domingo, 6 de dezembro de 2015

128 NÃO FOI no GRITO

UMA PONTE LONGE DEMAIS.

“O espirito publico e vontade nacional, aonde alguma existe, são compostos de tantos elementos diferentes, que é extremamente difícil evitar erros mesmo mui grosseiros, julgando deles separadamente; e mais ainda, quando se deseja exercitar neles uma influencia direta”. Correio Braziliense dezembro de 1815 Politica, pp. 661/2 
Fig. 01 – O impasse diante da ponte sobre o Rio Oiapoque não é só de ordem ECONÔMICA. Esta ponte se esforça, em vão, unir dois PARADIGMAS ANTAGÔNICOS. A Economia BRASILEIRA ainda continua a mercê do colonizador que, por sua vez, devia até as calças aos ingleses. Porém ele é apenas um índice de algo mais profundo.  

Dois paradigmas em confronto não tem nada a conversar um com o outro. As interações e as trocas emperram, isto se não congelam completamente. Forçar o diálogo significa deflagrar a guerra, a lógica dos canhões e tentativa de abater o oponente  pelas baionetas. “Baionetas com as quais é possível fazer tudo, menos ficar sentado sobre elas” conforme o esperto conselho de Charles-Maurice de TALLEYRAND-PÉRIGOD (1754-1838)[1] ao corso Napoleão. Lição que o diplomata do Reino da Prússia, Johann Wilhelm Christian Carl Ferdinand, o Barão von HUMBOLDT (1767-1835)[2], tentativa traduzir num texto diplomático. Enquanto o  seu irmão Alexandre von Humboldt (1769-1859) ainda buscava colocar no mundo da Ciência os resultados de sua viagem ao NOVO MUNDO ente 1798-1804.
O Brasil havia conquistado, em 1809,  a Guiana Francesa pelas baionetas em represália à invasão de Portugal pelos exércitos franceses. Cessada a causa o Brasil devolveu este território em 1816[3].
Porém em dezembro de 2015, continuou a flagrante distinção entre a herança do sistema monocrático LUSITANO com o FRANCÊS. Este com um firme pacto constitucional ORIGINÁRIO do seu PODER nacional, enquanto o BRASILEIRO está remoendo e se alimentando do seu pacto PROVENIENTE da dominação colonial escravagista e com profundo sabor medieval.
Frente a estes dois paradigmas tão distintos, não é de estranhar que em dezembro de 2015 continua o enigma e o mistério da construção da ponte no rio Oiapoque e o seu abandono total.
Frente a estes dois paradigmas, tão distintos, se escondem as verdadeiras razões que impeliram o governo de Portugal proibir a entrada, no território brasileiro, do cientista Alexandre von HUMBOLDT[4] que percorreu as Américas. Evidente que foi antes da abertura dos portos em 1808. Enquanto isto cientistas russos, austríacos e principalmente franceses estavam preparando MISSÕES CIENTÍFICAS destinadas varar o território brasileiro em todos os sentidos, rumos e ritmos. MISSÕES CIENTÍFICAS  impelidas pela lógica e as necessidades  da  ERA INDUSTRIAL emergente.
Fig. 02 – O imperador NAPOLEÃO BONAPARTE jogado ao na rede de intrigas e interesses de toda espécie. O  mérito do Corso  foi reunir - ao redor desta rede - os mais disparatado paradigmas para jogá-lo no espaço imponderável enquanto cada ator de farsa cuidou e salvou a “SUA COROA, SUA TERRA e o SEU POVO”..  

Porém voltando aos fatos de dezembro de 1815 e ao complexo quadro de recomposição de uma lógica mínima após a violenta erupção da Revolução Francesa (1789-1793) e do tumultuado e agressivo império de Napoleão Bonaparte fazia emergir uma lógica nova e absolutamente imprevisível para os antigos paradigmas administrativos. As convulsões europeias serviram para fazer emergir a nacionalidades do Novo Mundo no caminho aberto pelos Estados Unidos em 1776. Esta mesma Europa está sendo convulsionada, em dezembro de 2015, por ondas de imigrantes que refluem indignados e cheios de razões das suas antigas colônias e é sacudida por sequências de atos de terror.
WEITSCH Friedrich George ( 1755-1828) Alexandre von Humboldt (1769-1859) pintura 1808 óleo 126 x 92.5 cm
Fig. 03 – Alexander von HUMBOLDT é até os dias atuais um representante da identidade europeia emergida das luzes da RAZÂO e do ENCICLOPEDISMO ILMINADO ao lado do seu irmão mais velho Johann Wilhelm Christian Carl Ferdinand, o Barão von HUMBOLDT.  Colocados e agindo na raiz da CIÊNCIA de INVESTIGAÇAO da NATUREZA os dois representam uma perfeita legitimação da “superioridade” do VELHO MUNDO. Superioridade amplamente usada e abusada para praticar um colonialismo científico, tecnológico e social. TECNOLOGIA que se se sentiu autorizada, pela CIÊNCIA do seu tempo,  a devastar, acumular e transformar da linha de montagem da ERA INDUSTRIAL e à custa da NATUREZA intocada.

A Europa que rebrotava em dezembro de 1815 no complexo quadro de recomposição de uma lógica mínima necessitava o exercício de uma RAZÂO inclusiva e capaz agregar os espíritos dos EGOS pulverizados pela violenta erupção destas individualidades e sacudidos pela Revolução Francesa (1789-1793) e do tumultuado e agressivo império de Napoleão Bonaparte. Uma destas personalidades enciclopédicas era Alexander HUMBOLDT  Testado na sua viagem, entre 1799 e 1804, pelas distâncias continentais profundos silêncios do Novo Mundo. Estava de volta ao burburinho europeu quando o seu irmão e diplomata Johann Wilhelm Christian Carl Ferdinand, o Barão von HUMBOLDT deu forma política, econômica e social  para as novas circunstâncias Certamente era alguém qualificado para traçar um novo paradigma para um equilíbrio homeostático característico.  

