segunda-feira, 4 de março de 2013

NÃO FOI no GRITO 070.


BRASÍLIA no HORIZONTE de 1813

A CAPITAL no INTERIOR.

Fig. 01 – A localização geográfica de Brasília, em pleno cerrado, marcou, de forma definitiva, a ocupação do Brasil Central. Não havia interesse da corte de Lisboa nesta ocupação do interior brasileiro a não se em lucros imediatos e vultosos como efêmero ouro de aluvião. O efetivo projeto de interiorização da capital nacional teve de esperar 143 anos até a iniciativa de um ex-governador de Minas Gerais para dar corpo físico a este projeto que o Correio Braziliense sustentava em março de 1813.

Uma cultura ou uma pessoa torna-se histórica na medida e na proporção dos projetos que é capaz de criar, manter e reproduzir ao longo do tempo. O caso contrário é entregara-se á correnteza do tempo da Natureza que a tudo arrasta e destrói sem a menor alma..

Assim surpreende encontrar no número de março de 1813 do Correio Braziliense a sustentação articulada e as vantagens de ter a sua capital onde se originam as suas bacias fluviais tipicamente nacionais.

É verdade que em março de 1813, o tempo das ‘bandeiras’ já ia longe e o ouro está reduzido á uma expressão inexpressiva.  O Planalto Central estava entregue à expansão e exploração da pecuária anterior aos alambradores. A exploração agrícola intensiva teria de esperar a implantação efetiva de Brasília.

Fig. 02 – As diversas ‘bandeiras’ que partiram de São Paulo eram inicialmente exploratórias e para escravizar o indígena. Com o movimento e resistência dos Tamoios elas se voltaram para a busca do ouro e depois para a formação de centros de criação de gado.

  O editor do Correio Braziliense inicia, no seu número de março de 1813, as suas reflexões a partir de uma tímida noticias de um periódico impresso do Rio de Janeiro.  Assim nas suas “Reflexoens sobre as novidades deste mez: BRAZIL” (Nº 056, pp. 373-376) escreveu:

“Na gazeta do Rio-de-Janeiro de 2 de Dezembro do ano passado, achamos o seguinte annuncio.  "Saiu à luz Carta Regia de 5 de Septembro 1811, para o Governador e capitão General de Goyaz; aprovando o plano do estabelecimento de uma-sociedade de commercio, entre a dicta Capitania, e o Pará; concedendo vários privilégios aos accionistas; e dando varias providencias sobre a civilização dos Índios mansos, e a respeito das naçoens Carajá, Apinagi, Chavante, Cherente, e Canoeiro; como também sobre a navegação, dos rios Tocantins, e Maranhão, Ac, vende- se casas do costume a 240 reis.".

Fig. 03 – Os brasileiros começaram a tomar conhecimento empírico do seu potencial a partir de São Paulo de Piratininga e das margens do Tiete que apontava para o interior do Brasil. Este movimento exploratório não tinha ajuda, de financiamento ou de orientação científica lusitana. Apenas existia um controle legal de Lisboa e intervenções quando interessava à corte.

O projeto de qualquer nação é ter o seu Estado soberano e o seu território físico geográfico com fronteiras definidas. Ainda que o projeto de Hipólito José da Costa fosse um império lusitano ao modelo Commonwealth britânico. Porem seguia contraditoriamente o modelo ele defendia interiorização da capital o que certamente tiraria esta capital do controle marítimo lusitano. Os Estados Unidos haviam colocado a sua nova capital em Washington longe dos canhões das naves britânicas feito com a dominação marítima inglesa.



Supposto que nos naõ tenha ainda chegado á maõ (graças aos bellos arranjamentos do correio no Brazil) a carta Regia de que aqui se tracta; e que, portanto, naõ possamos formar opinião sobre a conveniencia ou disconveniencia do plano com os seus objectos; com tudo, naõ hesitamos em louvar a medida como de grande utilidade.

Persuadidos como nós estamos de que o commercio externo do Brazil naõ pôde ter bazes mais seguras do que o mesmo commercio interno daquelle paiz; e que os innumeraveis rios, que banham aquelle fértil território, offerecem as maiores facilidades á exportação dos productos do interior; naõ podemos deixar de alegrar-nos com todas as medidas tendentes a estes fins; e tal consideramos a que achamos annunciada neste extracto da gazeta do Rio-de-Janeiro, que acabamos de copiar.


