segunda-feira, 6 de maio de 2019

182 – NÃO FOI no GRITO

Como a ECONOMIA conduzia a POLÍTICA do BRASIL, com a CORDA no PESCOÇO, em  maio de 1819. 

“somente ha um remédio, que é receber o mesmo valor em mercadorias, que importam os produtos exportados, e se estes forem em valor maior que as importações crescerá o dinheiro em circulação. Todas as leis, que se não fundarem nestes claros princípios de Economia Politica, ou tenderão á ruína do país, ou serão meras palavras sem efeito”.
 Gravura pintada por “François Auguste Biard” – Rio de Janeiro 1858.[1]

Fig.01 – A ECONOMIA BRASILEIRA de MAIO de 1819 girava ao redor ds.o trabalho e da economia servil.  A CORDA no PESCOÇO da POLÍTICA que desejava ver-se livre da ESCRAVIDÃO, mas tinha de assistir, indefesa e   muda, ao LEILÃO de ESCRAVOS e ainda fazer o devido registro cartorial deste ato comandado pela ECONOMIA SERVIL BRASILEIRA.    O leilão de escravo eram um negócio lícito e com devido registro de propriedade em cartório oficial. Os donos desta ECONOMIA SERVIL aderiram à independência do Brasil pois o IMPÉRIO não ameaçava intervir neste estatuto enquanto em Portugal a escravidão estava proibida deste a época do Marquês de Pombal

A INDEPENDÊNCIA do BRASIL NÃO FOI NO GRITO é uma das questões centrais e recorrentes que esta serie postagens busca evidencia. Esta INDEPENDÊNCIA estava sendo urdida silenciosamente nos bastidores ECONÔMICOS do BRASIL. Os donos da MASSA SERVIL temiam que a soberania do BRASIL significasse o FIM da ESCRAVIDÃO e que eles perdessem as prerrogativas dos seus preciosos títulos nobres.
A solução para os títulos nobres dos donos da MASSA SERVIL foi a implantação do REGIME IMPERIAL no BRASIL com todos os títulos de nobreza preservados senão prestigiados,
Quando a ESCRAVIDÃO, esta permaneceu ao longo de todo regime imperial a manteve até o seu final quando a LEI ÁUREA colocou tudo a perder para esta ECONOMIA SERVIL e EXPLORADORA. Mesmo assim não se intimidou e investiu com uma cacheira de processos contra o REGIME REPUBLICANO do qual cobrou os “PREJUIZOS” no seu patrimônio das suas “PEÇAS HUMANAS SERVIS”.
 A presente postagem é uma amostra do que se estava discutindo na superfície da ECONOMIA e que podia ser dado ao público no CORREIO BRAZILIENSE de maios de 1819.
Para o BRASIL, de maio de 2019, a presente postagem  é uma amostra como a ECONOMIA levava a POLÍTICA com a CORDA no PESCOÇO, em MAIO de 1819. Para sorte e felicidade dos DONOS do eterno PODER, universal, onisciente, onipresente e onipotente “em maio de 2019  como em maio de 1819 ,  TUDO CONTINUA com a CORDA NO PESCOÇO como ANTES na CASA de ABRANTES”. ECONOMIA que que continua a manietar a POLITICA, a JUSTIÇA, a CULTURA, a SAÚDE, a EDUCAÇÃO e o TRABALHO do Brasil.

CORREIO BRAZILIENSE – MAIO de 1819  VOL. XXII. N°. 132. Miscellanea.Pp.528- 533

Reflexoens sobre as novidades deste mez. RET.NO UNIDO DE PORTUGAL BRAZIL E ALGARVES. Banco do Brazil.

