quarta-feira, 9 de julho de 2014

097 - NÃO FOI no GRITO

3º ANO do BLOG  “NÃO FOI no GRITO”

No dia 09 de julho de 2014 o blog “NÃO FOI NO GRITO” inicia o seu 4º ano do trabalho silencioso. O seu projeto é o TEMPO  preparatório para a proclamação efetiva da soberania do Brasil. O seu problema consiste em demonstrar e contrariar a opinião geral que esta soberania foi conquistada num simples e solitário GRITO.
Para tanto o blog “NÃO FOI NO GRITO” percorre mês a mês o que o CORREIO BRAZILENSE publicava dois séculos atrás em relação ao Brasil e suas circunstâncias da época. Com este referencial compara e avalia o que ocorre no Brasil dois séculos depois
Nas postagens deste blog “NÃO FOI NO GRITO” não se buscam prosélitos, seguidores ou multidões. Multidões capazes - com o seu ruído, exclamações e gritos - desviar o objetivo da contemplação serena e desapaixonada do PODER ORIGINÀRIO de agora e de 200 anos atrás.

LAZAR SEGAL Mário de Andrade na rede- 1929  gravura 
Fig. 01 –O escritor Mário da Andrade (1893-1945) foi alguém competente e compenetrado sem se deixar distrair ou envaidecer pela fama.  Num intenso trabalho sondou a alma brasileira em todas as dimensões e intuiu a sua profunda e silenciosa  conexão com o seu tempo e lugar. Com sua atenção e com esta conexão devolveu um farto, rico e original repertório da alma brasileira. Esta elaboração não cessa de ter seguidores silenciosos e que se encarregam de atualizar o seu legado material e imaterial.

SUMÁRIO do 1º ANO

SUMÁRIO do 2º ANO

MÁSCARA de GUY FAWKES  em DRUMOND de ANDRADE Londres: Guardian 24.06.2013A
Fig. 02 – Os protestos que se espalharam pelo mundo afora e atingiram o Brasil com intensidade e sob as mais variadas formas e objetivos reflete uma época de transição. Transição entre os padrões da era industrial estão migrando para era pós-industrial. O Correio Braziliense pertenceu aos primórdios da cultura do múltiplo industrial. A era pós-industrial usa este mesmo múltiplo e o potencializa instantaneamente tantopara um único destinatário como para milhões.

SUMÁRIO do 3º ANO do BLOG
“NÃO FOI no GRITO”

077 - NÃO FOI no GRITO .
A POLÍCIA e os JUÍZES. 

078 - NÃO FOI no GRITO .
BRASIL do OIAPOQUE ao CHUI. 

PROTESTOS em BRASÌLIA -  CP 17.06.2013
Fig. 03 – A HITÓRIA existe apenas como ENTE PRIMITIVO do qual todos falam mas ninguém é capaz de estabelecer um conceito unívoco, linear e único. Existem narrativas visuais, faladas e escritas. Assim é possível gerar um evento singular e em relação a ele gerar imagens, textos e falas cuja eficácia de sedução foi plenamente comprovada pelo regime nazista. Imagens, textos e falas que contornavam a ética em qualquer uma das suas manifestações.

079 - NÃO FOI no GRITO.
VOZES da ÁFRICA: ESCRAVIDÃO e COLONIALISMO.

080 - NÃO FOI no GRITO.
BRASIL e CHINA:
COINCIDÊNCIAS em 1813 e 2013.

081 - NÃO FOI no GRITO.
HELENISMO – MANEIRISMO  e POS-MODERNIDADE: três épocas de mudanças.

082 - NÃO FOI no GRITO.
CARGOS e FUNÇOES e a
PROPAGANDA da CRENÇA no ESTADO NACIONAL

CATTELAN Maurizio  -Rotunda GUGGENHEIM  NYT 08.11.2011
Fig. 04 – A cultura pós-industrial é competente para se apropriar, reciclar e mandar para o museu todos os estágios anteriores.  A era industrial realizou esta proeza com os objetos únicos e manufaturados da era agrícola

083 - NÃO FOI no GRITO.
...e o RESTO é GRITARIA
para apenas marcar um território transitório.


