terça-feira, 16 de dezembro de 2014

108 - NÃO FOI no GRITO

NACIONALISMO & HISTÓRIA
Fig. 01 – A construção de um Estado Nacional confunde-se com a religião e a crença num mito. De outra parte,, este mito, se naturalizou e passou a se ocultar longe de qualquer crítica ou luz da razão.

O nascimento, desenvolvimento e reprodução do ESTADO NACIONAL NÃO FOI no GRITO. A crença do CIDADÃO no  ESTADO NACIONAL entrou subliminarmente na sua vida. Foi substituindo e transfigurando velhas crenças míticas ou naturais, tornando-se uma 2ª natureza e visto como indispensável. Práticas e crenças milenares foram deixadas de lado como arcaicas e incompatíveis com a nova religião do ESTADO NACIONAL. 
Fig. 02 – Um incômodo símbolo do Estado Nacional nazista Alemão numa doca do porto de Montevidéu. Esta proa do navio de guerra Graf Spee é um ´índice como um ESTADO NACIONAL pode derivar para a busca, a qualquer da hegemonia planetária.. A criação de um ESTADO NACIONAL  constitui  uma ferramenta humana como qualquer outra. Porém quando seu controle, uso e reprodução servem de ferramenta para projetos de uma ideóloga, de uma religião ou para um partido  apagam e ocultam qualquer crítica e a razão emcarca num sono onde tudo se torna possível, legítimo e permitido..

 No entanto se as necessidades básicas da humanidade - como o AR, da ÁGUA e da BIOSFERA – forem geridas e polarizadas  pelos GOVERNOS dos ESTADOS NACIONAIS, o seu PODER ORIGINÁRIO corre sérios riscos de ser sufocando e morrer de sede e de fome. No dia a dia do PODER que os GOVERNOS dos ESTADOS NACIONAIS DIZEM ou PRETENDEM representar, agir em seu nome os contratos sociais, políticos e econômicos que unem as DUAS PARTES são muito frágeis, pontuais e questionáveis. Aos GOVERNOS dos ESTADOS NACIONAIS interessa prioritariamente se perpetuar nas benesses de um centralismo absurdo e nefasto para o PLANETA como um TODO.
Nas atuais narrativas da HISTÓRIA - que se quer Geral ou regional - pouco restaria se fosse retirado a lógica, o suporte do discurso e do pensamento fundado e se legitimando por meio do NACIONALISMO.
Fig. 03 – Éric HOBSBAWN em Porto Alegre entre os leões da prefeitura municipal. A sua obra mostra que os ESTADOS NACIONAIS estão muito longe de serem meros “LEÕES de CHÀCARA”. A  construção de um Estado Nacional confunde mito, crença e substitui a religião. A criatura humana que mitifica ou naturaliza o ESTADO NACIONAL age  qual aprendiz de feiticeiro que se volta contra o temerário e devora

Hobsbawn escreveu “NAÇÕES e NACIONALISMO desde 1780”. Acertou no foco na medida em que as atuais narrativas necessitam do conceito e da prática do NACIONALISMO para se gerar, manter e reproduzir por tempo indeterminado. Porém o panorama apresentado ao historiador muda na medida em que prestarmos atenção à epigrafe “programa, mito e realidade” desta mesma obra. Ao prescindirmos deste MITO e PROGRAMA das NAÇÕES e NACIONALISMO emergem verdades bem mais universais e necessárias para a criatura humana neste planeta.
Fig. 04 –  A intempestiva e indiscriminada resposta do  Estado Nacional Americano  aos ataques da Torres Gêmeas da Nova York escancarou um vasto e confuso panorama de forças, grupos e ideologias que estavam  agindo à margem de qualquer ESTADO NACIONAL. A reiterada suspeita de qualquer seguidor de Maomé reativou o velho embate das Cruzadas contra muçulmanos das mais variadas tendências. Embate materializado nos prisioneiros de Guantánamo e de um numero de prisões secretas da CIA ainda pouco claras

A HISTÓRIA será completamente diferente - do que consta nos atuais manuais - se o foco da investigação, da narrativa e da divulgação do que aconteceu e está acontecendo com as necessidades básicas da humanidade - como o AR, da ÁGUA e da BIOSFERA - sem considerar a ação dos ESTADOS NACIONAIS.
Se olharmos o avesso é possível constatar que a criação, manutenção e reprodução dos atuais ESTADOS NACIONAIS foi altamente danoso para as necessidades básicas da humanidade - como o AR, a ÁGUA e a BIOSFERA e comprometem o futuro deste mesmo gênero humano neste planeta.
Fig. 05 – A religião do Estado Nacional percebe o mito, a crença e as praticas tradicionais - alimentadas por outra ideologia -  como concorrente. Na época da Guerra do Paraguai muitos templos eram refúgio militar, fortaleza e ao mesmo tempo severamente atacados como a Igreja de Humaitá e reduzida à ruinas.  Este fato repetiu-se ao longo da Primeira Guerra Mundial.  Logo após  Guerra do Paraguai -i 1864-1870- o  Estado Nacional Brasileiro separou-se oficial e legalmente da Igreja.

