quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

205 – NÃO FOI NO GRITO – janeiro de 1821


Uma ESPÉCIE INTEIRAMENTE NOVA de DIPLOMACIA.

 

. “He uma espécie inteiramente nova, na historia da Diplomacia, o largarem os Ministros os seus postos, nas diversas Cortes aonde se achavam acreditados, e fazerem de seu motu próprio um conciliábulo, para decidir do que se deve fazer de sua nação 
in
“Correio Brazilioense janeiro de 1821, Vui. XXVI. N°. 152. P.56 Miscellanea


Fig. 01 – 
 A substituição da imagem do soberano por uma figura simbólica da nação, do povo e do governo denuncia as mudanças em curso no SUPREMO GOVERNO  do REINO. As mudanças nas quais o soberano terna-se o poder moderador e simbólico do Estado

 

Após a Revolução Norte-Americana ,a Francesa e a queda do Império de Napoleão desabavam as monarquias monolíticas, monocráticas e divinas. No seu lugar iniciava-se erguer ESTADOS NACIONAIS regidos por contratos gestados pelo interesse de poucos a que muito deviam submissão e silêncios obsequiosos. Em janeiro de 1821  despontavam competições acirradas entre paradigmas, em conflito, e cuja solução arrastam-se até  janeiro de 2021.

Fig. 02 –   A  cidade do RIO de JANEIRO foi cede de 1808 até 1821 do SUPREMO GOVERNO  do REINO UNIDO de PORTUGAL, BRASIL e ALGARVES. Neste ambiente aberto da AMÈRICA aa monarquia lusitana modelou uma outra forma de governar. A como não houve ruptura nesta continuidade não houve mudança da casa reinante, nem os títulos nobiliárquicos caducaram como também se manteve intacta a escravidão legal. O trono assentado sobre o coronelismo e o cacicado abriu caminho até os dias atuais nas quais se disputam a POSSE dos CARGOS PÚBLICOS como posse e com poder absoluto central

 

Em em janeiro de 1821  as monolíticas, monocráticas e divinas dinastias hereditárias de um REI, estavam  dando lugar para AGENTES TEMPRÁRIOS. Em  janeiro de 2021.  esta disputa por cargos TEMPORÁRIOS  provoca ainda competições acirradas, ruidos sem fim e paralisias governamentais inacreditáveis.

O que se vai ler a seguir  no Correio Brazilioense janeiro de 1821, Vui. XXVI. N°. 152.pp 55 até 59  - em  Miscellanea - é o prelúdio da paralisias, ruídos e competições que se arrastaram e predominou ao longo os dois últimos séculos

. Reficxoens sobre as novidades deste mez. No REINO UíNIDO de P0RTUGAL BRAZIL e ALCARVES .

Comportamento dos Diplomáticos Portuguezes

 


https://commons.wikimedia.org/wiki/File:GiuseppeCanella-PlaceLouisXVI.JPG

Fig. 03 –   PARIS na época da restauração dos BOURBONS  A velha cidade amuralhada e com a população amontoada no interior de muralhas, protegidas SUPREMO GOVERNO  do REINO, está cedendo espaço para uma cidade aberta. A população sente-se estimulada por largas avenidas que permitem a vida, os passeios e os encontros em espaços abertos. A politica, a economia e vida social  estavam enveredando para a mesma abertura

Se unia juncta de meia dúzia de indivíduos Portuguezes em Paris, pôde de seu mero alvedrio dispor dos negócios da Naçaõ, ¿ que repugnar e pode haver em que duzentos ou trezentos'indivíduos em Portugal piopuzessem novas formas de Administração, convocassem o povo, ou a maioridade delle, e procedessem a obrar nessa conformidade ? E taes saõ as conseqüências desses exemplos de anarchia, que os empregados públicos tem dado poi muitos annus á naçaõ Portugueza; e porque nunca nenhum empregado publico foi castigado por esses excessos, era natural que cada individuo julgasse, que para obrar soberanamente bastava apossar-se da authoridade, fosse porque modo fosse. Mas se nesses abusos de authoridade, e na arbitrariedade dos empregados públicos julgamos sempre que havia uma offensa directa aos direitos do Soberano, assim como um vexame á naçaõ, e uma tendência á anarchia e desorganização da ordem politica no Estado; agora neste exemplo dos Diplomáticos Portuguezes ein Paris achamos outro sim circumstancias peculiarmente aggravantes, e que fazem seu comportamento atrozmente offensivo a toda a Naçaõ. Naõ he ja um administrador das rendas publicas commettendo um peculato, nem um magistrado extendendo sua jurisdicçaõ além do que lhe concedem as leys; he uma combinação de indivíduos appellando para á influencia estrangeira, a fim de dictarem a seu Soberano e a sua Naçaõ as máximas de politica, que devem seguir : em uma palavra, tractando de entregar a independência nacional, nas maõs de árbitros estrangeiros. De todos quantos remédios se podem excogitav aos males de qualquer naçaõ, nenhum he mais fnnesto do que a appellaçaõ para as potências estrangeiras ; mas até mesmo nisto, o comporramento daquelles Diplomatas Portuguezes tem peculiaridades de notável audácia. A distancia, em que EI Rey se acha, fazia impossível que elle soubesse da revolução de Portugal senaõ gradualmente, e he alias de presumir, que os passados Governadores de Portugal, e outros, a quem cumpria informar EI Rey do verdadeiro estado das cousas, lhe oceultassem o desengano, em tanto quanto pudessem. Nestes termos, El Rey, como prudente, naõ podia vir a uma decisão final, logo por uma vez ; mas iria adoptando suas medidas ás circumstancias, e naturalmente encostando-se aos desejos de seu povo, mais ou menos, ú proporção que se fosse convencendo de que esses desejos eram realmente os da naçaõ, e naõ de alguma facçaõ ou partido, cuberto com a cappa da vóz da naçaõ.