 Publicamos a p. 459 um decreto, pelo qual se concede ao Banco do Brazil o privilegio da Fazenda Real, para a cobrança das dividas; isto he, preferencia aos mais credores. A instituição do Banco devia ser mui útil aquelle paiz, em quanto se considerasse como associação de negociantes, similhante a outros estabelicimentos da mesma natureza, que existem nas principaes cidades commerciantes da Europa; com o que se facilitam as operaçoens do deposito do dinheiro, e desconto das letras de commercio
Fig.02 – A ECONOMIA BRASILEIRA de MAIO de 1819 girava ao redor do TRONO com sólida base no trabalho e na economia servil.  A propaganda, o marketing e as gordas concessões de BENEFÍCIOS ECONÔMICOS aos SÓCIOS da COROA que conferia TÍTULOS NOBILIÁRQUICOS aqueles que podiam pagar gordas contribuições monetárias, ao ERÁRIO REAL


 Nisto se precisava a protecçaõ do Governo, para elevar aquella associação ao character de Corporação, ficando por isso os aecionistas livres da responsabilidade individual, senaõ em tanto quanto chegam as sommas de suas respectivas acçoens. Toda a outra ingerência do Governo com o Banco, longe de ser útil, he prejudicial ao mesmo Banco, e ruinosa á Naçaõ. 
Fig.03 –  PODER ORIGINÁRIO BRASILEIRO tinha, em maio de 1819, baixíssimas potencialidades ECONÔMICAS em contraste coam os títulos nobiliárquicos, as gordas concessões monetárias e o esplendor do trono e da coroa.  Impossível esperar-- deste deprimido PODER ORIGINÁRIO BRASILEIRO -  senão miséria, ignorância e doenças. Está evidente fragilidade era o paraíso dos caciques, coronéis e pretendentes à nobreza que se colocavam diante do trono como atravessadores, aproveitadores e mediadores desta miséria humana em franca expansão. Em maio de 2019 se evidencia nas baixíssimas potencialidades ECONÔMICAS dos cordões de favelas e mocambos que se erguem ao redor de qualquer cidade brasileira para a alegria e proveito de atravessadores, aproveitadores e mediadores diante do centralismo monocrático de Brasília


Naõ pode haver razaõ nenhuma solida, e na verdade o Decreto naõ a allega nem boa nem má, para se lhe conceder o privilegio odioso de preferencia aos outros credores; privilegio, que sómente a importantíssima consideração de assegurar a cobrança das rendas publicas, podia fazer que fosse justo conceder-se á Fazenda Real. Bem longe deste privilegio ser útil ao Banco he prejudicial ao seu credito; porque diminae o credito daquelles, que tiverem transacçoens com o Banco ; visto que as pessoas acauteladas se absteraõ de fiar aos sugeitos, que se suppozérem devedores ao Banco, pois as dividas 
Fig.04 – Uma das razões da presença britânica em terras lusitanas eram os imensos tesouros que Portugal ostentava depois de levar o ouro, o açúcar e pau Brasil para abastecer a Europa. Esta presença inglesa tornou-se aguda, onipresente e devastadora ao longo do período em que Dom João esteve no BRASIL 


Aos Directores do Banco pertence, examinar as posses dos indivíduos com quem negocéam, e naõ confiar os seus descontos senaõ a sugeitos abonados. Se naõ cumprirem com este dever, a sua administração he responsável a todos os accionistas, que como sócios daquella corporação podem e devem pedir e tomar contas aos Directores, sobre modo porque exercitarem a administração que elles lhes confiarem.
 Toda a outra a ingerência da parte do Governo, reduz o Banco aos mesmos inconvenientes de descrédito, que soffrer o Erário, e em vez de se tirar daquelle estabelecimento o proveito, que devia resultar desta corporação livre de negociantes, ficarão as suas operaçoens connexas com as da Fazenda Real, por tanto incompatíveis com o livre curso, que o commercio deve ter, para ser proveitoso á Naçaõ.
Ja naõ he segredo, que os Directores do Banco, e seus afilhados obtinham descontos de letras em grandes sommas, com que depois faziam descontos de outras letras por fora a prêmios muito mais avultados. Isto causou um empate, que deo lugar a grandes murmúrios no Rio-de-Janeiro; e o Governo julgou poder salvar o credito do Banco, mandando prender os que sabiam ou fallávam dessas cousas. Se o credito do Banco, assim como dos indivíduos commerciantes, resulta da persuaçaõ, em que estaõ os que com elles tem negócios, da sua honradez e possibilidade de cumprir seus ajustes, a prizaõ secreta e arbitraria dos que fatiavam mal do Banco, naõ lhe pôde dar mais credito; porque naõ augmenta essa medida a persuaçaõ de suas possibilidades ou honradez. 
PELOURINHO em CABO VERDE