A lógica, o suporte do discurso e do pensamento do NACIONALISMO, transvestido em MITO, tomou o lugar da CRENÇA, da ESPERANÇA RELIGIOSA da Idade Média. Prova disto são os inchaços, imensos templos e acampamentos nos quais se transformaram as metrópoles nas quais se localizam os atuais equipamentos administrativos destes ESTADOS NACIONAIS. Acumularam pessoas, capitais e equipamentos de toda ordem a semelhança de Meca, de Roma ou qualquer outro centro de romaria de fieis.
Fig. 06 – O islamismo está tão distante da veneração de imagens físicas como está distante da aceitação de um ESTADO NACIONAL não coerente com os preceitos abstratos e subliminares das HÁDICES. No mundo, regido pelas normas do CORÂO,  os ESTADOS NACIONAIS não só lhe devem obediência com são “culpados de tudo” que não estiver de acordo a tradição dos “HADICES” e portanto podem ser contestados e substituídos e eliminados como infiéis em nome do profeta Maomé.

Na hora das catástrofes, como as guerras provocadas, mantidas e reproduzidas por estes ESTADOS NACIONAIS, tiram PROVEITO da PENÙRIA e dos SOFRIMENTOS do PODER que os sustenta, alimenta e reproduz os seus GOVERNOS.
Se os jovens europeus são atraídos pelo islamismo, a ponto de prontificarem como potenciais mártires desta doutrina, é necessário admitir que existem causas. Uma das causas é constituída pelos mercadores do PODER dos ESTADOS NACIONAIS, os seus atravessadores e os corruptos. Estes tomam como refém os GOVERNOS destes ESTADOS NACIONAIS. Criam uma clivagem completa, radical e incorrigível entre o PODER ORIGINÁRIO desta NAÇÃO e o GOVERNO que julgam seu refém e provedor perpétuo. Está aberto o caminho para os potenciais mártires das doutrinas islâmicas.
No contraditório é necessário admitir os imensos benefícios potenciais e as perspectivas que os ESTADOS NACIONAIS propiciaram para a humanidade. Especialmente considerando aqueles ESTADOS NACIONAIS nascidos, mantidos e reproduzidos a partir do CONTRATO SOCIAL e da férrea divisão de limites e competências do legislativo, executivo e judiciário. No entanto basta o mais leve deslize intencional ou involuntário neste ÓTIMO potencial para prosperar a corrupção, a clivagem e desencanto, em especial da juventude.
MICHAEL WADLEIGH em Lima - PERU 12.2014
Fig. 07– O sistema alimentado e reproduzido pelos ESTADOS NACIONAIS,  contornou qualquer voz isolada ou coletiva da contracultura, Woodstock ou anarquista.  A  religião, o mito e crença na construção de um Estado Nacional confundiu, substituiu e incorporou os gestos, os ícones e as ideologias desta contra cultura.. As vozes dissonantes da contracultura serviram para alertar  o ESTADO NACIONAL que agiu rápido e esconjurou  estes  temerários e devora

Sempre é necessário escutar  Guimarães Rosa (1963:18) [1]
“Querer o bem com demais força e de incerto jeito, pode já estar sendo se querendo o mal por principiar. Esses homens ! Todos puxavam o mundo para si, para concertar consertando. Mas cada um só vê e entende as coisas dum seu modo” .

Esta corrupção é irresistível para os poucos preparados para suportar o violento jogo para encontrar um ponto provisório de equilíbrio homeostático entre as mais inesperadas força e energias. Os marqueteiros, os atravessadores e mediadores de toda ordem deliberam e decidem. É necessário escutar uma das vítimas desta sedução como Mourão Filho que cunhou uma frase que se encaixa perfeitamente a política brasileira:
 "Ponha-se na presidência qualquer medíocre, louco ou semi-analfabeto e vinte e quatro horas depois, a horda de aduladores estará à sua volta, brandindo o elogio como arma, convencendo-o de que é um gênio político e um grande homem, e de que tudo o que faz está certo. Em pouco tempo transforma-se um ignorante em um sábio, um louco em um gênio equilibrado, um primário em um estadista. E um homem nessa posição, empunhando as rédeas de um poder praticamente sem limites, embriagado pela bajulação, transforma-se num monstro perigoso"
É necessário estar atento ao fato de que a construção de um ESTADO NACIONAL constitui um projeto, uma iniciativa artificial e colocado para além da e contra a  NATUREZA dada. Neste âmbito “TODA ESCOLHA É UMA PERDA”.  A escravidão voluntária, o deixar-se arrastar e caminho com o rebanho é mais fácil, mas de resultados imprevisíveis senão FATAIS. Todo rebanho caminha para o matadouro, deixar-se arrastar dilacera o organismo vivo e ninguém se liberta por si mesmo da escravidão, mormente voluntária.



