o remédio dos males. Que os Senhores de Portugal, que estaõ governando no Brazil, naõ tem cuidado dos interesses do seu mesmo Portugal, assim como naõ entendem os do Brazil, nem tem feito cousa alguma do que seria a bem commum de ambos, se acha assas registrado nas paginas deste Periódico, desde o anno de 1807, tru que começou a publicar-se : mais alguém do que nós tem tido boa parte em combater os que á força nos querem persuadir, que tudo vai bem ; mas, a pezar de que outros escriptores de partido tenham atacado, por mando dos que os empregam, o Redactor deste Jornal, como Caraquenho, revolucionário, &c. &c, e que os Governadores de Portugal tenham prohibido o mesmo Jornal a instigaçoens de Avizos dos Souzas, como quem previne a introducçaõ da peste : isso naõ tira que os factos naõ fállem por si, ao ouvido e ao coração de todos os homens. 
Fig. 02  Pode-se argumentar que a INDEPENDÊNCIA do BRASIL começou - de fato e de direito  - no retorno de DOM JOÂO VI para Portugal. A COROA dos BRAGANÇA -  com a permanência do Príncipe DOM PEDRO I no Rio de Janeiro – continuava, de fato, o seu reino no Brasil, O GRITO do IPIRANGA transformou este REINO em IMPÉRIO


Por fim chegou o tempo, em que até o mesmo Senhor " Brazilíano estabelecido em Londres" declarasse, que he preciso pôr sobre novas bazes todo o edifício administrativo e social da Monarchia. Obrigado pela limitação. Cáspite, que naõ he pouquidade o dizer, que se devem mudar as bazes a todo o edifício; nós nunca levamos as cousas tam longe; e se o muito menos disto, que temos dicto. nos obteve desses Senhores o nome e o tractamento de Jacobino, se tivéssemos recommendado essa mudança de todo o edifício social, naõ bastaria o tractar-nos de Jacobinos, alugar em Lisboa frades e exfrades para escrever contra nós, e fazer uma negociação com o Governo Inglez, para se prohibir ao Administrador do Correio, que mandasse a ninguém o Braziliense; tal vez nesse caso se julgasse de mais a mais necessário fazer uma negociação, para mudar a Inquisição de Lisboa para Londres, e fazer de nossa ossada uma foguerinha a S. Joaõ. Por outra parte, porque nunca dissemos tanto, como agora diz o " Braziliano estabelecido em Londres," os ultras do partido opposto nos tem feito a guerra, chamando-nos cortezaõs, lisongeiros, defensores do Governo despotico, com uma longa lista de, &c. &c. Como quer que seja, a nossa opinião, sobre o importante ponto de se que tracta, he ainda a que tem sido ate aqui; de que a forma de administração de Portugal e Brazil deve ser alterada porque a presente necessariamente ha de produzir os males de que todos se queixam; mas também naõ queremos uma revolução: e uma revolução será, se se mudarem as bazes de todo o edifício administrativo e social da Monarchia; e uma revolução tal e repentina, naõ se pôde fazer sem convulsoens desastrozas; e he por isso que naõ a desejamos. Se esses Senhores, com cuja authoridade parece faltar o "Braziliano estabelecido em Londres," aconselham com efeito a El Rey, e por isso esperam, essa mudança das bazes de todo o edifício social, ou por outras palavras uma revolução, merecem ser enforcados, por machinarem a ruína do Estado, desejando revoluçoens» Se tal naõ aconselham, nem tal esperam, e só dizem isso para embalar o poro, e induzillo a continuar no soffrimento de males, que se podem e devem remediar; entaõ merecem ser apedrejados pelo mesmo povo, pelo insulto que lhe fazem em sua desgraça: devem ser marcados com ignomínia por sua falta de patriotismo; e olhados como perversos por sua deshumanidade. 
Fig. 03  Retrato de DOM JOÃO VI depois do seu retorno para Portugal. A CASA dos BRAGANÇA deve a ele COROA e o CETRO lusitano mãos da família tanto no Brasil como em Portugal e demais colônias. Evidente não se pode ignorar que uma casta de nobres, e de sócios deste poder, estava interessada em manter tudo como estava para o seu benefício e glória.


Quando nós dizemos, por exemplo, que um fanático, e ignorante Secretario do Governo de Lisboa, naõ deve ter faculdade de passar Avizos com que se derróguem as leys; ou que esse mesmo Governo de Lisboa naõ deve ter faculdade de legislar; porque se metteráa fazer disposiçoens, sobre o que naõ entende: naõ queremos com isso atacar nem todos os princípios de Governo, nem o poder Real. Mas quando " Um Braziliense estabelecido em Londres" diz que he preciso mudar as bazes de todo o edifício administrativo e social da Monarchia, he claro que deita a barra tam adiante de nós, que o nosso, por esse partido chamado, Jacobinismo, fica atraz a perder de vista; e, comparado com esta generalidade de reforma, confessamos, que merecemos o nome, que nos daõ os ultras da outra parte, de mesquinho e servil cortezaõ. Mas ¿ seria possível achar uin termo médio, em que, pondo obstáculos aos abusos do poder, se naõ mudassem todas as bazes do edifício administrativo e social da Monarchia? 
Sessão das Cortes de Lisboa,- pintura de Oscar Pereira da Silva – Acervo do Museu Paulista da USP_2

Fig. 04   DOM JOÂO VI foi último rei Portugal com poderes monocráticos. A bem da verdade ele nunca exerceu estes poderes. Ao contrário, foi o primeiro REI CONSTITUCIONAL de Portugal ao assinar a constituição discutida pelas diversas sessões das Cortes de Lisboa, O TRONO permanecia de pé,,

Nós julgamos que sim; e que contra isso naõ está outra cousa senaõ a falta de applicaçaõ dos que governam, por uma parte ; e pela outra, o seu desejo immoderado de possuir a maior porçaõ de authoridade possível sobre os seus similhantes. 
Fig. 05   No plano mundial as primeiras NAÇÕES INDUSTRILIZADAS necessitavam ordenar o processo de acumulação de capital, de insumos, de máquinas, de gente, de produtos estandardizados e sua colocação no mercado. Para tanto cada NAÇÂO necessitava de uma MÂO FORTE e CENTRAL para ordenar e regular o seu próprio governo ao modelo demiurgo da LINHA de PRODUÇÂO INDUSTRIAL. Um REI CONSTITUCIONAL cumpria estas funções de demiurgo onde trono ou cetro eram meras decorações[1] O Congresso de VIENA fez o papel de dividir gente,  terras, de traçar fronteiras das propriedades e para cada cabeça coroada,