084 - NÃO FOI no GRITO .
Como o BRASIL se percebia em NOVEMBRO de 1813 e  a CRENÇA no ESTADO NACIONAL

085 - NAO FOI no GRITO
1814-2014 – O BRASIL ACOMPANHA DOIS SÉCULOS de
 GUERRAS ALHEIAS na BUSCA da HEGEMONIA PLANETÁRIA.

UCRANIA - Kiev no caos - Foto de Louisa GOULIAMAKI - CP 21.02.2014
Fig. 05 –Os “SEM HITÓRIA e SEM ROSTO” buscam desmontar as imensas estruturas opressivas do PODER ORIGINÀRIO herdadas da era industrial unívoca, linear e concentradora. .


086 - NAO FOI no GRITO
Uma SEMENTE de LIBERDADE.


087  - NÃO FOI no GRITO
O BRASIL e o COMÉRCIO INTERNACIONAL em  1813 e em 2013.


088  - NÃO FOI no GRITO.
GRITOS PARA INTRIGAR.


089  - NÃO FOI no GRITO.
A GUERRA SOBRE a MESA
BRASIL em FEVEREIRO de 1814 e 2014.

NSA
Fig. 06 – Entre os anos de 2013 e 2014 cresceu macro controle absoluto da informação e  a produção de versões adequadas e politicamente corretas é uma das preocupações dos governos dos países hegemônicos. Os norte-americanos concentraram e continuam o papel que Londres exercia em 1813 e1814 e ao longo do século XIX. Não era por acaso que Hipólito da Costa ali redigia, imprimia e distribuía o Correio Braziliense.

090  - NÃO FOI no GRITO.
MANDAR no PRÍNCIPE:   Mediadores e atravessadores auto titulados mandam sem perguntar e dão conselhos importunos.
BRASIL em MARÇO de 1814 e 2014.


091  - NÃO FOI no GRITO.
A ESCRAVIDÃO NÃO FOI ABOLIDA NO GRITO.

092 - NÃO FOI no GRITO -
A NOBREZA LUISITANA OMISSA na HORA da CONTABILIADE e da DISTRIBUIÇÃO  BRASIL 1814 - 2014


093- NÃO FOI no GRITO -
SUBSTITUIR o ESCRAVO pelo IMIGRANTE.


094 - NÃO FOI no GRITO -
Em JUNHO de 1814 o GOVERNO do BRASIL era ÓTIMO:  pena que existia o povo...

PROTESTOS na CANDELÁRIO do Rio de Janeiro - CP 18.06.2013
Fig. 07 – A multidões se dispersam tão rapidamente como se reuniram. A carga da acelerada e opressiva multiplicação dos fatos subsequentes, encarrega-se de apagar rapidamente qualquer narrativa visual ou escrita.  Resta apenas a simples união física das pessoas e produzindo rebanhos “sem condições de deliberar e decidir a respeito de si mesmas”. Abre-se o paraíso para atravessadores, tituladores e atravessadores.


095 - NÃO FOI no GRITO -
O BRASIL NASCEU e CONTINUA VELHO.

096 - NÃO FOI no GRITO -
O BRASIL em JULHO de 1814 e a sua busca da MAIORIDADE.

MuCEM - TRANSUMÂNCIA e MARSELHA -- The Guardian 10.06.2013
Fig. 08 – A simples união física das pessoas produz apenas multidões ou apaga rapidamente qualquer narrativa visual ou escrita e produzindo rebanhos. Geram-se multidões incalculáveis  “SEM HISTÓRIA” além de brinco numérico digital de identificação e de garantia de origem de procedência.