Fig. 04 –    O retorno de DOM JOÂO VI concide com o ano da morte de NAPOLEÂO BONAPARTE, ainda que não hja conexão entre os dois acontecimentos Ambos retirados no ATLÂNITCO SUL por razões opostas. Ambos tiveram sob os seus ombros  o SUPREMO GOVERNO  das suas respectivas nações.. A vantagem de Dom JOÂO VI foi a permanência no trono  apesar deste poder ser apenas  simbólico e moderador


https://www.marinha.mil.br/dphdm/sites/www.marinha.mil.br.dphdm/files/ProvidenciaBrigue1810-1835.pdf

ProvidenciaBrigue1810-1835.pdf (marinha.mil.br)

Fig. 05 –   Um BRIGUE era um navio de guerra pequeno e ágil no enfreamento dos piratas para quem os grandes galeões eram presa fácil e rendosa As mudanças do centralismo e acumulação na FIGURA DO REI estavam no mesmo caminho da aposta nas quais muitos pequenos alinhados com no SUPREMO GOVERNO  do REINO tinham mais eficácia dos que as grandes e ruinosas cortes dos reis concentradores, autárquicos e monocráticos.

 

 

Compare-se pois este primeiro movimento d'El Rey, com as medidas, tam illegaes como precipitadas, daquelles Ministros, que tentaram bloquear Portugal, e que pretendem «gora apoiar seus pia nos, com a protecçaõ das potências estrangeiras. Se os revolucionários em Portugal seguirem taes planos, que El Rey se julgue obrigado a de sapprovallos de todo, nesse caso só a El Rey competeria o decidir os meios, que lhe convinha adoptar, para vigorar os seus mandados ; e por tanto a prematura ingerência desses Agentes Diplomáticos, appellando para as naçoens estrangeiras, he um verdadeiro attentado contra a soberania de seu Amo. Se, por outra parte, El Rey approvar o chamamento das presentes Cortes, como ja approvara a convocação, que fez a passada Regência ; se El Rey achar que he justo ceder ao impulso das dircumslaucias ; e os Soberanos estrangeiros, iustigados por esses Diplomatas, forem de differente acordo ; enlaõ se achará El Rey eui grande difficuldude; instando por uma parte os requirímentos de seus vassallos, e talvez a sua inclinação ; e por outra parte apcrtando-o o pezo da influencia dos Soberanos Aluados da Europa. O mal, que em taes circumstancias deve produzir o plano antipatriótico desses Diplomatas Portuguezes, resultará das diversas informaçoens, que teraõ os Soberanos Aluados, e Sua Majestade Fidelissima. Os Alliados julgarão segundo o que lhe representarem esses poucos Aristocratas, que desejam governar Portugal como absolutos; mas El Rey decidirá segundo o que souber pelas representaçoens das Cortes, e por outras fontes authenticas, que naõ estaõ ao alcance dos Alliados. No entanto, sendo essas representaçoens differentes, El Rey se achará no dilema de desagradar aos Alliados, ou desagradar aos povos ; e tal he a situação a que ficará reduzido, pelas tramas de uns poucos de intrigantes. Desta opposiçaõ, que se prepara na Europa ao systema constitucional de Portugal, fica ja mui patente, que naõ he d'El Rey mas do partido Aristocrático, que provém a tenacidade com que se combatem todas as formas de administração, em que se comprehende a efficaz responsabilidade dos empregados públicos. Naõ he El Rey seguramente quem perde, por serem os administradores das rendas publicas obrigados a dar conta de sua gestão.