ALMEIDA JÚNIOR (1850-1899) estudo da “Partida da Monção”,  1897 – Óleo sobre tela 74 X 119 cm
Fig. 04 – A ocupação do Brasil Central não feito a partir dos portos do mar.. Também não contava com subsídios da metrópole.. Este poder só se interessou na medida em que podia cobrar o quinto do ouro que eventualmente estas temerárias bandeiras descobriam. Há de se destacar a figura do filho das indígenas com o descendente de lusitanos. Estes semi índios, sabiam preparar alimentos e dominavam a língua geral (Avanhenga) que permitir permanecer em movimento ao longo de anos a fio sem dependerem do ponto de sua origem.

A conquista do interior brasileiro exigia um projeto nacional continuado e com conexões com bolsões culturais forjadas ao longo do Regime Colonial e coerentes com este interior.

A gazeta da mesma cidade, de 16 de Dezembro passado, noticia também, que tanto a navegação do rio Belmonte, como a nova estrada aberta pela sua margem, vaõ sendo mui freqüentadas; e que no mez de Outubro subira para Minas Novas o Capitaõ Jozé da .Silva Mariz, c descera para Mugiquicaba o Capitaõ Jozé Pacheco Rolim, conduzindo um grande comboy de cargas d'algudaõ ; e alem disto, que aquella navegação cada dia se torna mais segura, fácil, e comoda.

Os Brazilianos nos permittiraõ lembrar-lhe, ao mesmo tempo, que louvamos estes seus esforços para o melhoramento do Brazil; que elles conservam obstáculos à sua prosperidade, que retardarão infinitamente os progressos da civilizaçaõ, e da agriculutura, e commercio interno. E, por agora, faremos mençaõ de dous. Um he, a má escolha da sede do Governo; outro a falta de população, popria e conveniente áo estado actual do Brazil-


Fig. 05 – Milhões de romances como o de Diacui, índia calapalo, e de  Aires Câmara da Cunha se produziram no Brasil desde o tempo de Pero Vaz Caminha que já elogiara as formas femininas e a desenvoltura das indígenas encontradas na costa Brasileira. O português não tinha títulos nobiliárquicos como o castelhano e assim não tinha objeções a esta miscigenação de etnias. Porém as barreiras entre as duas civilizações e regulavam não só a reprodução, mas continuava nas crenças, mentalidades, tabus e hábitos de toda natureza.  A  mãe indígena alimentava, educava e ensinava a sua língua ao filho e o entregava ao pai lusitano que aprendia com este rebento da terra todos os segredos que lhe permitiam lançar-se na ocupação do Brasil Central. Este filho indígena ensinava ao pai lusitano a comportar-se sem o apoio material e imaterial a corte de Lisboa. Os dois saiam da terra dos caranguejos exóticos que permaneciam presos à costa brasileira e dos portos que os conectavam com a sua metrópole. Estes caranguejos protegiam-se com fortalezas dos quais alvejavam qualquer pirata ou aventureiro que se aproximasse de forma suspeita de sua posse.

O editor do Correio Brazilense lançou, março de 1813, um autentico projeto de interiorização dos instrumentos, equipamentos e instituições administrativas para o imenso território brasileiro. Porem se de uma lado o poder real instituído naquele momento provisoriamente numa terra que considerava como um exílio de outra parte somente com  a soberania brasileira deveria ser conquistado com um projeto nacional e com as culturas forjadas coerentes com este interior.

Porem ele já estava bem ciente desta má vontade lusitana e dificuldade para superar velhos hábitos, governamental quando escreveu:

O Rio-de-Janeiro, naõ possue nenhuma das qualidades, que se requerem, na cidade que se destina a ser a capital Ao Império do Brazil; e seos cortezaõs que para ali fôram de Lisboa, tivessem assaz patriotismo, e agradecimento pelo paiz, que os acolheo, nos tempos de seus trabalhos, fariam um generoso sacrifício das commodidades, e tal qual do luxo, que podiam gozar no Rio de Janeiro, e se iriam estabelecer cm um paiz do interior, central, e immediato às cabeceiras dos grandes rios; edificariam ali lima nova cidade, commeçaríam por abrir estradas que se dirigissem a todos os portos de mar, e removeriam os obstáculos naturaes que tem oi diferentes rios navegáveis, c lançariam assim os fundamentos ao mais extenso, ligado, bem defendido, e poderoso império, que he possível que exista na superfície do Globo, no estado actual das naçoes que o povoam.