O CONHECIMENTO de SI MESMO não interessa mais,  pois um clone é condicionado, servido e alimentado por  mediadores, atravessadores e tutelares. Tutelares, atravessadores e mediadores que para o seu controle do rebanho aplicam chips numéricos digitais em todos e em tudo.
Como afirmamos em outro blog que A HISTÓRIA NÃO É LIXEIRA. Não basta acumular dados e fatos de um passado mais ou menos remoto. Nesta condição estes dados e fato não passam de um entulho pronto para ir ao lixo.
Ninguém consegue libertar a História indígena, africana e do imigrante brasileiro do interior de uma cápsula hermeticamente fechada  e ameaçada de torna-se lixo. Em tempo de obsolescência programada e  de descarte generalizado o dia anterior - e o passado em geral -  entram na categoria do obsoleto, do inútil - senão como algo ameaçador . O historiador passa a ser percebido e tratado como o catador de lixo para esta mentalidade consumista. Para esta mentalidade a única função do passado é mostrar como o EU do presente é superior. Este EU julga se onipotente, onisciente, onipresente e eterno, pois ele está VIVO e TRIUNFANTE e o passado está MORTO e INÚTIL.

Fig. 09 –Os “SEM HITÓRIA” além de um solitário quero-quero
A distinção que mais se percebe duzentos anos após as sucessivas  edições do CORREIO BRAZILIENSE e que a era pós-industrial é competente para  reificar o passado  torna-lo mais rápida e eficazmente em COISA.  Na condição de objeto este passado pode ser ridicularizado na hora e na forma que interessa  ao mortal vivo e idiota desqualifica-lo e descarta-lo. Este idiota atarantado e eufórico com a sua tecnologia não percebe que ele próprio é parte deste processo. Uma serie infinita de fatos, conceitos e fazeres  protagonizado por este idiota atarantado e eufórico nada entende do dia do hoje e do presente.  Marc Bloch esclarecia e distinguia (1976: 4.).
“É tal a força da solidariedade das épocas que os laços da inteligibilidade entre elas se tecem verdadeiramente nos dois sentidos. A incompreensão do presente nasce fatalmente da ignorância do passado. Mas talvez não seja mais útil esforçar-nos por compreender o passado se nada sabemos do presente” .
BLOCH, Marc (1886-1944)  . Introdução à História.[3ª ed] Conclusão de Lucian FEBVRE - .Lisboa :Europa- América  1976  179 p

Damien HIRST (1965 - ) Bezerro de Ouro 2008 - vendido por 16.5 milhões de dólares
Fig. 10 – O artista inglês aproveita-se o idiota atarantado e eufórico da era pós-industrial para lhe vender, bem caro, o seu BEZERRO de OURO embalsamado.   Esta obra é uma imagem contemporânea da nova idolatria da mídia da propaganda e marketing

Os historiadores tem a menor responsabilidade pelo fato de que a Historia Contemporânea estar em migalhas. A era  da cultura pós-industrial é determinada por pessoas que aprenderam a criar narrativas singulares e mantê-las únicas encapsuladas. Vai longe o TEMPO do EU romântico que jogava o seu coração sangrando e pulsando no balcão do espaço público.  O horror e o espanto pessoal eram apresentados ao transeunte como universais e veiculados de forma massiva, impressa e duradoura. Na época pós-industrial é o contrário: o horror e o espanto são encapsulados cuidadosa e asceticamente.  O rótulo da narrativa condiciona o seu o consumo para uma obsolescência impessoal, programada e virtual.
A cultura pós-industrial formam  vastas geografias culturais. Culturas habitadas por térmitas e clones alimentados pelo marketing e propaganda. Alimento cuidadosamente extraído do seu meio de origem, juridicamente encapuzado e mediado pelo marketing e pela propaganda. Clones com as suas vidas e os seus pensamentos pré-determinados e que torna desinteressante para ao outro clone com carga cultural idêntica.
O resultado é a solidão do clone na multidão.

ENCAPSULADOS e ENCAPUZADOS

 FERNANDO PESSOA


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segunda-feira, 7 de julho de 2014

NÃO FOI no GRITO - 096


 
O BRASIL em JULHO de 1814 e a sua busca da MAIORIDADE.


Fig. 01 – A paisagem urbana do Rio de Janeiro em 1808 com o isolado Palácio de São Cristóvão.