 Fig. 06 –   A ascensão da burguesia reclamava a sua fatia de poder da nação, do povo e do governo. Assim o  SUPREMO GOVERNO  do REINO tolerava cada vez mais  mudanças nas quais  o poder e a imagem do soberano cediam competências para se limitar a um poder simbólico e  torna-se o poder moderador

 

 

A Naçaõ, estamos persuadidos, nunca seria escaça em contribuir quanto fosse necessário, para a manteuçada dignidade Real, e até para o conforto e prazer individual de um Soberano, cuja vida he empregada toda no bem de seus vassallos. Mas he cousa mui differente o soffrerem que as rendas publicas se dissipem, com o pretexto de que ninguém tem direito de indagar as contas do Erário Regio. Ninguém se attreve a disputar a authoridade do Soberano, ninguém deseja coarctar seu poder supremo, quetodose emprega a beneficio do povo ; porem quando uma combinação de indivíduos particulares leva a sua arbitrariedade ao ponto de decidirem por si mesmos o que se deve fazer de Portugal, e chamarem cio Miscellanea. para isso o apoio das potências est.angciras, he sem duvida tempo de desembaraçar o Soberano de tam pernicioso systema, e de livrar a Naçaõ de tam pezada oppressao. Concedemos plenamente, e essa tem sido sempre a nossa theoria, que só ao Soberano competia determinar o remédio legal e esses males : mas se todos os caminhos ao throno estaõ obtruidos, e falta até o meio de poderemos povos representara El Rey os seus aggravos, e sem os conhecer naõ pôde El Rey pensar em remediallos < desejamos que se nos aponte qual he o meio legal de derribar essas combinaçoens, que saõ como uma muralha impenetrável, que obsta toda a communicaçaõ directa entre o Povoe seu Rey. Conceda-se-nos, se quer por hypothese, que ha vicios essenciaes na administração, pelos quaes se dissipam as rendas publicas, se atropella a justiça, e se annihila a industria nacional: neste estado de cousas, Portugal governado por um official militar, e esse estrangeiro ; as províncias do ultramar sugeitas cada uma a um governador, e a vários magistrados, cujos poderes naõ tem limites, e cujas prepotencias nunca foram sugeitas a castigos: um corpo diplomático nas cortes estrangeiras, solicitando a protecçaõ de outras potências, para continuar o mesmo estado de cousas. 


Fig. 07 –   A  construção da imagem real continuou após a posse de Dom PEDRO I. inclusive pelo titulo de IMPERADOR  substituição ao título de REI como SUPREMO s mandatário GOVERNO  do BRASIL As mudanças no entanto limitavam sta SOBERANIA POESSOAL, limitada agora a um PODER SIMBÓLICO e MODERADOR

 

Nestas circumstancias ¿ para onde poderão os povos voltar seus olhos com esperança de remédio ? ¿ Attrever-se-ha nenhum indivíduo particular a ir expor a El Rey este horroroso quadro do Governo ? E quando algum a isso se aventurasse < Mas porque naõ aconselharam essa medida, que julgam boa, antas do povo arrebentar por uma revolução, cujo êxito se naõ pôde prever ? Queixava-se o povo, só em murmúrios ; porque o naõ deixa» vam faltar alto. Prescindamos da questão, se as queixas eram ou naõ bem fundadas < Mas, altrever-se-ha algum Estadista a dizer, que o Governo, em tal caso, naõ devia entrar na indagação dessas queixas, e trabalhar por saber, se eram ou naõ bem fundadas ; e quando o fossem, procurar-lhe o conveniente remédio ? He desta omissão, que julgamos ter direito de nos queixar dos Ministros d* El Rey; porque por todo o remédio nunca cuidaram senaõ em supprimir as queixas, arguindo os queixosos de desleaes ao Soberano.

Em janeiro de 1821, como em janeiro de 2021, só se conhece e cuida, no Brasil,  dos EFEITOS e não das CAUSAS.  As elites dominantes escondem as verdadeiras CAUSAS originadas de sua depravação, de sua incompetência e arrogância inata. Esta arrogância, incompetência e depravação são encasteladas e protegidas por uma parafernália legal, juridica e econômica  que as livram preventivamente de qualquer incômodo, consequência  ou arranhão econômico, social e jurídico.

Na distância de dois séculos tudo aquilo de corrupto, obsceno e ilegal pode acontecer para as classes privilegiadas é coberto com GRANDES ESPETÁCULOS, FANFARRAS e PROPGANDA de RUIDOS de BARRIS VAZIOS


“Amphora caepit institui, Corrente rota cur urceus exit? Horat”.