Fig.05 – Em maio de 1819 os PELOURINHOS ainda estavam em pé no Brasil . Estes PELOURINHOS reforçavam e materializavam todos os efeitos das LEIS LUSITANAS vigentes. PLANTADOS e COBERTOS com a LEI LESA MAJESTADE para que a ECONOMIA PUDESSE CONTINUAR a sua AÇÃO DEVASTADORA sem que a MISERÁVEL POLÍTICA pudesse atrapalhar o SAQUE continuado ao longo de 320 anos Um dos primeiros atos do PODER ORIGINÁRIO BRASILEIRO foi derrubar e jogar no lixo estes odiados monumentos da opressão colonial

Se algum indivíduo fallar mal do Banco ou procurar desacreditallo injustamente, o Banco tem um remédio legal, nas leys do Reyno; e he, pôr uma acçaô de libello contra o detractor, e provando a injustiça da defamaçaõ naõ só castigar o delinqüente, mas justificar o seu credito de maneira que convença o publico.
 Negar-se a esta discussão publica, e recorrer ao castigo privado e arbitrário do supposto delinqüente, he confessar a sua inhabilidade de produzir provas em contrario, e dar por verdadeiro, o que assevera ser falso. Na gazeta do Rio-de-Janeiro, appareceo o seguinte annuncio :— " A Juncta do Banco do Brazil participa aos Senhores Accionistas do mesmo Banco residentes nesta Corte, e aos procuradores dos de outra qualquer praça, que do dia 22 do corrente mez em diante podem comparecer na thesouraria Geral do sobredicto Banco, munidos dos competentes títulos, para receberem o que a cada um competir do dividendo no anno de 1818, na proporção de 15, 44 por cento, alem do lucros realizados dos annos de 1812 a 1816, a quem pertencerem, de que se deduzirá na fôrma da ley a sexta parte para o fundo de reserva; assim como para receberem o juro vencido da reserva dos annos anteriores."
Agora perguntannos ; ¿ se he preciso que a uma corporação de negociantes se dê o privilegio de Fazenda Real, na cobrança de suas dividas, quando elles annunciam um lucro de 15,44 por cento, pelo anno de 1818, além de lucros realizados, nos annos de 1812, até 1816? Em uma palavra, toda a protecçaõ, que o Banco deve receberd»i Governo, he o naõ se embaraçar cora elle ; c naõ lhe conceder carta de encorporaçaõ, sem que os estatutos do mesmo Banco providencêeni uni modo justo da eleição dos Directores, por todos os acciouistas, e que estes tenham a mais ampla faculdade, e todos os meios, de pedir contas aos Directores por sua administração, em períodos fixos, e de maneira determinada. 
Fig.06 – Uma das moedas lusitanas cunhadas no período em que Dom João VI esteve no BRASIL. Esta emissão monetária era vista com reservas pelo Correio Braziliense que publicou em de maio de 1819, o   “remédio é receber o mesmo valor em mercadorias, que importam os produtos exportados, e se estes forem em valor maior que as importações crescerá o dinheiro em circulação”.  Era a ECONOMIA colocando a CORDA no PESCOÇO da POLÌTICA.