Há necessidade de extremo cuidado com quem ignora o passado, o desqualificam ou se considera mais inteligente, poderoso e onipresente. É um índice de ignorância da natureza e do significado do dia presente.


Fig. 02 – A figura do Príncipe Regente e depois rei Dom João VI  necessita desta atenção redobrada. O que necessita ser entendido não é só seu contexto e circunstâncias históricas. Mas há necessidade de perceber que foi um personagem contemporâneo em muitos aspectos. O principal é fato da cereênci entre o seu cargo e as funções que lhe determinava não só a tradiçãomonárquica mas a icipinte legislação baseada no contrato social De um lado nesta funcõesnuncaavançou para a posição de um Luís XIV ao afirmar o “ESTADO SOU EU” No extremo  posto  nunca chegou a posição humilhante de um Luís XVI aceitando o título de “CIDADÃO  LUIS CAPETO”. Os 7 anos ao longo dos quais Dom João VI procrastinando o seu retorno para Lisboa - depois da queda napoleônica - foram extremamente importantes para o Brasil
Conforme o titulo do nosso blog não se CONHECE NENHUM GRITO de Dom JOÂO  VI. Falam e gritam por ele as sementes das instituições que deixou plantado em solo brasileiro.


Tropeça nesta ignorância quem aceita como verdadeira razão única da mudança da corte lusitana ao Novo Mundo foi um ato da alienação dos problemas provocados pelas campanhas napoleônicas.  Tropeça nesta mesma ignorância quem mitifica esta migração real ao Brasil e a reduz apenas a aspectos muito positivos.
As dúvidas que pairam sobre a passagem da condição do regime colonial para alcançar as sua soberania.

 Fig. 03 – O mesmo Palácio de São Cristóvão não tão isolado paisagem urbana do Rio de Janeiro em 1816
No aspecto positivo o brasileiro passou sentir-se responsável como abrigo real do vasto território lusitano. Em 1808 este império português era geograficamente muito maior do que o Império napoleônico no seu apogeu. Numa perspectiva de história de longa duração era - no mínimo -  4 vezes do tamanho do Império Romano na sua expansão geográfico máxima.

Esta condição era visível para quem consultasse qualquer atlas mundial. Este tamanho geográfico serviu para atrair a atenção, o comércio e a administração dos territórios portugueses da Europa, da África e da Ásia. Isso implicava ser centro da circulação do poder metropolitano e com a consequente necessidade de assumir e construir circunstância para esta mesma circulação. Isto significava mais e melhores portos, estradas e urbanismo adequado para esta circulação do poder real.

Fig. 04 – O retrato do bispo Dom Antônio do Desterro do Rio de Janeiro da época dos Vice-Reis do Brasil e O retrato do cidadão comum era proibido no Brasil. As únicas exceções eram os reis, os bispos e eventualmente o provedor mor das irmandades das Santas Casas. Assim o Brasil ficou privado da maioria dos retratos dos personagens fundamentais do se PODER ORIGINÀRIO  

Politicamente isto significava um processo sem gritos, um planejamento objetivo e meios adequados não só para a corte mas para toda máquina administrativa, burocrática e política que pudesse dar suporte à governabilidade. Em outros termos o Brasil estava aprendendo no seu próprio território a entrar na adolescência depois da fase infantil e subordinada da sua heteronomia colonial absoluta.


BRAZIL. In Miscellanea. Reflexoens sobre as novidades deste mez.

Reformas no Brasil. CORREIO BRAZILIENSE, DE JULHO, 1814.  VOL. XIII. No. 74. pp. 94-96
Alguns dos nossos Correspondentes no Brazil, se nos tem queixado do nosso silencio, a respeito de alguns melhoramentos, que tem tido ugar naquelle paiz. No entanto o gráo de utilidade desses melhoramentos; ou quem saõ as pessoas n quem esses benefícios se devam attribuir, saõ pontos muito disputaveis.