Este ponto central se acha nas cabeceiras do famozo rio de S. Francisco. Em suas vizinhanças estaõ as vertentes de caudalosos rios, que se dirigem ao norte, ao sul, ao nordeste, e ao sueste, vastas campinas para creaçoens dc gados, pedra em abundância para toda a sorte de edifícios, madeiras de construiçaõ para lodo o necessarior e minas riquissimas de toda a qualidade de metaes; em uma palavra, uma situação, que se pode comparar com a descripçaõ que lemos do paraizo terreal.


Fig. 06 – O romance de Aires Câmara da Cunha e da índia Diacui, encontrou no empresário Assis Chateaubriand (1891-1968) e o pai indígena calapalo um momento de brilho num evento de um casamento caricato realizado na capital Rio de Janeiro no dia 29 de novembro de 1952. Evidente quem saiu ganhando foi a indústria da cultura da mídia da época que produziu, editou e vendeu este “produto” com a presença do próprio Getúlio Vargas.


O Regime Colonial lusitano expunha no Rio de Janeiro todo o se fétido interior e todo o cortejo de vassalagens. Porém a criação de nova capital no Planalto Central poderia ser oportunidade para reverter este quadro e o soberano ligar o seu nome à esta capital.

Desprezou-se tudo isto, pela cidade do-Rio-Janeiro; porque já ali havia algumas casas de habitação, commodidades para que algumas pessoas andassem em carruagens, um mesquinho theatro, demasiado numero de cantoneiras, para o divertimento dos cortezaõs ; em uma palavra ; porque se evitava assim o trabalho de crear uma cidade de novo, e os incommodos iuberentes a novos estabelecimentos ; e por estas miseráveis consideraçoens se roubou n F. A. R. o Principe Regente, a gloria incomparavel de ser o fundador de uma cidade, a que afixaria o seu nome, fazendo-se immortal na creaçaõ de uma vasta monarchia.


Fig. 07 – O que perecia o retorno para o paraíso do Brasil Central escondia armadilhas e serpentes de confrontos com outros que desejam não só o as luzes da mídia. Confrontavam se dois paradigmas contrários e excludentes. De um o principio fundamental indígena que é a posse coletiva da terra pelo clã ou tribo que defendem até o presente. No paradigma oposto estava a posse individual e nominal da terra. Posse individual pela qual os seus defensores valiam-se de todos os meios, mesmo os mais obscuros. Neste jogo mortal o casal Aires Câmara da Cunha e Diacui entraram como novos Romeu e Julietas e sem menor arma física ou mental. Ela pereceu no seu primeiro parto e Aires sumiu da visibilidade e deixando a filha entregue aos cuidados de sua mãe em Uruguaiana-RS onde esta criança criou se anônima. Nada de novo neste fato diante de numerosos lusitanos que abandonavam os filhos e mãe indígena para retomar a cultura lusitana onde eram tratados com “ricos brasileiros” e tinham ou constituíram outra família.

Depois da abertura dos portos para as ‘nações amigas’ e a invasão de comerciantes para encontrar um ponto de escoamento dos produtos das máquina da primitiva era industrial o Rio de Janeiro tornava-se um alvo fácil. Bastaria apropriar-se da capital para se apropriar de todo o seu interior que estava sem defesas significativas.   

Naõ nos demoraremos nas objecçoens, que ha contra a cidade do- Rio-de-Janeiro, alias mui própria ao commercio, e a outros fins; mas summamente inadequada para ser a capital do Brazil: basta lembrar, que está a um canto do território do Brazil, que as suas communicaçoens com o Pará, e outros pontos daquelle Estado, he de imensa difficuldade, e que sendo um porto de mar está o Governo ali sempre sugeito a uma invasão inimiga de qualquer potência marítima.

Quanto as difficuldades da creaçaõ de uma nova capital; estamos convencidos, que todas elas naõ saõ mais do que meros subterfúgios.


Fig. 08 – Os Estados Unidos haviam colocado a sua nova capital em Washington longe dos canhões das naves britânicas e da dominação marítima inglesa. Porém isto não impediu que, no dia 24 de agosto de 1814, a Casa Branca e os principais edifícios da nova capital fossem queimados como represália das tropas terrestres da Grã Bretanha das suas derrotas sofridas no Canadá.


