sábado, 11 de junho de 2016

136- NÃO FOI no GRITO

A MARCHA para o INTERIOR do BRASIL.
 
.As circunstancias, requeridas para a capital de um Estado tal como o Brasil, se reduzem a ter acomodações suficientes para a Corte, e mais oficias públicos das diversas repartições, que ali houverem de residir; que seja um ponto o mais central possível das diferentes províncias; e que esteja em tal distancia das fronteiras ou costas, que o inimigo tenha grande dificuldade em ali chegar ”.
CORREIO BRAZILIENSE  Vol.. XVI,. nº. 97,  junho de 1816.  Miscelânea. p.626 
Giacomo GASTALDI 1º mapa do Brasil - 1550[1] http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0001-37652007000400014
Fig. 01 –  O interior  do atual território brasileiro permaneceu com “TERRA NON DESCOBERTA” aos europeus até que estes iniciassem a sua era industrial, Como possessão colonial o  Estado Lusitano relutou muto para abrir oficialmente os portos brasileiro para navios de “nações amigas”.. A atividade de confecção mapa e “portulnos” eraaltamente vigiada e ao mesmo tempo remunerada a peso de ouro
Na cultura helênica o “CONHECIMENTO de SI MESMO” era um dos projetos mais elevados. Para as IDENTIDADES NACIONAIS vale  mesmo projeto. No Brasil a  “cultura do caranguejo”, - preso e fixo no litoral- fez com que o seu interior brasileiro não só fosse apenas uma INCÓGNITA, mas também um severa AMEAÇA. Entre as “BANDEIRAS”  paulistanas até a COLUNA PRESTES pouco mudou de fato neste imenso interior brasileiro. O lento deslocamento das novas fronteiras agrícolas pelos descentes dos primeiros imigrantes, a épica investida dos “soldados da borracha” e a efetiva transferência da capital para o centro do país abriram o interior brasileiro ao mundo. Abertura que consolidou este conhecimento, experimentação e aceitação emocional da realidade do interior brasileira. Este conhecimento efetivo conferiu ao Brasil uma identidade mais coerente consigo mesmo.


[1] - MAPAS de GIACOMO GASTALDI (1500-1566) https://terrabrasilis.revues.org/715
Fig. 02 –  Outro mapa que evidencia a sequência de vilarejos praianos e que gradativamente irão se torna  lugares com guarnições militares s com um rosário de fortes. Esta estratégia tinha por objetivo resguardar - para usufruto lusitano - o PAU BRASIL que era e continua sendo um raro e verdadeiro tesouro no comércio mundial. Os vilarejos, guarnições militares e fortes que tinham por fim precípuo denunciar, impedi e afastar qualquer olhar para o interior desta gigantesca colônia americana. 

O texto do  CORREIO BRAZILIENSE, do mês de junho de 1816, esboçou, de certa forma, este projeto de INTERIORIZAÇÃO CONHECIMENTO de SI MESMO deste colossal continente brasileiro.
Este texto de 1816 possui muitos pontos em comum com os eventos do mês de junho de 2016. Eventos que mostram que não se tratava apenas de ocupar a terra e transportar a capital ao interior do Brasil. De nada adiantaria esta mudança física se fosse preservada a mentalidade e a prática dos hábitos do regime colonial. Esta mudança e ocupação física apenas mascaram as mesmas práticas do mandonismo dos caciques e dos coronéis transformando em alienados e comandando legiões de autômatos.
Fig. 03 –  O Brasil de 1500, não era despovoada. O interior  do atual território brasileiro abrigava 5 milhões de almas quando da chegada dos portugueses.. Os nativos não haviam construído grandes e esplendorosos aglomerados e acúmulos, num único lugar, de gente, de  poder e bens materiais. Ao longo de 10 milênios estes indígenas  estavam dispersos em todo território e adaptados ao meio ambiente. Cultivaram técnicas não agressivas ao meio ambiente, possuíam especializações e um vasto conhecimento das suas circunstâncias. O antropólogo Darci Ribeiro viveu estas circunstâncias brasileiras que foram ignorados e desqualificados pela cultura europeia. Esta cultura milenar brasileira não irá sofrer grandes abalos se a cultura europeia entrar em colapso e se tiver de retornar para as suas origens.

Mandonismo que a mídia brasileira - manipulada por coronéis e caciques locais - tenta mascarar com estapafúrdias revelações de corrupção pontual do grupo rival na conquista do poder político, econômico e social brasileiro. Quando este feitiço não funciona, ou cansa,  esta mídia brasileira viciada, se recheia com a mídia mundial. Assim consegue o feito de alienar do seu CONHECIMENTO PRÓPRIO o PODER ORIGINÁRIO BRASILEIRO. Para tanto esta mídia brasileira manipulada mistura o drama dos OUTROS como dos refugados, com crimes, esporte empresariado e com a preparação e a iminência dos Jogos Olímpicos no Brasil.
http://www.pick-upau.org.br/expedicoes/bandeirantes/bandeirantes_passado/bandeirantes_passado_fernao_dias.htm
Fig. 04 –  O bandeirante era filho de pai  europeu e de mãe indígena. Desta mãe nativa ele aprendeu a língua da terra e a se alimentar com os produtos que a cultura indígena já adaptara para a nutrição humana.. Com este duplo saber podia vagar por anos e décadas a fio pelo  interior brasileiros sem depender de produtos e culturas exóticas. Assim era uma massa humana que CONECIAS as suas CIRCUNSTÂNCIAS, sabiam viver delas e estava pronto para se conduzir na soberania da terra. O fracasso da Confederação dos TAMOIOS (1556-1567)[1], a renúncia de Amador Bueno não o intimidaram. Assim não é por acaso que Dom Pedro I foi a São Paulo para ali proclamar a INDEPENDENCIA do BRSIL  

Contraditoriamente o texto do  CORREIO BRAZILIENSE, de junho de 1816, foi concebido numa cultura alheia e longe do Brasil.  Contraditório, porque, de um lado, o seu redator está longe da realidade empírica do lugar, do tempo e da sociedade brasileira. De outro, esta distância lhe conferem neutralidade, visão mundial abrangente do problema e isenção na intervenção de forma direta e pessoal no problema.
Com isto em mente,  vale a pena ler, ponderar e se posicionar em relação ao texto do:
CORREIO BRAZILIENSE  Vol.. XVI. , nº. 97  junho de 1816. Miscellanea,. pp.626-629

Immigraçaõ no Brazil (e nova capital).

