sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

086 - NAO FOI no GRITO

Uma SEMENTE de LIBERDADE.


“Os escritos iluminam tanto o povo como o governo”.
CORREIO BRAZILIENSE – DEZEMBRO de 1813

O Correio Braziliense lançava, em dezembro de 1813, mais uma semente de liberdade de imprensa a partir de Londres. Estava se somando aos profissionais da comunicação pública e livre semeavam novas ideias e projetos que deveriam investir com o objetivo de demolirem  o controle absoluto e total de qualquer informação habitual ao longo dos 300 anos de regime colonial brasileiro. Assim preparavam as condições da soberania da nação brasileira
Isaac CRUIKSHANK - CITIZENS

Fig. 01 – O contrato escrito, conhecido e aprovado por todos constitui uma das materializações de um pacto de uma nação vista  e percebida a partir da origem do seu próprio  poder Um pacto desta natureza revela a capacidades  desta nação em estabelecer as condicionantes nas  quais quer viver e se reproduzir. Apesar de a cultura inglesa desconfiar e até desqualificar o  processo a Constituição  norte-americana, ela é uma de maior fortunas desta nação e base de suas realizações coletivas.
 
Porém em 2013 rebrotam vigorosos tanto o hábito da servidão como os mecanismos do regime colonial renovado por outros meios de controle. No ano de 2013 vieram a tona Verdades inconvenientes e circularam nas redes mundiais de comunicações terríveis arrasadoras revelações. Para os tempos atuais estas revelações, a sua circulação em rede mundial - com e a reação simétrica das autoridades - são índices da renovação da servidão e do regime colonial.

CRUIKDHANK George - 1792-1878 - sociedade de antiquários 1812 - detalhe
Fig. 02 – A cultura inútil o acúmulo e a difusão pública de qualquer informação levam à alienação do tempo e lugar, senão ao ridículo, ao descrito e por fim são uma das causas ocultas das revoluções e comoções sociais. É a mesma alienação representada pelos vistosos quadros ostentando lepidópteros com um alfinete nas costas. Alienação útil para as castas ociosas e parasitas dos frutos do trabalho alheio.
Os profissionais de comunicação sempre orientaram as suas ideias e os seus projetos pelo hábito da autêntica integridade intelectual. Cultivam estas ideias e projetos apesar dos vexames a que eventualmente são submetidas por falsas autoridades e por colegas de profissão que não resistem aos cantos das sereias da servidão e do regime colonial. Mudaram apenas as ferramentas da primitiva imprensa industrial,  linear e cumulativa da primeira era industrial. Permanecem inalterados os valores básicos de civilização. Permanece a circulação do poder da palavra, da imagem e da sua recepção mesmo diante da coação ou da ameaça velada.

CARTAZ POLONÊS-  ROMAN Ciesiewicz - Cartaz para teatro – Polônia – 1975
Fig. 03 – A  GUERRA DAS IDÉIAS tem como objetivo o  assalto à massa cinzenta humana. A heteronomia da inteligência humana é o objetivo de todos os atravessadores, mediadores e tuteladores das massas humanas. Conseguem, em todos os tempos e lugares,  esta heteronomia controlando os escritos, calando as falas ou censurando imagens e sons. Este heteronomia também pode ser obtida tanto pela privação das informações como pela sua falsificação ou ruído provocado pelo seu acúmulo caótico.
A cobiça e o risco de sua corrupção ou falsificação crescem na media do montante do valor. Os assaltante e manipuladores destes valores cobiçam, falsificam e corrompem o poder pela filtragem e pelas versões que dizem o contrário daquilo que divulgam formalmente.

O CORREIO BRAZILIENSE, VOL. XI. Nº 67. dezembro de 1813 publicava no seção  “Miscellanea”, páginas 924 e 925 as suas “Reflexoens sobre as novidades deste mez no BRAZIL”
No Rio-de-Janeiro se imprime um Jornal, cujo titulo he " O Patriota;" e com o do mez de Agosto vieram ter-nos á maõ algumas traducçoens impressas no Brazil; entre outras a Henriada de Voltaire.
O elogio ao concorrente é evidente neste texto como a generosidade e a atualidade do Correio Braziliense para o seu tempo. Mesmo para o nosso tempo ele antecipava Pierre Bourdieu para quem “o artista produz para o seu concorrente e juntos reforçam o campo de sua atuação”.  Juntos desafiam o risco da corrupção e da falsificação da comunicação. Desafiam a cobiça do poder, a sua manipulação e sua filtragem para usos escusos e obscenos. Este projeto civilizatório  do jornalismo e dos seus profissionais perpassa todo os tempos e lugares.