Hipólito José da Costa havia passado um período nos Estados Unidos e havia visto o esforço norte-americano para as novas capitais em cada estado americano como sabia dos motivos constituição da Washington DC. Assim sugeria entusiasmado com a ideia para a nova capital. Não fica evidente se este projeto era para todo reino lusitano ou para a colônia brasileira. Pela convicção da não independência Brasileira certamente estava sonhando para todos os territórios lusitanos.  

A facilidade com que nos Estados Unidos da America Septentrional se edificam novas cidades; o plano que os Americanos executaram de fundar a sua nova capital, Washington, aonde naõ havia uma só casa, mas no centro de seu território, he um argumento tirado da experiência de nossos tempos que nada pode contradizer.

Porém a contradição veio no ano seguinte quando,  no dia 24 de agosto de 1814, as tropas terrestres da Grã Bretanha queimaram os principais edifícios da nova capital e a Casa Branca como represália das derrotas que haviam sofridas no Canadá.

No entanto o novo poder originário norte-americano era constituído pela acolhida e incorporação de populações vindas de todo planeta. O recém-vindo, o estrangeiro, em busca de uma pátria de oportunidades era um argumento que enfrentava vícios de antigas culturas pejadas de privilégio disfuncionais.

O segundo obstáculo, que desejamos lembrar, sobre os progressos de melhoramento do Brazil, he a falta de população conveniente ás suas circumstancias. Os únicos estrangeiros, que freqüentam agora o Brazil saõ negociantes, a peior sorte de população que ali pôde entrar; porque o negociante estrangeiro, que ali chega, naõ possue outra pátria senaõ a sua carteira, e o seu escriptorio; chega, enriquece- se e vai-se embora, morar no seu paiz natal, ou aonde lhe faz mais conta. Durante a sua residência temporária, conforma-se, por prudência, com os usos estabelecidos, sejam boni sejam máos, tira todo o partido que pôde, até da ignorância dos naturaes do paiz, e faz o que elle chama o seu officio, que he comprar por menos, e vender por mais.

A população estrangeira, de que o Brazil necessita, he aquella que naõ recebe ao presente nenhum convite eficaz, para ali entrar, e se estabelecer no paiz; e vem a ser agricultores, artistas, mineiros, pescadores, homens de letras, &c. Tudo isto se podia obter, com summa facilidade, de differentes paizes do mundo, com tanto que se lhes assegurasse a liberdade de suas pessoas, e o gozo impertubavel de suas propriedades; naõ com meras promessas em papel; mas por leys fixas, e invariáveis, cuja observância fosse demonstrada com factos.

Mas ¿ a differença das religioens? Até quando reynaraõ as máximas de perseguição e tyrannia da Inquisição ! Naõ bastam os rios de sangue que até aqui tem corrido, em nome da mais branda e suave religião, que jamais se pregou aos homens? O espirito de tolerancia, se he o mais útil à prosperidade dos Estados; he inquestionavelmente o mais conforme ao verdadeiro systema do Christianismo, Adopte-se uma bem entendida tolerância; e todas as difficuldades a este respeito te desvanceraõ.

Da Irlanda, Escócia, e Hollanda se podem obter excellentes agricultores; da Inglaterra e França artistas: da Alemanha, mineiros: dos Estados Unidos, colônias inteiras de pescadores, principalmente dos Estados de Conecticut, Rhode Island, e Massachussets ; homens sábios de todo o Mundo ; e este grande, e precioso augmento de população se pôde obter, sem a menor despeza da parte do Governo.
 
Fig. 09 – O Rio de Janeiro dezoito anos depois da independência. O regime imperial brasileiro não se interessava objetivamente pela ocupação do Brasil Central como também não interessava à corte de Lisboa. Com o regime republicano e com a criação de Belo Horizonte (1895-1897) e depois Goiânia (1933-1942) mostrou que também era possível a mudança da capital nacional.

Parece que os esforços científicos, logísticos e trabalhosas travessias amazônicas de ALEXANDRE RODRIGES FERREIRA (1750-1815) não produziram grandes efeitos na rotina da corte lusa. Esforços que esbarrara conta as muralhas da “rotina ordinária do despacho de Gabinete que pode ser tão bem ou melhor executada por qualquer oficial da Secretaria” e que fato não tinha condições de avaliar o que constava nos relatórios desta expedição. Esta avaliação só poderia realizada depois da soberania brasileira conquistada com um projeto nacional e com as culturas forjadas coerentes com este interior.