BRASIL em DEZEMBRO de 1815.  CORREIO BRAZILIENSE VOL. XV. Nº. 91. 4 Q  POLÍTICA.-  pp.653 - 667

Documentos Importantes relativos á Negociação da Paz Geral em Paris.
Memória confidencial do Baraõ de Humboldt, Ministro Plenipotenciario d'El Rey de Prussia, sobre as Bases da presente Paz.
A. SITUAÇÃO das Potências Alliadas, relativamente á França, ou ao Governo Francez, he tam complicada, que se faz mui essencial definílla com grande precisão. Por uma parte, ella tem evidentemente sido taõ differente em diversas epochas, no decurso dos acontecimentos desde a invasão de Napoleaõ, quando elle sahio de Elba, que naõ podemos deixar de fazer distincçoens; por outra parte, naõ temos ainda chegado ao ponto em que a França, c o Governo Francez podem ser olhados como termos synonimos.
Quando as Potências publicaram a sua Declaração de 13 de Março, ainda subsistia em França o Governo legitimo, e se achava unicamente atacado por um punhado de homens, ou, ao menos, parecia isto ser assim; porque a verdade he, que este punhado de homens nunca poderia ter derribado o tbrono, sem a indifferença com que, ao menos, grande parte da naçaõ esperava, uns com satisfacçaõ, outros com pezar e dôr, o êxito da revolução, que estava preparada. Foi entaõ que as Potências vieram a ser verdadeiramente alliadas de Luiz XVIII. A Declaração promette a El Rey de França, e á Naçaõ (que suppunba unida com elle) succorros, e somente no caso, em que esses succorros fossem pedidos. Ella suppôem um Governo independente em França, e respeita a sua authoridade. O tractado de 25 de Março foi também concebido no mesmo sentido. O artigo 18 expressa o propósito de supportar a França contra Napoleaõ, e faz mençaõ da requisição das forças das Potências por Luiz XVIII. porém, ao mesmo tempo, menciona também o auxilio, que El Rey traria para o objecto do tractado, o que suficientemente determina a applicaçaõ, que esta estipulaçaõ suppôem. Alem disto, estes tractados evidentemente tem o character de formar uma liga Europea, para a segurança da Europa, contra o estado de cousas em França, que a podia ameaçar. Este éra o seu fim essencial. O primeiro artigo falia somente disto; e este tractado he assim mui notavelmente distincto, por isso, da Declaração de 13 de Março. S. M. Christianissima naõ accedeo a esta alliança, assignando um tractado formal. Somente se pedio e se aceitou uma Nota de adhesaõ da parte de seu Ministro. Ao momento da ratificação deste tractado, se tornaram as circumstancias mui differentes. O Governo Britannico declarou positivamente a todas as outras Potências, que accedêram a esta Declaração, que elle naõ entrava em ajustes de continuar a guerra, com a intenção de impor um Governo á França. As desgraças, que tam gloriosamente se acham agora remediadas, expulsaram o legitimo Rey de seu reyno. O Governo de França foi officialmente distincto, olhou-se como cousa possível, que o   Governo naõ reassumiria os seus direitos. A alliança tomou entaõ o character de uma liga dirigida contra França, pelos alliados, para sua própria segurança. Puzéram-se os exércitos em movimento—Napoleaõ começou a guerra—o dia 18 a terminou, e os Alliados entraram em Paris. Seria deslocar todas as ideas, e mudar arbitrariamente o sentido das palavras, negar que a França éra entaõ inimiga dos Alliados, e que a parte subjugada veio a ser sua conquista. 
Fig. 04 – O fantasma e o vírus oculto de NAPOLEÂO BONAPARTE era algo real e materializado em legiões e seguidores. Seguidores que não esqueciam o ANTIGO REGIME MONOCRÁTICO onde eram servos de uma dinastia que se considerava  a si mesma como “TAUMATURGA”. Assim a situação de LUIS XVIII  sob a mesa  é  um índice de algo mais profundo. Os comensais estão no DILEMA de INTERVIR ou de OBSERVAR APENAS estes DOIS PARADIGMAS FRANCESES em CONFRONTO. O texto do Barão von HUMBOLDT tentava transformar esta CONTRADIÇÂO entre paradigmas excludentes em COMPLEMENTARIEDADE  

El Rey Luiz XVIII. naõ estava ali; elle tinha constantemente preservado todos os seus direitos, sempre imprescriptiveis: estes direitos foram reconhecidos pelas Potências, porém, de facto, elle naõ exercitava authoridade, nem tinha contribuído cousa alguma para o bom successo. Os ajustes dos Alliados, para com elle, eram o que se mostrou pelo theor e ratificação do tractado de 25 de Março, ao menos coordinado com outras consideraçoens, e naõ lhes impunha obrigaçoens absolutas. Por outra parte a França em vaõ quereria lançar toda a culpa a Napoleaõ. Ella tinha (o que be a única vista practica da questão) participado cora elle de tal maneira, que era impossivel aos Alliados separar a Naçaõ do Usurpador. Elle naõ foi tornado a collocar sobre o throno, meramente pelas bayonetas, que o cercavam, e inspirando terror; porém sim instituio um Governo, convocou as Cameras, introduzio formulas, que éra impossivel introduzir, se a vontade da maior parte do povo naõ concorresse nisso, directa ou indirectamente. Diga o que disser o partido opposto, o que elle fez em três mezes desta usurpaçaõ naõ foi meramente a obra da força. Nem mesmo se pôde dizer, que elle commetteo acto algum de rigor. Elle oppoz aos Alliados naõ um punhado de homens partidistas de sua causa, mas um exercito de quasi 200.000 homens, tirados de toda a extençaõ da França, e este exercito pelejou com coragem e   perseverança: e apenas haverá algum Francez que duvide, que, se a batalha de 18 lhe fosse favorável, elle teria podido obter mui pacificamente novos reforços para seu exercito, prolongado a guerra, feito, se os alliados o soffrecem, uma paz, e reynado como reynou antes de 1813. Immediatamente depois da tomada de Paris pelos Alliados, voltou El Rey, colocou-se sobre o throno; e as Potências Alliadas começaram a negociar com elle, foi entaõ, que se começou a estabelecer o estado das cousas, como antes da crisis; e comtudo, com duas immensas feiçoens de differença. 1. As Potências Alliadas tem tido uma terrivel experiência, e tem feito grandes sacrifícios: ellas tem visto, que o Governo Real em França naõ podia cahir pela mais temerária e precária entrepreza; que nem á idea de sua legitimidade, nem a convicção de sua moderação e brandura, nem a influencia, que exercitou em França, durante quasi um anno, pôde impedir que a naçaõ se armasse, debaixo das ordens de Napoleaõ, contra a Europa; e que sem o mui assignalado valor dos exércitos, e sem os raros talentos dos generaes, contra quem se dirigi o  primeiro encontro, facilmente teria a Europa sido outra vez submergida em uma guerra, que houvera sido taõ longa como desastrosa. Consequentemente ellas estaõ authorizadas, e, por amor de seus subditos, obrigadas a usar todas as precauçoens necessárias para evitar que se renove outro desastre simiIhante ; e as suas relaçoens com o Governo, tornado a colocar sobre o throno, devem evidentemente ser modiâcadas por este primário, e importantíssimo objecto de seu dever. A sua alliança foi sempre, desde o principio, e he agora inteiramente uma liga defensiva da Europa, contra a postura ameaçadora dos negócios em França ; e por isso deve conservar este character, e ellas devem subordinar a este fim todas as outras consideraçoens. Se estas reflexoens nos obrigam a pensar em garantias, os sacrifícios, que temos feito, requerem de nos que pensemos em indemnizaçoens. 2. Ainda que El Rey voltou, e toda a França, com poucas excepçoens, tem arvorado o signal externo de submissão ao seu poder, comtudo he apenas possivel olhar para o Rey, e para a França, como uma e mesma Potência. A authoridade Real naõ está ainda firme e consolidada, e nós ficaremos postos em uma evidente contradicçaõ; se para a fortalecer nós pouparmos á França condiçoens penosas, e enfraquecermos com isso a superioridade dos exércitos estrangeiros, que saõ agora o seu verdadeiro apoio. 
Fig. 05 – O gigantesco investimento de Alexander HUMBOLDT na sua viagem pelo Novo Continente entre 1799 e 1804 foi barrado na fronteira do território colonial brasileiro. Após esta viagem o seu companheiro e cientista francês Aimé Jacques Alexander Goujaud BONPLAND (773-1858) [1]  fixou residência na região das antigas Missões jesuíticas. Os dois aproveitaram  para estarem distantes dos momentos tormentosos políticos pós Revolução Francesa e ascensão de Napoleão Bonaparte. Porém o seu projeto era profundamente coerente com as novas ciências experimentais, as técnicas emergentes e as novas economias.