O jornal Correio Braziliense registrava também, na sua edição de dezembro de 1813, sensível mudança de mentalidade que se produzia no clima cultural da corte lusitana instalada no Rio de Janeiro.


Fig. 04 – A revista O PATRIOTA circulou no Rio de Janeiro entre 1813 e 1814. Apesar da  sua breve vida foi uma amostra do que era possível - técnica o conceitualmente -  com a presença da corte num pais de analfabetos e rescendendo aos profundos hábitos coloniais e com a maioria da população submetida à escravidão  legal. 

Ha dez annos, estando a Corte era Lisboa, que ninguém se atreveria a dar a um Jornal o nome de Patriota; e a Henriada de Voltaire entrava no numero dos livros que se naõ podiam ler sem correr o risco de passar por atheo, pelo menos por Jacobino. E temos agora que em taõ curto espaço ja se assenta, que o povo do Brazil pode lêr a Henriada de Voltaire • e pode ter um jornal com o titulo de Patriota, termo que estava proscripto, como um dos que tinham o cunho revolucionário.


Fig. 05 – A revolução Francesa foi precedida por uma imensa produção literária e que se cristalizou na Enciclopédia Francesa, entre tantas outras obras. Entre  estas estava Voltaire que,  ao usar a razão e as letras,  evidenciou a mitificação e ao mesmo tempo a sua naturalização do poder real. Em Portugal este escritor filósofo havia se valido do Terremoto de Lisboa em 01 de novembro de 1755 para mostrar a alienação resultante desta mitificação e depois aceita-la como natural. Estas ideias circularam por toda a Europa e são índices do que estava ocorrendo no subsolo social, político, econômico e técnico desta época.  A Revolução Francesa não decorreu certamente de suas ideias e dos enciclopedistas, mas foi a erupção visível das forças  represadas neste subsolo corrompido.

Por mais insignificante que pareça a circumstancia de se deixar correr um jornal com o nome de Patriota, ou permittir-se uma traducçaõ da Henriada; nos julgamos isto matéria de importância; porque he seguro indicio, de que o terror inspirado pela revolução Franceza, que fazia desattender a toda a proposiçaões de reformas, principia a ."-bater-se, é ja se naõ olha para as ideas de melhoramento das instituiçoens publicas, como tendentes á anarchia, em vez de servirem á firmeza do Governo.
Reformas tanto mais urgentes e maiores quanto maior o valor e o tamanho da cobiça. Nesta cobiça  dividem a sociedade em castas. Escondem privilégios que na falta de nexos multiplicam os riscos e tamanho da corrupção ou falsificação. O resultado destas falsificações cultivadas ao longo do tempo, o contágio leva para a metátese da corrupção e da cobiça do poder são as causas profundas dos terremotos sociais, econômicos e políticos. As revoluções, as rupturas e espasmos das guerras são apenas índices da profundas doenças sociais, econômicas e políticas.

MACCARI, Cesare (1840-1919) - Cesar denuncia Catalina  - pintura 1880

Fig. 06 – Quando Cesar denunciou Catalina a austera República Romana estava chegando ao seu final. As aspirações pessoais do astuto e cobiçoso Catalina expressavam um novo tempo. O Regime Republicano não dava mais conta destas aspirações pessoais que tencionavam assaltar e usar, em proveito próprio, o acúmulo do poder e da imensa máquina administrativa romana.  Este novo tempo exigia um Estado central forte, imperial e totalitário para dar conta  destas fortes tensões e cobiças pessoais e daquelas da sua classe de apoiadores. O mesmo quadro se desenha em 2013. Estados nacionais percebem que o seu PODER ORIGINÁRIO é atropelado, desqualificado, posto a serviço e na heteronomia de corporações, de partidos das mais diversas ideologias que exibem um pseudo líder e culpado de tudo.

Rarisssmas vezes as grandes mudanças nacionaes saõ o resultado de conspiraçoens; procedem ellas sempre de causas profundas, e extensas, na estructura e estado da Sociedade; donde resulta a necessária combinaçaõ de indivíduos, que parecem ser os authores, quando na realidade naõ saõ senaõ os instrumentos da revolução, que sahe á luz em virtude das circumstancias.