Por exemplo: nenhuma diffículdade ha, que se extingua o Tribunal da Inquisição; essa extincçaõ naõ he contra a Religião do paiz ; porque o mesmo Tribunal foi extincto em Gôa; e no Brazil declarou EI Rey, por um tractado solemne, que nunca seria estabelecido. Por outra parte; a despeza, que se faz com Inquisidores, seria poupada pela naçaõ, porque os Bispos podem e devem cuidar de castigar os crimes de Religião, com suas penas ecclesiasticas, muito bastantes para estes casos, sem que o Erário seja carregado com as despezas da Inquisição. Alem disto, naõ ha Portuguez sensato, que naõ olhe para a existência deste Tribunal, (quando naõ existe em nenhuma outra parte do Mundo civilizado, nem se quer nas outras partes da mesma Monarchia Portugueza) como um ferrete vergonhoso conservado em Portugal, para que delle se riam e façam mofa as naçoens estrangeiras. A abolição, pois, deste ignomioso estabelecimento, principalmente depois de extincto no Brazil, naõ precisava de doze annos de deliberaçoens. A ley de 30 de Março de 1818, em que se fulminam descome das penas, contra as sociedades occultas indiscriminadamente he de uma severidade deshonrosa aos Ministros, que tal documento minutaram ; e supposto seja de igual gravidade em todas as partes da Monarchia, deve ser de muito maior afflicçaõ a Portugal ; porque multiplicando, desnecessariamente, os crimes de Lesa Majestade, naõ aponta os meios de temperar a crueldade, que nos casos, que verdadeiramente se consideram de Lesa Majestade, tem os condemnados de appellar á clemência do Soberano ; e a distancia em que este se acha de Portugal deve por isso, difficultando esse recurso natural, fazer ali mais pezada a severidade da Ley.



[1] Contudo não possível permanecer numa única causa dominante conforme “ A pahttp://www.scielo.br/scielo.php?pid=S2237-101X2019000200368&script=sci_arttext



Fig. 06   Os atos de VIGIAR e PUNIR mantiveram Portugal  numa cápsula hermética, com MÂO de FERRO e MENTE de AÇO Cabia ao SANTO OFICIO o ato de VIGIAR, com MENTE de AÇO, todos os passos e os pensamentos do súditos e impedir a entrada de qualquer heresia, Cabia ao TRONO o ato de PUNIR qualquer desvio com de MÃO de FERRO.

O abuso, no formulário, de passarem os Governadores de Portugal suas portarias, ein nome do Soberano, e da mesma forma impôrem todos os castigos, ao mesmo tempo que referem á Corte do Rio-do-Janeiro todas as partes, que requerem alguma remuneração ou favor, produz as mais lastimáveis conseqüências practicas em Portugal. O estabelicimento e cobrança dos tributos, e a administração do Erário, deixados ao arbítrio dos Governadores, e de seus Secretários, he um mal, que salta aos olhos ; e do que nisto se tem feito por uma parte, e deixado de fazer pela outra, tem resultado a decadência da industria, e grande augmento da pobreza. Naõ consta, que os Governadores de Portugal tenham feito propostas de melhoramentos a este respeito, nem que o Ministério do Brazil se tenha applicado a ellas. Paremos aqui : como se assevera nesta carta, e com certa authenticidade, que El Rey prepara planos, para a prosperidade e felicidade da Monarchia; e como isso se naõ possa verificar, sem as mudanças na Administração e na escolha das pessoas, que tantas vezes temos indicado, devemos agora esperar, que isto se realize, se o escriptor da carta nos affirma um facto; e só nos resta desejar, que, na sua execução, os Ministros se portem com a moderação que tam ponderosas medidas requerem.
Ha um meio, o qual somente e nada mais desejamos, entre o despotismo e a anarchia, e todos os males acharão seu remédio quando esse meio for seguido.
O resto desta carta naõ carece de outra explicação sena de recommendar a sua leitura; porque de certo he interessante, mais pelo que tem de prognostigadora, do que pelo conteúdo da refutaçaõ de rumores. 
Fig. 07.   As inocentes ervilhas estrangeiras foram banidas de Portugal. Enquanto isto o trigo estrangeiro tinha livre curso. Na verdade, estava em jogo o poder de castas que estava procurando lugar no governo lusitano. A Revolução do Porto, as Cortes de Lisboa e um REI CONSTITUCIONAL em Portugal não questionavam o TRONO, Queriam um abrigo para as suas aspirações alimentadas e coerentes com as exigências da nova infraestrutura das máquinas das fábricas Tratava-se de ruídos da ERA INDUSTRIAL invadindo os direitos e a lógica da multissecular ERA AGRÍCOLA.