Connexo com este assuinpto está o outro Decreto, que publicamos a p. 460, pelo qual se prohibe a exportação da moeda provincial do Rio-de-Janeiro, para as outras províncias do Reyno.
Deixamos a questão, se a medida em si he ou naõ proveitosa : geralmente faltando estas prohibiçoens nunca produzem bom efTeito, ja porque se naõ podem pôr em execução plenamente ; pois sempre o contrabando as sabe illudir; e assim fica o contrabandista mais favorecido do que o negociante legal; ja porque as prohibiçoens deste gênero se intromettem com a liberdade do commercio. 
Fig.07 – O mapa do vasto, antigo e poderio lusitano deste potencial império POLITICO PORTUGUÊS. No entanto, em maio de 1819, este potencial império POLITICO PORTUGUÊS estava a caminho do cadafalso    com a corda da ECONOMIA no pescoço. Hipólito José da Costa ainda sonhava UNIR politicamente está vasta rede mundial lusitana ( COMMONWEALTH LUSITANO) A independência do Brasil seria o golpe de morte deste sonho político do editor do Correio Braziliense.

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Porém deixaremos este ponto, tomando por concedido, que houveram alguns motivos suficientemente ponderosos, para admittir neste caso uma excepçaõ da regra. Consideraremos somente o remédio, que o Decreto propõem, para obviar os inconvenientes, que deviam necessariamente resultar ao Commercio, com esta medida.
Diz o Decreto, que os negociantes, que tiverem de fazer remessas para as outras províncias, as façam naõ em dinheiro; mas em letras; e que as pessoas, que sacarem essas letras, o façam sem que pelo cambio possam exigir dos compradores prêmio ou interesse algum.
Primeiramente, o mero facto de se exportar o dinheiro do Riode -Janeiro para outras províncias, mostia, que aquella praça he devedôra ás outras para onde exporta o dinheiro, a fim de pagar com elle o que dtve.
Por conseqüência, se os negociantes do Rio-de-Janeiro saõ os devedores, naõ podem sacar letras sobre as outras províncias.
Depois, o prêmio que os rompi adores de letras pagam ai»» sacadores. he o que constitue a diflèretiça do cambio, o qual varia todos os dias, entre umas praças e outras, segundo as operaçoens do commercio exigem mais ou menos remessas, deste ou daquelle, para este ou aquelle lugar.
Logo, prohibir o prêmio uas letras de cambio, he determinar, que este esteja sempre ao par; regulamento absurdo, que ainda nenhum Governo se lembrou fazer; porque he directamente contra as operaçoens ordinárias do commercio.
 He evidente, que a diiferença do cambio, exprime sempre a rellaçaõ das necessidades de remessa, que existem entre duas praças; e como essa rellaçaõ muda segundo o valor das mercancias, que se mandam de uma para outra parte, he impossível que o Governo possa prescrever taxa ao cambio.
 Porém, prohibindo o Governo que o sacador da letra tenha por isso algum prêmio, tira-lhe o motivo que podia ter em fazer essa operação: em uma palavra he o mesmo que ordenar aos negociantes do Rio-de-Janeiro, que remettam as suas mercadorias á Bahia, por exemplo, sem que lhes seja permittido tirar disso lucro.
Fig.08 – Os produtos da ECONOMIA BRASILEIRA de MAIO de 1819 eram o resultado da ECONOMIA SERVIL e pouco significavam para o PODER ORIGINÁRIO POLITICO BRASILEIRO Nem o escravo, como o indígena ou caboclo tinham qualquer voz ou vez nesta CONTABILIDADE ECONÔMICA SOBERANA do BANCO da BRASIL da época l

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Vejamos agora a injustiça da medida, quanto ás capitanias para onde o dinheiro se exporta. Pernambuco, por exemplo, exporta em algudaõ maior valor do que montam as mercadorias que recebe da Inglaterra. O Rio-de-Janeiro recebe mais dessas mercadorias Inglezas, do que exporta de seus productos.
 Logo o balanço, que o Rio-de-Janeiro deve á Inglaterra, pôde ser pago em Pernambuco, pelo balanço que ali devem os Inglezes, vindo o dinheiro para este pagamento do Rio-de-Janeiro ; e he uma injustiça privar os Pernambucanos desse lucro, que a riqueza de suas producçoens os põem em estado de obter. 
CRUIKDHANK George --1792-1878   PIRÂMIDE do PODER j