Nestes termos quanto mais se expuzerem os males do Estado, mais facilmente se lhe providenciará o remédio, e mais directamente se deslroem os causas originaes das grandes commoçoens publicas.
O Correio Braziliense diagnosticava as causas das revoluções e as registrava na sua edição de dezembro de 1813. As revoluções, a desordem pública e  o vandalismo resultam dos abalos da confiança do PODER ORIGINÁRIO em relação aos seus contratos realizados com os agentes  do poder público. O papel dos jornais e dos jornalistas é registrarem e dar letra  de forma  a estes abalos. Assim a notícia do terremoto, que devastou Lisboa, no dia 01 de novembro de 1755, correu mundo. O poema impresso de Voltaire, sobre este episódio, foi um registro escrito não só do abalo geológico mas do abalo da confiança do PODER ORIGINÁRIO em relação aos seus contratos realizados com os agentes  do poder público.

O Correio Braziliense passa a fazer distinções léxicas. Nestas distinções, de um lado, desmistifica termos. Do outro tempo retira o seu autêntico sentido político dos seus escombros da natural entropia do tempo e da perversão humana intencional.
Por uma perversão insensata, durante a revolução Franceza, se attribuio á palavra Patriota, o mesmo sentido de Revolucioui»|a,ou monarchomaco.e com este phantasma se punham os povos em opposiçaõ com os governos, fazendo os Godoyannos entaõ os seus interesses nas águas envoltas.


ESCRITOR e os seus SONHOS - Le Monde 27.05.2012

Fig. 07 – A imaginação, a criatividade e coerência de um escritor não se mede pelo que ele escreve e publica. A fortuna da sua  criação resulta da circulação das suas ideias materializadas na forma impressa ou digital e  de um público que lhe é fiel

A palavra Patriota significa, o bom cidadão, o amante de sua  pátria; e por conseqüência o defensor do Governo, e das instituiçoens do paiz. Vemos pois cora muito prazer, neste annuncio do Rio-de-Janeiro,  que esta honrada denominação, começa a surgir do opprobio em que se achava.

O exemplo da Henriada, te pôde extender a muitos outros livros, que saõ prohibidos, pelo temor de que produzam opinioens erradas, no povo.
Os valores maiores de uma nação são constituídos por meio do  exercício livre arbítrio da vontade dos seus cidadãos, pelo direito da expressão de opiniões e um firme e sólido contrato escrito,  pactuado e constantemente examinado e renovado com o PODER ORIGINÁRIO. Os ocupantes dos cargos públicos por mais despreparados, falsos e corrompidos que sejam, o PODER ORIGINÁRIO necessita possuir condições para reverter esta situação. A vigência plena dos valores maiores de uma nação necessita prevalecer sobre os que se apropriam, falsificam e corrompem as suas funções legais. Devido aos evidentes danos esta situação melhor que nunca se concretize. Para tanto a vigilância e o registro escrito pelo jornalista das  suas observações objetivas, pode iluminar e permitir o corte do caminho destes despreparados, corruptos e falsos candidatos. Porém como os despreparados, os corruptos e os falsos candidatos são resistentes como as ervas daninhas, rebrotam em outro lugar e tempo.


1968 cartazes bp - Biblioteca Nacional da França
Fig. 08 – Se é possível conhecer o cidadão pela amostra do que lê, é possível conhecer uma cidade ou civilização pelas  suas bibliotecas e como são tratadas. As bibliotecas são criações artificiais e resultam de projetos e de investimentos continuados de profissionais,  de tempo e de dinheiro. Elas representam a essência da corrupção se  