Os Governadores de Portugal, e as favas[1].
Publicamos a p. 377, um Avizo, para se prohibir a entrada das favas estrangeiras em Portugal; e logo depois outro Avizo, prohibiudo a entrada do trigo estrangeiro. Naõ he necessário repetir aqui, o que já temos dicto a este respeito; notando a leviandade, com que se tem prohibido, permittido, limitado, e tornado a prohibir a entrada deste necessário alimento em Portugal. E também nada accrescentaremos ao que fica dicto em outros números, sobre a indecência do formulário, legislando-se em matérias de tam alta importância por meros Avizos do Secretario do Governo, com manifesta desattençaõ á dignidade d'El Rey; e com menos cabo do respeito que he devido ás mesmas leys.
Porém he preciso, que observemos aqui a causa; ¿porque os Governadores de Portugal dizem, que a utilidade publica pede, que se encareçam os mantimentos, prohibindo que venha o paõ do Estrangeiro?. Portugal poderia ter agora, como ja o teve em outros tempos, paõ bastante para o alimento de seus habitantes; mas concordam todos, que actualmente o naõ tem. Supponhamos, que, depois de consumido o paõ, que ha no Reyno, falta para o consumo de três mezes no anno; prohibe-se, que venha do estrangeiro ¿ que deve sueceder ao povo nesses três mezes, era que fica sem alimento? Morrer de fome. Mas, prohibe-se a entrada do paõ estrangeiro, dizem estas ordens do Governo de Portugal, para encarecer o paõ do paiz; encarece-se o paõ, para dar mais lucros aos agricultores, que precisão desses lucros; pois sem elles se arruinariam. Supponhamos, por um momento, que ibto assim he. Os agricultores constituem somente uma classe de cidadãos, mas o paõ he um alimento necessário a todos os indivíduos, de todas as classes; e he decidida injustiça, para favorecer uma classe (por mais útil e necessária, que seja) vexar todas as mais, encarecendo-lhe o mantimento, e até pondo todos a perigo de morrerem de fome; por que em fim, seja qual for o interesse de uma classe, naõ se deve, para favorecer esta, opprimir todas as outras. Mas naõ he verdade, que a introducçaõ do paõ estrangeiro, seja a causa da decadência dos agricultores: ás avessas; a introducçaõ do paõ estrangeiro he necessária, por que agricultura esta decahida, e a terra naõ produz mantimento bastante para sustentar seus habitantes, logo naõ havendo mantimento no paiz, ou elle ha de vir de fora, ou a gente deve morrer á fome.
Fig 08. Portugal oscilava entre a economia dos ingleses e dos franceses. Nesta oscilação é possível inscrever o infeliz Tratado de Methuen de 1703. Enquanto isto Portugal assistia passiva, sem vez e sem voz, aquilo que o texto Correio Braziliense, de abril de 1820, registrava como “vários rumores, que se tem propagado em algumas gazetas Francesas e Inglesas”


Isto, que allegam os Governadores de Portugal, he o que cha, inam os Lógicos um sophisma de non causa pro causa: Os lavradores, que desejam ver augmentados os seus lucros, ou que ignoram os princípios de Economia Politica, poderão requerer esta espécie de monopólio ao Governo; mas este deve saber, que o matar a gente á fome, para que subam os lucros dos lavradores, he promover directamente a ruína de todo o povo, cuja primeira necessidade he a subsistência, e cujo primeiro conforto he ter que comer, em abundância, e o mais barato possível. Quaes quer sejam os desejos dos lavradores de reputar bem os seus trigos ; e por mais bem fundadas que sejam as queixas, de que os lucros de sua agricultura naõ chegam para as despezas do amanho das terras, seria sempre um remédio injusto o attender ao inconveniente, que soffre essa classe, gravando todas as demais, encarecendo-lhes os mantimentos, expondo-as a morrer de fome, para alliviar as difficuldades da classe agricultora. Se os agricultores incorrem tantas despezas, no amanho das terras, que o rendimento dos productos naõ chega para os avanços prévios, deve o Governo indagar, quaes saõ as causas, que tem augmentado essas despezas, e dar-lhe o conveniente remédio.

Fig. 09   Em abril de 2020 a guerra entre a presidência e os governadores do Brasil está retomando o tom e os argumentos daquilo que Correio Braziliense, de abril de 1820, registrava como “OS GOVERNADORES de PORTUGAL, E AS FAVAS”. A semelhança é o conflito entre um poder monocrático e centralista contra a delegação, a pluralidade de vozes e decisões, A diferença são os meios eletrônicos em tempo real mais próximos, diretos e rigidamente controlado por técnicos.  


¿ Tem-se augmentado as despezas da agricultura, pela dificuldade dos transportes ? Concertem-se as estradas, e cuide-se dos canaes navagaveis. ¿ Ha augmento nos jornaes; porque faltam braços? Naõ se tirem os filhos aos lavradores para os fazer soldados, nem se tirem esses mesmos lavradores ás suas occupaçoens, vexando-os com o serviço das milícias, tornando em espadas os ferros dos arados. ¿ Encarecem os jornaes pela carestia dos mantimentos ? mandem-se vir esses mantimentos de fora, para que assim a sua barateza, diminua o preço dos jornaes. Em uma palavra, indague o Governo as causas; porque tem crescido além dos lucros as despezas da agricultura, e remedeie o mal, fazendo que diminuam essas despezas ; mas nunca cuide em augmentar os lucros para os elevar a pár das despezas, encarecendo o preço do paõ, com vexame geral de toda a naçaõ. Que os Governadores do Reyno, ou seu Secretario ignorem os princípios de Economia Politica, que os devia guiar nestes casos, talvez naõ seja culpa delles; porque ninguém he obrigado a saber o que naõ estudou; mas he imperdoável, que saiam com a sua legislação de Avizos sobre Avizos, em tam importante matéria, allegando, que assim lhe pedem os aggricultores, que saõ parte interessada, e opposta aos interesses da naçaõ, neste ponto, e nem se quer digam os Governadores, que indagaram as causas da decadência da agricultura, que rendondamente admittem existir, ou corem os seus mandados, referindo-se a pessoas bem informadas que os aconselhassem. Os mesmos Reys de Portugal, legislando sobre matérias de importância, e começando (como se introduzio no Ministério do Marquez de Pombal) por allegar o seu poder absoluto, pleno e supremo, naõ se envergonham de declarar, que consultaram pessoas intelligentes sobre o que legislam, e que nas suas determinaçoens seguiram o parecer dessas pessoas consultadas.        ¿ Porque razaõ, pois, deve a philáucia dos Governadores de Portugal, suppór, que saõ mais sábios que El Rey, que, em matérias tam importantes para o bem commum da Naçaõ, podem legislar, revogar sua legislação, e tornar a mandar o que revogaram, sem se dignar dizer-nos, se quer, que indagáram as causas da decadência da agricultura, que essas causas se acharam ser taes e taes, e que havendo com esses dados consultado pessoas intelligentes, os conselhos que lhes deram para remediar esses males foram taes e taes ? Nada disto : diz o Secretario do Governo, que " a importação das favas estrangeiras embaraça a venda da cevada, com prejuízo dos lavradores, ja assas gravados com as extraordinárias entradas de trigos e milhos ;" e portanto impede a introducçaõ das favas; e depois, por outro Avizo, faz o mesmo ou mais a respeito do trigo ! Eis aqui abusos de poder, que julgamos mui fáceis remedinr, sem que seja preciso mudar "todas as bazes do edifício administrativo e social." Mas remediar esses abusos he preciso, por que do contrario pôde cair a pedaços o tal edifício; se o deixarem apodrecer de todo. 