No entanto a cultura, os hábitos e os postos arduamente conquistados na corte lusitana eram bem fortes e subliminares do que as realizações materiais.
Sem duvida, que a formação de planos para estes objectos requer, alem de conhecimentos, e um espirito desabusado, e sem prejuízos assiduidade, e grande trabalho; sem duvida a execução, era todo» os seus ramos, e circumstacias particulares, requer ainda maiores trabalhos ; mas nisso está o merecimento dos que governara ; que louvor merecem elles, que agradecimentos esperam da posteridade, se naõ fazem mais do que applicar-se á rotina, ordinária do despacho de Gabinete que pode ser taõ bem ou melhor executada por qualquer official da Secretaria ?


Fig. 10 – Apesar de todos os cuidados possíveis a ocupação do Brasil Central significou não só violência às antigas civilizações, mas queimadas, destruição da fauna e das flora além de introdução de culturas exóticas e uma administração muito mais agressivas do que as levas de imigrantes puderam trazer na época das sua tradicionais sistemas agropecuários.   .


Taes homens saõ comparáveis ao barqueiro, que conduz o barco segundo a corrente da maré, movendo unicamente o leme com quis. nenhum trabalho, e ainda assim encalham o seu vaso, ao menor encontra- de uma revês inesperada.

O projeto da unidade nacional e a ocupação efetiva do seu território tiveram sustentação articulada e as vantagens de ter a sua capital próxima do seu centro geográfico. Em 2013 Brasília representa um passo concreto e decisivo Se surpreende encontrar no número de março de 1813 do Correio Braziliense esta manifestação é índice deste projeto nacional.

A soberania brasileira deveria ser conquistada com um projeto nacional e com as culturas forjadas coerentes com este interior. Como em toda escolha há numerosa perdas a serem administradas. Brasília está procurando administrar estas perdas somadas como todas as corrupções que acompanham este projeto de uma magnitude continental.  

FONTES NUMÉRICAS DIGITAIS

CORREIO BRAZILENSE Nº 058 – março de 1813  pp 374 - 376


HISTÓRIA de GOIÁS


 HISTÒRIA de BRASÍLIA


EXPEDIÇÂO de ALEXANDRE RODRIGES FERREIRA (1750-1815)


RELATO de SAINT HILAIRE sobre viagem par GOIÁS


DIACUI calapalo e AIRES CÂMARA da CUNHA


Dramas sertanejos


A filha de Diacui em Uruguaiana- RS


MESTRE VALENTIM *c. 1744 + 01.03.1813


CASA BRANCA projeto 1792



CASA BRANCA depois do incêndio 1814


Commonwealth
http://pt.wikipedia.org/wiki/Commonwealth

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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

NÃO foi no GRITO - 069

O SILÊNCIO da MORTALHA COLONIAL
no BRASIL em FEVEREIRO de 1813 e 2013.