[1]                - GUIMARÃES ROSA,  João. Grande Sertão: Veredas. Rio de Janeiro : José Olympio, 1963, p. 18..

Fig. 08– O evento de  Woodstock evidencia a capacidade do sistema - alimentado e reproduzido pelos ESTADOS NACIONAIS -  contornar qualquer voz isolada ou coletiva da contracultura, ou anarquista.  Tato o público participante do evento pousou para as imagens, as incrementou para que outros editassem usassem e as reproduzissem sem controle dos jovens atores para espectadores acostumados e dependentes do marketing, a propaganda e a edição dos produtos audiovisuais.

As muralhas, as fronteiras nacionais e o rígido controle por meios sofisticados que identificam e controlam cada cidadão nunca foram tão alarmantes e o prenderam aos desígnios de uma determinada nação. Evidente que o discurso, a propaganda e as exceções à regra geral são exibidos como contrario a esta verdade
A declaração de uma guerra - da parte de um ESTADO NACIONAL - é provocada por uma avalanche no meio da qual é difícil apontar uma causa central e determinante além das alegações e desmentidos. A GUERRA do PARAGUAI - deflagrada no dia 13 de dezembro de 1864 - ainda não teve alguém competente para apontar a sua causa central e verdadeira.  Os QUATRO ESTADOS NACIONAIS envolvidos diretamente neste genocídio do PODER ORIGINÁRIO devem ainda uma explicação racional 150 anos depois do início deste genocídio.
Fig. 09 – O Estado Nacional do IRAQUE foi apanhado entre as suas frágeis, contraditórias e confusas base,  face a coalisão de ESTADO NACIONAIS armados estratégica e militarmente até os dentes Estes mesma coalisão estrangeira infligiu os mais absurdos, cruéis e bárbaros martírios ao PODER ORIGINÀRIO IRAQUIANO . O efeito desta barbárie abriu a Caixa de Pândaro da qual não param de saltar personagens cada vez mais insandecidas. .

A religião do ESTADO NACIONAL estabelece incontáveis prosélitos e dependentes como em qualquer ortodoxia. Prosélitos e dependentes que brandem - alto e bom som -  o grito de guerra “CRÊ ou MORRE”. O maniqueísmo entre os polos NACIONALISTAS ou ANTINACIONALISTAS - ou “crentes” ou “traidores” – já produziu mais vítimas fatais do que qualquer PESTE. Gritos ao estilo do “HEIL HITLER”, “AME-O ou DEIXE-O” ou “UNIDOS JAMAIS SEREMOS VENCIDOS” possuem por fonte subliminar o ESTADO NACIONAL ou motivação da conquista de seu GOVERNO. Repetidos e inculcados como crença única possível são combustível e fósforo capazes de exterminar qualquer oponente ou crítico. O combustível das fogueiras da INQUISIÇÂO PÓSMODERNA está em cada câmara ou controle eletrônico, senha ou identificação digital do cidadão. Os que não se enquadrarem num determinado ESTADO NACIONAL são os NOVOS HEREJES dignos de serem algemados, presos liminarmente e exterminados física e silenciosamente. A crença no ESTADO NACIONAL produz uma avalanche de imigrantes “ILEGAIS”, pressupostos terroristas incorrigíveis e inúteis.
Fig. 10 – As vítimas fatais, anônimas e silenciadas pela Guerra do Paraguai comungam silenciosamente com os genocídios que a  construção, manutenção e reprodução do Estado Nacional produziu em número e barbárie que as mais raivosas religiões, as crenças mais absurdas e os mitos mais tresloucados não conseguiram produzir . O destino dos rebanhos sempre é matadouro..

A toda ação corresponde uma reação igual e contrária. Se a crença no ESTADO NACIONAL foi uma exitosa construção humana, as regiões, as culturas e as crenças islâmicas parecem dispostas a provar o contrário e que podem dispensar esta construção.
Ninguém está autorizado a patrulhar a liberdade de crer, de ir e vir,  de possuir  convicções arraigadas e interesse pessoais e coletivos. O que torna perigosas estas crenças, convicções e interesses - pessoais ou coletivos - é quando eles se transfiguram em PROJETOS. PROJETOS do exercício do PODER acima e fora de qualquer contrato socialmente aceito (VOLKSGEIST), por tempo determinado (ZEITGEIST) e no lugar do seu exercício (WELTGEIST).