Fig. 10   O prédio do hospital São José é uma amostra externa e visível do cuidada dos reis Portugal com a saúde da população. Pelo que registra o Correio Brazileinse, de abril de 1820, este cuidado também era interno e com uma administração exemplar na pessoa do se Mordomo Mor,

Conta dos dinheiros públicos.
Temos notado, muito ha, que D. Francisco d' Almeida, em quanto Mordomo Mor do Hospital de S. Jozé em Lisboa, introduzio ali o louvável custume de publicar as contas de receita e despeza daquelle estabelicimento. Agora damos outro exemplo, no papel, que publicamos a p. 400. Quem assim obra, mostra que he honrado; os que insistem no systema contrario, dam aberta a todas as suspeitas; e até a serem chamados claramente, em jornaes públicos, Ladroens ; como temos lido. Lembrem-se agora esses, que tanto se tem enfurecido contra o Correio Braziliense, que este jornal nunca applicou tal nome, contentando-se unicamente com designar os males, e apontar-lhes o obvio remédio, mas vistas as perseguiçoens contra este jornal, e comparada a sua moderação com o que ao depois se tem escripto ; o Correio Braziliense tem o direito de dizer a esses poderosos infractores do direito e da justiça, —" atraz de mim virá quem bom me fará."

HOSPITAL SÂO JOSÉ de LISBOA
ARQUIVO do HOSPITAL SÂO JOSÉ de LISBOA em
Fig. 11   A passagem do tempo desvela a grande figura de DOM JOÂO VI que inequívocos méritos em Portugal como no Brasil. Ele foi o primeiro REI CONSTITUCIONAL de Portugal ao assinar a constituição discutida pelas diversas sessões das Cortes de Lisboa, O seu TRONO permanecia de pé enquanto outras coroas e tronos vacilavam ou desapreciam engolidos pela vizinhança,


O MONOCRATA é INCAPAZ de ENTENDER E PRATICAR o PRINCÍPIO de que um GOVERNANTE NÃO pode ser CONTRA SEU PRÓPRIO GOVERNO.
Os próprios reis de Portugal - que se consideravam ungidos por Deus e monocratas por convicça, tradição e família - podem servir de lição e  exemplos para alguns governantes do Brasil de 2020 Basta ler o qu foi registrado no COOREIO BRAZILIENSE   L. XXIV. N\ 143. 3 - abril de 1820 . em Miscellanea, p.426:
“Os Reys de Portugal, legislando sobre matérias de importância, e começando (como se introduzio no Ministério do Marquez de Pombal) por allegar o seu poder absoluto, pleno e supremo, naõ se envergonham de declarar, que consultaram pessoas intelligentes sobre o que legislam, e que nas suas determinaçoens seguiram o parecer dessas pessoas consultadas”. 
É mais uma lição que o BRASIL, de abril de 2020, deve a Dom JOÃO VI.

FONTES NUMÉRICAS DIGITAIS

GOVERNANTE CONTRA SEUI PRÓPRIO GOVERNO

VAMOS FUZILAR

Vídeo

imagem QUINZE MONOCRATAS e o seu FINAL

A VENEZUELA em novembro de 1811 e a
LONGA, mas AUSPICIOSA PRIMAVERA da sua INDEPENDÊNCIA. NÃO FOI NO GRITO  - 021

REVOLUÇÃO ou RESISTÊNCIA em JULHO de 1819 e 20190-184 – NÃO FOI no GRITO 
DOM JOÂO VI
GRAVURA

200 anos da REVOLUÇÃO LIBERAL do PORTO

INQUISIÇÂO em PORTUGAL23 de maio de 1536 a 31 de março de 1821

CONSRLHO do GOVERNADORES de PORTUGAL


SAUDE do  POVO as FAVAS

RECOLUÇÔES LIBERAIS no BRASIL e PORTUGAL

ABRIL de 2020 VIDEO CONFERÊNCIA em GOVERNADORES do BRASIL
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segunda-feira, 9 de março de 2020

194 – NÃO FOI NO GRITO – MARÇO de 1820 e 2020


    POVOAR o BRASIL com BOA GENTE. Propostas de MARÇO de 1820 e de 2020.


 CORREIO BRAZILINESE MARÇO de 1820 VoL. XXIV. N°. 142. - Miscellanea pp. 282 até 286
“Todo o empregado publico na nossa terra, desde o maior até o mais pequeno, adopta a máxima godoyana de dizer, que quem lhe apontar algum defeito, em sua vida publica, fala mal d'El Rey, que o nomeou para o lugar que ocupa”. CORREIO BRAZILINESE -  MARÇO de 1820, - p, 283

O imenso e fechado território brasileiro possui o tamanho de três e meia o território do Império Romano onde se encerrava uma sociedade[1] controlada e contida por uma rosário interminável de fortalezas e de acampamentos militares ocasionais
Em 1820 a população brasileira, de origem europeia e os seus descentes legítimos, não igualavam p total da população da cidade do Rio de Janeiro. Para a formação de uma NAÇÃO com o seu ESTADO SOBERANO BRASILEIRO com reconhecimento dos demais estados soberanos era impossível contar com a voz e a vez dos indígenas muito menos daqueles submetidos à escravidão legal. Os lusitanos viam no Brasil um lugar de degredo e voltavam para a “TERRINHA” na primeira oportunidade, levando consigo tudo que cabiam nas suas caravelas, Assim. o BRASIL era uma TERRA PERMANENTE DESCAPITALIZADA e impossibilitado de sonhar com um ESTADO SOBERANO
Em março de 1820, a potencial CAPITALIZAÇÃO do BRASIL - e de um projeto de um eventual ESTADO SOBERANO - dependiam de alguma indústria, mesmo incipiente e do apoio de um comércio eficaz e continuado. Porém comércio e indústria estavam no devier e nas mãos de pessoas nascidas em Portugal temerosas de perder o mando monocrático e os privilégios multisseculares.
 A solução das pessoas nascidas em Portugal era esconder-se no manto real, burocratizar e atribuir toda a culpa par DOM JOÃO VI
 O chefe da Missão Francesa já avisara DOM JOÃO VI, por intermédio do Conde da Barca[2], de que a EUROPA estava oferecendo, em 1816, uma ocasião única de trazer ao Brasil técnicos e técnicas de última geração após as guerras napoleônicas. Mas, pelo visto, ninguém leu esta carta pois foi descoberta e traduzida apenas em 1959, por Mário Barata.
No entanto a questão do IMIGRANTES era como p “PILATOS no CREDO”: o problema real era bem outro para a burocracia lusitana.
A burocracia lusitana estava focada, em fevereiro de 1820, na pauta política de manter a MONARQUIA MONOCRÁTICA e DIVINA contra a MONARQUIA CONSTITUCIONAL exigida pelos liberais da cidade do PORTO. Caso os liberais vencessem a burocracia iria perder muitos dos privilégios multisseculares, o mando monocrático, Na sua própria defesa sempre podiam incriminar os infelizes -que os acusassem de incúria -de ”estarem falando mal d'El Rey”..