A nossa opinião he, que a revolução Franceza produzio os escriptos que em muitos paizes da Europa, principalmente em Portugal, tem sido prohidos; como te fossem causadores da revolução; nós dizemos que esta foi que.m produzia taes escriptos, e naõ os escriptos a revolução. Nenhuns escriptos se publicaram em Portugal, que fossem o ' precursores ou motores da revolução de 1649: muitos appareceram depois: as causas daquella revolução fôram as oppressoens e máo governo dos Felipes, que occasionáram a combinação de circumstancias, que serviram de estimulo aos conjurados, e apoz elles a todo o povo de Portugal. Os escriptos iluminam tanto o povo como o governo. Se expõem abusos, que na realidade existem; o governo naõ tem mais que remediallos para alcançar a approvaçaõne a confiança da naçaõ. Se os abusos naõ existem, como em taes escriptos se pôde dizer o que naõ he verdade, facilmente se responde a elles, e o povo em geral naõ acreditará o que he falso, quando se lhe apresenta em comparação com o que he verdadeiro.
Em 21 de abril de 1960 o temerário paraibano Assis Chateaubriand retomou do título de Correio Braziliense na nova capital. Ele foi enfático
- Sou um homem da imprensa de papel e estou convencido de que a ideia que forma opinião tem que estar impressa em letra de forma. O rádio poder ser mais abrangente, e certamente é mais subversivo que o jornal, mas o que mexe com o tutano do freguês é o jorna. Nem a revista, mas o jornal diário ( Morais, 1994, p. 366.
Índice que a semente o Correio Braziliense se multiplicou inclusive na forma impressa e objetiva. As pulsões elétricas da internet, da TV, do rádio encontram na letra escrita o território  para aterrissar esse reabastecer para novos voos.  Os profissionais da comunicação pública e livre continuam a semear novas ideias e projetos.  No Brasil possui pela frente minar e derrubar as muralhas numéricas digitais do neo-colonialismo e do hábito renovado da escravidão e servidão  voluntária aso  poderosos de plantão. O  controle da informação mudou de técnicas e se sofisticou. Se a ameaça do Big Brother não aparece ao olhos do grande publico não quer dizer que ele  não metamorfoseou
Fig. 09 – A utopia do mundo perfeito é um paradigma perseguido por todas as civilizações humanas. Na sua concretização  permitiu muitas vezes que monstros, como os mais fortes e espertos se apropriassem e se instalassem no centro do controle desta utopia, transformando-a num inferno na terra. Inferno povoado com clones condicionados por um poder unívoco, fixo e linear ao modelo de insetos.  Uma das tarefas do jornalista é denunciar, desvendar intenções deslocadas e malignas.  Denunciar de tal forma que iluminem e cortem o caminho dos atravessadores, dos mediadores e das auto tuteladas autoridades.  


 A semente de liberdade de imprensa encontra ainda muitas ervas daninhas e lagartas na sua disseminação para produzir os frutos dos valores maiores de uma nação. Ervas daninhas que buscam abafar, atacar e  se alimentar de sua ruína

O Correio Braziliense lançava, em dezembro de 1813, mais uma semente da liberdade a partir de Londres. Somava-se aos profissionais da comunicação pública e livre. Profissionais competentes para semear novas ideias e projetos que deveriam investir com o objetivo de demolirem o controle absoluto e total de qualquer informação habitual ao longo dos 300 anos de regime colonial brasileiro. Preparavam as condições da soberania da nação brasileira que viriam formal e juridicamente em 1822.

Sem esta longa, segura e continuada preparação este mesmo Estado nacional brasileiro poderia simplesmente atropelar, desqualificar o seu próprio PODER ORIGINÁRIO. Ou pior este  mesmo Estado nacional brasileiro ser posto a serviço e na heteronomia de corporações, de partidos ou de indivíduos astutos e cobiçosos do poder. Nada melhor do que constatar que o Correio Brasiliense estava cumprindo, em dezembro de 1813, o seu projeto de iluminar tanto o  povo como o governo por meio dos seus escritos.

FONTES BIBLIOGRÁFICAS

MORAIS, Fernando (1940- ) Chato : o rei do Brasil, a vida de Assis Chateaubriand. São Paulo: Companhia das Letras, 1994, 732 p.



FONTES NUMÉRICAS DIGITAIS

CORREIO BRAZILIENSE - DEZEMBRO de 1813




CORREIO BRAZILIENSE – Brasilia  2013




O PATRIOTA – agosto de 1813


"O Patriota, Jornal Litterário, Político, Mercantil, &c" (1813-1814)





VOLTAIRE -  ou  François Marie AROUET (1694-1778)




VOLTAIRE – Henriade


Poema VOLTAIRE sobre o Desastre d Lisboa com terremoto de 02.11. 1755




Uma JOVEM DEMOCRACIA em LUTA com a sua EX METRÓPOLE



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domingo, 24 de novembro de 2013

085 - NAO FOI no GRITO


 1814-2014 – O BRASIL ATENTO a DOIS SÉCULOS de

 GUERRAS ALHEIAS na BUSCA da HEGEMONIA PLANETÁRIA.