Em primeiro lugar, a mera residência de S. A. R. no Rio-de-Janeiro tem só de persi sido causa do augmento de população da quella cidade, e do conseqüente trafico, negocio, e mais indústria, que lhe deve ser proporcional, com o auxilio da fertilidade do terreno. Até aqui naõ attribuimos merecimento a nenhum Ministro.

RIO de JANEIRO  Pia da Sacristia da Igr. do Carmo - Atribuída ao Mestre Valentim
Fig. 05 – O luxo proibido nas casas era redobrado nos recintos das igrejas e nos seus anexos. O projeto da PROPAGANDA da FÉ derramava índices visuais, sonoros, táteis, olfativos e táteis nos ambientes sacros.  Contraste vivamente com a austera e despojada arquitetura doméstica colonial que só se podia manifestar em Lisboa.  O sistema colonial induzia, com esta proibição e uma exceção,  o retorno para a metrópole de qualquer capital gerado no Brasil

Mas nem por isso estamos dispostos a negar o devido louvor, que os Ministros merecem por certas medidas favoráveis, tanto á naçaõ em geral, como á Corte do Rio de-Janeiro em particular; e, se resta ainda muito a fazer, he justo que se louve o Governo pelo que já tem feito. Entre as medidas, que nos annunciam como dignas de louvor he o plano, que tem executado o Intendente geral da Policia do Rio de-Janeiro, de mandar buscar gente ás ilhas dos Açores, pagando- lhes a passagem, &c.; a fim de com esta nova população occurrer a muitas obras úteis; taes como a estrada do Caminho-novo, Lagoa da sentinella, Calumbi até Mataporcos, a do Mangue até a Real quinta da Boa Vista; as duas pontes Nova, c de S. Christavaõ, &c.


João Francisco MUZZI (17-?-1802) Mestre Valentim entrega projeto a Dom Luis Vascocellos em 1789
Fig. 06 – O Mestre Valentim apresenta ao Vice-Rei do Brasil o projeto da restauração da santa Casa depois do Rio de Janeiro.  Atribui-se a este mestre mulato uma série de melhorias e obras públicas da capital do vice-reinado e,  de 1808 até 1821, da própria metrópole lusitana. O Mestre Valentim era proveniente de guildas ao modo medieval. Teve uma fase de formação em Lisboa onde se inteirou das técnicas e tendências estéticas posteriores ao  terremoto de Lisboa de 1755.

A paisagem urbana, do Rio de Janeiro estava se reciclando, desde 1763, quando da transferência do Vice reinado do Brasil para as praias banhadas pelas  águas da baía da Guanabara. O ciclo do ouro fácil havia se esgotado, Estava começando o ciclo agrícola distinto da cana e da pecuária extensiva. O café estava despontando como novo agente transformador.

Leandro JOAQUIM – (1738-1798) Vista da lagoa e arcos do Rio de Janeiro dos Vice Reis  -
Fig. 07 – A construção do aqueduto da Lapa destina-se a abastecer com água potável as diferentes fontes e chafarizes espalhados pela área urbana do Rio de Janeiro. Evidente que diante dos olhos dos cortesões de Lisboa era uma obra menor e sem atrativos. Da mesma forma foram tratados os mestres e oficiais que trabalham, na época,  no Rio de Janeiro. Com abertura dos portos e a capital lusitana no Rio de Janeiro afluíu uma massa profissionais qualificados nos maores e melhores centro europeus. Para assumir o seu lugar tratam naturalmente de desqualificar aqueles da terra.

Nos achamos dignos de louvor estes esforços do Intendente, menos pelo que elles em si mesmo importam, como por se ter ajudado para isso da população das ilhas; medida que temos por tantas vezes recommendado, e que merece a maior attençaõ; porque terras sem gente saõ desertos. Quereríamos talvez antes, que esta população para o Brazil viesse de paizes estrangeiros; maz ja que tem de se despovoar uma parte da monarchia para povoar outra, antes se desertem as ilhas dos Açores do que o Brazil.