[1] SIMMEL, Georg  Sociología y estudios sobre las formas de socialización. Madrid:         Alianza. 1986,  817.  2v.
Fig. 01  O tema geral da  IMIGRAÇÃO ao BRASIL no período COLONIAL  existiu sob o controle estrito lusitano. Este lusitano zelava para que a administração estivesse nas mãos exclusivamente de um europeu e português nato. Qualquer outra etnia estava sob suspeita, se não trouxesse estampada no semblante a origem indígena ou africana negra. Este controle lusitano começou a se afrouxar com a Abertura dos Portos em 1808 e se rompeu com a Independência em 1822,  

Reflexoens sobre as novidades deste mez.
REYNO UNIDO DE PORTUGAL BRAZIL E ALCARVES.
Emigração para o Brazil.
Por diversas vezes temos tractado o assumpto de augmentar a população do Brazil, e com boa gente Europea. A importância da matéria parece ter sido bem conhecida pelo Governo do Brazil, vista a circumstancia de se haver nomeado para a Suissa um Ministro, que mostra ter por objecto principal o facilitar a emigração de Suissos para o Brazil; e sem duvida, naõ se pôde fazer na Europa escolha de melhor gente. Mas naõ basta a adopçaõ de uma boa idéa, he também necessário pensar no melhor modo de a pôr em execução. He sobre isto, que diremos agora mais alguma cousa, e a repiza, em matéria de tam permanentes interesses ao Brazil, nunca pôde ser fastidiosa; porque será sempre da mais conhecida utilidade. Ja observamos, que o lugar destinado para esta colônia de Suissos no Brazil, naõ fora o mais bem escolhido; e notamos também, que se mostrou logo ao principio grande falta de economia, no desarrazoado preço por que se comprou o terreno, em que se quer fundar a nova colônia. Depois, o indivíduo, que mandaram á Suissa negociar o anno passado a partida de alguns colonos, tem entrado em despezas, que nos parecem de todo alheias de sua missaõ ; e nos informam entre outras cousas, que comprara, em Paris, trastes e alfaias de casa, para certos empregados públicos, no Rio-de-Janeiro, em somma de mais de 50.000 francos, e os gastos com os transportes dos colonos montaram a sommas immensas. 
Fig. 02  A precipitada  e mal conduzida migração de 3.000 suíços ao Brasil fpram marcadas por uma burocracia irresponsável e cuja ações não iam além dos gabinetes. O que vasava destas formulações ideias “genais” - ao cair nas mãos de atravessadores e mediadores incompetentes e interesseiros - atraiu ao Brasil uma leva de pessoas desesperadas e oprimas nos estreitos cantões suíços. Porém quando estes infelizes caíram nas mãos dos administradores lusitanos já era tarde e não havia passagem de retorna.

De nada serviu a catástrofe dos 3.000 suíços, dos quais 300 pereceram mar e, os que chegaram a Brasil[1], foram alojados em senzalas abandonadas dos escravos e com tais foram tratados, em 1818 e destinados Nova Friburgo nas serranias próximas da capital do Reino,

As conseqüências destes desperdícios saõ, que o Governo no Rio-de-Janeiro se desgotará de um plano tam dispendisso, e ficará a colonização dos Suissos como as obras de Sancta Engracia em Lisboa. He, pois, interessante o indagar as causas por que as cousas assim succedem, para se lhe poder applicar o conveniente remédio. Naõ ha muito tempo, que vieram para a Inglaterra muitas famílias indigentes da Alemanha, que emigravam á sua custa para os Estados-Unidos, mas que pela perversidade dos que lhes furtaram o dinheiro, que pagaram por suas passagens, foram lançadas em teria neste paiz, na ultima dessoiaçaõ e miséria. Havendo assim muita gente, que deseja emigrar para os Estados-Unidos, aonde naõ ha as facilidades de se estabelecerem, que se encontram no Brazil, para este paiz se faria a maior emigração, se as medidas para isso adoptadas fossem as convenientes, visto que o Governo dos Estados-Unidos naõ dispende um só real, nem mesmo offerece terras de graça aos emigrantes que lá vam ter. O plano de attrahir ao Brazil população Europea, naõ deve limitar-se somente a um punhado de indivíduos da Suissa, deve ser executado em escala grande, e proporcionado á extençaõ do território e recursos do Brazil; de maneira que a introducçaõ de oito mil pessoas cada anno, fosse o mínimo deste calculo.