“O homem é digno de censura quando obra alguma ação má, e é digno de censura quando deixa de obrar uma ação boa a que estava obrigado [..] a felicidade da nação deve nascer e ser avaliada dos costumes
 e dos princípios que dirigem, não dos que são dirigidos”.
Correio Braziliense, vol. X. nº 57 fevereiro de 1813, Miscelânea , p. 202
 PIENSA - Jaime - Iemanjá  in G1 - 03.09.2012 a
Fig. 01 A cabeça emblemática branca da Iemanjá da cultura negra africana emerge das atuais águas baia da Guanabara como memória de um longo período de silencio, de opressão e da exploração material e imaterial do regime colonial. Evidente:  sempre existem os saudosistas dos privilégios dos quais foram privados.
A circulação da informação é um dos bens fundamentais da contemporaneidade, como foi em todos os tempos. Sonegar, corromper ou truncar a informação é um mal fundamental  e inverso ao bem que deveria  provocar.
 O estranhamento do editor do Correio Braziliense no seu número de 1813sobre o silêncio de noticia do seu país de origem é um índice do que acontecia ao longo de todo o período colonial. O controle rigoroso sobre a circulação de qualquer informação era um dos instrumentos mais perversos deste regime de conquista e espoliação sem limites. Como resultado o Brasil possui um imenso buraco de três séculos na memória do Poder Originário sobre qual este regime se assentava insensível e apenas interessado nos lucros coloniais.
DEBRET Jean Baptiste 1769-1848 Costume - Barbeiro 1827 Fundação Castro Maia
Fig. 02 -  A barbearia com um raro letreiro manuscrito para clientes com alguma instrução. Mas completamente distinto das barbearias do final do império e do período republicano quando o cliente era cercado uma espécie de biblioteca popular e informal.
 A pouca e a real memória existe no Brasil Colonial era resultante de atos administrativos de dominação jurídica legal reforçada e mantidas  pelas conquista da armas dos militares no mesmo sistema da conquista africana. Para este regime de conquista e espoliação sem limites a voz do Poder Originário era nula se não perigosa.
“BRAZIL: Reflexoens sobre as novidades deste mez”.
. Correio Braziliense, vol. X. nº 57 fevereiro de 1813, Miscelânea , pp. 202 - 204
A observaçoens, que temos de fazer, por agora, neste artigo ; naõ saõ sobre as novidades que nos chegassem do Brazil; mas sobre o naõ termos novidades daquelle paiz. Esta proposição desafiará talvez a critica; mas nem por isso deixamos de estar persuadidos que temos razaõ. O homem he digno de censura quando obra alguma acçaõ má, e he digno de censura quando deixa de obrar uma acçaõ boa, a que estava obrigado.
DEBRET Jean Baptiste 1769-1848 Cientista trabalhando aquarela 1827 Fundação Castro Maia
Fig. 03 – O cientista era uma figura exótica entre a nobreza e a servidão colonial pois produzia para uma sociedade local altamente controlada e analfabeta.  No período esta atividade era altamente suspeita e vigiada de perto pela Santa Inquisição para necessitava pedir o NIHIL OBSTAT para publicar algo. Sem imprensa na colônia esta produção deveria ser feita na metrópole. Em 1813 o destinatário da produção intelectual estava do outro lado de um imenso oceano onde os textos se chegavam era muito tempo da sua elaboração original. Mas ninguém  se importava com este detalhe do controle intelectual e com a anacronia pois fora assimilado pelo hábito da heteronímia colonial
A edição e a circulação das informações da informações em relação aos Açores em inglês e distribuído em Londres e não nas colônias lusitanas.
De dia em dia esperamos receber noticias do Brazil, de que se adopta para aquelle paiz um systema de Governo accommodado á felicidade dos povos; mas de dia em dia se frustram as nossas esperanças, e naõ recebemos noticias de que se faça melhoramento algum.
No lugar correspondente deste N°. achará o Leytor noticia de uma obra publicada em Inglez, em que se descreve a mizéria actual dos povos das ilhas dos Açores, e se propõem como remédio separallas da Soberania de Portugal. O que o A. diz a respeito do Governo das iJhas deve, sem duvida, ser aplicável a todo o Brazil, porque todo o Brazil está governado pelo mesmo systema colonial, despótico militar.
Fig. 04 - A figura do conquistador armado a caminha da exploração das minas é uma constante na América do Norte e do Sul. Em geral um europeu acolitado de nativos fazia a sua AMÈRICA e levava tudo o que podia para o Velho Continente e deixando para a terra os prejuízos materiais e imateriais dos seus maus costumes.
O mal residia na raiz amarga do sistema colonial que a tudo regula e que tolera apenas  uma literatura, que se diria de “autoajuda” nos dias atuais estava fadado  a se perpetuar sem a intervenção de cultura que a resgatassem desta endogenia multissecular