O que começa com grandes fanarras termina em nada

amphora cœpit institui; currente rota cur urceus exit? | EUdict | Latin>English

Fig. 08 –    Certamente a estratégia de esconder e dissimular as intenções menos dignas não era tão nova nem em janeiro de 1821 como em 2021.   O cato é que os romanos já afirmavam “O QUE COMEÇA COM GRADES FANFARRAS< TERNU+A em NADA”  O RASIL nunca teve tantos TAMBORES E FANFARAS de CARNAVAL como PERIODO COLONIAL . O hbaito foi incorpado á politica imperial e persite até os dias atuais o regime republicano

 

Debret

Ficheiro:Jean Baptiste Debret - Oficial da corte, 1822.jpg – Wikipédia, a enciclopédia livre (wikipedia.org)

 

Viagem

Jean-Baptiste Debret: Obras e Biografia - Toda Matéria (todamateria.com.br)

 

Morte de NAPOLEÂO

Morte de Napoleão Bonaparte – Wikipédia, a enciclopédia livre (wikipedia.org)

 

O retorno de DOM JOÃO VI a PORTUGAL






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terça-feira, 8 de dezembro de 2020

204 – NÃO FOI NO GRITO,

 



Um PROJETO para uma NAÇÂO na ERA INDUSTRIAL


“A questão, hoje em dia, não é se figurarão os nobres, que ninguém respeita, ou se haverá um Rey, a quem todos querem ; e cuja autoridade por isso ninguém disputa: a questão é o estabelecer tais formalidades no Governo; que os empregados públicos estejam sujeitos a uma verdadeira e eficaz responsabilidade. Menos disto nada aceitará a Nação ; e com isto será sempre salva e respeitada a dignidade do Soberano”. CORREIO BRAZILIENSE Londres - Dezembro de 1820, fl. 717

 

Em dezembro de 1820 tratava-se de criar um sistema de governo de uma nação apta a deixar para traz o ANTIGO REGIME, superar a polarização na figura monocrática do soberano para atingir o ponto em que cada cidadão fosse competente para expressar o todo nacional. Esta competência era em particular  de cada servidor para ser sábio e eficaz nas funções que a lei exigia do seu cargo.

No entanto estava ali castas de privilegiados, com sangue azul, cercado de heráldicas ancestrais e que queriam mandar a qualquer preço e pretexto.

Em dezembro de 1820, há indícios evidente de que estas castas lusitanas alimentavam o projeto de separar Portugal do Brasil e se unir com s Espanha. O pretexto era  Revolução do Porto que infiltraram e misturaram com os seus interesses políticos tentado puxar para o seu lado as consequências. Os interesses, desta casta infiltrada, estavam acima do projeto de manter a unidade do vasto império lusitano. Como sempre estas castas estavam usando as massas populares inconscientes e perigosas paradas dominantes nas quais haviam sempre mandado e desmandado. Estes calculavam  apropriar-se da energia popular no momento para dar um sentido em direção à conservação do poder político em suas mãos, por mais mesquinhos que fossem.

Fig. 01 – Na imagem o solene “TE DEUM” celebrado no início da Revolução do Porto.  Nesse meio tempo as castas dominantes articulavam-se seguindo a velha norma” SE NÂO PODES com o INIMIGO: JUNTE-SE a ELE

 

Estes poucos usavam como pretexto de sua ação disfarçada pelo populismo da miséria dos demais, A miséria geral do povo de Portugal , em dezembro de 1820, vem descrita em textos como:

“”em consequência da invasão francesa e da abertura dos portos do Brasil às nações amigas, a miséria no Reino ia em crescimento assustador. Cada ano assinalava nova redução na Marinha; aumentava a importação dos gêneros de primeira necessidade, a começar pelo trigo; fechavam-se as fábricas, os produtos vencidos da concorrência inglesa no ultramar, e os operários, famintos, tornavam-se mendigos ou ladrões. Em 1820 a penúria atingia o extremo. Esgotado inteiramente, o erário não pagava os funcionários públicos nem restituía os depósitos. Queixavam-se os soldados de que havia oito meses não recebiam os soldos, e nem mesmo os compromissos sagrados do montepio eram satisfeitos”; in DEPUTADOS BRASILEIROS nas CORTES GERAIS

\\Fsseep\03073_03.TXT\03073.vp (senado.leg.br)

 

Esta situação explosiva de miséria generalizada tornou-se alimento habilmente explorado por estes poucos. Nem a uns e nem para outros interessava o longínquo e superior projeto de manter a unidade do vasto império lusitano.

As Cortes de Portugal, de 1820, não fizeram menção das Províncias Ultramarinas. É verdade que essa menção não traria consigo resultados práticos. No entanto a omissão indica, que ha, entre as pessoas influentes na revolução, quem especule em relação da separação do Brasil de Portugal. 