[1] Emigração de SUÍÇOS ao BRASIL: 179– NÃO FOI no GRITO

Fig. 03  As condições humanas, econômicas e culturais -   dos europeus candidatos para MIGRAR ao BRASIL-  eram das mais precárias e não tinham mais nada a perder, No Brasil as suas eventuais habilidades manuais, já estavam preenchidas pela mão de obra escrava, que, apesar de não ser primorosa, era forçada e gratuita, Assim restavam as vastas terras, mas onde os seus conhecimentos e habilidades não tinham grande produtividade em lavouras com vegetais, regime climática e um mercado de escambo sem possibilidade de acumular qualquer capital    
A primeira fonte do mal nos parece existir, em naõ se fazerem leys geraes a favor da emigração da Europa para o Brazil: leys que segurassem aos immigrados certas vantagens, e que estas fossem de natureza adaptada a remediar os inconvenientes pessoaes, de que mais se queixam as classes trabalhadoras na Europa. As leys, bem organizadas, em que estes attractivos se especificassem, deveriam ser traduzidas nas diversas linguas da Europa, e os immigrados no Brazil deveriam entaõ achar toda a facilidade de transportar-se aos lugares do interior, destinados ás novas povoaçoens, que sempre deveriam ser juncto aos rios navegáveis, ou estradas freqüentadas. 
Fig. 04  Nos próprios países - nos quais ocorriam as experimentação de ERA INDUSTRIAL EMERGENTE – reinavam, em março de 1820, as improvisações no embate entra hábitos multisseculares e as novas e potencias concepções tayloriastas [1] que só se tornaram evidentes práticas um século após e nas mãos e na mente de empresários como Henri Ford. Como a Natureza não dá saltos a ERA INDUSTRIAL teve a sua lenta evolução de etapa em etapa. O COLOIALISMO europeu não respeitou estra lenta evolução em terras estranhas, impondo, aos seus nativos, os produtos de suas maquinas, os seus hábitos, crenças e tornando-o uma peça cativa do se mercado e fornecedor de matérias primas baratas para as fabricas     

 O projeto sinistro de esvaziar as prisões europeias para trazer  celerados bandidos condenados às galés[2]

Um plano desta natureza bem formalizado, naõ se poderia fazer demaziado publico ; porque toda a publicidade lhe he essencial para seu boin êxito. E quando as condiçoens razoáveis de tal medida, e a connexaõ bem pensada de todas as partes do plano fossem bem explicadas ao mundo, livrar-se-hia o Governo do Brazil da satyra, que se tem espalhado, dizendo-se, que manda buscar os degradados das galés de Nápoles, para com elles augmentar a população do Brazil; o que naõ he pequeno desdouro aquelle paiz. Mas uma das principaes causas, sobre que temos de reflectir, como aquella que muito deve obstar á execução deste plano de emigração para o Brazil, he a falta de responsabilidade nos empregados neste plano, assim como suecede em todas as mais repartiçoens no Brazil.



[1] TAYLOR , Frederick Winslow (1856-1915).  Princípios de administração científica.           7. ed.  São Paulo: Atlas, 1980, 134 p.

[2] Os CONDENADOS às GALÉS e o DOCE CLIMA do BRASIL em  DEZEMBRO de 1819 e em 2019190  – NÃO FOI NO GRITO – DEZEMBRO de  1819 e 2019  https://naofoinogrito.blogspot.com/2019/12/
Fig. 05  A clivagem social - que antes era NOBRES e PLEBEUS - com a ERA INDUSTRIAL transformou-se entre EMPRESÁRIOS BEM SUCEDIDOS e  PROLETARIADO submetido ao ritmo implacável do TEMPO das MÁQUINAS administradas e de propriedade destes EMPRESÁRIOS, Estes reuniam-se aos seu concorrentes em clubes, sociedades e partidos por meio dos quais determinavam o que pensar, como agir jogavam problemas insolúveis para os recursos dos proletários e assim deliberar e decidir “O QUE ERA BOM PARA TODOS” O REI e a NOBREZA antiga foram coagidos a serem meras figuras decorativas na medida que lhes fossem favoráveis a esta burguesia endinheirada


Todo o empregado publico na nossa terra, desde o maior até o mais pequeno, adopta a máxima godoyana de dizer, que quem lhe apontar algum defeito, em sua vida publica, fala mal d'El Rey, que o nomeou para o lugar que occupa. Se dessem um pequeno passo mais adiante, podiam também dizer, que faltar mal delles he faltar mal de Deus, que os póz neste mundo, ou da Divina Providencia, que permittio, que occupassem seus lugares; assim teríamos de uma vez, que, notar alguém uma petulância de um merinho, seria logo blasphemia, em vez de ser crime de lesa-majestade como agora querem que seja. Com esta capa tractam todos os empregados de se abrigar, para naõ terem responsabilidade; lá mesmo no seu paiz, aonde tem a felicidade de possuir o seu Soberano, e um Soberano, que houve a todo o mundo, e que sinceramente deseja conhecera Verdade; que será pois isso cá por fora, aonde as distancias facilitam tanto os meios de fazer passar gatos por lebres? Lembremos unicamente as negociaçoens para o tractado de 1810, e será fácil conjecturar as multiplicadas falsas representaçoens, que se poriam em practica, para levar ao cabo aquella medida, que tam nociva tem sido, e será, aos vassallos de S. M. Fidelissima. Mas he agora o mesmo partido, o que trabalha, e infelizmente com bastante successo, em tornar a conseguir a mesma influencia nos conselhos da Corte do Brazil. 
Fig. 06  A presença física da corte lusitana trouxe para a cidade do Rio de Janeiro um acúmulo e o tumulto de gente que eram proveniente, não só do BRASIL mas de todo p vasto império lusitano  espalhado nos quatro continentes  Um estranho a esta língua, hábitos correntes, religião e a esta economia de escambo tinha poucas oportunidades de êxito. Razão pela qual os empresários preferiam manter os seus parques industrias sob seu controle pessoal e localizados nos territórios sua própria pátria. O Brasil interessava apenas como mercado dos produtos de suas máquinas e fonte de matérias prima baratas. O próprio Correio Bazilense não escapava desta lógica. de procurar Londres para a sua sede

Vimos entaõ um Ministro Diplomático tomar sobre si o enviar outros ministros a Cortes estrangeiras, como se esse ministro fora o Rey : vimos empregar nessas agencias diplomáticas homens réos do crime de lesa-majestade, e por tal condemnados a morte em Portugal, e naõ por crimes meramente de opinião, mas por crimes contra a pátria, manifestados em matar a seus mesmos patrícios por servir os Francezes.