Paliaremos agora da idea de fundar nova capital no Brazil, sobre o que ja demos algumas noçoens em N°s. passados deste Periódico. As circunstancias, requizitas para a capital de um Estado tal como o Brazil, se reduzem a ter accommodaçoens suficientes para a Côrte, e mais officiaes públicos das diversas repartiçoens, que ali houverem de residir; que seja um ponto o mais central possível das differentes provincias; e que esteja em tal distancia das fronteiras ou costas, que o inimigo tenha grande difficuldade em ali chegar. He claro que o Rio-dc- Janeiro só possue a primeira daquellas qualidades, em algum gráo; porque está a um canto do Brazil; e porque está na beira mar, sugeito a um ataque de qualquer potência, que seja superior em forças marítimas.
Fig. 05 –  São Paulo de PIRATININGA  havia sido criada estrategicamente insucessível a um ataque inimigo proveniente do mar. As águas do Rio Tietê correm para o Oeste e  apontam para  interior  do atual território brasileiro.  Ponto de formação de diversas “BANDEIRAS” que se dirigiram em todas as direções do Brasil. Estes projetos e a sua audaciosa execução expandiram e desenharam a essência das atuais fronteiras brasileiras.
A Bahia, que he ponto mais central, tem este inconveniente de ser exposta ás forças navaes de um inimigo, ainda em maior gráo do que o Rio-de-Janeiro. Pernambuco está no mesmo caso. Na situação pois do Brazil, o remédio mais obvio para isto, he edificar uma cidade de novo, como ja fizeram os Estados Unidos: empreza, que se he difficil, trará por isso mesmo mais gloria a quem a emprehender; e se seus benefícios saõ remotos, nem por isso deixam de ser de mui extensas conseqüências para a naçaõ. 
Oscar Pereira da Silva (1865-1939)[1]_-_1931_-_Aclamação de Amador Bueno[2]
Fig. 06 –  As audaciosas ações levou os Bandeirantes cultivara os sentimentos de soberania. Por sua conta e risco expandiram as terras sobre  seu controle e com parca presença e apoio  do Estado Nacional Lusitano. Este sentimento  os levou a beira da soberania e motivou a multidão a proclamar como seu rei a Amador BUENO RIBEIRO[3]. Porém o levante foi desestimulado pelo aclamado pela que se recolheu a um mosteiro beneditino.  Assim Amador passou como REI por UM DIA  

O districto das Minas he como uma espécie de reservatório; aonde nascem rios, que se dirigem para todos os pontos da costa do Brazil; e além das campinas do Rio-Doce se encontram braços do Rio de S. Francisco; aonde ha sihiaçoens as mais bellas para se edificar a capital do Brazil; porque dali se pode abrir com facilidade a navegação interior para todos os pontos das costas; e estradas dírectas, para todas as cidades das provincias, com iguaes distancias de uma extremidade á outra do Brazil. Além disto, na Capitania do Espirito Santo, se pode formar um dos principaes estaleiros, e deposito de esquadras; cujas disposiçoens podem ser communieadas ao Governo na Capital, por uma linha de telegraphos; em mui breve espaço de tempo.
Fig. 07 –  O quilombos se multiplicavam do interior com a fuga dos escravos para a floresta. Assim se constituíram em  outra vertente desta a conquista e interiorização das terras brasileiras. Neste interior formavam comunidades (quilombos) basicamente voltadas para a sua sobrevivência primária e livre.. Os vestígios destas comunidades podem ser vistos em todo território nacional, ainda em junho de 2016  . As atuais favelas devem muito desta cultura que se expandiu e afirmou ao longo do Regime Republicano brasileiro. Foi quando a cultura destes Quilombos  migrou e se adaptou - como um rosário - ao redor  da quase totalidade das comunidades urbanas brasileiras.

Depois; a capital, remota das praças de commercio, deixa os negociantes em seu trafico, separados dos embaraços e luxo da Corte; ao mesmo tempo, que os recursos ao Governo saõ igualmente fáceis de todos os lados, pelas razoens, que deixamos apontadas. Os inconvenientes contra este plano, saõ o incommodo de ir habitar num deserto; e as despezas que o Estado deve incorrer na edificação de uma cidade; e nos edifícios necessários para as diversas repartiçoens publicas. O incommodo de habitar um deserto cessa, logo que nesse deserto se faz uma cidade: entaõ ja naõ he deserto. Tendo cuidado de abrir as estradas desde a nova cidade até as povoaçoens principaes, que lhe ficarem mais próximas, o interesse dos indivíduos trará desses lugares tudo quanto se precisar na nova capital
Fig. 08 –  Uma imagem do imenso Planalto Central Brasileiro no  ponto em que se implantaria, pouco depois desta foto, a nova capital e cidade de Brasília.  A sua altitude e o seu clima favorecem  a saúde humana. Altitude próxima aos 1.000 metros, do nível do mar,  sem a pressão atmosférica do litoral e nem as altitudes alucinantes das grandes montanhas. Este clima, confere, um ponto de euforia moderada aos seus habitantes,  ,   