Fig. 02 – Geograficamente a região do Porto esteva mais exposta as ideias industriais do que restante de Portugal apegada aos métodos ancestrais da ERA AGRÍCOLA.  As quintas, desta região, estavam sob o controle britânico. Este controle inglês era assegurado pelo odiado BERESFORDT. Este foi desestabilizado pela revolta popular.  As castas dominantes comerciavam mais com Londres do que com Lisboa. Estas castas, que eram favoráveis ao sistema britânico, conseguiram com poucas manobras o controle de PORTUGAL CONTINENTAL. O resto do reino permanecia como mercado cativa britânico. Isto é verdade na medida em que atualmente MOÇAMBIQUE integra o Commonwealth britânico

 

CORREIO BRAZILIENSE Londres dezembro de 1820 VOL . XXV . N° . 151. 4 x 8 Miseellanea 711- - 718

Partido Aristocrata.

Tocamos acima a circunstancia de que no novo plano para a convocação das Cortes de Portugal, se naõ fez mençaõ das Provincias Ultramarinas : essa mençaõ, he verdade, naõ traria, talvez, com sigo resultados practicos; mas a omissão indica, que ha, entre as pessoas influentes na revolução, quem calcule sobre a separação do Brazil. O grito pela Constituição Hespanhola dá a entender os desejos do partido Hespanhol; e uma gazeta de Lisboa asseverou, que os mesmos Membros do Governo gritaram das janellas do palácio " Viva a Constituição Hespanhola." Isto foi negado pelo Diário do Governo ; mas o outro tornou a asseverar o que tinha escripto. Estas e outras aberraçoens, que, se possam observar na revolução, attribuimos nós aos máos conselhos do Partido Aristocrático, que naõ cuidou em atalhar as conseqüências funestas de uma rebelliaõ aberta, o que se poderia fazer, cedendo a tempo á torrente da opinião do nosso século. O grito em Lisboa pela Constituição Hespanhola, formou seu écho em outras partes, que nos parece alguma cousa mais do que mero accaso ; e uma carta de Madrid de 23 de Novembro, inserta no Constitucionnel, de 3 de Dezembro, contém o seguinte; " Depois da chegada de um correio de Lisboa circularam aqui rumores de singular natureza ' nada menos que a importante medida adoptada pelo Supremo Conselho de Portugal, de pôr aquelle reyno debaixo da protecçaõ de Hespanha ; até se assevera, que se urge fortemente uma completa e absoluta uniaõ entre os dous reynos. Porém he possível, que este rumor se originasse no desejo que eutretem muitos Hespanhoes illustrados, de que se effeitue tal uniaõ; porque os dous reynos tem certa identidade topographica; e porque o bom successo da revolução em Portugal, seria uma segurança para a consolidação da nossa. Portugal, em certo ponto de vista, he como o posto avançado da Hespanha, se aquelle naõ cubrir ou defender esta pôde fazer a Hespanha vulnerável. Os nossos interesses, portanto, devem unir-nos aos seus interesses ; as nossas situaçoens topographicas nos põem em proximidade, o que reciprocamente multiplica as nossas relaçoens phisicas e moraes. A desfeita, que soffressem os constitucionalistas Portuguezes, nestas circumstancias, seria para nós o precursor de difiiculdades, que os inimigos tanto externos como internos naõ deixariam de produzir em nossas novas instituiçoens. Repito-vos, temos razoens sufficientes para nos devermos guardar contra a influencia e ataques do estrangeiro, dirigidos a frustrar a feliz consumação dos novos destinos de Portugal." 


Pastor Português in “El PAIS” de 19.04.2020

Fig. 03 – Portugal da ERA AGRÍCOLA- PASTORIL exigia um imenso espaço geográfico para cada empreendedor. Os braços e as mentes que sobravam eram acumuladas em cidades como do Porto e de LISBOA. Este acúmulo urbano, da população, gerava imensas necessidades, frustrações e descontentamentos. Além do mais não havia como retornar posas terras ancestrais que haviam  caído nas mãos da aristocracia que as transformaram em áreas de lazer, quintas não autossustentáveis ou simplesmente improdutivas.

" Tornando á sua situação actual, e fazendo abstracçaõ dos rumores, que correm, he indubitavel, que este paiz soffre grande crise. Por tudo quanto aqui sabemos parece, que alguns dos principaes authores e actores desta revolução tem, naõ digo abandonado absolutamente a causa da liberdade, mas variado singularmente em sua marcha, e sua direcçaõ ; sabemos que se excitou grande influencia por certas reunioens, cujos conciliabulos secretos se faziam em casa de distinctos membros de algumas companhias Inglezas ou Irlandezas, que tem estabelecimentos de Commercio em Lisboa

MANUEL FERNANRESTOMÀS 1771-1822

O POLÍTICO PORTUGUÊS QUE "MORREU À FOME" - roinesxxi (sapo.pt)