SETE RAZÕES para ODIAR o SECULO XIX
Fig. 07 -  Londres era uma “Torre de Babel, em março de 1820, como centro da migrações e epicentro dos terremotos provocados pelo acumulo de gente, de valores econômicos e técnicos, O trânsito civilizado era, ali, impraticável e voltava a LEI da SELVA do mais forte, ágil e espero, Ai dos vencidos que eram mandados como migrantes para as colônias de todo o mundo e para ali recomeçarem o caos londrino as custas dos nativos destas “TERRAS SELVAGENS e INCULTAS”

E quando vemos agora esses mesmos homens, e outros da mesma estofa, uns perdoados, a empenhos do partido desses diplomatas, outros ainda sem o perdaõ empregados, já com lugares effectivos, ja com situaçoens nominaes nas Legacias da Europa, para gozarem dos privilégios das Embaixadas, naõ podemos duvidar, nem dos bem succedídos esforços dessa gente para firmar o poder de sua oligarchia, nem da continuação do mesmo systema da falta de responsabilidade, que tem arruinado a naçaõ.
O plano da emigração da Suissa, ja defeituoso na origem como vimos acima, soffrerá ainda novos estorvos por estas causas que acabamos de apontar. Ha em França um homem de nenhuma representação, que se mandou á Suissa, para assim dizer com carta assignada em branco, para ajustar os emigrados como lhe parecer, o fazer as despezas como quizer. Ha um ministro no Brazil, que, apezar do plano ser approvado por El Rey, põem todos os entrávez e dificuldades, que cabem em seu poder. Ha outro ministro na Europa, que em vez de se prestar e auxiliar o plano da emigração o retarda quanto pôde, escrevendo para o Brazil a metter medos com as potências estrangeiras.

Fig. 08  A vida urbana de Londres dava sinais, em março de 1920, do que já trivial trivial e comum, e março de 2020,  sob as marquises urbanas das ruas do BRASIL Em ambos os casos a administração e o controle fugiram da burocracia. Esta burocracia só pensa em se reeleger e manter a posse de cargos completamente incoerentes com os discursos de um populismo deslavado  
 ¿ Que plano poderá ir a diante com tal systema, ou antes falta de systema nesses empregados, que nada temem, porque naõ tem responsabilidade publica, e as queixas particulares, que pudesse haver, tarde ou nunca surtem effeito ?
Exemplo, que por accaso falhou. Mandara El Rey, com a mais decidida justiça, que se passasse de Inglaterra para Lisboa, a administração dos contractos reaes do Páo-brazil, Marfim, Urzella e Diamantes: a fim de deixar entre seus vassallos os lucros provenientes de se administrarem esses ramos de Commercio em Portugal. Mas houve Minístro, que fez com que os velhos Administradores fizessem representaçoens a El Rey, com o fim de o desviar de seu propósito, e continuar a Administração em Londres.
Eis aqui como, pela falta de responsabilidade publica se forma um partido oligarchico, que reúne no pequeno numero de poucas famílias todos os lugares de maior importância, naõ dando os empregos senaõ aos seus, ou algum de seus satélites, que cegamente lhes obedeçam, e assim se estabelece uma barreira impenetrável entre os Soberanos e os vassallos em geral.
Das circumstancias, que tem ja apparecido, e das contrariedades, que indirectamente se tem opposto ao plano da emigração para o Brazil, agouramos mal desta medida, no caminho que ella vai levando. Este negocio naõ he um segredo de Estado: logo naõ pôde haver inconveniente, para que se façam publicas as condiçoens, com que no Brazil se receberão os emigrados; os fundos, que para este fim se applicam; as maõs porque tem de passar; e as precauçoens para fazer erficaz a responsabilidade de cada um dos individuos nisto empregados.
Sem estas circumstancias cada Ministro se opporá na Europa ás vistas dos outros, segundo o som de seu pádar; as ordens d' El Rey seraõ glozadas, demoradas e illudidas, conforme as vistas de cada um; e todos contarão com a impunidade em sua desobediência, fundando-se na falta de responsabilidade publica, e na difficuldade, que dahi se segue, de poder nunca a verdade chegar aos ouvidos d' El Rey.
Reflicta-se, em prova disto, em um só facto, que he notório a todo mundo.
- ¿ Ha quantos mezes se nomearam, ao tempo do Ministro Bezerra, e logo depois de sua morte, Ministros para as Cortes estrangeiras ?
Com tudo até agora ainda nenhum desses foi para os lugares do seu destino. Mui plausíveis razoens teraõ allegado ao Soberano, para assim obrarem, e como tudo isso se faz em segredo, naõ he possível discutir a bondade ou disconveniencia dessas razoens.
Uma cousa, porém, se pôde ainda assim dizer, e he, que se taes ministros tem mui boas razoens para naõ irem para os lugares a que saõ destinados, outros se deveriam nomear, que naõ tivessem tam boas razoens para deixar de ir cumprir com o seu dever. Em fim, quem tem observado o que se tem passado ha tantos annos na legaçaõ de Londres, sobre a naõ execução, gloza, e evasaô das ordens d'ElRey, sem que contra taes procedimentos houvesse ainda a conveniente demonstração, naõ se pôde admirar, posto que naõ possa deixar de lamentar, o que se está prarticando hoje em dia, a respeito do plano de que tractamos; assim como a respeito de outros assumptos, que em tempo opportuno teremos occasiaõ de explicar, em que tal vez apareçam boccados, que sejam de mui difficil digestão.

Fig. 09  O mundo dos vírus em ação, em março de 1820, nas águas do Rio Tâmisa    Vírus trazidos, nos cascos e nos porões  dos navios procedentes dos sete mares e vetorizados por  IMIGRANTES, MARUJOS e COMERCIANTES Era mais um tributo  - oculto na águas  -que a ERA INDUSTRIAL cobrou em todas as cidades pelas quais  passou. No BRASIL as águas dos portos, dos rios, as praias[1] pagaram caro este tributo oculto.
O leitor deste texto, de março de 1820, facilmente chega a conclusão que, de fato, NÃO ERAM os IMIGRANTES que estavam na questão de fundo, Os agentes da Revolução Liberal do Porto estavam evidenciando o tomando partido da ineficiência da máquina administrativa lusitana, diante dos sistemas políticas de outras nações  cuja infraestrutura estava se apoiando cada vez mais na lógica administrativa exigida pelas máquinas, pelas  fábricas e pelo comercio, com projeção mundial. Evidente que estas máquinas e os seus subprodutos tinham o alto preço da acumulação de gente, de poluentes, poluição e exploração implacável do homem pelo homem. Não or nada que Carl Marx se estabeleceu no borborinho e no acúmulo de Londres provocado pela primeira era industrial
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Fig. 10  O mundo dos vírus, em violenta erupção,  em março de 2020, faz repensar a MIGRAÇÃO ao BRASIL e no MUNDO, O CORONAVIROS furou todos os protocolo, fronteiras  e vigilâncias burocrática Diante desta onda avassaladora do CORONAVÍRUS, desaparecem os preconceitos entre etnias, as barreiras entre ricos e pobres, entre desenvolvidos e subdesenvolvidos  ou entre esquerda e direita,