Vamos ás despezas. Em qualquer parte que resida a Corte he preciso que haja um ou mais palácios para El Rey ; edifícios para as repartiçoens publicas; abarracamentos para tropas; &c. O Rio-de-Janeiro possue estas accommodaçoens em gráo taõ pequeno, que se El Rey ficar permanecendo no Brazil (do que temos mui pouca duvida) por força se haõ de fazer estes edificios; logo naõ póde haver grande inconveniente em fazeiloi no lugar, em que melhor convém que exista a capital. Persuadidos de que haverá minas de ferro nas margens do rio S. Francisco 5 e sabendo que ali ha muita madeira e pedra; propomos, que no lugar aonde se detejar fazer a capital ja estabeleça uma fundição; engenhos de serrar madeira; e canteiros a lavrar pedra
Fig. 09 –  O norte-americano Theodore Roosevelt (de óculos ao lado direito da foto) num acampamento no interior do Brasil. Seu guia foi o futuro Marechal Rondon  (segundo ao lado desquerdo da foto) que o fez percorrer o território brasileiro e mediu o seu contato com os nativos da terra  A presença estrangeira no interior brasileiro responde a uma necessidade de matar a curiosidade  de culturas que mitificaram esta realidade. Muitas vezes o resultado é a decepção como o livro “Os Tristes Trópicos” de Levy Strauss[1] ou então mitificação e exaltação de “GRANDE SERTÃO: VEREDAS” de João Guimarães Rosa

Ajuncte-se a isto o postar-se naquelle lngar um ou dous regimentos de soldados: repartam-se os chaõs por quem os quizer, com pena de perdimento delles se naõ edificarem acata, no armamento competente ; e com as circumstancias estipuladas: dem-se nas vizinhanças da cidade, e pelas bordas das estradas datas de terras com pequenas frentes, obrigando a certa cultura; postem-se os destacamentos dos soldados de distancia cm distancia ao longo das estradas; em cuja abertura os mesmos toldados se podem empregar, por meio de faxina, ou licenciados para ganhar como trabalhadores. Seguindo-se este plano com perseverança, em dez annos, o tal deserto se poria em estado de ter os edeficios necessários para receber a Corte; e esta nao pôde residir em um lugar por muito tempo, sem crear em torno de si uma cidade
Fig. 10 –  O interior da Amazônia estava vivendo o apogeu do Ciclo da Borracha  no início do século XX. A Era Industrial precisava deste insumo para as fábricas e s linhas de montaem de carros. Assim ganha sentido a presença de Roosevelt (1913-1914)[1]  e, mais tarde,  de 1927  até 1945, do projeto norte-americano da FORTLÂNDIA[2]

Quando nos Estados Unidos se resolveo edificar a cidade Washington, para ser a capital, se seguio o plano naõ de dar os chaõs aos que quizessem nelles edificar; mas vendêllos em almoeda de tempos a tempos; e com este producto fazer os edifícios públicos. Naõ  aconselharíamos o mesmo no Brazil; porque naõ esperamos, que ali haja o mesmo espirito de especulação, que he taõ dominante nos Estados Unidos: mas pôde com tudo impôr-se algum foro aos chaõs, que sendo taõ módico que naõ grava os habitantes, sirva pelo tempo adiante de sufficieute rendimento para as despezas dos concertos de calçadas, illuminaçaõ das ruas, £tc. Uma importante vantagem de estabecer a capital no interior tio Brazil, he atrahir para ali a população, principalmente a estrangeira. As costas do mar e beiras dos rios, saõ, em todos os paizes, as mais bem provoadas, pelas facilidados de communicaçaõ que offerecem; ali portanto se naõ necessita de incita mento; este deve dirigir-se ao interior com preferencia; e a edificação da capital, no lugar que mencionamos, produzirá este effeito; servindo de ponto de reunião, por meio de novas estradas, entre as parte mais distantes do Império; e facilitando o accesso por terra até ao Mato Grosso, que apenas tem agora uma sahida, que he a do Pará.
Fig. 11 –  A longa marcha da COLUNA PRESTES pode ser reconhecida como um ato de conhecimento do interior brasileiro. Ao mesmo tempo chamou atenção para a existência eas condições de vida nestas circunstâncias.  No final do nos 1920 o seu roteiro incluiu o lugar geográfico no qual,  30 anos depois depois se situaria Brasília.  De outra parte esta marcha foi um dos sintomas do que viriam em 1929 com a Quebra da Bolsa da Nova York e a Revolução de 1930  

A dificuldace de abrir essas estradas naõ deve assustar ninguém; porque, alem de outros exemplos, desde Maranhão até a Bahia se tem aberto uma communiçaõ por terra, donde tem ja brotado ramificaçoens para outras partes; e se os povos de per si mesmos; ajudados somente da industria de alguns índios e Negros; tem descuberto aquellas vias de communicaçaõ; quanto mais fácil naõ seria isso auxiliado pelo Governo, as estradas determinadas por Engenheiros, e segundo os rumos mais curtos; barcos de passagem estabelecidos nos rios, que se houvessem de cruzai; piquetes de tropas postados aonde a segurança dos viajantes o exigisse, e correios estabelecidos para facilitar a communicaçaõ e conrespondencia de uns lugares a outros. 
Fig. 12 –  O interiorano brasileiro, conhecido como  “Candango” constituiu-se em força decisiva para trazer ao mundo prático o antigo projeto de materializar a capital brasileira no seu interior e centro geográfico Evidente que qualquer mudança traz uma reação igual e contrária. Isto aconteceu também com Brasília. Também não faltou o a corrupção do ótimo pela ação de atravessadores, mediadores e  mesmo delinquentes contumazes.