Tendo a Naçaõ tomado uma posição hostil contra as Potências Alliadas, ellas naõ podem olhar para França como se repentinamente se tivesse tornado amiga. Como os arranjamentos da paz de Paris teriam servido, se naõ fosse um feliz concurso de circumstancias, e de facto serviram a Bonaparte: as Potências naõ podem deixar de temer, na mesma proporção, que os arranjamentos, que se fizerem agora se possam voltar só em proveito daquella parte da Naçaõ, que se oppuzer outra vez aos Bourbons. As relaçoens dos Alliados com El Rey ficam outra vez modificadas pela consideração de que a duração da authoridade Real, e a submissão da naçaõ, dependem das medidas que se adoptarem. Se, depois deste esboço puramente histórico, se perguntar o que he que os Alliados tem direito de obrar a respeito da França, e de seu Governo; e o que seria mal que permittissem ; fica fácil o responder, logo que a questão se exponha de maneira conveniente. Como a causa da guerra, e o fim da alliança foi a segurança da Europa, isso deve também ser a base da pacificação; e os Alliados tem o incontestável direito de exigir da França, e de seu Governo, tudo quanto julgarem necessário para esta segurança, nem EI Rey, nem a Naçaõ podem disputar este direito. A naçaõ naõ tem direito, que possa reclamar sem El Rey; ella soffreo apparecer identificada com Napoleaõ, e foi conquistada por elle. El Rey, pelas desgraças, que lhe aconteceram, ficou fora da liga; elle pedio somente o auxilio dos Alliados, e estes somente concluíram o que tinham emprehendido; he só a elles que compete julgar do que he necessário fazer, para que naõ se exponham para o futuro aos mesmos sacrifícios.
Fig. 06 –  A viagem pelo Novo Continente entre 1799 e 1804 teve a iniciativa de Alexander HUMBOLDT. O seu companheiro e cientista francês BONPLAND (773-1858)  se credenciara, como botânico,  junto com Napoleão Bonaparte e a imperatriz Josefina. Terminado o ciclo napoleônico fixou, em 1817,  residência na região das antigas Missões jesuíticas. HUMBOLDT continuou o seu  projeto coerente com as novas ciências experimentais, as técnicas emergentes e as novas economias europeias e germânicas.  

 Pretende-se, que o direito das Potências Alliadas naõ se extende á violação da integridade do território Francez, visto que as Potências Alliadas, fazendo a guerra a Napoleaõ e seus adherentes, naõ consideraram a França como paiz inimigo, e por isso naõ podem agora exercitar nella o direito de conquista. Porém este raciocínio, que he ja defeituoso; porque naõ considera os differentes characteres, que a Alliança das Potências tem tomado, só tem apparencia de verdadeiro olhado por uma parte. He bem certo, que a presente guerra naõ devera ser, nem tem sido uma guerra de conquista. As Potências obrariam inteiramente contra os seus princípios, se ellas se engrandecessem á custa da França, meramente para tirarem proveito de suas desgraças. Porém, naõ obstante isto, a conquista existe de facto; e se a medida de diminuir os limites de França for considerada como a mais conveniente para os fins da alliança, he incontestável, que elles tem o direito de a executar. Nem o tractado de 25 de Março, nem a Nota de adhesaõ apresentada pelos Plenipotenciarios de França, nem as Declaraçoens de 13 de Março, e 12 de Maio, contém alguma promessa, directa ou explicita, das Potências, de naõ tocarem na integridade da França; elles se limitaram meramente á declaração de manter a paz de Paris, e se examinarmos attentamente os termos do lº artigo do  tractado, que he o fundamento de todas as dcclaraçoens posteriores, se verá que contém mais um mutuo ajuste dos Alliados, de naõ soffrer, que a paz de Paris seja alterada contra elles, do que uma obrigação de sua parte para com a França, de naõ mudar o que diz respeito a ella. Se o artigo tem este ultimo sentido, a restricçaõ, que se addio á ratificação, teria mudado inteiramente a sua natureza. Porém ainda quando se desejasse interpretallo assim, he indubitavel, que o comportamento da França, que, em vez de fazer uso do auxilio das Potências Alliadas para se ver livre de Napoleaõ, se armou contra ellas, lhes tem dado pleno direito de pensar somente em sua própria segurança. Em geral, nada he taõ singular como o raciocinio de que, como Napoleaõ foi tomado, acabou a guerra, e os Alliados naõ tem mais que pedir da França.
Fig. 07 – O mapa francês contemporâneo mostra a GUIANA FRANCESA cujo território é formado  por 80.000 km² onde vivem aproximadamente 200.000  habitantes. Estes  gozam todos os direitos da cidadania europeia no meio da selva tropical.. Separados do  Brasil pelo RIO OIAPOQUE, a PONTE, se inviabilizou entre dois paradigmas políticos, econômicos e sociais.  Pode-se cogitar no DILEMA idêntico dos CIDADÂOS em INTERVIR ou APENAS  OBSERVAR PARADIGMA FRANCO-BRASILEIROS no CONFRONTO

 A guerra terminará somente, quando as Potências Alliadas tiverem obtido as garantias e indemnizaçoens, que tem direito de requerer: e estas Potências com justiça exigem também da França, depois de removido Napoleaõ, pinhores de que outra tentativa os naõ forçará de novo a pegar em armas. Se as Potências, dizendo que faziam a guerra somente contra Bonaparte, e seus adherentes, separaram delle a naçaõ, esta, para se aproveitar das declaraçoens em seu favor devia separar-se delle na realidade, e naõ ficar passiva, e até mesmo pelejar pelo usurpador; devia, pelo contrario, contribuir para se livrar delle. O memorial, que deo origem a estas reflexoens, estabelece uma grande differença* entre uma cessaõ territorial, e a imposição de contribuiçoens, ainda quando seja seguida pela occupaçaõ das provincias. Porem ¿ existe tal differença, quanto ao direito ? ¿ Naõ he também sufficiente um direito de conquista, para impor taes contribuiçoens ? ¿ Naõ he todo o direito de conquista, segundo a solida theoria do direito das gentes, limitado pela necessidade de garantias e indemnizaçoens ? Se ha o poder de exigir indemnizaçoens ¿naõ haverá o direito de as fixar ou em território ou em dinheiro? ¿ E poderá dizer-se, que a França pode fornecer legitimamente uma contribuição considerável, como meio de conciliar a preservação de sua integridade territorial com o que ella deve á segurança geral, ao mesmo tempo que se mantém que os Alliados naõ tem direito de infringir aquella integridade? ¿ Como seria, entaõ, a França obrigada a fazer sacrifícios para preservar o que ninguém tem o direito de atacar? Satisfeita a questão do direito, temos agora de determinar, quaes saÕ as garantias, e indemnizaçoens, que se devem exigir da França, e que medidas he próprio, que se tomem, para que naõ fiquemos expostos a novos perigos de sua parte. Todos concordam, em que ha dous meios de obter este fim. Um he trazer outra vez e restabelecer a tranquillidade em França ; acabando o que se chama a revolução: o outro, he fazer, por differentes methodos, e de um modo temporário, uma nova balança de forças entre a França e os Estados vizinhos, para prevenir que ella ataque os seus direitos. Nada he certamente taõ saudável, e taõ necessário, como procurar a tranquillidade da França, neutralizar as paixoens, e unir todos os interesses para a conservação da authoridade legitima. Porem como a solida politica prefere o que está inteiramente em seu poder, esta empreza deve ser subordinada á outra—o estabelicimento de uma proporção relativa de força adaptada ás circumstancias; e nada que seja verdadeiramente essencial, neste ultimo ponto de vista, se deve abandonar no primeiro. O espirito publico e vontade nacional, aonde alguma existe, saõ compostos de tantos elementos differentes, que he extremamente difficil evitar erros mesmo mui grosseiros, julgando delles separadamente; e mais ainda, quando se deseja exercitar nelles uma influencia directa. 
MONFORT, Antoine Alphonse (1802-1884)_-_Adieux_de_Napoleon_a_la_Garde_imperiale no pátio do Castelo de Fontainbleu[1]
Fig. 08 – A fidelidade da GUARDA IMPERIAL para Napoleão Bonaparte e pelo qual tinha expostas as suas próprias vidas e conseguira reunir 200.000 deles para a decisiva Batalha de Waterloo era índice que os aliados deveriam considerar e neutralizar. No paradigma oposto estava a SOCIEDADE CIVIL FRANCESA que suportava este militarismo sem retorno e sem soldo. Qualquer intervenção externa poderia arruinar qualquer equilíbrio homeostático que se conseguisse pontualmente e num determinado instante.