"Dominar o inimigo  sem combater,

isto sim, é o cúmulo da habilidade"  
SUN TZU - A Arte da Guerra –

capitulo III -  Plano de Ataque - aforismo 003

A observação preliminar, antes de qualquer mal entendido,  é distinguir que o mestre chinês escreveu em relação à “ARTE da GUERRA” e não da “CULTURA da GUERRA”.

CRUIKSHANK George -1792-1878  - O MUNDO das FADAS
Fig. 01 –  O mundo da fantasia e da imaginação infantil não é só um refúgio de uma cultura mas também constitui um índice. Índice dos caprichos de um EU adulto impotente do mundo real. Refugio do SEU MUNDO e que teme  ser traído internamente e ser espionado pelo MUNDO DOS OUTROS. A  ilustração inglesa do século XIX para imprensa popularesca e caricata britânica manteve e alimenta a intriga entre o SEU MUNDO e o MUNDO DOS OUTROS. O seu mundo BOM e HARMONIOSO ó refúgio  contra o mundo dos outros, essencialmente CAÓTICO, INCOMPREENSÍVEL, portanto MAU e capaz de espionar e trair. MALDADE e INJUSTIÇA que justifica qualquer guerra que ameaça à hegemonia do mundo BOM e JUSTO inclusive a preventiva para aniquilar a raiz desta ameaça.
O Brasil esteve atento  - e sem gritos -  na sua maneira peculiar de praticar a ARTE da GUERRA mantendo coerência com a norma milenar chinesa.  O Brasil continua atento às motivações e as formas de outras nações buscarem a hegemonia planetária. Como observador atento e criterioso acompanhou uma sequência de guerras e ações de sua pacificação desenvolvidas desde o Congresso de VIENA (1814-1815) até as recentes as ações da ONU nas quais esteve envolvido direta e ativamente. Sequências ininterruptas de guerras cujo núcleo continua sendo a busca de uma determinada nacionalidade ou de uma ou outra  forma de hegemonia planetária.


Fig. 02 –  A espionagem é movida pelo interesse no alheio,  na vontade de surpreender o OUTRO num momento de sua fraqueza e pela desconfiança. A gigantesca rede de espionagens entre as nações - que emergiram até novembro de  2013 -  põem todos os espiões do passado num amadorismo infantil. Espionagem numérica digital que, de fato, constitui a continuação, por outros meios,  das guerras físicas posteriores à Revolução Francesa

Nesta atenção cabe também a atual emergência da busca da hegemonia chinesa a partir de sua soberania  com reflexos na soberania brasileira.  Projeto de hegemonia cuja origem era de uma ou outra ideologia no âmbito de uma cultura desenvolvida, amparada e levada adiante por um ou mais estados nacionais federados. Ideologias que seguiam a premissa: “o que é bom para mim também pé bom para os outros”. Premissa que legitimava instalar, desenvolver e reproduzir qualquer forma de moral coerente com os sonhos, os projetos e os caprichos destes Estados nacionais que se sentiam suficientemente fortes para praticar qualquer temeridade. A culpa e as suas consequências de um eventual fracasso destes sonhos, projetos e caprichos eram assumidos pelos lideres saídos do nada e que não custava culpar e aniquilar. 

VERNET Emile-Jean Horace 1789-1863 - Polônia Vencida -c -1831 -óleo- 35 x 45  cm
Fig. 03  –  A nação  polonesa este colocada entre os temíveis exército prussianos e os nã menos temíveis cassacos e legiões dos exército  imperiais russos. A imagem do pintor Emile-Jean Horace Vernet denunciava, em 1831, a  terrível e implacável águia russa  se apoderando de  um príncipe polonês.  Isto não impediu este artista se colocar ao  serviço do tzar russo que o recebeu em São Petersburgo como príncipe...

Sonhos, projetos e caprichos nascidos da compulsão gerada pelo aumento da população mundial e a racionalização da produção tecnológica industrial. Produção, acúmulo e distribuição que permitiam a vida de mais seres humanos num círculo vicioso. Estas novas circunstâncias foram expressas pela derrocada da aristocracia de sangue e a ascensão das massas populares ao poder estatal. A disseminação de informações - falsas, verdadeiras ou parciais - detonaram estas energias acumuladas como barris pólvora e que geram conflitos e catástrofes que a humanidade jamais havia assistido antes.