Algo está acontecendo em 2020 quando as nações hegemônicas estão se valendo cada vez mais da INFORMATICA, do DOMÍNIO do CÓDIGO GENÉTICO e o controla espacial global pelos SATÉLITES. As imensas e incontidas levas de REFUGIADOS tem sua origem em nações carente e apenas usuários dos SATÉLITES, do CÓDIGO GENÉTICO e da INFORMÁTICA de nações que se dizem hegemônicas e proprietárias do raio e do trovão.
De outro lado há necessidade de arregimentar amigos para transformá-los em prosélitos e burocratas sem sentimento de culpa e suficientemente LEAIS pois NÃO necessitam e NEM deliberar e decidir com seus juízos para o seu próprio BEM  segundo a lógica  de Sallustio  no seu “Bellum Iugurthinum”[1]
“ Os sustentos dos reinos não são nem os EXÉRCITOS e nem os TESOUROS, mas os AMIGOS que não se obtém com as ARMAS nem se compram com o OURO: conquistam-se com o BEM e a LEALDADE” 
Quando levas determinadas de refugiados, invadem fronteiras, nenhum meio, ou aparato coercitivo, esconde mais esta mentira e embuste, cultivados durante séculos pela burocracia. Mentira e embuste que escondem o próprio BEM da BUROCRACIA. Esta BUROCRACIA pretende obter favores, por meio da sua LEALDADE, para poder se eximir de qualquer sanção ou culpa que a burocracia joga sobre a cabeça do seu chefe CULPANDO-O DE TUDO
CORREIO do POVO - Porto Alegre Ano 125. Nº 161  foto em 09.03.2020 - BARREIRA BUROCRÁTICA aos IMIGRANTES
Fig. 11  Os desdobramentos da concentração de renda, ,em países hegemônicos que agiram sem ética ao expatriar as suas sobras humanas na forma MIGRAÇÃO MASSIVA estão recendo o troco na FORMA de MASSIVAS  ONDAS de REFUGIADOS e que retornam sobre a EUROPA para COBRAR o que LHES FOI SUBTRAÍDO pela  ERA INDUSTRIAL da qual só recebiam o retorno na forma    POLUIÇÃO, a EXPLORAÇÃO das suas RIQUEZAS de firma PREDATÓRIA e VIL, Nesta cobrança vale o mesmo princípio teórico e físico que embasou a lógica industrial “A TODA AÇÃO corresponde ima REAÇÃO, IGUAL e CONTRÁRIA”
Quando levas de refugiados determinadas, como em março de 2020, invadem fronteiras, desconhecem a história e as tradições burocráticas de uma nação, todo este esquema vem abaixo e nenhum ardil funciona mais.
O Império Romano não resistiu a estas avalanches humanas, ensandecidas pelas necessidades básicas e nenhuma legião as deteve. A Muralha da China tornou-se, logo, apenas um imenso gasto de tempo e energias humanas de uma burocracia apenas voltada para si mesma
Na presente postagem percebe-se uma visão panorâmica geral o confronto entre o imaginado humano e taylorista[1] no seu confronto com a realidade empírica dada pelo TEMPO tanto em março de 1820 com em 2020, como o LUGAR e a SOCIEDADE modelada por hábitos seculares compor leis pontuais.
O problema dos MIGRANTES e das levas de REFUGIADOS, denuncia os protocolos interesseiros dos burocratas mundiais que traçaram arbitrariamente  os limites e os territórios da nações que surgiram com e após a ERA INDUSTRIAL MUNDIAL .

              No entanto, o que o BRASIL precisa, de fato. em MARÇO de 2020, como precisou MARÇO de 1820, é  continuar a POVOAR o BRASIL com BOA GENTE e ter o privilégio de possuir um irrepreen-sível QUADRO de SERVIDORES,  competentes para assumir as funções dos seus cargos que as leis e constituição lhes prescreve. Assim ninguém possui qualquer argumento para duvidar, ou divergir, sobre a sua LEGALIDADE,  IMPESSOALIDADE, MORALIDADE. PUBLICIDADE de seus ATOS e a sua  EFICIÊNCIA.
FONTES BIBLIOGRÁFICAS

SIMMEL, Georg  Sociología y estudios sobre las formas de socialización. Madrid:         Alianza. 1986,  817.  2v.


TAYLOR , Frederick Winslow (1856-1915).  Princípios de administração científica.           7. ed.  São Paulo: Atlas, 1980, 134 p.

FONTES NUMÉRICAS DIGITAS

VISÂO GERAL da POLITICA da IMIGRAÇÂO ao BRASIL
IMIGRANTES

Emigração de SUÍÇOS ao BRASIL: 179– NÃO FOI no GRITO

Os CONDENADOS às GALÉS e o DOCE CLIMA do BRASIL em  DEZEMBRO de 1819 e em 2019190  – NÃO FOI NO GRITO – DEZEMBRO de  1819 e 2019

IMIGRAÇÂO para ENCOIBRIR a ESCRAVIDÃO BRSILEIRA

A IMIGRAÇÂO ALEMÂ RS

MIGRANTES em CALAIS 2020
Migrantes

EMERGÊNCIA do MERCADO de ARTE em LONDRES
 VISTA de LONDRES
SETE RAZÕES para ODIAR o SECULO XIX
BELLUM IU IUGURTHINUM

OCULTANDO o CORONAVIRUS

EFEITOS CONÔMICOS MUNDIAS ,na ÉPICA PÓS-INDUSTRIAL




[1] TAYLOR , Frederick Winslow (1856-1915).  Princípios de administração científica.           7. ed.  São Paulo: Atlas, 1980, 134 p.


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