Fig. 04 – Manuel FERNANDES TOMÁS foi um dos autênticos SERVIDORES PÚBLICOS que tomou ao pé da letra os postulados maiores da REVOLUÇÂO de PORTO.  Colocou em prática a sua tese de que esta “FUNÇÂO PÚBLICA NÂO FOSSE REMUNERDA” Contribui gratuitamente com todos os seus conhecimentos, tempo e energias pessoais até ao seus esgotamento total e a sua morte por inanição

Sabemos que certos Portuguezes, pensando, sem duvida, que estaõ fazendo um serviço á sua pátria, usam seus maiores esforços, em Londres, para induzir o Governo Britannico, a que tome parte activa nos negócios de Portugal. Sabemos que uma personagem diplomática Portugueza, que acaba de sair de nossa cidade, e cuja chegada a Paris terá talvez tido lugar, quando recebêres esta carta, naõ omitte nem exhortaçoens nem rogativas para com Lord B a fim de persuadir seu Governo a adoptar medidas decisivas; sem duvida, a que mande um exercito, aliado e pacifico, para Portugal, para o restabelicimento da ordem e bom Governo. Sabemos outro sim, que outro diplomata Britannico,' o qual, depois da revolução de Portugal saio da Itália, com o pretexto do processo da Raynha, se occupava muito menos com aquelle caso, do que cem a revolução de Portugal, e suas conseqüências. Quando se pézam e combinam estas circumstancias, podemos justamente deduzir, conjecturalmente, pelo menos, a inferenuia, de que Portugal naõ pôde tardarem desejar alguma sorte de connesaõ com a Hespanha. Por esta razaõ me apresso a communicar-vos os rumores produzidos com a chegada do Correio Portuguez."

A chegada do Conselheiro Saldanha a Paris, deixando o seu lugar em Madrid, he attribuidaa insinuaçoens do Conde de Palmella; e com o fim de reunir em Paris, um Congresso de Diplomatas Portuguezes, que se acham servindo de Ministros em varias Cortes da Europa, e conforme o resultado dessas conferências ir um delles Tropau, representar os negócios de Portugal aos Soberanos os Alliados, e pedir auxílios para derribar a revolução Portugueza


Fig. 05 – As castas habituadas a mandar, entenderam logo a necessária habilidade de transformar em imagens, em espetáculos para encher os olhos do populacho com desfiles e ostentação de poder Por meio destes espetáculos estas castas dominantes articulavam-se seguindo a velha norma ”SE NÂO PODES com o INIMIGO, JUNTE-SE a ELE” Mecanismo por meio do qual  podem se valer do dinheiro, da experiência e da malícia para indicar ao populacho o  caminho que lhes interessava

 

. Com effeito, depois que chegou o Paris o Conselheiro Saldanha, saio daquella cidade, aos 6 de Dezembro, um dos officiaes, que se acham banidos de Portugal, por haver sido partidista Francez, e que recebera certa pensaõ pela Embaixada por algum tempo, partindo agora para Madrid, com sua mulher e filha ; e disse-se que o objecto da sua missaõ, éra organizar uma Legiaõ, que se poderá chamar anti-Luzitana, e servir na invasão de Portugal. Pareceria incrível, se naõ fosse tam conforme á experiência diária, que uns poucos de ministros d' El Rey em várias Cortes Estrangeiras, tomassem sobre si decidir e obrar sobre matérias de tanta importância, sem ordem do seu Socerano, e sem saber qual será a sua vontade, a respeito da nova ordem de cousas, que teve lugar em Portugal. Este procedimento he sem exemplo na historia da Diplomacia.

Se, portanto, houvesse ainda alguma duvida, sobre a existência de um partido oligarhico, que deseja governar soberanamente Portugal; o projectado conciliabulo de Diplomatas em Paris poria a matéria fora de questão. Os três Ministros agora em Paris, saõ o Marquez de Marialva, o Conselheiro Saldanha, e o Visconde de Santarém ; mas esperava-se ali tambem o Brito, D. José Lobo. &r. O Conde de Palmella, que se tem apresentado ao Mundo como campeão do partido Aristocrático, offerecendo-se até a tomar sobre si a responsabilidade pelas medidas dos ex-Covernadores de Portugal, será tomado como orgaõ desse partido, e por isso examinaremos as suas ideas a este respeito. Diz o Manifesto Roevidico, a quem tivemos de noticiar no nosso N.° passado, que " logo que o Conde de Palmella annuucinu a sua partida, lançaram (o Corr. Braz., &c.) maõ de todos os meios delles conhecidos, para ver se o podiam intrigar e indispor com El Rey e na opinião publica, a fim de que elle ficasse impossibilitado de propor cousa alguma, para conseguir o que éra da mais urgente necessidade adoptar, para arquietar as fermentaçoens que existiam em Portugal."