E se a bondade de um governador, ou ouvidor ; se a maldade de outro governador ou Juiz de Fora, podem exacerbar mais ou menos os males do povo ; esta differença, que provem da tempera das pessoas, nada tem com o sistema, que he aonde a reforma deve recatiir." Quando, diz este A., era vez de ama applicaçaõ geral aos livros em vez de investigar os grandes principio» de legislação, o gênio da sua Constituição Nacional, ou as suas relaçoens e dependências com outras, os grandes exemplos e verdades da historia, as máximas da politica generosa, e recta ; e as mais severas verdades da filosofia ; quando êm vez disto, raras T(*-zet se elevam no estudo politico acima do conhecimento das contribuiçoens, que devem pagar ao seu principe; em vez da historia ler a legendas ; em vez de philosophia lem somente uma religião intolerante, em vez de costumes varonis e rectos lem somente o fanatismo, a superstição, e o enthusiasmo.
DEBRET Jean Baptiste 1769-1848 Costume aquarela 1827   http://piauinauta.blogspot.com.br/2011/02/costume-antigo.html
Fig. 05 -  Os prejuízos que o europeu trazia para os bens materiais do Novo Mundo  da falta de higiene e imateriais dos maus costumes não importavam se não atentassem contra o sistema colonial. Ninguém se comovia ou protestava contra a escravidão ou com as aparências e da sobrinha cor de rosa. A advertência de que a felicidade da nação deve nascer e ser avaliada dos costumes e dos princípios que dirigem, não dos que são dirigidos
O principio de que a “felicidade da nação deve nascer e ser avaliada dos costumes e dos princípios que dirigem, não dos que são dirigidos” impõe-se tanto para o Brasil de fevereiro de 1813 como para aquele de fevereiro de 2013. Em 200 anos continua a mesma guerra cultural dos que dirigem promovem a confusão, o silencio compungido e atrapalham qualquer sombra do poder que possa surgir no seu âmbito e sob a iniciativa das forças objetivas que constituem a natureza desta nação.
Quando este he o systema dominante, que se deve esperar de taõ estabelecida ignorância, senaõ erros na primeira digestão. Naõ deve porém entender-se, naõ obstante isto, que os costumes e principios do povo commum, tem lugar nesta conta. porque ainda que a somma total da felicidade da naçaõ deve nascer e ser avaliada pelos custumes e principios do todo, contudo os costumes, e principios dos que dirigem, naõ dos que saõ dirigidos ; dos que governam, naõ dos que saõ governados ; em uma palavra dos que fazem as leys, ou as executam, determinarão sempre a fortaleza, ou fraqueza - a continuação, ou a dissolução do Estado."
Fig. 06 – A imagem de uma urbe iletrada. Não existe o menor vestígio de letreiro que indique a natureza das casas com as portas escancaradas e para onde a população afluía apenas pelas indicações verbais e os gritos dos vendedores e trabalhadores escravos africanos iletrados. Evidente que alfabetizados seriam potenciais críticos e altamente incontroláveis pela violência contra os seus corpos.
Para o Brasil a mudança da corte foi apenas um lugar diferente para o mesmo sistema colonial.
Apresentando ao Governo do Brazil o modo de pensar dos estrangeiros a seo respeito, temos em vista apertar pela reforma; que, segundo a opiniaõ de todos os homens sensatos estrangeiros e nacionaes; deve ser a annihilaçaõ das instituiçoens provenientes do systema de governo colonial. Ha quatro annos que a Corte se mudou para o Brazil,e nada se tem feito a este respeito; quando naõ ha homem imparcial que naõ conheça a necessidade de reforma.
Fig. 07 - A cultura  africana sem índices de escrita, numeração num dos portos aglomerados  no Mali. A África, origem e sede de antiquíssimas civilizações, porém radicalmente  distintas entre si mesmas . A lógica do conquistar as uniu  e lhes quis impôs, pelas armas, um sentimento estanho de unidade de uma comunidade sem se importar das longas e penosas construções das identidades próprias com multisseculares tradições e hierarquias funcionais.
As identidades europeias buscam, em fevereiro de 2013 , a sua unidade. Porém em solo africano as feridas do multissecular erro colonial aparecem cada vez mais expostas. Feridas provocadas e motivadas pela cobiça dos bens materiais para os quais pouco importava as conquistas imateriais especialmente dos nativos.
O sistema colonial implantado no Novo Mundo não diferia daquele que os mesmos conquistadores instalavam na África. Este equivoco foi evidenciado pelo editor do Correio Braziliense quando afirmou que:
"o systema de Governo colonial estabelecido no Brazil, foi uma imitação do systema do governo das conquistas de Africa pelos Portuguezes. Erro este, em politica, da primeira ordem; porque conquista, e colônia saõ duas cousas mui diversas: as conquistas quasi sempre se conservam com a torça d' armas, e governo militar; av colônias devera seguir a legislação da Metrópole.