FONTES BIBLIOGRÁFICAS
BOÉTIE, Etienne 1a.  Discurso da Servidão Voluntária.  Tradução de Laymert G. dos Santos.  Comentários de Claude Lefort e Marilena Chauí.  São Paulo : Brasiliense, 1982. 239p.
GUIMARÃES ROSA,  João. Grande Sertão: Veredas. Rio de Janeiro : José Olympio, 1963..

HOBSBAWN Eric (1917-2012). NAÇÕES e NACIONALISMO desde 1780 programa, mito e realidade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990, 230

MOURÃO FILHO, Olympio. Memórias: a verdade de um revolucionário. Porto Alegre, L&PM, 1978.

FONTES NUMÉRICAS- DIGITAIS
MICHAEL WADLEIGH em LIMA no PERU

CIA manual KUBARK

CRIMES em NOME do ESTADO BRASILEIRO
HOBSBAWN em PORTO ALEGRE

URUGUAI dá o EXEMPLO de ESTADO NACIONAL

VALE dos CAIDOS
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Referências para Círio SIMON








quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

107 - NÃO FOI no GRITO

O BRASIL em DEZEMBRO de 1814 e 2014
“A educação elementar nas repartições, e outras semelhantes, não só tem formado o seu método de raciocinar com justeza, e precisão, o que serve para todos os empregos da vida, mas aparece com dignidade entre as pessoas  de sua classe com quem tem de lidar”
CORREIO BRAZILIENSE,  VOL. XIII . Nº. 79 - dezembro de 1814  Miscelânea, p.845 
Fig.01 – Real Academia dos Nobres. O prédio é do noviciado dos jesuítas expulsos de Portugal

A educação formal -  implementada na passagem do regime colonial para a soberania brasileira – também "NÃO FOI NO GRITO". Esta educação formal em direção de um REGIME CONTRATUAL -comandado pela RAZÃO - deu-se ponto a ponto, sem grande alarde, propagando ou marketing. Evidente que em dezembro de 1814 havia pouco para evidenciar e comemorar como acontece ainda em dezembro de 2014, como se verá no final da presente postagem.
Fig.02 – Uma escola na cidade de São Paulo do Piratininga do século XVI e sob a direção da ordem jesuíta. Porém permaneceu sempre muito distante de uma  Academia dos Nobres da metrópole.. pata qualquer grau superior era necessário atravessar o Atlântico e se adaptar à Universidade de Coimbra. Os Egressos de Coimbra constituíam uma verdadeira categoria dominante como estudou e constatou  Gauer (2001)

A porta de ingresso - num mundo comandado pelo CONTRATO SOCIAL - exigia a preparação do cidadão avulso e capaz de deliberar e decidir por si mesmo. O regime monocrático e sacralizado dispensava esta formação. O regime do CONTRATO SOCIAL era uma aberração para o mundo comandado e regulado pelo regime monocrático, associado ao colonialismo e a escravidão da maioria da população.
Óleo sobre tela, 1680 x 1280 mm. Casa Cadaval, Muge, Portugal.
Fig.03 – Os textos publicados do Pe. Antônio Viera renderam-lhe muito inimigos e que  levaram o autor a beira dos tribunais da Consciência e da Santa Inquisição de Portugal

Uma escola, ao publicar o seu projeto, significava tomar em consideração este CONTRATO SOCIAL. Mesmo em países que se dizem evoluídos os regimentos, estatutos das instituições continuam na sombra e são pouco examinados. `e mais fácil deixar-se levar pelo hábito coletivo e pelo simples pertencimento. Os rituais escolares reforçam esta sombra da RAZÂO e da teleologia imanente da instituição. Ou são NATURALIZADOS ou então colocados em altos altares da MITIFICAÇÂO.
Fig.04 – Este texto do Pe. Antônio Viera pode ser visto como uma MITIFICAÇÂO. Como o autor tinha experiências concretas e profundas no seu presente, inclusive em relação à escravidão, ao sistema colonial ele tinha competência para se entregar a este exercício a partir das tendências concretas a que levam estas circunstâncias de um regime desta natureza centralista, monocrático, colonial e escravocrata.