VERNET  Emile- Jean  Horace 1789-1863 - O cachorro do regimento ferido 1819 óleo   53 x 64 cm
Fig. 04 –  A prioridade no cuidado com o bicho de estimação do regimento e  ferido no meio de uma batalha na qual muitos soldados tombam mortal feridos faz lembrar o adágio popular de que  “mais vale um cachorro do que um amigo cachorro”  mundo da fantasia e da imaginação infantil sendo espionado pelo mundo adulto numa ilustração do século XIX.  A imagem pode legitimar o aparente mundo BOM e HARMONIOSO dos soldados de uma nação cujos sentimentos o pintor quer exaltar contra o mundo dos inimigos, essencialmente MAU, INCOMPREENSÍVEL e CAÓTICO  portanto justifica qualquer guerra que ameaça à hegemonia do seu  mundo BOM e JUSTO.

Napoleão Bonaparte não tinha sangue nobre. Era proveniente das massas populares como a grande massa proletária emergente com a era industrial. Com esta credencial ele soube magnetizar com a sua ousadia, encantar esta massa popular com a sua temeridade pessoal. Encanto e magnetismo que ele soube usar para exigir sacrifícios nunca vistos antes. Sacrifícios coletivos do povo francês e de todos os demais povos emergentes que o admiravam e esperavam mudanças miraculosas provenientes desta Razão sem sangue azul como eles.

Conta-se que Napoleão  Bonaparte teria lido A ARTE da GUERRA de SUN TZU. Mas deve tê-lo devorado como mais um produto da cultura industrial. Assim entendeu a sabedoria do general chinês no seu repertório popular da época e o transformou num projeto pessoal muito diferente e distante do original.

Esta superficialidade deste ilustre leitor parecem são confirmados pelos relatos do CORREIO BRAZILIENSE (VOL. XI. Nº 66. Novembro de 1813- pp.814-816). No texto a seguir alguns dos equívocos resultantes dos projetos precipitados deste que ainda se equilibrava a sua precária coroa e no trono francês.
FRANÇA.

Tem sido uma observação geral, que as conquistas rápidas, e demasiado extensas, naõ pódem ser de duração: mas nunca o castigo da ambição descomedida seguio de mais perto o crime, do que no exemplo de Bonaparte. Teve este homem em seu poder findar a revolução Franceza, passar para sua familia o throuo Francez, e dar paz e socego á Europa. Cuidaria alguém que o alcance de objetos de tanta magnitude satisfariam a ambição de um aventureiro, que á força de crimes chegou a ser soberano de uma naçaõ poderosa. Mas naõ bastou isto: subjugou naçoens independente», e pacificas; metteo a contribuição seus alliados, meditou a ruina dos maiores Impérios da Europa; intitulou-se omnipotente; e expedio decretos em forma de prophecias.


USA -ÁGUIA BRANCA do MAR e  a sua PRESA- Guardian em 26.09.2013

Fig. 05 –  O mundo  animal dos raptores e das espécies dominantes não só alimentou a fantasia humana. A sua dominância foi traduzida destes tempos imemoriais em ícones, nomes de guerreiros  e estimulou a imaginação infantil nesta cultura da hegemonia a qualquer custo.

No 3°. bolletim, datado de Berlin dos 10 de Novembro 1806 declarou, que o exercito Francez naõ sairia de Berlin até se naõ entregarem as possessoens e colônias Hespanholas, Hollandezas, e Francezas, e so fizeste uma paz geral. No bulletin n. 9 disse, que era necessário que a presente guerra fosse a ultima, a fin  de que os que daqui em diante tomassem armas contra o povo Francez, conhecessem bem o perigo de taes emprezas, e de suas inevitáveis conseqüências. Ao 26 de Outubro de 1806 proferiu no Senado de Paris estas palavras : "Eu parto dentro em poucos dias, para me por em  pessoa á frente do meu exercito ; e cora a ajuda de Deus coroar El  Rey de Hespanha era Madrid; e arvorar as minhas águias nos muros de Lisboa. Era 29 de Fevereiro de 1813, ja depois de derrotado em Russia, declarou,"que estava satisfeito com seus alliados, que os naõ abandonaria, que manteria a integridade de seus Estados, que  os Russianos voltariam para os seus horrororos climas.