Fig. 08 – O chafariz das Saracuras do Rio de Janeiro anterior a 1808. O governo colonial seguia a política romana de prover a cidade d eágua pública.  As saracuras, anunciando com estardalhaço a aguada, aludiam à propaganda governamental deste serviço colocado na paisagem urbana

Taõ bem se tem extinguido pântanos nas vizinhanças do Rio-de- Janeiro, calçado as ruas, melhorado a ílluminaçaõ da cidade, prohibido a edificação de casas térreas, &c.

A estas medidas locaes, que sem duvida fazem honra ao magistrado ou ministro a cujo cargo isto pertence, accrescem outras de beneficio geral. Taes saõ a creaçaõ de muitas villa», e divisoens das igrejas ou freguezias. Sobre este ultimo artigo convém dizer, que para a edificação dos templos tem S. A. R. generosamente empregado grande parte dos rendimentos dos dízimos, que lhe pertencem privativamente a elle, como Gram Mestre da Ordem de Christo.

Fig. 09 – Antônio de Araújo e Azevedo (1758-1817) - o 1º Conde da Barca - foi o mediador, em 1816, entre a Missão Artística Francesa do Brasil e a sua integração na corte lusitana hospedada no Rio de Janeiro. Esta mediação tocava numa recente ferida e que esta longe de cicatrizar.  Muitos lusitanos haviam apoiado o agora descaído regime napoleônico. Os artistas em questão eram aqueles mais próximos de Napoleão Bonaparte. Joachim Lebreton (1760-1819) - que chefiava esta Missão - havia sido o Secretário Perpétuo do Institut de France

Também nos consta, que na Commarca de Porto seguro, se tem feito algumas obras úteis, debaixo da Intendencia: abrio-se a navegação do rio Belmonte, que facilita a communicaçaõ desta capitania com as do centro ; fazendo-se uma estrada de 55 legoas, para diminuir algumas difficuldades restantes da navegação, postou-se uma linha de 12 destacamentos cm torno da comarca, que naõ só serve ao presente de guarda contra as correrias dos índios; mas dá esperanças para o futuro de que estes destacamentos se tornem em outras tantas provoaçoens. S. A. R. por via do Intendente geral da Policia mandou subministrar colonos, para fundar uma povoaçaõ em Mugiquicaba, lugar de bom anchoradouro na costa do mar; 4 léguas ao Norte de Porto Seguro; e se intenta por-lhe o nome de Villa Cabral; para honrar o nome do descubridor do Brazil, que aqui aportou,a primeira vez que os Portuguezes pizáram a terra do Brazil; e para perpetuar assim a memória daquelle importante acontecimento.

Nicolas d'ESCRAGNOLLE TAUNAY -  (1768-1830)  Rio de Janeiro
Fig. 10 – Uma visão da paisagem urbana do Rio de Janeiro por  um membro da Missão Artística Francesa  Além da paisagem mostra praças, jardins e ruas são o território do gado. Ao mesmo tempo evidencia os responsáveis pela cultura e conhecimento científico nas mãos de um reduzido número de monges.

O nosso Leytor verá, pela miudeza com que nos demoramos nesta matéria, que naõ temos menos prazer em enumerar o que achamos de bom, como em notar o que nos parece que he máo.

E com tudo devemos outra vez expressamente declarar aos nossos leytores, que naõ he a bondade deste ou daquelle magistrado, nem a maldade daquelle ou deste governador, o que julgamos necessário remediar: sempre que se admitta um bom systema de administração geral; as cousas levarão o caminho que devem, e os màos actos dos indivíduos seraõ unicamente excepçaõ de regra.

Thomas ENDER – (1793-1875) - Vista do Rio de Janeiro 1817-1818
Fig. 11 – Ao longo da permanência de Dom João VI no Rio de Janeiro os austríacos  marcaram presença, em 1817,  um ano após os franceses virem em 1816. Entre os artista que acompanharam Dona Leopoldina estava o jovem e talentoso Thomas Ender. Ele registrou uma vista da Igrejinha do Outeiro da Glória ainda se confrontando com vizinhança da fauna, da flora e habitantes da floresta virgem tropical. 