A educação formal lusitana reproduzia o regime. Propor uma instituição que tivesse uma iniciativa de controle particular não era só uma temeridade devido ao controle político, religioso e administrado do Estado monocrático lusitano. Mas a maior temeridade era encontrar e recrutar pessoas que tentassem enxergar, viver e educar a sua prole para além e fora deste regime.
O texto proveniente da corte do Rio de Janeiro é uma peça acabada desta mitificação. Não há como esperar outra lógica de uma corte em tudo moldado pelo regime monocrático, com fundamentos nos súditos dos quais a metade está na mais pura e grassa servidão.
Fig.05 – Muito além do conteúdo, significado ou da sua aplicação ou não aplicação o texto da Declaração dos Direitos do Homem constitui um CONTRATO SOCIAL no qual é proponente e ao mesmo tempo objeto o cidadão. Regimentos e Constituições encontram uma matriz que obriga o cidadão a se instruir, aprender a ler e a escrever.

A experiência da educação pombalina via sistema estatal lusitano tinha perdido os seus apoio com a “Viradeira”. Os ensinamentos de Varney foram esquecidos e esterrados para a Rússia.
Fig.06 – A “Viradeira” promovida pela corte de Dona Maria I de Portugal “virava a página” da política iluminista do Marquês de Pombal e Dom José I de Portugal.   Com a “Viradeira” o CONTRATO SOCIAL retornava para aquele proposto pela monarquia distante e acima de qualquer CONSTITUIÇÂO. O súdito podia escolar qualquer CONTRATO SOCIAL contanto que fosse aquel que lhe era imposto pelo regime totalitário, centralista, divino da monarquia no poder civil, religioso, político e militar. 

CORREIO BRAZILIENSE,  VOL. XIII . Nº. 79. . 5 - dezembro de 1814  Miscellanea, p.828 – 830 PORTUGAL. Reflexoens sobre as novidades deste mez.


CONTA AO PUBLICO.
Da Erecçaõ do novo Collegio, denominado de S. Gregorio Papa e Doutor da Igreja, situado na Rua direita de Santo Antônio, N. 12, no districto próximo de N. S. da Boa Morte.
Plano dos Estudos do sobredito Collegio, publicado com Licença de S. A, R,, por Aviso de 27 de Janeiro de 1814.
Sendo a Educação uma nova e melhorada natureza, vem a redundar em proveito do Publico, e do estado aquelles estabelecimentos, em que a Mocidade haja de receber doutrina sancta, e erudição proveitosa, para depois alcançarem as mais árduas Sciencias. Um Bacharel Philosopho se acha empregado nesta Instituição, que deve ter principio no primeiro de Março deste anno de 1814.
Fig.07 – Os Colégios militares  tinham uma função crucial recrutar futuros soldados que iriam servir nas colônias de Portugal.   Estas instituições - de iniciativa estatal - eram regidas pelas estreitas normas da caserna emanadas de um Estado totalitário, centralista, divino da monarquia no poder civil, religioso, político e sob a tutela militar. Em muitas ocasiões a colônia brasileira e as suas províncias eram comandados pelos egressos destas escolas.
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As máximas adoptadas para o ensino são as seguintes ;
Iª. Ha de começar a Educação pelo Catechismo, conjuntamente com as primeiras letras; e para os Meninos, que ainda naõ souberem ler, será uma espécie de Catechesi, tornando-o, de palavra, sendo tudo accommodado as circunstancias, em que elles se acharem.
2ª. Para os que aprenderem a ler e escrever haverá um methodo breve e claro, que os convide; e o que lerem, será correcto na substancia, e na escripta. No escrever ha ào seguir-se a novíssima praxe de começar por linhas ou hastes, depois ligações, e o mais que tem adoptado as outras Nações, até um perfeito cursivo.
3ª. Estando desembaraçados em ler, aprenderão juntamente com a escriptura a Arte dos números, e a Historia da nossa Religião: a primeira será ensinada pela Arithmetica de Bezout, e a segunda pelo Catechismo de Fleury.
4ª. Sabido o que se comprehende nos artigos precedentes, começará logo a doutrina grammatical da lingua Portugueza, com observações resumidas, e explicações practicas, e juntamente a Historia, e Corographia de Portugal; porém uma e outra em resumo, que o Director se tem proposto compilar para o uzo dos Alumnos deste Collegio.
5ª. Deverá seguir-se o estudo da Grammatica Latina, Ingleza, e Franceza, segundo a escolha, qne fizerem os; Pais, ou Superiores dos Meninos; ou segundo os fins, para que os destinarem. Nas Línguas Ingleza, e Franceza tem Mestres daquellas Nações, e terras, em que naõ haja vicio na pronunciaçaõ; e na Latina responderão os Directorcs. Nem ha de faltar no estudo da Lingua Latina a explicação da mechanica dos versos, e da Mythologia, para o necessário entendimento dos Authores Latinos.
[Obs: o texto do Correio  omite - ou aglutina -  a 6ª máxima deste projeto]
7ª. Para os que houverem de seguir a Universidade haverá liçaõ de Lógica, e Metaphysica por Genuense, e Ethica por Heinecio, e outras explicações, que se acharem convenientes de outros preparatórios.
8ª. Haverá todo o desvelo na educação do trato civil e cortez, e practica das virtudes sociaes, humildade e obediência entre os Meninos, e para com seus Pais, e Superiores.
Fig.08 – O Correio Braziliense, de dezembro de 1814, apontava em Portugal para uma Escola de iniciativa particular ao lado dos oficiais, militares e religiosas.  No Brasil imperial o Colégio Abílio do Marques de Macaúbas seguia a tendência das instituições de ensino que os britânicos seguima havia muito tempo.   Estas instituições de iniciativa privadas mantinham um CONTRATO SOCIAL com uma clientela que podia remunerara este serviço.