A influencia de Potências estrangeiras naturalmente fere o orgulho nacional, e o mesmo direito de ingerência he muito mais duvidoso do que o direito de providenciar inteiramente para a própria segurança* Os Alliados tem prestado ao Governo todo o auxilio, que delles depende, para remover o seu mais cruel inimigo, espalhar e desarmar o resto; agora elle deve-se sustentar a si mesmo; porém he ainda muito mais duvidoso, se elle poderá preservar a sua authoridade e independência, e ter, por algum tempo ainda, em seu poder o offerecer á Europa uma suficiente garantia para justificar a relaxaçaõ de outras medidas de precaução e segurança. A revolução Franceza foi a conseqüência da fraqueza do Governo; e somente pôde ser terminada por um governo forte, porém ao mesmo tempo justo e legitimo. Consequentemente será difficil ver o seu fim, em quanto as Potências estrangeiras exercitarem a sua tutella sobre a França. O mais que esta tutella pôde fazer, he prevenir os crimes, em quanto ella durar; as tentativas para fazer o Governo agradável á naçaõ, ou para induzir o Governo a fazer-se elle mesmo amado, nunca produzirão grande effeito. A parte da Naçaõ, que pôde apreciar o merecimento do Governo, naõ he aquella que he susceptível de distúrbios; e aquella parte que naõ está acustumada a permanecer quieta naõ pôde ser refreada senaõ pela força da authoridade. O apoio do Governo na sua verdadeira independência será assim, por longo tempo, sugéito a serias duvidas, e o mesmo systema da presente pacificação, em que a segurança geral se deva fazer dependente daquella, ou que requeira um juizo seguro e preciso, sobre este objecto, será sugeito a grandes inconvenientes, e pôde ser chamado errôneo. Porém naõ he menos verdade, que, regulando o que a sua própria segurança requer, a preservaçaõ do Governo Real deve ser um dos primeiros cuidados das Potências Alliadas. Por conseqüência uma nova repartição das forças respectivas, como único methodo, que resta, para pôr a Europa em segurança contra novos perigos; e entre os differentes  methodos, que se podem adoptar, seja para enfraquecer a França, seja para fortalecer os seus vizinhos, o mais simples, o mais consistente, e o mais conforme ao systema geral das Potências Alliadas, se verá que he o de procurar para os Estados, limitrophes da França, uma fronteira segura, dando-lhes, como meio de defensa as praças fortes de que a França, desde que as possuio, tem feito uso, corno pontos de aggressaÕ. O engrandecimento que dahi resultaria a esses Estados seria demasiado inconsideravel para requerer novo trabalho no estabelicimento da balança da Europa, e naõ traria mudança essencial á decisão do Congresso de Vienna. He no espirito deste acto, que naõ devem soffrer ataque, nem a independência dos Paizes Baixos, nem a* da Alemanha; e esse seria o resultado de tal medida.



[1]  MONFORT https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/archive/2/25/20130519035414%21Montfort_-_Adieux_de_Napoleon_a_la_Garde_imperiale.jpg
GRANADEIRIO  PORTUGUES Horácio VERNET 1811
Fig. 09 – O reino de Portugal teve o seu território europeu invadido pelas forças a MILITARES  FRANCESAS. Porém esta invasão  contou com apoios internos importantes. De lá partiram duas divisões da GRANDE ARMADA NAPOLEÔNICA na Invasão da Rússia em 1812. Estes se fizeram notar e o pintor Vernet, representou um destes soldados vestidos com seu traje marrom . Porém esta adesão aos ideais revolucionários franceses se fez sentir entre intelectuais, políticos e especialmente entre artistas. A permanência da corte lusitana no Brasil esperava que os paradigmas antagônicos conseguissem um pacto e um contrato nacionais.

A Belgia adquiriria vários pontos importantes, a Alemanha se extenderia pelo lado do Alto Rheno, o que seria muito menos prejudicial, porque os tractados concluídos em Vienna sempre deixam uma aberta para arranjamentos entre a Áustria e Baviera, que se naõ podem realizar, senaõ á custa de alguns dos pequenos príncipes da Alemanha: e se facilitariam prodigiosamente com alguma acquisiçaõ naquella parle. A Prussia ganharia bastante em ver os seus vizinhos tam fortificados, que ella se pudesse limitar a poucos objectos, tendentes somente ao fim de completar o seu próprio systema de defeza. Naõ he meramente depois do tempo de Napoleaõ, ou da revolução, que a França tem feito tentativas para invadir a Belgia; ella as renovou sempre de tempos a tempos, e as praças, que se lhe devem tomar, tem servido de bazes ás suas operaçoens militares. 
Fig. 10 – O poeta John Christoph Friedrich von SCHHILLER (1759-1805)[1] , tento ao seu lado esquerdo  dos irmãos Alexander von HUMBOLDT e Johann Wilhelm Christian Carl Ferdinand, o Barão von HUMBOLDT (1767-1835) em companhia de Johann Wolfgang von  GOETHE[2] em WEIMER. A imagem deste momento  de encontro é ao longo dos tormentosos dias  políticos da crescente ascensão de Napoleão Bonaparte, da divulgação da Revolução Francesa e devastação da PRIMEIRA ERA INDUSTRIAL.

A Alemanha, de sua parte, he um Estado essencialmente pacifico; por conseqüência, a tranquillidade da Europa deve ganhar por esta mudança de fronteira. Alem disto as cortes de Alemanha devem achar um interesse particular, em reclamar uma parte do que se lhes tirou injustamente. Todos os outros meios de enfraquecer a França, que o memorial, de que se tracta, comprehende debaixo dos nomes geraes de garantias reaes, ainda que esta palavra (que no entanto devemos notar) naõ he propriamente contraposta á garantia moral, a qual sem duvida pôde também ser mui real, saõ ou impossíveis ou até mesmo injustos (visto que privam a França de todo o material de sua força militar, e destroem as suas fontes) ou tam complicados, que o seu mesmo emprego daria oceasiaõ a novos inconvenientes. Este defeito se pôde particularmente notar aquella medida, cuja execução o Memorial propõem definitivamente, que, depois de ter excluído, da Europa, por ley, a Napoleaõ Bonaparte, e á sua familia do throno da França (o que pareceria dar demasiada importância a um homem, que se manda para Santa Helena, e a pessoas que nunca tiveram graduação alguma senaõ por meio delle) e depois de ter posto em estado de vigor a parte defensiva do tractado de Chaumont, as Potências Alliadas tomassem e conservassem uma posição miiitar em França para o dobrado fim de segurar o pagamento de uma grande contribuição, e de ver se se consolidava o estado interior da França, e que as Potências limitrophes da França empregassem esta contribuição em fortificar as suas fronteiras por novas fortalezas, que deviam construir.
Fig. 11 – O ambiente da GUIANA FRANCESA busca unir as tradições europeias, africanas e indígenas.. Porém o controle político, econômico e social está nas mãos francesas de uma longa e ininterrupta ocupação e hegemonia  colonial.