As despezas, que o Estado fizer, com esta concurrencia de população para o interior; e com a facilidade dos meios de communicaçaõ, será repaga em quádrupla vantagem. A única cautella, que deve haver, consiste em naõ tomar o Governo sobre si, senaõ a direcçaõ geral, evitando monopólios de toda e qualquer sorte, e cuidando em que a administração da Fazenda Real, seja exposta aos olhos de todos, a fim de que todos possam notar os pontos em que pôde haver abusos; porque sem esta circumstancia nunca elles chegam a ser conhecidos.
Fig. 13 –  O Brasil está experimentando uma gradativa marcha para o Oeste e o seu interior. Neste interior cresce a população e a renda, ao contrário de alguns países que estão ficando ocos devido a diminuição de sua população interiorana que foge para as grandes metrópoles  Em junho de 2016, a atividade agrícola brasileira está descobrindo e usando a as revoluções, biológicas, as eletrônicas e se comunicando e usando os satélites espaciais  para se conectar e estar presente nas redes mundiais da produção de alimentos

Este texto do CORREIO BRAZILIENSE de junho de 1816 além  de concebido longe do Brasil e numa cultura alheia, expressa a mentalidade do seu autor impregnada das promessas da ERA INDUSTRIAL. Era INDUSTRIAL que via forçada a ignorar e desqualificar qualquer concepção, paradigma ou teoria concorrente. Concorrentes como as palavras de Oswald de Andrade “antes dos portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil tinha descoberto a felicidade[1].
ÉPOCA PÓS-INDUSTRIAL está recheada de dúvidas ao contemplar declínio  e a  obsolescência a ERA INDUSTRIAL. Esta está freando seus ímpetos de se intoxicar com os seus próprios venenos e se aniquilar a si mesma pelos sucessivos ciclos de sua própria obsolescência. Resta para a ÈPOCA PÓS-INDUSTRIAL desaprender tudo, se reinventar e buscar o verdadeiro “CONHECIMENTO de SI MESMA”. Este conhecimento não reside apenas na ATUALIZAÇÂO da INTELIGÊNCIA e CULTURAS ALHEIAS. A verdadeira PESQUISA da sua IDENTIDADE NACIONAL reside nos temas e nos problemas que se debatem no interior brasileiro. Antônio Callado inventou um modo ficcional para partir do presente, e do litoral,  na busca do passado e no mais recôndito interior brasileiro.
Contudo irá persistir o eterno problema de uma severa AMEAÇA da INCÓGNITA de SI MESMO. Ameaça que se expressa nos hábitos subliminares do servilismo, da escravidão é do colonialismo.  Hábitos subliminares que também vegetam à custa de terras férteis. Hábitos subliminares que se alimentam da inteligência, da vontade e dos sentimentos na heteronomia.  Hábitos subliminares que se recusam olhar no próprio espelho. Para esta nação alienada e anestesiada não faltarão atravessadores,mediadores e criminosos que farão desfilar este imenso rei tonto em pelo e nu.
FONTES BIBLIORÁFICAS
BOSSI, Bartolomé (1819 – 1890)– Viagem pitoresca pelo Rios Paraná, Paraguai, São Lourenço, Cuiabá e o Arinos, tributário do Grande Amazonas. Brasília: Senado Federal, 2008, 132 p. http://www.worldcat.org/title/viagem-pitoresca-pelos-rios-parana-paraguai-sao-lourenco-cuiaba-e-o-arinos-tributario-do-grande-amazonas-com-a-descricao-da-provincia-de-mato-grosso-em-seu-aspecto-fisico-geografico-mineralogico-e-seus-produtos-naturais/oclc/837812546.

CALLADO, Antônio Carlos (1917-1997)  – QUARUP – São Paulo: Circulo do Livro 1975, 470 p.
  Et  Rio de Janeiro: José Olympio, 2014 in

GUIMARÃES ROSA João (1908-1967) Grande Serão Veredas.(10ª ed.) Rio de Janeiro: José Olympio 1976 460 p

LÉVY- STRAUSS, Claude. Tristes Trópicos. São Paulo: 70, 1993, 404 p.


FONTES NUMÉRICAS DIGITAIS
AMADOR BUENO ACLAMADO REI do BRASIL 1641

BANDEIRANTES e a CONQUISTA do INTERIOR BRASILEIRO

BRASÍLIA e a sua HISTÒRIA
BRASILIA região antes da construção
Na construção

COLUNA PRESTES 1925-1927

CORREIO BRAZILENSE Nº 058 – março de 1813  pp 374 - 376

EXPEDIÇÂO de ALEXANDRE RODRIGES FERREIRA (1750-1815)

HISTÓRIA de GOIÁS
Mapas de GOIÁS COLONIAL

MAPA HOLANDES do BRASIL

MARANHÂO – Alcântara

NÃO FOI NO GRITO Nº 070:. BRASÍLIA no HORIZONTE de 1813 A CAPITAL no INTERIOR.

ROOSEVELT e RONDON
RONDON  PATRONO das COMUNICAÇÔES no BRASIL

SAINT HILAIRE relato sobre viagem para GOIÁS

SOLDADOS da BORRACHA: heróis esquecidos

VIDA SOCIAL na ESCRAVIDÂO e no REGIME COLONIAL do INTERIOR BRASILRO

ZUMBI dos PALMARES (1655-20.11.1695)



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quinta-feira, 9 de junho de 2016

135- NÃO FOI no GRITO

Os IMIGRANTES e as OLIMPÍADAS.
 