Quando o Conde blazonava, e fazia fallar seus trombeteiros, de que éra preciso por o edifício social sobre novas bazes, tinha era vista o querer passar por homem de ideas liberaes, e rapaz de conformar-se, em matérias de governo com as opinioens, nosso século; mas quem o conhecia de perto, e quem sabia do qne se passava, naõ podia deixar de lamentar, que tal homem e á frente de tal partido, pudesse chegar a ter decidida influencia nos conselhos do Soberano, e nos negócios nacionaes. Paru chegarmos a esta conclusão basta considerarmos o que elle fez em Lisboa; nas medidas que ali aconselhou, quando tomou parte nas deliberaçoens dos ex-Governadores.

Entre tanto, eram as Cortes compostas desses Nobres, que o Conde de Palmella recommendava, com a capa de ideas liberaes, e da necessidade de novas bazes para o edifício social, que acabariam com fazer El Rey mero cancellario, para assignar as ordens desses poucos Aristocratas, que governassem o Reyno


Pedro de SOUSA de HOLSTEIN (1781-1850) Duque de PALMELLA
na Revolução do Porto

http://mapa.an.gov.br/index.php/publicacoes2/70-biografias/448-pedro-de-sousa-e-holstein-duque-de-palmela

Fig. 06 – Nascido e educado para mandar e ser obedecido, o nobre CONDE de PALMELLA rapidamente articulou-se com as demais nobrezas europeias para dar o runo quew as castas privilegiadas sempre usufruíram. Os seus conhecimentos, suas energias pessoais  e habilidades para colocar todos os servidores públicos ao seu serviço e interesses

Quanto á Naçaõ, o povo e os cabeças da revolução conheceram logo, que taes eram as Cortes, que o Conde de Palmella lhes offerecia, como bazes novas do edifício social; eram as novas bazes nada mais, que as Cortes velhas, em que esses Nobres seriam os únicos que influíssem ; em que naõ haveria um só Deputado eleito pelo povo; e em que os Procuradores das Câmaras, poucos em numero, seriam eleitos por essas Câmaras, presididas por Ministros nomeados pelo Governo, istohe pelos Fidalgos Governantes do Reyno; e sendo Camaristas aquellas pessoas, que o Dezembargo do Paço quer que o sejam. 
Taes eram as Cortes, chamadas novas bazes do edifício social, cujo plano os Revolucionários repelllram, e regeitáram com o maior desprezo, expondo ao publico aastucia dos intrigantes. Diz o rifaõ, que na terra dos cegos quem tem um olho he rey: outra liçaõ diz, que na terra dos cegos quem tem um olho he torto: esta segunda liçaõ será a Targinica, como se pôde concluir do retracto, que acompanha a ultima edicçaõ da Arte de Furtar, impressa em Londres. Mas, se o Conde de Palmella, á falta de gente de conhecimentos, na sua classe, passava entre os seus por homem de habilidade, pela máxima da primeira Usaõ do provérbio; pela segunda lhe fizeram conhecer os Revolucionários de Portugal, que conheciam a tortuosidade da sua política; e a revolução da é a conhecer a elle, e a todo o mundo, que se os talentos dos Portuguezes até aqui naõ apparcciam, éra porque essa Aristocracia os sopitava ; e que ninguém cairá em admittir Cortes constituídas pelo Conde de Palmella por tal maneiro, que só sirvam de pôr freio á authoridade do Soberano, para mais a seu salvo pizar sobre o povo. A questão, hoje em dia, naõ he se figurarão os nobres, que ninguém respeita, ou se haverá um Rey, a quem todos querem ; e cuja authoridade por isso ninguém disputa: a questão he o estabelecer taes formalidades no Governo; que os empregados públicos estejam sugeitos a uma verdadeira e efficaz responsabilidade. Menos disto nada aceitará a Naçaõ ; e com isto será sempre salva e respeitada a dignidade do Soberano.


José Feliciano FERNANDES PINHEIRO (1774-1847) por Henrique MANZO Museu Paulistano USP

Retrato de José Feliciano Fernandes Pinheiro (Visconde de São Leopoldo) - Henrique Manzo — Google Arts & Culture

Fig. 07 – O paulista José Feliciano FERNANDES PINHEIRO foi um dos constituintes de Portugal e assinou as suas finais, Ele era o presidente da Província do Rio Grande do Sul em 1824. Nesta ocasião foi valioso para os primeiros imigrantes alemães. Em 1827 conseguiu a instalação das faculdades de direito de Olinda e de São Paulo Posteriormente recebeu título de Visconde de São Leopoldo. Como um dos “Capa Preta” de Cimbra ele se enquadra naqueles brasileiros estudados por GAUER (2001e que cimentaram as bases do ESTADO SOBERANO  BRASILEIRO.