A primeira objecçaõ, que se pode fazer contra este plano he, que, em vez de deixar quietamente o cuidado de sua própria defensa, e o de manter a tranquillidade daquella parte da Europa aos Estados limitrophes da França, se as suas fronteiras fossem reforçadas pelos pontos aggressivos do reyno; estabelece uma superintendencia prolongada das Potências Alliadas, sobre o socego exterior e interior da França, occasiona acantonamentos e marchas de tropas, e demora a vinda do verdadeiro estado de paz por um numero indefinito de annos; porque ¿ como poderá a execução do termo fixo, para o pagamento da contribuição, coincidir precisamente com o período, em que o estado interior da França possa dispensar a tal superintendência ; e por que symptomas seguros se pôde isso averiguar ? Porquanto, a supposiçaõ do memorial de que El Rey de França poderá reformar a monarchia Franceza de tal maneira, que os interesses de todas as parles se reunam em um só interesse, e que o resultado seja uma garantia moral do fim de toda a revolução »*m França, a penas se pôde realizar, e nós devemos, como em todos os negócios humanos, contentar-nos com o estado que se aproxime a isto. 
Fig. 12 – A população total da  GUIANA FRANCESA está em elevação numérica. Mas na sua totalidade não atinge o número que numerosas cidades e municípios da periferia das capitais estaduais brasileiras, como Alvorada da periferia de Porto Alegre. O temor das autoridades francesas é catastrófico deslocamento  dos refugiados do Oriente Médio e e da África do norte para a França poderia  se repetir se a PONTE SOBRE O RIO OIAPOQUE permitisse o acesso de brasileiros para este território ultramarino.

Requerendo que se empregue a contribuição na construcçaõ de fortalezas, se confundem as ideas de garantias e de indemnizaçoens, c se estabelece uma evidente desigualdade entre os Alliados, visto que os Estados limitrophes da França saõ somente os que carregam com este pezo. Também naÕ pode, em geral, ser um meio de preservar paz, o oppor fortalezas; e seria mais simples dar áquellas, que formam, por confissão do mesmo memorial, uma linha immensa, e ameaçadora, aquelles estados, que saÕ ameaçados por ellas, e cujas disposiçoens pacificas naõ entram em duvida, deixando antes á França o cuidado de construir novas. Eda conservaria ainda áquellas, que ficam mais para o interior de seu reyno. A segunda consideração he, pela mesma França e authoridade Real. A cessaõ de fortalezas e de território he uma sorte a que todos os Estados estaõ sugeitos; he uma ferida dolorosa; porém depressa se cura e se esquece —mas naõ ha nada tam humilhante, especialmente para uma naçaõ ebriegada, como justamente lhe chama o Memorial de que se tracta, com orgulho e amor próprio, do que a prolongada presença de tropas estrangeiras dentro de suas fronteiras. Por mais precisos, que sejam, os regulamentos, e por mais estricta que seja a sua execução, devem sempre resultar causas de disputas, que somente deixam ao Governo a escolha entre a condescendência, que fere o orgulho nacional, e o perigo de se querellar com as Potências Alliadas. He também inevitável, que as provincias occupadas soffram consideravelmente; que os habitantes fiquem descontentes; que se façam queixas diárias, as quaes inevitavelmente se voltam contra o Governo; a elle se imputará naÕ somente o ter comprado por este arranjamento a sua volta para França, mas também que elle he a causa de prolongar este estado, para fazer uso das tropas estrangeiras em seu apoio; e assim ficará infinitamente mais impopular por esta medida, do que pela da cessaõ, que sendo uma conseqüência imraediata da guerra pode ser imputada a Bonaparte. A terceira objecçaõ, e talvez a mais importante de todas he, que o remédio proposto naõ offerece verdadeira garantia; pelo contrario tem o defeito de naõ tirar á naçaõ Franceza os principaes meios de aggressaõ, e de a irritar e exasperar ao ultimo ponto. Em vaõ se objectará, que a França, depois de pagar todas as contribuiçoens, naõ poderá munir-se de todos os materiaes necessários para a guerra. A Prussia tem mostrado ao que levaria similhante arranjamento, e a que estado, ainda quando parece privado de todos os meios. 
Fig. 13 – O indígena da GUIANA FRANCESA apresenta uma economia que também é protegida pelo bloqueio da nova ponte sobre o Rio Oiapoque. No estágio do coletador  e da caça e pesca primitivas oferecem poucos atrativos para as trocas da ERA INDUSTRIAL e nuito menos para  PÓS-INDUSTRIAL    

Tirar á França todas áquellas de suas fortalezas, que ameaçam seus vizinhos, he a única garantia solida, que se pôde obter. Sem isso, nem o Governo, nem a Europa estariam seguros de outra explosão. Quando chegasse o momento da evacuação, que deve por fira chegar, visto que a occupaçaõ permanente por tropas estrangeiras, posto que o Memorial a mencione entre as garantias reaes, apenas offerece idea practica, os Estados vizinhos naõ teriam entaõ outra alguma vantagem mais do que as suas novas fortalezas; ao mesmo tempo que a França conservaria as suas, e faria a guerra com toda a energia que lhe daria o orgulho nacional humilhado, e a pobreza causada ou augmentada pelo pagamento das contribuiçoens.
BELL, Stephen – A LIFE IN SHADOWN  Aimé Bonapland (1773-1858) in Soutern Sout Ameeica (1817-1858) Stanford-California: Stanford University Press, 2010   315 p. ISBN 978-0-8047-5260-2
Fig. 14 – O irrequieto companheiro e cientista francês Aimé Jacues Alexnder Goujaud BONPLAND (1773-1858) não sossegou na Europa pós-napoleônica.  Em 1817 estava iniciando outra vida nas Américas Incompreendido por um paradigma que estava se libertando do jugo colonial europeu foi muitas vezes apontado como uma  “PERSONALIZAÇÃO das FRUSTRAÇÕES COLETIVAS” destas novas soberanias nacionais mas profundamente presas ainda aos hábitos, condutas e juízos coloniais europeus. Paradigmas e sistemas antagônicos não possuem nada para conversar e interagir.    

 A passagem do Memorial, relativamente á garantia, que se deve offerecer á França, no caso da occupaçaõ, naõ he taõ clara, que se possa formar delia juizo. Porém he mui duvidoso, se a mera circunstância de as tropas occuparem uma posição militar em França, poderia socegar os espíritos da naçaõ, quanto á restituição do território occupado. Alem disto seria difficil, que as Potências estrangeiras, habituadas a seguir constantemente taõ perfeito systema de igualdade, quizessem renunciallo em ura caso taõ importante. Conforme a estas consideraçoens uma cessaõ territorial, que especialmente se applica ás fortalezas, e tendente só a fortalecer as fronteiras dos Paizes Baixos, da Alemanha, e da Suissa, como garantia, e uma contribuição como indemnizaçaõ, parece que he o que preencheria melhor as vistas das Potências Alliadas, e o fim de sua Alliança; por quanto colocaria El Rey em melhor posição, para reasumir com independência as rédeas do Governo; evitaria outro sim a irritação das naçoens, que naturalmente se originaria da prolongada presença das tropas estrangeiras, e do demasiado próximo Contacto, com os alliados nos primeiros annos; e, se, apezar disto, acontecesse nova guerra com a França, poria os Estados vizinhos em situação de fazer uma resistência suficiente, sem se esgotarem com excessivos esforços. Quanto á linha que se deve seguir agora, incontestavelmente he a que o Memorial descreve. " Concordar sem demora nas garantias e indemnizaçoens, negociar com o Governo Francez, e concluir um tractado entre a França e os Alliados;" he isto matéria de grande urgência, e o único caminho, que se pode seguir.
Fig. 15 – O abismo entre a CIÊNCIA FRANCESA e BRASILEIRA é gritante e se aprofunda num ritmo desalentador. O Brasil - sem acesso ao ESPAÇO EXTERNO como usuário cativo da INFORMATICA e distante da vanguarda da pesquisa de ponta da BIO TECNOLOGIA - não possui nada para falar e reivindicar da GUIANA FRANCESA. Assim a PONTE SOBRE O RIO OIAPOQUE é mais uma das muitas metáforas destes paradigmas estranhos a um e ao outro.