. Em alguns reinos se tem buscado atrair os estrangeiros pela magnificência da Corte; beleza dos edifícios; celebração de festividades; instituições de feiras, &c. os jogos Olímpicos, e outros entre os Gregos; os triunfos e jogos seculares entre os Romanos, tanto no tempo da Republica, como no tempo dos Imperadores; tiveram em vista esta atração de estrangeiros; por diferentes modos, segundo as diversas formas de Governo, mas em todos pela perseverança e firmeza nestas medidas de proteção, que inspiram a confiança nos demais povos.”.
CORREIO BRAZILIENSE  VOL. XVI. No. 97 junho de 1816.  Miscellanea. p.625 
Fig. 01 –  As empresas de imigrantes organizavam multidões que elas embarcavam em navios fretados ou especialmente construídos[1] para este fim.. Esta verdadeira maré humana fertilizou e fez emergir e fez prosperar nações e estados nacionais que tinham de fato um projeto para estes adventícios e novas energias. No Brasil - o belo projeto desenhado, expresso estampado no Correio Braziliense, em junho de 1816 - teve modesta e desconfiada acolhida tanto pela parte do Estado Nacional como da parte daqueles que  dependiam da Escravidão e dos favores da metrópole lusitana.

A Europa estava mandando, no mês de junho de 1816, para todos os portos mundo as suas sobras da sua gente da Era Agrícola. Em junho de 2016 está recebendo o refluxo de suas exportações de suas sobras. Em 1816 a sua Era Industrial já estava acesa e provocava mudanças radicais na ERA AGRÍCOLA e na mentalidade feudal. Em 2016 a Época Pós-Industrial promete, mas também impõe, na prática e subliminarmente, normas e exerce códigos secretos e de difícil compreensão, assimilação e descarta sem contratos avisos para quem as ignora
A Europa seria completamente diferente sem esta exportação de sua gente -  em pleno andamento em junho de 1816 - e após as guerras napoleônicas. De outra parte é imprevisível o que irá acontecer com as sucessivas ondas de retorno dos descentes europeus para a pátria dos seus antepassados e recentes dominadores coloniais em pleno andamento e junho de 2016.
Seria impensável uma EUROPA da qual ninguém tivesse imigrado ao longo destes 200 anos.
Fig. 02 –  As massas humanas comprimidas em pequenos e precárias embarcações pagavam passagem e se aventuravam por conta e risco. Em junho de 2016 quando esta mesma massa humana busca as melhores oportunidades imita este gesto de pagar fortunas para atravessadores, mediadores e inescrupulosos que transfrmam este comércio humano em fonte de lucros. Enquanto isto os estados nacionais impõe rigorosa prontidão nas suas fronteiras e até elevam longa muralhas para conter esta invasão desordenada

O texto do CORREIO BRAZILIENSE, do mês de junho de 1816, possui muitos pontos em comum com os eventos do mês de junho de 2016. Eventos nos quais a mídia mundial mistura o drama dos refugados e a preparação e iminência dos Jogos olímpicos no Brasil. 
CORREIO do POVO Ano 121 nº 239- capa -dia  26 .05.2016 MIGRANTES.
Fig. 03 –  Em junho de 2016 as condições dos imigrantes passam pela clandestinidade e são realizadas or empresas de fachada e que frequentemente terminam em tragédias piores do que a da BALSA de MEDUSA[1] tornada pública e celebre numa pinturas de Gericault O Mari interno do Mediterrâneo é palco de um busca desesperada de retorno para assuas origens e a evidência de que a cultura europeia fracassou humanamente em se ver livre  desimpedida para iniciar a sua ERA INDUSTRIAL e onde sobrava um significativo contingente humano que era mandada, em condições precárias e perigosas  para as suas colônias e de cujo trabalho e riquezas fez a sua gloria[2] e atual ameaças de ruina e invasão dos “exportados”.

A busca da “TERRA SEM MALES” do indígena brasileiro dos refugiados e imigrantes. Busca que se materializa e  se reflete nos olhos dos refugiados haitianos ou senegaleses. Busca universal por um mínimo de segurança, de bem estar e especialmente a possibilidade de deixar nas mãos  dos seus descendentes o fruto do seu trabalho honesto e as parcas conquistas materiais.
Fig. 04 –  As condições de alojamento dos navios veleiros fretados par transportar imigrantes nas rotas marítimas do mundo não eram muito diferentes daquelas dos navios fretados para transportar escravos. As doenças, os seus contágios e os óbitos nestas condições eram frequentes. Esta vida precária era apenas  uma amostra das condições materiais, psicológicas e políticas que aguardavam os sobreviventes temerários em terra firme. Muito poucos foram aqueles que puderam transformar estas privações e uma vida melhor, mais segura e deixar para seus descentes um estilo de vida superior ao daqueles de sua pátria de origem.  

Porém esta liberdade de busca da “TERRA SEM MALES” e a circulação necessitam de um sistema político, econômico e social. Sistema que contenha garantias  para que este projeto e este pacto contemple  um mínimo de credibilidade, planejamento e perspectiva de duração por um tempo indeterminado.
As guerras, as dissenções e as diferenças regionais ou étnicas  sessavam quando os gregos se preparavam para as suas olimpíadas clássicas. O conhecimento de si mesmos e pr uma mente sadia num corpo sadio era iluminada pela chama ideal das olimpíadas. Nenhum evento político, econômico ou social poderia ofuscar ou apagar esta chama ideal. De outra parte os 4 anos que separavam uma olimpíada da outra
Se o imigrantes busca outras terras do que as suas origens o faz por uma necessidade premente e inadiável.
Fig. 05 –  As diversas etnias que constituíram uma identidade grega própria, trataram de exportar esta cultura e estilo de vida pelo Mar Mediterrâneo afora. Na contrapartida os gregos foram suficientemente sábios para atrair, e recompensar aqueles estrangeiros fascinados pela cultura e arte helênica. Um destes  seus projetos civilizatórios eram as Olimpíadas que no ano de 2016 serão rememorados no Brasil.  