Bem como nas conquistas de Africa, se estabeleceo no Brazil um governador-general para cada provincia, que se chamou capitania; um governador subalterno para as diferentes cidades, e villas, e ainda commandantes militares ás aldeas, e povoaçoens menores ; deste modo o terror das armas parecia ser a única ley.
Agora o Brazil, que nunca foi conquista, deixou de ser colônia, e ainda assim nenhum pano se tem dado para adoptar a forma de governo ás circumstancias actues; os naturaes clamam; os estrangeiros prestam ouvidos a estes clamores ; « por tanto o mal naõ pode ficar longo tempo sem remédio. Os nossos desejos logo saõ, que gêja o mesmo Governo Portuguez quem applique este remédio, que tino espere até que os outros o tragam".
Fig. 08 – Uma imagem de um mercado humano sob o controle de poucos brancos e sob o ícone de sua santa escondia no alto do galpão. O artista e cientista Johan Moritz Rugendas retrata um mundo iletrado sem o menor vestígio de letreiro e comandado por indicações verbais e os gritos dos vendedores dos  trabalhadores escravos africanos iletrados. Noticias vindas deste mundo analfabeto não interessavam a qualquer “civilizado” e bem instalado no Velho  Mundo..
No entanto a corte instalada desdem1808 e com todo o peso e preço da sua máquina administrativa da mudança nada produzira em 1813. Nada produzira o alto investimento de toda ordem e cujos custos recaia sobre o Poder Originário. A mesma mortalha do silêncio legal a menor mudanças ou benefício visível silêncio. A voz do editor Correio Braziliense soava solitária:
A existência do governo militar he incompatível com a liberdade do cidadão, e por consequência com a felicidade da naçaõ. Quatro annos constituem um periodo assaz longo para pensar nestas matéri a se estabelecer o systema de governo que deve reger o vasto Império do Brazil; mas como nada se tenha feito a este respeito, julgamos do nosso dever, o lembrar a necessidade e urgência de taò importante parte das obrigaçoens daquellas pessoas, de quem depende á felicidade de tantos milhoens de habitantes.
Porém em fevereiro de 2013 esta mesma lógica persiste apesar  de o Brasil ter arrastado a sua capital ao Planalto Central e ali ter construiu uma ilha de fantasia. Um longo período de administração militra soó reforçou este silêncio e os seus fantasmas continuam a atormentara torturados e torturadores. Diante disto é necessário reconhecer que o sistema continua funcionando ativa ou subliminarmente, mude ou não seu nome. Diante da força deste sistema é  inteiramente compreensível que o sistema legislativo brasileira insista ainda século XXI em definir o Poder ORIGINARIO com o PODER CONSTUTUINTE. O Sistema Colonial Brasileiro passou 300 anos sem ser ameaçado por uma constituinte convocada. Agora passaram outros 200 anos procrastinando as mesmas energias e as enganando com meias verdades, eventos administrativos e marketing eleitoral.
Fig. 09  - Outra imagem de uma urbe transformada em capital de um império iletrado. Não existe o menor vestígio de letreiro que indique a natureza das casas com as portas escancaradas e para onde a população afluía apenas pelas indicações verbais e os gritos dos vendedores e trabalhadores escravos africanos iletrados. A sociedade colonial no entrechoque com a presença da corte lusitana teve acréscimo de trabalho e menos lazer para a leitura e a escrita. Na imagem de Johann Moritz Rugendas não existe menor vestígio de livraria,  jornal, período e nem mesmo contabilidade escrita A presença militar a cavalo e empenachada de um lado é uma amostra das guarnições militares e fortalezas que se erguiam não só pelo litoral. Mas atingia o Rio da Prata, a Região  Pantaneira e do Mato Grosso e a entrada para a Amazônia
A procrastinação da mudança tornou-se, em 2013, uma guerra cultural para quem busca confundir, silenciar e atrapalhar qualquer sombra do poder que possa surgir no âmbito e sob a iniciativa das forças objetivas que constituem a natureza desta nação. Enquanto as forças contrárias a esta eterna procrastinação buscam apenas se regular pelo singelo principio de que a “felicidade da nação deve nascer e ser avaliada dos costumes e dos princípios que dirigem, não dos que são dirigidos” .
Fig. 10  - A imagem contemporânea da Rua 25 de Março da capital econômica e de fato do Brasil possui na sua essência e natureza intrínseca os mesmos componentes do sistema colonial . As  pessoas se movem, orientam e reproduzem na mesma lógica do sistema vigente há 200 anos.
FONTES NUMÉRICAS DIGITAIS
CORREIO BRAZILENSE nº 057 fevereiro de 1813
Costume brasileiro
Barbeiro
História e Rugendas
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