O paradigma para um equilíbrio homeostático característico destas novas circunstâncias traçado  pelo saber e personalidade enciclopédicas era Alexander HUMBOLDT reconduzia ao mínimo do exercício de uma RAZÃO. Porém  sua longa viagem pelo Novo Mundo Novo entre 1799 e 1804, só reforçou e cimentou a sua visão eurocêntrica. De fato estava nascendo o colonialismo europeu do século XIX. O século XIX europeu  recortava o planeta sólida base industrial. O acúmulo de matérias primas, de técnicas, de capitais e de mão de obra necessitava recortar territórios para despejar, comercializar e fazer circular os produtos das linhas de montagem cada vez mais rápidos e eficientes.
Certamente o elogiou ao estado prussiano e ao “pacifismo” germânico do Barão von HUMBOLDT soa coerente com este projeto eurocêntrico. Na prática posterior os paradigmas prussianos e os franceses em confronto um com o outro não tiveram nada a conversar em muitos momentos da história. Quando tentaram forçar o diálogo brotava a guerra, a lógica dos canhões e tentativa de abater o oponente  pelas baionetas. O  legado dos dois irmão continua por meio da Universidade HUMBOLDT

Caso fosse dado a Hipólito José da COSTA acordar,  em dezembro de 2015, certamente ele se encontraria no meio dos alaridos dos migrantes, dos tiros dos terroristas e de ruídos eletrônicos sem fim. Certamente, no meio destes ruídos, burburinhos, profundos silêncios e distâncias continentes seria difícil, para ele ou qualquer outro, distinguir a EXISTÊNCIA  e reconhecer no BRASIL um AUTÊNTICO “espirito público e vontade nacional”.

FONTES NUMÉRICAS DIGITAIS
Aimé Jacques Alexander Goujaud BONPLAND (773-1858)  in
BELL, Stephen – A LIFE IN SHADOWN  Aimé Bonapland (1773-1858) in Soutern Sout Ameeica (1817-1858) Stanford-California: Stanford University Press, 2010,  336 pp..
ISBN 978-0-8047-5260-2

 Personagem de LUIZ ANTÔNIO ASSIS BRASIL

CORREIO BRAZILIENSE DEZEMBRO de 1815 e MEMÓRIA do BARÃO von HUMBOLDT


GUIANA FRANCESA – História

GUIANA FRANCESA ESPACIAL em dezembro de 2015

DEZEMBRO de 2015: ponte BRASIL OYAPOQUE



PONTE do OIAPOQUE a ser INAUGURADA em JULHO de 2017

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sábado, 7 de novembro de 2015

127 – NÃO FOI NO GRITO.

Em novembro 1815, como em 2015,
É PÉSSIMA a CORRUPÇÃO dos ÓTIMOS. 
Francis-Auguste BIARD (1799-1882) A venda de escravos[1]
Fig. 01 – ¿ O que se poderia esperar da  economia brasileira movida pelo braço escravo e sob o jugo colonial? Esta ECONOMIA BRASILEIRA  de fato não existia. Economia a mercê do colonizador que, por sua vez, devia até as caças aos ingleses. Era  movida a escambo e trocas de favores. O primeiro Banco do Brasil teve os seus fundos raspados quando a corte voltou para Lisboa.   

“Não basta adoptar um bom sistema; é, também, preciso não destruir a sua bondade pelo mau modo da execução”.
 CORREIO BRAZILIENSE – Novembro de 1815 p. 631

Em novembro de 1815 a ECONOMIA LUSO-BRASILEIRA tinha razões e desculpas para ser precária e estrar estraçalhada. Afinal sempre havia a desculpa de que o território português havia sido invadido fisicamente três vezes pelas tropas napoleônicas. O Brasil Colônia havia realizado um esforço para acolher uma corte que não tinha nada a oferecer além de ser um peso econômico, social e político.
Porém em novembro de 2015 ¿Qual a calamidade a ser invocada para a ECONOMIA BRASILEIRA continuar os mesmos sintomas de uma invasão ou de uma guerra?
As pessoas que ocupam os cargos públicos podem ser certamente, boas ou más eventualmente. Mas se o sistema for mau - e/ou for corrompido ou distorcido - todos os esforços serão constantemente maus, corrompidos distorcidos e quixotescos. “A corrupção dos ótimos, é sempre péssima” sentenciavam os latinos.
Johann Moritz RUGENDAS (1802-1858)- COLÔNIA SUIÇA  desenho 22.4 X 31.5 cm –in  LIMA fl 110
Fig. 02 – Por mais que os esforçados suíços tentassem se fixarem numa floresta tropical, eles eram devorados por uma terra e um clima completamente diferente de sua origem. Porém a origem do fracasso estava no sistema colonial e servil brasileiro que os cantões tinham ultrapassado e definitivamente enterrado sob a ação lendária de Guilherme.. No Brasil eles não passavam de mais um “QUILOMBO BRANCO” no mato tropical e um quisto politico, econômico e social incômodo ao  sistema colonial.

A calamidade latente - em novembro de 1815 – é o sistema subliminar do colonialismo requentado e a vigência da servidão voluntária, ou imposta, em novembro de 2015, por eficiente arsenal numérico digital. Esta servidão e este colonialismo criam o cenário perfeito e completo para o texto do:
CORREIO BRAZILIENSE – Novembro de 1815 VOL. XV. Nº. 90. 4 N  Miscellanea pp. 629 - 634.  Reflexõens sobre as Novidades deste Mez. BRAZIL.

No nosso N°. passado fizemos algumas observaçoens, sobre as finanças do Brazil, que se deduziam naturalmente do projecto sobre o melhoramento das Rendas Publicas, e Contas de Receita e Despeza do Brazil, que demos com alguma exactidao. O Leitor nos desculpará, sem duvida, o tornar a fallar n'esta matéria, sempre que reüicta na sua grande importância. Tem sido sempre a nossa opinião, n'este objecto, que, para haver unidade de operaçoens, se requeria a unidade do Erário; isto he, devia haver uma só administração de Finanças, posto que distribuída em varias repartiçoens. 
Fig. 03 – Sebastião José de Carvalho e Melo (1699-1782)  - Marques de Pombal -encarnou a figura lusitana do “EU SOU O ESTADO” no cargo de  1º  Ministro de Dom José I. A sua figura e pessoa marcou o apogeu  monocrática e centralista. Neste papel  encarnou  a tentativa portuguesa de ingresso na lógica da ERA INDUSTRIAL. Porém restava-lhe uma sociedade e uma economia sem a menor disposição em dar este passo ruma a uma mudança substancial no modo de pensar e agir. Porém a esta ação do Marquês sobreveio o dilúvio da “VIRADEIRA” refugiada sob o trono e o manto da rainha Maria I. Ao longo desta “VIRADEIRA” a economia do  Brasil teve a proibição de qualquer indústria pelo alvará real de 1785.