Rev. John George WOOD -  O mundo dos crocodilos -  c. 1863

Fig. 06 –  O problema da luta das espécies vivas com as demais - para a hegemonia na própria espécie onde o mais forte e competente triunfa – atravessou não só as Ciências biológicas.  As nações implementaram táticas, logística e estratégias aprendidas nesta luta das espécies dominantes. Ao mesmo tempo legitimava caçadas violentas para provar a superioridade dos caçadores. Estas violentas caçadas pela caçada,  levou muitas espécies ao limite de sua extinção irreversível.
 
Tudo isto tem succedido pelo contrario. Elle foi obrigado a sair de Berlin, e as colônias de Hollanda, e França longe de serem restituidas, entraram com as que restavam no poder da Inglaterra. O pretenso Rey de Hespanha he um triste fugitivo em França. Portugal está livre e seguro;  e as tropas Portuguezas e Hespanholas invadindo o sul da França. Os Alliados com quem Bonaparte se dava por satisfeito, longe de estar satisfeitos com elle, todos o tem abandonado; e o norte da França corre tanto perigo de invasão como o sul.

Quanto ao estado interno da França, naõ pôde haver duvida de  sua consternação. Ho mui difficil averiguar de um paiz estrangeiro, qual he a opinião publica em França; mas todos os symptomas  tendem a mostrar que o Governo soffre uma grande agitação. Bonaparte exige uma leva de 300,000 homens. O Senado suspende a execuçaõ da Constituição, naõ permittindo a renovação de uma terça parte de seus membros, que devia ter lugar. O ministério tem uma mudança considerável, nos chefes de todas as repartiçoens. Tudo isto prova a mais decidida agitação.


Sir George CLAUSEN - Respigadeiras retornado para casa -  1904 - óleo 92.7 x 122.6 cm  - Tate Gelerry

Fig. 07 –  As guerras sempre deslocaram os cargos, funções e os trabalhos na luta pela sobrevivência primária. O mundo feminino teve de assumir tarefas e pesos desproporcionais a sua constituição. Enquanto elas assumiam estas funções, os seus filhos, maridos ou pais estavam em combate de vida e  morte para se defender de projetos de hegemonia de nações que se julgam no direito de desconsiderar tudo este sacrifícios humanos fave aos seus “NOBRES, INEQUÍVOCOS e SAGRADOS DIREITOS à HEGEMONIA, se POSSÌVEL PLANETÁRIA e DEFINITIVA”.


Se reflectimos além disto, que em todos os momentos críticos desta revolução os Francezes se tiraram do embaraço momentâneo, mudando a forma do Governo, e imputando ao antigo todos os males acontecidos, posto que fossem quasi as mesmas pessoas, que compunham o Governo novo; nada nos admiraria se víssemos Bonaparte deposto do throno; e algum outro Governo substituído era seu lugar; e estamos persuadidos que as mudanças de ministério naõ tem outro fim senaõ tentar a opinião publica a ver se estas mudanças satisfazem; e se o descontentamento continuar, recorrer entaõ a mudança mais radical,

Os successos da guerra, que recapitulamos em outra parte, trouxeram a Paris Bonaparte, e a sua linguagem, era vez de profetizar conquistas nao faz mais do que appellar para orgulho nacional Francez, conjurando o povo a que se defenda da invazaõ que o ameaça.

Se a ruina do exercito exigio a leva de 300 mil homens, a decadência das finanças obrigou ao expediente de duplicar os tributos, espécie de vexame, a que até aqui naõ estavam os Francezes muito accustumados.
Ao mesmo tempo que em Paris se estavam apresentando á Imperatriz  Memórias de parabéns, que se pretendiam serem escriptas na Hollanda, os Hollandezes estavam expulsando de seu paia as autholidadas Francezas, e declarando a sua independência


NAPOLEÃO no HMS BELLEROPHON para SANTA HELENA por William Quiller Orchardson  (1832-1910) em 1880- tela 165.1  x  248.9  cm

Fig. 08 –  Os vencedores dominaram e agora conduzem o vencida  como troféu para o mundo que controlam. O ex-imperador francês estava experimentando a verdade do velho ditado guerreiro de que “com as baionetas é possível FAZER tudo, menos permanecer sentados sobre as suas pontas”.  Estava a caminho de uma ilha solitária na qual  os seus  caprichos de um EU adulto tornavam impotentes. O seu FAZER pelo FAZER, as suas longas marchas, as suas vitórias arrasadoras e as humilhações impostas aos  soberanos e ao próprio pontífice, nada mais lhe valiam. Ao contrário eram  pesos arrasadores na sua memória impotente. Aprenderia agora o “AGIR sem AGIR” da milenar sabedoria  oriental.