O Portuguez Constitucional de 24 de Novembro, diz isto:—" " Senhor Redactor!—Naõ pôde bem julgar de minha admiração, quando hontem ouvi dizer em boa sociedade, que alguns Fidalgos de Lisboa haviam entregado uma representação paia S. M., na qual, expondo-lhe as tristes circumstancias de Poitugal, declaravam haverem jurado a Constituição obrigados pela força, mas que fariam quanto lhes fosse possível para empatarem o juramento dado, protestando sua adbesaõ ao throno na forma antiga: isto me affirmáram pessoas, que naõ se illudem ! E qne lhe parece, Sr. Redactor, será verdade ? oh ! se for confirmado um tal perjúrio, que devem esperar Suas Excellencias da Naçaõ ? Um punhado de homens pretenderão oppôi-se aos desejos de todos os Portuguezes ? Eu naõ posso tal accreditai í mas se assim for, terei que dar a fazer a todos os vidraceiros de Lisboa; porque naõ deve manchar as paginas da nossa presente historia um só facto escripto com letras de sangue : naõ quero tomar-lhe mais o tempo, e so lhe protesto, que, a pezar dos Fidalgos de Portugal, e de todos os Fidalgos do mundo, Portugal terá uma Constituição, he o que lhe pôde affiançar seu admirador.—O Patriota Transtagano.—A vóz publica diz que sim: eu naõ sei, mas naõ duvido. E quem se encarregaria da entrega ? Foi... . foi ... . tudo se saberá, e vai sabendo.

** Nota do Redactor do Portuguez Constitucional."

O Conde de Palmella, que saio de Lisboa no paquete Inglez, Montague, para o Rio-de-Janeiro, aos7 de Novembro, foi arribado a Gibraltar. Mas vindo ali ter uma fragata Austríaca, que de Tiieste saia para a China, com escala pelo Brazil, nella se embarcou o Conde, para seguir sna derrota. Resta vermos, se elle ainda terá cabimento no Ministério, e quando o tenha, quaes seraõ as novas bazes, que recommendará paia o edifício social


Fig. 08 – Portugal estava iniciando o processo de sua fragmentação quando outras nações estravam no caminho de angariar e ampliar o seu sistema colonial.  Uma das razões das outras nações era sua crescente ERA INDUSTRIAL que exigia vasta áreas sob o seu domínio como fontes variadas de matérias primas e constituir mercados cativos dos produtos das suas máquinas. Portugal aferrava-se à era Agrícola e economia do escambo medieval.

 

No Brasil, de dezembro de 2020, como em Portugal de dezembro de 1820, a questão de fundo não foi e nem são as  figurações de uma casta burocrática, que ninguém respeita, ou se haverá o cargo de um PRESIDENTE e que todo almejam e cuja autoridade por isso ninguém desconsidera. A questão foi, e continua sendo, o de estabelecer as formalidades no Governo aos quais os servidores dos públicos estejam sujeitos numa verdadeira e eficaz responsabilidade. Menos disto nada aceitará a Nação e com isto será sempre salva e respeitada a dignidade a soberania de um povo, de um governo e de sua Pátria comum.

No Brasil, em dezembro de 2020, os servidores públicos tem por norte, nas suas funções, a legalidade, a impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.

GAUER, Ruth Maria Chittó. A construção do Estado-nação no Brasil: a  contribuição dos egressos de Coimbra . Curitiba : Juruá. 2001. 336 p

 

O TRIUNFO da REVOLUÇÃO do  PORTO.

https://naofoinogrito.blogspot.com/2020/10/203-nao-foi-no-grito.html

 

DEPUTADOS BRASILEIROS nas CORTES GERAIS

\\Fsseep\03073_03.TXT\03073.vp (senado.leg.br)

 

CASTAS imagem

File:Casta painting all.jpg - Wikimedia Commons

+

Castas Racial Classifications (latinamericanstudies.org)

 

As CORTES de 1820

Constituent Cortes of 1820 - Wikipedia

 

REVOLUÇÂO do PORTO 1820

A Revolução do Porto (rio.rj.gov.br)

 

BICENTENÁRIO

Porto celebra 200 anos de uma revolução liberal que foi sua antes de ser do país | História | PÚBLICO (publico.pt)

 

MANUEL FERNANRESTOMÀS 1771-1822

O POLÍTICO PORTUGUÊS QUE "MORREU À FOME" - roinesxxi (sapo.pt)

CÒDIGO PENAL BRASILEIRO de 1830

Há 190 anos, o primeiro Código Penal do Brasil fixava punições distintas para livres e escravos | Atualidade | EL PAÍS Brasil (elpais.com)


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