Quando o Marquez de Pombal reduzio a systema o chãos, em que se achavam as finanças de Portugal, admittio plenamente o nosso principio, de fazer uma só administração do erário; conhecendo mui bem quam importante éra esta unidade, e quam perniciosas conseqüências se seguiam das administraçoens de almoxarifados separados, como até entaõ tinham existido. Mas o Marquez de Pombal julgou que convinha ás suas ideas de despotismo, fazer independentes as quatro repartiçoens on contadorias, em que distribuiu a Repartição do Erário; de maneira que, o Chefe de cada uma das Contadorias nunca po. desse saber os resultados geraes das outras três Contadorias; havendo simplesmente quatro pessoas, que sabiam o balanço  total do Erário; que eram o Escrivão, o Thesoureiro-Mor, o Marquez de Pombal, e El Rey. Nada seria tam fácil no Brazil, como estabelecer as differentes Contadorias nas diversas Capitanias do Brazil: e, ainda que se quizesse seguir o mesmo systema de segredo, este arranjo, longe de impedir, facilitaria o methodo de precaver as communicaçoens, entre uns Contadores e outros. Posto que nos reprovamos este systema de segredo, porque elle serve de encobrir as fraudes, e de causar desconfianças no publico, que saõ sempre contra o credito do Erário, e muitas vezes contra a reputação dos indivíduos, dando logar a calumnias, e imputaçoens, que, ainda mesmo quando injustas, se naõ podem justificar, nem refutar, continuando o systema de segredo.
Segundo a nossa opinião, da estabelecer as contadorias nas diversas Capitanias, he indispensavelmente necessário, que os livros de contas sejam escriptos em formulas impressas, para estabelecer a unidade de systema; e fazer intelligiveis os mappas geraes, que as Contadorias devem remetter ao Erário da Capital. 
Fig. 04 –  O mérito da  passagem lenta e progressiva do regime totalitário monárquico lusitano para um regime constitucional pode ser atribuído ao regente e depois rei Dom João VI. Regime constitucional que despertou e permitiu a progressão no Brasil de uma elite que conferiu e implementou outro paradigma econômico, jurídico e social qu buscava restabelecer as conexões com a sociedade civil organizada. Evidente que esta sociedade civil organizada excluía 99% da população que provinha dos hábitos do sistema colonial. Porém era um passo para a inclusão de outra categoria num governo monocrático e centralizado nas mãos da nobreza de sangue.

A consideração mais importante, depois da escripturaçaõ dos livros, he o modo da cobrança dos direitos, e do pagamento das despezas. Isto parece-nos que se podia fazer com toda a facilidade, sacando o Erário letras sobre as Contadorias, qne tivessem menos a pagar do que a receber; ou recebendo dellas letras no caso opposto. 
Johann Moritz RUGENDAS (1802-1858)[1]: vista do Rio de Janeiro a partir da Igreja São
Fig. 05 –  Um apanhado da visual da população do Rio de Janeiro na passagem do regime colonial para a soberania brasileira.  É  expressiva a presença militar e eclesiástica que eram classes sustentadas e base do poder monocrático e centralista do regime colonial e escravocrata. Outra categoria social e aquela dos mercadores que vendiam produtos importados viam marinheiros. Raros e isolados são os indivíduos que exercem uma atividade manual o que carregam algum peso com as mãos além dos brinquedos infantis.

He verdade que a falta de Banqueiros, no Brazil, embaraçaria ao principio estas operaçoens; mas, continuando a respeitar-se, como se deve, o credito do Banco do Rio-de-Janeiro, elle acharia meios de fazer circular as letras do Erário, por meio de Negociantes, sem que dahi resultasse nenhum incommodo ao Governo, e sem que fosse necessária outra despeza, mais do que os lucros do juro, que produziria para o banco o dinheiro nelle depositado, para os pagamentos das despezas publicas. Nas differentes Capitanias poderia o Banco do Rio-de-Janeiro estabelecer os seus correspondentes, em cujas maõs se depositasse todo o dinheiro cobrado dos impostos, ficando o mesmo Banco responsável pela segurança da somma, negociando, entretanto, com ella, como bem lhe parecesse. Deste methodo se segue, a grande facilidade de se sacarem e pagarem as letras de umas Capitanias a outras, e de reduzir a mui poucos os escreventes, e officiaes das contadorias; porque quasi toda a escripturaçaõ viria a ser feita pelo Banco, ou por seus agentes. Parece-nos que os lucros do Banco, resultantes da circulaça5 do dinheiro publico depositado em suas maõs, seria suficiente compensação, pelo trabalho e despezas da escripturaçaõ; e quando naõ fosse; o credito que deste deposito resulta ao Banco, juncto com alguma remuneração pecuniária, ou algum privilegio, que naõ fosse oneroso aos demais cidadãos, seriam motivos mais que bastantes, para induzir o Banco a tomar sobre si este trabalho; obrando, para assim dizer, como Caixa do Governo.
Johann Moritz RUGENDAS (1802-1858): colheita de café no Rio de Janeiro
Fig. 06 –  Os arredores do  Rio de Janeiro foi o ponto de partida da plantação, colheita e beneficiamento rudimentar do café. O seu cultivo iniciou com mudas contrabandeadas da Guiana Francesa. A sua exploração como monocultura avançou pelo Vale do Paraíba, gerando os “BARÔES do CAFÈ” com seus feudos rendosos que alavancaram a transformação da cidade de São Paulo como rival do Rio de Janeiro. O regime republicano foi proclamado outra oligarquia concorrente dos produtores do café e não nobres que espalhou no interior paulista e com um forte núcleo econômico, político e social centralizado em Itú.

 Quando propomos uma compensação ao Banco por este trabalho, suppomos, absolutamente, que os ajustes sejam feitos com a publicidade necessária, para evitar as combinaçoens, fraudes, e incommodos públicos, de que todos os monopólios saõ susceptíveis, como a experiência tem amplamente mostrado, no chamado Contracto do Tabacco, e outras similhantes fontes da miséria publica de Portugal. Anda traduzida em Portuguez a Historia do Banco de Inglaterra; a ella referimos o Leitor, como a exemplo digno de imitação; e ali se poderão achar os fundamentos, em que se apoiam as ideas que temos snggerido: porquanto, naõ basta adoptar um bom systema; he, também, preciso naõ destruir a sua bondade pelo máo modo da execução. Assim, ainda que o Governo se valesse do Banco do Brazil, para as operaçoens que temos indicado, viria a perder as vantagens, que meditamos, se as comprasse á custa de remuneraçoens pezadas ao Erário Regio, ou privilégios de sua natureza odiosos á nação, ou honras gratuitas aos Banqueiros, que ficam muito além dos seus serviços, como Negociantes, e que, portanto, vilipendiam as dignidades, e ridiculizam o indivíduo, que as recebe sem as merecer, pela natureza do emprego em que se occupa
CORREIO BRAZILIENSE – Novembro de 1815 VOL. XV. Nº. 90.p. 595
Fig. 07 –  Na pauta de exportações brasileiras para Londres o café constava, em novembro de 1815, como procedente da província do Rio de Janeiro. Evidente é uma pauta tímida diante do agro negocio brasileiro de novembro de 2015. Porém são produtos primários agrícolas e alguns poucos “commodities” que entram como insumos para uma era industrial que havia sido proibida no Brasil, em 1785,  pelo alvará de Dona Maria I. 
[Clique sobre o gráfico para poder ler]  

Naõ compete, seguramente, a uma obra da natureza deste  periódico, entrar na exposição miúda de todas as partes do systema de finanças que recommendamos, por ser incompatível com os limites do nosso papel: porém, a recapitulaçaõ do que temos dicto se reduz a estes fáceis princípios—primeiro, estabelecer a unidade do Erário por meio de uma Administração Central na Corte, e nas Contadorias respectivas nas Capitanias, usando-se, em toda parte, de formulas impressas, tanto para as contas parciaes, como para os mappas dos resultados geraes; segundo, fazer as remessas de umas Capitanias a outras por meio de letras, e serem estas saccadas, acceites, e pagas pelo Banco do Brazil, e por seus correspondentes nas Capitanias. 
CORREIO BRAZILIENSE – Novembro de 1815 VOL. XV. Nº. 90.p. 649
Fig. 08 –  As reclamações  e os gastos ostentados pelas comunidades locais do território lusitano eram imensos. A nobreza local não tinha outro recurso a não ser esperar os recursos do trono do Estado monocrática, centralistas e provedor. No sentido contrário as portas das informações industriais dos livros,  jornais e das trocas comerciais estava gerando uma burguesia local que buscava e estava afinado com um outro contrato proveniente de regime constitucional. Sem recursos próprios este trono estava afundando cada vez mais em empréstimos com agiotas e com bancos que continuavam a hipotecar todas as potenciais e eventuais fontes econômicas lusitanas e das suas colônias.
[Clique sobre o gráfico para poder ler]   