Não faltaram projetos e iniciativas por meio das quais  Brasil estava aprendendo a lidar consigo mesmo. Apesar de a Universidade para todo o Brasil vingar só em 1931, em muitas academias e áreas de conhecimento é possível rastrear as suas raízes no período da permanência da corte no Brasil. Não é só o Jardim Botânico, a Missão Artística Francesa. As Ciências da Saúde, as Jurídicas e da Educação Formal Institucional se movimentaram para consolidar o seu campo de forças e ir contra o marasmo e a entropia colonial.

Thomas ENDER – (1793-1875) - Vista do Rio de Janeiro 1817-1818
Fig. 12 – Thomas Ender registrou, em 1817, a imagem  da praia quase intacta e virgem  próxima ao Rio de Janeiro  da época da permanência de Dom João VI  Porem são visíveis também as pedreiras sub urbanas  aas quais provinham as pedras das novas obras da capital

As boas qualidades, que em mais de um respeito tem mostrado o Principe Regente, nos daõ esperanças de ver lançar os fundamentos á felicidade e independencia nacional, admittindo, e promovendo o estudo daquellas artes e sciencias, que distinguem o homem civilizado do homem selvagem, e que tem a primeira influencia,  em grangear o respeito á naçaõ.— O estabelicimento de uma Universidade no Brazil;  a introducçaõ geral das escolas de ler e escrever; a ampla circulação de jornaes e periódicos, nacionais e estrangeiros—saõ as medidas para que olhamos como baze da desenvoluçaõ do character nacional; donde devem proceder os esforços de patriotismo, que são sempre desconhecidos em um povo ignorante, e sujeito ao despotismo.


Fig. 03 – O Jardim Botânico do Rio de Janeiro não só manteve um projeto da permanência de Dom João VI  no Brasil, como se consolidou e continua a se renovar Ao fundo da alameda um projeto da fachada preservada da Missão Artística Francesa  que iniciou o seu projeto civilizatóri compensador em 1816. Este projeto preparou e conferiu corpo estético e visual  ao subsequente regime Imperial Brasileiro como marcou com as Artes e os Ofícios os primórdios da era industrial no Brasil  
Na conclusão é necessário reforçar a tese de que a obra de Dom João VI no Brasil  “NÃO FOI NO GRITO”. Faltou o grito, a propaganda e o marketing para esta obra silenciosa e oportuna para o tempo e lugar. Este silêncio oportunizou ocasião e publico para que gerações barulhentas as desqualificassem como rudimentares. Se os projetos e obras da permanência de Dom João VI eram rudimentares, mais rudimentar era a cultura da população que encontrou no BRASIL e as instituições vigentes distorcidas por três séculos de regime colonial.

 As  sementes trabalharam silenciosas neste espaço adverso de um Brasil devastado ao longo de 300 anos pelo cobiça colonial inescrupulosa.

 Numa visão - guiada pela longa duração - pode-se atribuir ao da permanência de Dom João VI no BRASIL as novas sementes destinadas para as instituições da maioridade brasileiras. Plantava instituições inexistes ou substituía as estéreis ou tão rudemente podadas pelo regime colonial e escravocrata. Novas sementes de instituições que não concorrem entre si. Instituições que se desenvolvem sob contratos mais próximos do seu próprio PODER ORIGINÁRIO.

FONTES NUMÈRICAS DIGITAIS



CORREIO BRAZILIENSE JULHO de 1814




 DEBRET, Jean- Baptiste 1768-1848)




ENDER Thomas - Thomas




HISTÓRIA do CAFÉ no BRASIL




HISTÓRIA do JARDIM BOTÂNICO do RIO DE JANEIRO




IMPERIAL ACADEMIA de BELAS ARTES do Rio de Janeiro




LUIS EDMUNDO – RIO de JANEIRO no TEMPO do VICE_REIS




MISSÂO ARTÍSTICA FRANCESA




RIO de JANEIRO e BRASIL por JEAN-BAPTISTE DEBRET




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