9ª. Também se admittiraõ á freqüência das Aulas os Meninos, que vierem de fora, com tanto que saibaõ ler, e escrever; assim como as pessoas, que desejarem instruir-se era algumas das Línguas mencionadas.
10ª. A comida será suíficiente, sadia, e com a maior limpeza; e logo que appareça a mais leve enfermidade, dar-se-ha immediatamente aviso aos Pais ou Superiores.
11*. Os Meninos, que vierem residir no Collegio, seraõ aposentados com a maior commodidade, e asseio, vigiados, e acompanhados, e até com separação, segundo as idades o requererem.
12*. Nas horas do estudo, recreio, e passeio seraõ igualmente vigiados, e até acompanhados, para que se appliquem, e naõ se perturbem, para que se tratem com amor e civilidade, e se observe a pureza dos bons costumes, assim como para se desfazer qualquer duvida, que os embarace na sua applicaçaõ.
13*. Os Meninos, que vierem residir no Collegio, devem trazer, segundo o costume geral de todas as Casas de Educação, leito ou barra, cama, e a roupa competente, toalha de mãos, talher, e pente; assistindo-lhes seus Pais ou Superiores com a roupa lavada, e com os livros necessários.
14ª . A gratificação pelo ensino, casa, alimento, papel, pennas e tinta, será mensalmente, a respeito dos que residirem no Collegio, 16.000 réis, em metal, pagos no primeiro dia de cada mez; e quanto aos que vierem de fora, jantando no Collegio, será 8.000 réis; e a respeito dos que naõ jantarem, será 4.000 réis. Quando pertendaõ instruirse em Desenho, Musica, ou Dança, seraõ pagos os Mestres separadamente da gratificação referida; servindo-se dos que escolher o Director, ouvindo outros, que os Pais ordenarem.
15ª. Os Alumnos deste Collegio teraõ para descanso as quintas feiras das semanas, em que naõ concorra dia Sancto, e as ferias da Paschoa, e Natal.
Espera o Director cumprir fielmente o que promctte; e o tempo, e a experiência o hão de abonar.
Fig.09 – As ESCOLAS PARQUES da Bahia e concebidas pelo educador Anísio Teixeira correspondem ao auge da crença e esperança do ESTADO NACIONAL BRASILEIRO, Concebidas e mantidas enquanto este mito lhes dava suporte. Concebidas e levadas ao mundo concreto, em nome do PODER ORIGINÀRIO, este não entendeu e nem  teve como levar adiante esta abstração platônica ideal

Reflexoens sobre as novidades deste mez.
CORREIO BRAZILIENSE,  VOL. XIII . Nº. 79. . 5 - dezembro de 1814  Miscellanea, p.845 - 846
PORTUGAL.