Os gregos tratavam o estrangeiro como uma categoria muito especial e do qual aprendiam o melhor e ao mesmo tempo sabiam da imensa energia e trabalho que se podia esperar de um deslocado de sua terra.

CORREIO BRAZILIENSE  VOL. XVI. No. 97,  junho de 1816. Miscellanea. pp.623-626

Immigraçaõ no Brazil.
O Brazil he agora sem duvida a mais importante parte da monarchia Portugueza, e ao mesmo tempo aquella, que tem menor população. Este ponto he demasiado importante, para que deixemos de tornar a fallar nelle uma vez mais. Duas cousas desejamos aqui recommendar: uma, a introducçaõ de emigrados, em geral: outra a edificação de uma cidade no interior; que venha pelo tempo adiante a servir de capital ao Brazil. E quanto á primeira; convém lembrar o exemplo de outros paizes; para dcsabu-.aras pessoas, que ainda hesitam, sobre as utilidades do expediente de favorerer a immigraçaõ, em um paiz, aonde a população he proporcionalmente taõ diminuta; as sciencias e as artes taõ atrazadas
Fig. 06 –  A Europa e especialmente a Inglaterra iniciou um intenso e agressivo programa de Industrialização Decretou a obsolescência de grandes áreas agrícolas e as  ocupou e a poluiu terra e os ares  de forma permanente com produtos químicos altamente tóxicos.. A sentença de que  “os incomodados se mudassem”  provocou umcortejo de imigrantes que e dirigiam a todos pontos do planta. Evidentemente não tinham condições intelectuais e técnicas para levar junto as máquinas. Porém estes imigrantes, contraditoriamente, tornavam–se fonte de matérias primas e reserva de mercado destas máquinas industriais da linha de montagem. .Este processo está ocorrendo ainda em junho de 2016 na China para onde migraram as grandes fortunas e estão invertendo o processo colonial por meio da busca de insumos e transformando o planeta como um  magno território de reserva de mercado de seus produtos.

Abaixo verá o Leitor, no artigo dos Estados Unidos, alguma noticiado rápido augmento de população, industria, e riqueza, que tem procurado aquelle paiz o prudente conselho de favorecer, por todos os modos possíveis, a introdução dos estrangeiros. Perém naõ he somente a practica moderna dos Estados Unidos, que  temos a favor desta politica ; inumeráveis outros paizes tem ílorecido. adoptando a mesma máxima de introduzir população estrangeira. O prodigioso melhoramento na agricultura, nas artes, na edificação das cidades, villas e lugares; a afiluencia de povo, e em rim a industria de todo o gênero, que se observava nos Paizes baixos, foi mui principalmente devida ás guerras civis, calamidades, perseguiçoens, oppressoens, e descontentamentos, que foram mui fataes a seus vizinhos. 
Fig. 07 –  A “pescaria de almas” também se industrializou. As “igrejas” passaram a funcionar como “Companhias”  interessadas no maior número possível de “prosélitos”.. Não foi apenas na religião que se verificou este fenômeno.  Ideologias, partidos políticos, instituições e  Universidades alcançavam e domesticavam os emigrados da Europa e os seus descentes. Este proselismo intelectual, moral, técnico e econômico estão mais fortes e ativos, em junho de 2016 do que nunca antes.

As perseguiçoens religiosas, na Alemanha, em tempo de Carlos V.; em França, sob Henrique II; e em Inglaterra, no tempo da Raynha Maria, forçaram muita gente para fora destes paizes, que se foram acolher ás Provincias Unidas; aonde as antigas liberdades do paiz, e os privilégios das cidades tinham sido invioláveis, sob o governo de uma longa suecessaõ de Principes ; dando protecçaÕ a estes opprimidos estrangeiros, que encheram as suas cidades de gente e de commercio ; e levantaram Antwerpia ao cumulo de elevação e grandeza, em que se conservou, até que as as perseguiçoens do Duque d*Alva a arruinaram, afugentando o povo, que se naõ tornou a ajunctar ali, scnaõ depois de terem com a força d'armas saccudido o tyranissimo jugo dos Hespanhoes. As guerras civis e as perseguiçoens religiosas em França, na Alemanha e na Inglaterra, naõ somente levaram para as Provincias Unidas os que se escapavam da oppressaõ immediata, mas também muitos homens pacatos, que procuravam ir viver ali quietos e seguros, na posse de seus bens, e no trafico de seus officios ; bem como os pássaros, que no principio do Inverno deixam o seu paiz natal aonde foram creados, buscando climas mais doces, e naõ voltaraõ para suas habitaçoens senaõ depois de passadas as tempestades. 
Pintura Eduard Ender-com imagem Alexander von Humboldt e Aime Bonplandna floresta Americana
Fig. 08 –  As expedições cientificas europeias nas três Américas eram a vanguarda da Ciência e da tecnologia que fornecia argumentos, media potencialidades e abria vias para os produtos industriais da linhas de montagem dos países hegemônicos nos processos econômicos, técnicos e políticos. A viagem de Alexander von Humboldt foi anterior à abertura dos Portos do Brsil em 1808 e não recebeu aval do governo lusitano par explorara o interior de sua colônia  