Fig.09 – A coroa LUSITANA, refugiada no BRASIL, via com bons olhos os falsos presságios, em maio de 1819, da reconstrução das MONARQUIAS CENTRALISTAS e aparentemente MONOCRÁTICAS da Europa.  No entanto, a ERA INDUSTRIAL e a acumulo ECONÔMICO comandavam o controle do resultado do trabalho e da economia servil. A representação da COROA SOBERANA era uma IMAGEM de algo do passado com um mito vazio e uma forma de populismo senão de caricatura diante da nova potencialidade ECONÔMICA da ERA INDUSTRIAL

Por outra parte, na mesma hypothese, como haõ os commerciantes do Rio-de-Janeiro pagar este balanço, que devem aos Inglezes, se o Governo lhes prohibe fazer o pagamento em Pernambuco ?
Será preciso, ou que mandem o dinheiro directamente para Inglaterra, ou que façam sacrifícios equivalentes nos preços das producçoens do paiz, a fim de poderem satisfazer o que devem aos Inglezes.
Este transtorno do commercio, diz o Decreto, he para conservar no Rio-de-Janeiro a moeda, que faltava para as transacçoens mercantis, e compra dos gêneros do consumo no mercado.
A medida, porém, produzio, como se devia esperar, maior escacez; por que a final, para que o dinheiro naõ saia para fora, somente ha um remédio, que he receber o mesmo valor em mercadorias, que importam os productos exportados, e se estes forem em valor maior que as importaçoens crescerá o dinheiro em circulação. Todas as leys, que se naõ fundarem nestes claros principios de Economia Politica, ou tenderão á ruina do paiz, ou seraõ meras palavras sem eífeito
Fig.10- Os espertos e provados ingleses conduziam a ECONOMIA LUSITANA BRASILEIRA pelo PESCOÇO. Britânicos que já haviam colocada a CORDA no PESCOÇO da POLÍTICA lusitana ao imporem, em 1703, aos portugueses o Tratado de METHUEN. No mês de maio de 1819, além do mais  cobravam os  efeitos devastadores da ocupação do território português pelas tropas e quarteis britânicos. A economia lusitana e brasileira estava ainda sob os efeitos d comandados pelo Marechal BERESFORDT e da passagem do exército da inteligência de WELINGTON. Este conhecia os hábitos e caprichos de Lisboa e fechou ainda mais o cerco ECONÔMICO ao seu “ALIADO LUSITANO INDEFESO e MUDO” após vencer Napoleão Bonaparte na Batalha de Waterloo.



CORREIO BRAZILIENSE – MAIO de 1819  VOL. XXII. N°. 132 Politica.. pp,459-460
Decreto por que se concede ao Banco do Brazil o direito de preferencia a outros credores, em certos casos.