A p. 828 damos o annuncio de um collegio de educação em Lisboa, que estimamos muito nos chegasse á maõ, para dizer-mos o que entendemos sobre este importante assumpto. O numero do collegios de educação, tanto públicos como partículares, de que se gaba a Inglaterra, he muito alem do que se pode fazer idea em Portugal. Se a propagação dos conhecimentos da escriptura e das letras tem sido o mais efficaz meio do aumento da civilização do Mundo, naõ pode duvidar-se, que a Inglaterra deve a maior parte de sua prosperidade a esta baze fundamental da instrucçaõ da naçaõ.
Grande porporçaõ dos collegios particulares de educação, na Inglaterra, saõ regidos por homens graduados nas Universidades, e muitos delles ecclesiasticos, cuja felicidade, bens, e consideração depende essencialmente naõ só dos seus conhecimentos scientificos, mas também do seu character moral. Alegramo-nos por tanto summamente, quando nos chegou á maõ este plano do collegio em Lisboa, conduzido por um homem graduado na Universidade de Coimbra. Este passo será tendente a mostrar, que o officio de Pedagogo, he nobre de sua natureza, altamente interessante á Republica, e digno do mais decidido patrocínio do governo.
Alem do mero conhecimento das letras, em lêr e escrever, que he útil a toda a classe de homens, ha certos principios de educação geral, que devem competir a todas as pessoas, acima da classe de meros trabalhadores mechanicos. He verdade, que um negociante naõ conduz o seu commercio, pelos estudos que tem feito dos poetas Gregos, e Latinos, pelos elementos da mathematica ou da historia; mas quando elle tem recebido uma conveniente educação elementar nestas repartiçoens, e outras similhantes, naõ só tem formado o seu methodo de raciocinar com justeza, e precizaõ, o que serve para todos os empregos da vida, mas apparece com dignidade entre as pessoa de sua classe com quem tem de lidar; e ademais, qualifica.se para os empregos superiores de sua vocação, que exigem conhecimentos mais extensos do que a mera rotina de comprar por menos e vender por mais.
Isto que dizemos a respeito dos negociantes he applicavel aos militares, aos agricultores, aos fabricantes, &c Saõ os homens instruídos em cada um destes ramos, que daõ o exemplo dos melhoramentos, que podem fallar do que convém aos seus respectivos empregos, e que podem com efficacia fazer representaçoens aos que governam, de que dimanam entaõ as providencias para as vantagens geraes a toda a nação.
He por estas consideraçoens, que julgamos de grande importância o estabelicimento deste collegio, por um homem de letras; para que, pondo-se este emprego de mestre particular no pé respeitável em que deve existir; e seguindo-se o exemplo, se diffundam os conhecimentos na nação, e alcancem aquela generalidade de que Portugal tanto necessita.
Fig.10 – Personagens e ideologias - que confundiam as suas figuras com as suas funções e cargos - criaram obras gigantescas na educação nacional.  Esforços empreendidos ao exemplo das Sete Povos das Missões do  Rio Grande do Sul. Projetos abandonados quando  seus mentores ou saíam da cena do poder central. As ruinas são proporcionais ao poder monocrático e personalista que animaram estas fantasmagorias em certo tempo e lugar.

No andar da carruagem da educação formal brasileira ela chega em  2014 continuando a reproduzir o regime político, econômico e social vigente naquele instante, moda e sem atenuantes. Em dezembro de 2014 a nação brasileira ainda não conhece um PROJETO e o CONTRATO político e muito menos o reconhece.  O comando está nitidamente sob o sistema econômico vigente naquele instante, moda e sem atenuantes. O sistema econômico vigente ignora e despreza a história de todas as conquistas e derrotas da educação formal brasileira. A escola iluminista pombalina contratava o professor pelo soldo e para um determinado cargo. Porém sem a disciplina militar este professor fazia de tudo para que o seu cargo permanecesse em Lisboa e com perspectiva de um melhor soldo. Os primeiros ministros são os da área econômica e dão as cartas aos demais. Quem tiver mais poder monetário, arromba a porta e escancara se precipita e se movimenta livremente ao alarido do neocolonialismo político, econômico e social.
O regime colonial apenas tornou-se virtual. Os cinturões de favelas já engoliram, em 2014, todos os experimentos escolares da iniciativa estatal que tiveram algum êxito no passado remoto ou recente. Nesta enxurrada naufragaram as experiências exitosas de Anísio Teixeira na Bahia da década de 1940, os CIEPS do Rio de Janeiro do final do século XX e as escolas indígenas. O fracasso foi rural e urbano desde a época da “ESCOLA dos MENINOS” dos primórdios coloniais.
Fig.11 – O discurso da POLÌTICA do MEGAFONE “EU DISSE... VOCÊS DEVEM FAZER” não passa de ruído de fachada e uma cortina de fumaça para ocultar um diagnóstico coerente com as necessidades do aqui e agora sentido pelo PODE ORIGINÀRIO da nação brasileira. POLÌTICA do MEGAFONE que mais atrapalha, aponta quimeras que se sucedem implacavelmente ao longo dos regimes coloniais, imperiais e republicanos brasileiros.

O grande circo do “CONAE de 2014” só veio consagrar o que já existe e é vigente naquele instante, moda e sem atenuantes. O Estado - promotor deste EVENTO - não perdeu a ótima oportunidade para repassar  a iniciativa da EDUCAÇÂO BRASILEIRA para o controle particular. Os governantes de plantão em 2014 encontraram e recrutaram pessoas sobre os quais é possível lançar a CULPA de todo FRACASSO e INÉPCIA da ESCOLA FORMAL BRASILEIRA. O texto do discurso CONAE de 2014 é incisivo e autoritário “EU DISSE... VOCÊS DEVEM FAZER”. Saltam aos olhos o voluntarismo discursivo e formal dos textos do CONAE 2014 quando escreve:
“43 - A organização e regulação da educação nacional deve garantir a articulação entre acesso, permanência (...)valorização dos profissionais gestão democrática, padrão de qualidade, piso salarial profissional  [...]”.