Conhecendo estas vantagens, os governos das Provincias Unidas admittiram como principio ou máxima de Estado, fazer do seu paiz o refugio commum de todos os homens miseráveis ; sem que nenhumas alianças, tractados ou interesses quaesquer podessem fazer vacilar esta protecçaõ. Todo o homem, que obedecia ás leys do paiz, vivia descançado, e livre : cada um ia pelo seu caminho; tractando do seus negócios, e naÕ lhe importando com os dos outros ; cada um éra juiz de sua consciência ; e assim cada um vivia salisfeito. He pois necessário notar aqui, que estas vantagens naõ foram somente efieito da forma de Governo Republicano, que se estableceo na Hollanda, depois que aquelle paiz foi separado da Hespanhã; a máxima de Estado de tolerância universal e protecçaõ efficaz, de que resultou a accumulaçaõ de tanta gente e du tanta industria na Hollanda, éra adoptada antes daquella epocha, pelos Príncipes que governaram aquelles paizes, como foram o Conde de Flandres, o Principe de Nassau, pois foi nessa epocha, que a sabedoria daquelles povos se aproveitou da imprudência dos Portuguezes; dando abrigo aos perseguidos Judeos, que o fanatismo tinha expulsado de Portugal. Assim naõ he desta ou daquella forma de Governo, que taes vantagens resultam, mas sim das máximas d'Estado, e dos princípios políticos, que se adoptam para a administração. 
Johann Moritz RUGENDAS Cena rural do Brasil
Fig. 09 –  Após a abertura dos Porto do Brasil houve uma sequência de expedições estrangeiras para conhecer as potencialidade deste território que seestava preparando paraser umanação soberana.. Logo após a independência brasileira começaram a desembarcar as levas de imigrantes no Brasil.

Em alguns reynos se tem buscado attrahir os estrangeiros pela magnificência da Corte; beleza dos edifícios; celebração de festividades; instituiçoens de feiras, &c. os jogos Olympicos, e outros entre os Gregos ; os triumphos e jogos seculares entre os Romanos, tanto no tempo da Republica, como no tempo dos Imperadores; tiveram em vista esta attracçaõ de estrangeiros; por differentes modos, segundo as diversas formas de Governo, mas em todos pela perseverança e firmeza nestas medidas de protecçaõ, que inspiram a confiança nos demais povos. Desta mixtura de gente de differentes opinioens políticas e religiosas, nunca se seguio-mal algum, dos que suppoem os opponentes da medida de introduzir população estrangeira. Figuram alguns, que a differença de opinioens, de linguagem, e de custumes, he motivo de rixas, e desconcertos no Estado. Esta supposiçaõ nem he fundada na razaõ, nem authorizada pela experiência. 
Aldo Daniele LOCATELLI (1915-1962) Mural na  Prefeitura de Caxias do Sul Trabalho rural dos Imigrantes
Fig. 10 –  As levas de agricultores estrangeiros, recém libertados da servidão feudal europeia, provaram no Brasil, e em outas partes mundo,  a possibilidade do cultivo da terra com as próprias mãos em vez da força escrava.. Em junho de 2016 os produtos e os negócios das “commodities[1] agrícolas é um dos fortes esteios da economia brasileira. Muitos dos seus agentes são descendentes diretos de imigrantes europeus, nipônicos ou do Oriente Médio
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Os estrangeiros, que se estabelecem em um paiz, aonde acham proteçaõ, principalmente vindo acossados da perseguição em sua pátria, devem sentir gratidão ao povo que os acolhe; a necessidade de viver com a gente do paiz os obriga a immitar suas maneiras e custumes: a linguagem da terra, em que vivem, he em breve a linguagem de seus filhos: e se estes estrangeiras saõ de diversas naçoens e de diversas seitas, naõ tem senaõ em sentimento commum, que he a gratidão ao paiz,.que os tolera; e portanto practicamente se convencem do grande beneficio da tolerância, e de que o naõ podem gozar, sem que todos extendam essa tolerância uns aos outros. Isto que a razão ensina, he o que a practica tem amplamente provado em todos os paizes, e está actualmente debaixo dos nossos olhos, nos Estados Unidos. Philadelphia, por exemplo, contem *28 Igrejas ou templos de varias cominunhoens de Christaõs ; e Synagogas de Judeus; nos dias de festa, cada um vai á Igreja de seus pays; e naõ ha exemplo de que, depoi» que se admittio aquella tolerância, jamais houvesse uma rixa, commoçaõ popular, ou distúrbio; por causa das differenças em opinioens religiosas: pelo outro lado, taes rixas de certo se excitariam, se as leys permitissem que qualquer seita pudesse perseguir a outra.

Na conclusão é necessário admitir que este texto de junho de 1816 é recheado de otimismo, de projetos e a sua adequação aos primórdios da soberania brasileira. Necessita-se admitir o acerto de suas ponderações e projeções. Dificilmente o Brasil teria mantido a sua unidade interna, ocupado o seu imenso território e consolidado a sua independência apenas com a endogenia  racial e cultural lusitana  
LITUANOS em IJUI-RS  no dia 18.11.1936 -  Fonte: Enciclopédia Sul-Rio-Grandense. Canoas-RS: La Salle, 1958 – 5º volumen p.284 b.
Fig. 11 –  As massivas imigrações em direção ao Brasil sempre buscavam manter o pertencimento às culturas de origem.. A gradativa absorção e a geração de uma identidade nacional e brasileira foram tentadas de forma truculenta em especial ao longo no Estado Novo Brssileiro (1937-1945). Em geral a proibição das línguas dos imigrantes e o parco glossário nacional fez com que os descendentes destes imigrantes voltassem a níveis  muito baixos e com parca interação com a cultura brasileira.