A personalização dos cargos e a reprodução dos hábitos monocráticos afetam e paralisam a ECONOMIA. Cada nobre criava a sua corte, seu feudo, os seus contratos e as suas leis próprias. O Estado lusitano monocrático e centralista estava carente de uma constituição nacional, portanto, na impossibilidade de um contrato. O que ligava a nobreza ao seu soberano eram vagas promessas de fidelidade. Porém longe da corte em terras estranhas estes laços eram facilmente ignorados, trocados por quimeras e permitiam toda sorte de procrastinações. Evidente que não havia nenhuma possibilidade de Economia ou controle de gastos e finanças nestas vagas promessas de fidelidade da nobreza ao seu soberano.
Embaixada para Roma.
Nunca suppozémos que a Corte do Brazil conseguiria fazer sahir de Londres o Conde de Funchal, com a expedição que no Rio-de. Janeiro se meditava: a experiência do passado, no modo porque elle se oppoz as Reaes ordens na administração dos Contractos Reaes, que pertencia aos Agentes do Banco, e em tantos outros exemplos, devia bem convencer os Ministros do Brazil de que, se o Principe Regente dá ordens em sua Corte, também o Conde de Funchal aqui governa a sua semana. O successor, que lhe nomearam, entrou no seu lugar em 12 de Abril passado; he decorrido Novembro, e as ordens de S. A. íi. ainda estaõ por executar. Depois disto, desejariamos ver a que se chama na Corte do Brazil desobediência ás ordens Regias, se um desprezo formal desta natureza passa sem que delle se tome conhecimento. Dizem-nos que, no tempo em que o Conde de Funchal esteve na Villa de Cheltenham, durante o verão passado, se divertira bastante na companhia de My Lord Strangford. Quanto ao divertimento, que S. Ex". teria, naõ duvidamos que lhe fosse mui agradável, por ser aquella terra urna daquellas em que, na Inglaterra, concorre mais companhia no tempo de verao, para se divertir; porém, quanto á utilidade, naõ julgamos que o seu amigo possa prestar-lhe protecçaõ bastante, para compensar os males que resultarão da demora, quando chegar o tempo do ajuste de contas. Salvo se, em conseqüência da boa harmonia, que reynava entre Lord Strangford e o Ministério do Rio-de-Janeiro, ao tempo da retirada daquelle Enviado, a Corte do Brazil ordenou ao Conde de Funchal, que lhe fizesse todos os cumprimentos públicos, que o Lord delle recebeo em Cheltenham.
Enquanto a legalidade da escravidão colonial brasileira estava sendo atacada por tratados, leis e medidas genéricas, na prática clandestinidade e os mecanismos práticos estavam se entranhando em hábitos tanto dos proprietários e gerações de escravos. Proprietários profunda e radicalmente dependentes do TRABALHO do OUTRO e que não podiam viver e ganhar o seu sustento com o trabalho de sua próprias mãos. Escravos que não podiam dispor do seu próprio corpo e não tinha menor oportunidade para deliberara e decidir sobre o seu presente e seu futuro. Esta dupla heteronomia era fatal para qualquer projeto de soberania política, econômica e social do Brasil. Nesta armadilha o escravo não se liberta a si mesmo como o seu proprietário esta impedido de libertar os seu escravo. 
Fig. 09 –  Uma cena do  COMÉRCIO HUMANO registrada pelo artista francês Jean Baptiste Debret mostra algo que estes europeus não podiam mais imaginar nos seus países e cultura de origem.  A ECONOMIA  BRASILEIRA estava alicerçada  nesta concorrência provinda de mão de obra escrava. Estes países tinham uma população cada vez mais instruída e exigente e cujo trabalho tinha de ser pago a altura destas aspirações. A abolição da escravidão foi um dos temas levados ao Congresso de Viena. Contraditoriamente o tráfego de escravos era uma das fontes mais promissoras dos armadores europeus cujos navios cobravam alto pedágio para cada cabeça escrava que podia entregar na América. Recebiam em dinheiro vivo.

Commercio da Escravatura.
A p. 570, deste N°. achará o Leitor acnunciaçaõ authentica do Tractado concluído em Vienna, sobre o Commercio da Escravatura do Brazil. Nos tínhamos já fallado sobre este negocio, em outros números do nosso Periódico, dizendo sempre o menos que podemos, pela dificuldade da matéria, e pela decidida opinião, em que estamos, de quam injusto he este commercio em carne humana, e de quam perniciosas saõ as suas consequencias para a prosperidade do Brazil: visto que, fiados os Braziüenses nesta factícia e estranha população dos negros, se descuidam de fomentar a população com pessoas infinitamente mais úteis do que jamais o podem ser os negros de África. Tocamos, porem, outra vez nesta matéria, simplesmente para notarmos a cláusula das 300,000 libras esterlinas que se estipulam no tractado, e que devem ser applicadas para pagamento dos indivíduos, cujos navios ou propriedade tivessem sido tomados em conseqüência de traficarem em escravartura. 
LIMA, Renata Azevedo. Conflito de Terra e Quilombos - Niterói: Instituto de Filosofia e Ciências Humanas UFF – Dissertação  2013 - fl.131
 Fig. 10 –  O preço pago pelo escravo era uma das fontes mais promissoras dos armadores europeus. No Brasil lhes aguardava um mercado comprador com taxas e preços fixos.  Cada cabeça escrava era uma “peça” a ser negociada diante de cálculos de custos e lucros a auferir desta transação humana. Os negócios eram em dinheiro vivo. O prestígio vinha do número estas “peças”.
 [Clique sobre o gráfico para poder ler]  

Temos a segurança, de mui boa parte, de que aquella somma he suficientemente ampla para compensar todas as perdas, segundo a lista authentica das reclamações, apresentada por ordem da Corte do Rio de-Janeiro. Sem entrar na discussão minuciosa do modo por qne se obteve esta suficiente compensação, podemos, com tudo, dizer, sem receio de indiscrição, que he este outro exemplo do bom manejo das negociações em Vienna, da parte dos Plenipotenciarios Portuguezes. 
Fig. 11 –  O mérito das experiências das ondas imigrantes devia-se a crescente industrialização europeia e das sobras de mão de obra rural, arruinada pelas recentes guerras napoleônicas e das populações obrigadas a abandonar o obsoleto sistema feudal e de quem eram servos multisseculares. Porém os sucessivos fracassos das colônias destes deslocados de suas terras de origem mostrava que não bastava  um simples deslocar de atmosfera e terras. Assim foi um redondo fracasso a colônia suíça do Cantagalo com depois foi no Espírito Santo.

Em conclusão basta percorrer e dar uma atenção mínima aos noticiários e os fatos, de novembro de 2015, para encontrar as raízes latentes das calamidades de novembro de 1815. A permanência do sistema subliminar do requentado colonialismo e dos surtos da servidão voluntária ou imposta. Mudou a aparência e a forma. Esta servidão e este colonialismo criam o cenário perfeito e completo para os dias atuais. Agora fazem parte central e comandam o eficiente e atrativo arsenal numérico digital. E viva os espelhinhos eletrônicos: existem mais aparelhos celulares, no Brasil, em novembro de 2015, do que pessoas[1]!. Para as operadoras multinacionais, evidente, que “não existe almoço grátis”. Elas retornaram ao Brasil com toda força e carga sob outra aparência e forma.

FONTES NUMÉRICAS DIGITAIS da presente POSTAGEM.

CORREIO BRAZILIENSE – Novembro de 1815 VOL. XV. Nº. 90.

LIMA, Renata Azevedo. Conflito de Terra e Quilombos - Niterói: Instituto de Filosofia e Ciências Humanas UFF – Dissertação  2013 140 fls
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