Tendo-me representado a Juncta do Banco do Brazil os inconvenientes, que resultam de naõ ter em vigor o Privilegio de Fazenda Real, para a cobrança das dividas a elle pertencentes, e ás suas Caixas, concedido no Alvará de vinte e quatro de Septembro de mil oitocentos e quatorze, e ley de dezeseis de Fevereiro de mil oitocentos e dezeseis, naquelles casos em que naõ he cessionário, mas que procedem de transacçoens directas, ou de dividas dos seus Agentes ou Administradores: hei por bem que se lhe observe o seu Privilegio, entendendo-se ter Hypotheca, e competir-lhe a preferencia naquelles casos, em que a tem a Real Fazenda, e naõ lhe competir quando execute como Cessionário, ou a devedor de devedor. Hei outrosim por bem declarar, que, nos casos de Concordatas ou Moratórias, pôde o Banco acceder, ou julgar-se que deve acceder, quando o prazo for de cinco annos ou de menos tempo; e que o seu Privilegio em taes casos, durante o prazo, se deve verificar a respeito da quantia estabelecida; e findo o prazo, continuar sobre a totalidade da divida, como procede a respeito da Fazenda Real, quando ha prestaçoens concedidas. O que assim houve por bem determinar por decreto da data deste; e a Real Juncta do Commercio, Agricultura, Fabricas, e Navegação deste Reyno do Brazil, e Duminios Ultramarinos o tenha assim entendido, e execute pela parte que lhe toca. Palácio do Rio de-Janeiro em vinte e nove de Outubro de mil oitocentos e dezoito.—Com a Rubrica rT El Rey N. S. 
Fig.11- Uma cena de um armazém do Rio de Janeiro da época do Reino Unido.  A ECONOMIA BRASILEIRA sempre se caracterizou pelo saque LUSITANO ou exportação de PRODUTOS de SOBREMESA como café, açúcar, e cacau    internamente os produtos de sobrevivência e de primeira necessidade como trigo, azeite, vinhos e tecidos provinha de Portugal e da Inglaterra. Ingleses e portugueses porfiavam em fornecer e aos quais impunham, estabeleciam e alvitravam preços sem concorrência externa. Os produtos britânicos tinham livre curso em Portugal e colônias devido ao Tratado de METHUEN 


 A presente postagem é uma pequena amostra como a POLÍTICA BRASILEIRA era manietada e conduzida pela ECONOMIA mesmo estando à beira da sua SOBERANIA.
A CORDA no PESCOÇO que a ECONOMIA impõe à POLÍTICA do BRASIL em maio de 2019 é continuidade direta da CORDA no PESCOÇO de MAIO de 1819. Os ETERNOS DONOS do PODER ECONÔMICO continuam a manietar, pelo pescoço, a JUSTIÇA, a CULTURA, a EDUCAÇÃO, a SAÚDE e o TRABALHO, além da POLITICA do Brasil.



A DANÇA dos PURIS

ESCRAVIDÃO no BRASIL COLONIAL e IMPERIAL

VADIAGEM e ESCRAVIDÃO

CONDUZIDO com a  CORDA no PESCOÇO


A CASA do CABOCLO

SÂO PAULO no SÈCULO XIX

HISTÒRIA do BANCO do BRASIL

VALOR atual  das MOEDAS de DOM JOÃO VI

Fim do PRIMEIRO BANCO do BRASIL

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quinta-feira, 4 de abril de 2019

181– NÃO FOI no GRITO

Emigração de SUÍÇOS ao BRASIL:  “sempre se acharão alguns descontentes” .

Fig. 01 – Cena da despedida dos imigrantes suíços ao atravessar rios, lagos como o Neueburgerrsee[1],  estradas da Alemanha e em direção da Holanda para ai embarcarem  num veleiro rumo ao BRASIL Para a maioria era a última vez que viam a sua terra natal pois era viagem sem volta.

Os suíços do cantão de FRIBURGO foram os primeiros europeus não ibéricos a se estabelecerem definitivamente no Brasil. Eles vieram amparados num projeto do corte de Lisboa ainda sediada no Rio de Janeiro. Os demais imigrantes vieram no período imperial ou republicano. 

Fig. 02 – A saga dos imigrantes suíços iniciou no outono do ano de 1819. A maioria dos veleiros chegou no Rio de Janeiro no final deste ano.   Porem outros três veleiros chegaram ao Brasil depois de mais de 100 dias no mar.
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As massivas mobilizações dos refugiados, de abril de 2019, possuem motivações muito próximas daqueles dos suíços em abril de 1819.  Ambos buscam um lugar para viver melhor e dar um futuro aos seus descendentes direto e indiretos. O que distingue os suíços foi que vieram como COLONOS. Como COLONOS traziam na sua bagagem a CULTURA e as TÉCNICAS do seu pais de origem. Como COLONOS projetam, disseminam e tentam reproduzir, na terra de adoção, seus hábitos, costumes e leis.  Os nativos aceitam estes ESTRANGEIROS[1] como juízes neutrais acima e por fora das suas intrigas locais.