No entanto - na época de mundialização e da massiva  circulação humana física e conceitual -  muitas outras coisas diferentes aconteceram e não previsíveis por esta visão e crença otimista do editor expressa e estampada Correio Braziliense, de junho de 1816 e já esmaeceram pelo tempo transcorrido. A teoria sempre é perfeita e não  está ainda sujeita a outro paradigmas, projetos e perspectivas.
 Os próprio descendentes dos imigrantes perderam o  projetos dos seus antepassados como a cultura. É evidente a inadequação da mentalidade dos atuais descendentes com a mentalidade dos seus antepassados vindos nos primórdios da soberania brasileira.  Os atuais descendentes ignoram as  vivencias quotidianas dos pioneiros, a sua difícil luta pela sobrevivência  e a descoberta dos reais limites e as competências da nova pátria.
A memória da criatura humana é pródiga neste esquecimento dos males do passado. No máximo os mitifica, os compara e se fixa nos escassos bens do seu presente, mesmo que eles sejam muito inferiores daqueles dos seus decantados “Paraísos Perdidos” 
Aldo Daniele LOCATELLI (1915-1962) Mural na  Prefeitura de Caxias do Sul Trabalho urbano dos Imigrantes
Fig. 12 –  No Brasil inverteu-se o processo de que a cidade era consequência da acumulação agrícola. Destes os primórdios da colonização ibérica no Novo Mundo a primazia do processo  cabia as cidades e cidadelas fortificadas. Deste meio urbano provinha o artesanato, o comércio e as decisões políticas que se projetavam sobre o meio rural. Este processo invertido fez comue o Brasil limitasse a entrada e a recepção de imigrantes já familiarizados com as lides, os ofícios e mentalidade urbana. A escohaera por imigrantes agricultores.
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Mesmo a intelectualidade se dá conta desta naturalização quando se matriculam e frequentas universidades estrangeiras. Nelas recebem o choque e espanto équa sua realidade nada significa para esses intelectuais estrangeiros, além de algo exótico e recendendo à barbárie. Estes intelectuais exilados e desqualificados pela cultura estrangeira tratam de pesquisar, escrever e até publicar algo que trate de remediar este exotismo e barbárie.
Porém de retorno ao Brasil encontram os nativos que naturalizaram ou mitificaram o emigrante. Para estes nativos não  interessa o que estes intelectuais exilados pesquisaram, escreveram e até publicara em terras alheias, mesmo que as traduzam  e editem em português. O seu esforço ilustra o que o  CORREIO BRAZILIENSE já havia estampado nas suas páginas em  novembro de 1814,  p. 710[1] que as  “As pessoas serão  boas ou más, acidentalmente; o sistema é que acusamos de mau radicalmente”. Como o sistema brasileiro foi gerado, mantido e alimentado pelo Regime Colonial e escravocrata não há nada de esperar de bom ou mau de um ou outro indivíduo singular. Revoltado ou cooptado,  indignado ou obediente ao sistema do Regime Colonial e escravocrata, mais cedo ou mais tarde será convertido a este sistema. Foi o destino que aconteceu aos descentes dos imigrantes, tenham os seus antepassados vindo de onde viessem. Trouxeram mentes, corações e corpos individuais. Os sistemas, a língua e a identidade nacional,  de sua origem, tiveram de deixar para trás, por bem ou por mal.
A luz que nasce no fim do túnel é a superação dos Estados Nacionais criados, mantidos e alimentados pela Era industrial. A época Pós-industrial está apontando para esta potencialidade. Sinais evidentes são as costuras políticas, econômicas e jurídicas dos blocos continentais. De um lado - estes países gigantes - são  ameaças piores e mais fortes do que os Estados Nacionais da Era Industrial. Estes blocos gigantes só possuem sentido na medida em que possam ajudar à todas as criaturas humanas encontrar as suas proporções, projetos e esforços dirigidos para o bem estar planetário.
Não basta deslocar pessoas ou bens sem este projeto planetário do bem estar mundial.

FONTES BIBLIOGRÁFICAS

BERSH, Danilo Roque et ali. Ondas de migrantes de 138 anos de Brod no Brasil. Lajeado-RS: Univates, 2006, 580 p. ISBN 85-98611-35-2

BRAMBATTI, Luiz Ernesto. Locatelli em Caxias – Porto Alegre : Metrópole, 2003   96 p.
----------------- Locatelli no Brasil . Caxias do Sul-RS : Belas Letras, 2008, 240 p. ISBN 978-85-60174-29-4

Enciclopédia Sul-Rio-Grandense. Canoas-RS: La Salle, 1956-58 –
  5 volumes.  il. Col.

GARDOLINSKY Edmundo Imigração  Colonizaçõa Polonesa. Edotora S/N: Data sugerida 1970 114 p
------Escolas da colonização polonesa no Rio Grande do Sul- EST: Porto Alegre, 1977, 136 p.

SULIANI, Antônio et COSTA, Frei Rovílio, Cultura Italiana-130 anos, Porto Alegre: Nova Prova, 2005, 340 p.

TUBINO, Nina A germanidade no Brasil  Porto Alegre: Sociedade Germânia, 2007, 208, il


FONTES NUMÉRICAS DIGITAIS

CORREIO BRAZILIENSE – JUNHO de1816


Em JUNHO de 1814 o GOVERNO do BRASIL era ÓTIMO: pena que existia o povo.NÃO FOI no GRITO - 094

COLONIZAÇÂO da AMÈRICA

Em junho de 2016 entram mais  ILEGAIS CHINESES nos EE U do que MEXICANOS

SUBSTITUIR o ESCRAVO pelo IMIGRANTE.

REPENSAR a POLÌTICA DA IMIGRAÇÂO

Em junho de 2016:  BAIXA PRESENÇA de IMIGRANTES no BRASIL

IMIGRANTES ITALIANOS no BRASIL

IMIGRANTES Imagens
PERÌODO de OURO da IMIGRAÇÂO para a AUSTRÁLIA

Ford Madox BROWN The Last o England
Maquina substituindo o agricultor n               A Inglaterra do sec. XIX
PESCANDO ALMAS

VIDA RURAL INGLESA de 1550 até 1800

As olimpíadas gregas e os imigrantes helênicos
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