 Este discurso está repleto de redundâncias, expressões de opressões e coerente com o renascimento do regime colonial, centralista e monocrático da esperança ilimitada no ESTADO NACIONAL e no qual se deposita uma fé absoluta que beira o misticismo.

     O que é alarmante nos projetos, discussões e relatórios finais do CONAE 2014 é a ausência da voz do estudante como protagonista. Protagonista de sua preparação do cidadão avulso e capaz de deliberar e decidir por si mesmo. O CONAE 2014 perde-se em filigranas de natureza sindical, gerenciamentos de toda natureza. Esquece-se de uma escola é constituída de estudantes e as suas circunstâncias. Circunstâncias que se evaporam completamente neste centralismo gerencial. A sensação - de quem lê os relatórios do CONAE 2014 -  é que a ESCOLA LAMENTA que tenha ESTUDANTES. Estudantes que são expressões vivas e absolutamente distintas deste grande discurso por cima e por fora deles e protagonizados pelos textos do CONAE 2014
Fig.12 – Tanto o “BRASIL MITO” como o “BRASIL NATURAL” são concepções não coerentes com o seu PODER ORIGINÁRIO. Tanto o DISCURSO POR CIMA e POR FORA como o MIMETISMO COM O MEIO AMBIENTE ignoram as energias, as forças e potencialidades do povo brasileiro.  A IMPORTAÇÂO de MODELOS ACABADOS como o LAISEZ_FAIRE NATIVO constitui-se em mecanismos de fuga do projeto coerente, sua experimentação local e sua gradativa e continuada manutenção e aperfeiçoamento. Como o Brasil não conhece um pacto social, político e econômico ele se precipita cegamente de tropeço em tropeço na sua educação formal, universal e com foco na pessoa humana.

Menos mal para os agentes de plantão deste ESTADO NACIONAL. Eles não perderam a ocasião - do EVENTO do CONAE de 2014 - para obscurecer, retirar barreiras e legitimar silenciosa e subliminarmente o novo regime colonial e escravocrata. Estes burocratas e agentes de plantão - deste ESTADO NACIONAL BRASILEIRO - estão cobertos de razão ao ignorarem e se desviarem desta enxurrada discursiva que remete para os termos e conceitos da carta de PERO VAZ CAMINHA sobre o Brasil. O projeto do burocrata contemporâneo apenas é permanecer no lombo do touro bravio do rodeio e se segurar, nesta posição dominante,  ao longo de “8 segundos intermináveis”.

FONTES BIBLIOGRÁFICAS

FERNANDES, Rogério. O pensamento pedagógico em Portugal. Lisboa: Bertrand, 1978. 138p

GAUER, Ruth Maria Chittó. A construção do Estado-nação no Brasil: a  contribuição dos egressos de Coimbra . Curitiba : Juruá. 2001. 336 p


MATTOS, Luiz Alves. Primórdios da educação no Brasil. Rio de Janeiro: Aurora, 1958. 303p

NISKIER, Arnaldo. Educação Brasileira: 500 anos de história . Rio de Janeiro: FUNARTE, 2001, 456 p

NOBREGA, Vandick Londres. Enciclopédia da legislação do Ensino. Rio de Janeiro:   Revista dos Tribunais. 1952.

SOUZA NEVES, Carlos de.  Ensino superior no Brasil.   Rio de Janeiro : MEC-INEP          4v. 1969.

SOUZA CAMPOS, Ernesto. Educação Superior no Brasil: esboço de um quadro         histórico de 1549-1939. Rio de Janeiro: Ministério de Educação, 1940. 611p.

VERNEY, Luis Antônio (1713-1792). Verdadeiro método de estudar.. Lisboa: Sá da Costa,   1949.   5v.


FONTES NUMÉRICAS DIGITAIS
ANÍSIO TEIXEIRA e Escola Parque

ARITMÉTICA de Étienne BÉZOUT (1730-1783)

CIEP

Claude FREURY (1640-1732)

COLÉGIO ABÍLIO – Botafogo RJ do Marques de Macaúbas

COLEGIO dos MENINOS BAHIA 1550

CONAE - 2014

CONTRATO e ERA MODERNA

CORREIO BRAZILIENSE DEZEMBRO de 1814

O Marques de POMBAL e a  ESCOLA
MANSÕES LUSITANAS


MESTRES ESCOLA em PIRATININGA


PORTUGAL REAL COLÉGIO dos NOBRES (1761-1837)

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Referências para Círio SIMON