A confederação do Rheno está extincta, e todos os principes de alguma nota, que pertenciam a esta forçada e violenta ligas tem revoltado, e unido aos Alliados. A Suissa sacudio o jugo de seu  pretenso Mediador ; e supposto, que por hora sô se tenha declarado neutral, ninguém duvida que e»te seja o primeiro passo para se resolver contra a França. O Tirol, e parte das costas do Adriático incluindo o importante porto de Trieste obedecem já ao Imperador de Áustria, e quanto á Itália, Eugenio Beauharnois, tem sido obrigado a retirar-se para aquém do Adige, com o fraco exercito que commanda.

No entanto Napoleaõ continua a ter em prisaõ o Summo Pontifice, e o legitimo Soberano da Hespanha; mas estas victimas da traição e da aleivosia, naõ podem com seu captiveiro melhorar a condição do tyranno, antes servem de fazer mais conspicua a sua horrorosa injustiça.

Em uma palavra, he chegado o momento em que Bonaparte deve, sem remédio, ver humilhado o seu orgulho.
-*%%*».

Resta registrar a situação da cultura chinesa em franca busca de hegemonia planetária e à sua maneira. Cultura que usa,  em novembro de 2013,  a logística, os argumentos a percepção de  mundo dos seus concorrentes. Estes se sentem prestigiados e trabalham voluntários nas grandes metas do atual Estado chinês.  Este não entra em contradição com o seu passado milenar, pois sabe " dominar o inimigo sem cpmbater é o cumulo da babilidade" conforme lhe ensinou o seu mestre SUN TZU, na sua Srte da Guerra (capitulo II - Plano de Ataque -aformos  003)  . Estado chinês que soube aplicar o ocidental Carl Marx na sua busca de dominar o seu inimigo sem gritos e sem a rigidez de um nacionalismo fixo e de um passado morto. Estado chinês possui logística, argumentos e  percepção de mundo bem distinto da ex-União Soviética e de outras nações. Nações com ideologia fixa e linear que seguia, a risca, a cartilha de “O Capital” sem terem a flexibilidade resultante do repertório, da cultura e da sabedoria milenar herdados de um Lao Tzé ou de um Sun Tzu.



http://historiarn.blogs.sapo.pt/2008/10/?page=2

Fig. 09 –  O IMPOTENTE e SOLETÁRIO EU entregue à NATUREZA de uma ilha solitária no meio do Oceano Atlântico Sul. Neste ambiente a fantasia e a imaginação tentaram  gerar narrativas autobiográficas favoráveis a este EU desterrado.  Como o presidiário julga-se - na sua cela -  o mais inocente diante das mais inequívocas e tangíveis provas do tribunal que o condenou

Enquanto isto o moço francês tantas FEZ que acabou FAZENDO BESTEIRAS MONUMENTAIS. FEZ tantas que foi para a panela de Santa Helena. Perdeu, neste caminho, o cetro e a coroa imperial que ele mesmo se impusera. O exemplo de Napoleão não surtiu efeito. No seu caminho de FAZER BESTEIRAS MONUMENTAIS seguiu um cortejo de outros ditadores de todos os quadrantes. Estes continuaram a FAZER BESTEIRAS MONUMENTAIS. Estas lições negativas e estes fracassos valeram ao Brasil continuar atento à norma milenar chinesa. Nesta atenção busca reforçar as normas ARTE da GUERRA que atravessaram incólumes guardando o seu sentido, natureza e a sua maneira peculiar de praticá-las.  Atento às motivação de uma ou outra forma de imposição de outra nações e de ditadores que buscam hegemonia planetária com reflexos imediatos na  soberania brasileira.

FONTE BIBLIOGÁFICA

SUN TZU – A ARTE da GUERRA (3ª ed.). São Paulo: Martin Claret, 2013, 157 p.


FONTES NUMÉRICAS DIGITAIS

TURNER e BATALHAS MARÍTIMAS




1914-2014 - UM SECULO de GUERRA




NAPOLEÂO em SANTA HELENA






O EU não é ARTE




John George WOOD 1827-1889




RESPIGADEIRAS




MÁGICO de OZ  DOMINANDO o MUNDO por Justin GERARD






CHINESES e VENEZUELANOS



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