[1] SIMMEL, Georg  Sociología y estudios sobre las formas de socialización. Madrid:         Alianza. 1986,  817.  2v.

Fig. 03 – A permanência dos dois meses no mar em embarcações apertadas certamente estreitou a solidariedade entre estes suíços nabusca de um futuri no Novo Mundo. A grande perda de vidas humanas evidencia a coragem em enfrentar algo em condições tão precárias. Estas vítimas certamente pesaram em decisões posteriores de tal formas que os demais emigrantes europeus e os armadores aprenderam com o sacrifício destes pioneiros das grandse migrações dos europeus para as demais terras e através de todos os mares
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CORREIO BRAZILINSE ABRIL de 1819 - VOL. XXII. N°. 131. Pp. 429-419

As noticias da Suissa dizem, que do Cantaõ de Friburgo se achavam promptas a partir para o Brazil duzentas famílias, e que de outras partes da Suissa mais 5.000 indivíduos tinham annnunciado a sua intenção de seguir o mesmo destino. Naõ se pode communicar aos Brazilienses noticia de maior iuteresse ; porque naõ pode haver medida que lhes seja mais útil, do que a recepção destes emigrados Europeos, principalmente da Suissa; e todas as despezas, que para promover esta emigração fizer o Coverno do Brazil, lhe seraõ pagas com multiplicadas vantagens, por estes mesmos emigrados e sua descendência. A abolição do trafico da escravatura terá lugar mais dia menos dia; e o melhor preparativo, para esse acontecimento, he a introducçaõ de braços, que substituam os Africanos. 

Fig. 04 – O acampamento dos suíços num porto da HOLANDA em setembro de 1819. Inevitável a comparação com os acampamentos dos refugiados esperando serem socorridos em abril de 2019[1].   Expostos a todas as intempéries, precariedades higiênicas e alimentares as doenças e os, óbidos vitimaram o grande número deles. De cada 100 destes imigrantes 15 pereceram no caminho para o Brasil

A diiferença da côr he um obstáculo invencível, para assimilhar os negros, ainda livres, com o resto da população; quando os Europeos, depois de passada uma só geração, em que se extinga a diiferença da linguagem, formarão de todas estas famílias de emigrados Europeos um povo verdadeiramente Brazilienze, em todos os sentidos. He, porém, essencialissimo, que o Governo esteja preparado para a recepção dos emigrados. Que tenha d' ante maõ marcado os lugares, aonde haõ de formar os seus estabelicimentos. Que tenha preparado, nos portos de mar aonde chegarem, os transportes necessários, para serem conduzidos sem demora ao lugar de seus destinos. Que nesses lugares tenha os mantimentos precisos, as ferramentas, o gado, e todas as mais cousas misteres para começarem logo a edificar suas habitaçoens, e romper a terra, que haõ de cultivar.

Fig. 05 – Os suíços  foram reduzidos à indigência devido a uma população em constante aumento. Este contingente em expansão aliado com aos velhos e tradicionais hábitos agrícolas com poucas terras disponíveis tornavam a situação insustentável para as novas gerações.  O Novo Mundo -  ainda que distante e com poucas informações disponíveis - não impediu uma escolha radical e arriscada e onde tudo que sabiam devia ser esquecido e recomeçado com outra lógica. A sua cultura permitiu este jogo arriscado

 A necessidade destas precauçoens se fará evidente, considerando, que da boa recepção, que as primeiras familias de emigrados encontrarem, depende a boa fama do paiz. Sempre se acharão alguns descontentes ; mas he preciso evitar quanto for possivel, que o descontentamento seja geral, ou bem fundado. Estes emigrados, logo que chegarem ao Brazil, escreverão a seus parentes e amigos na Europa, e lhes descreverão o paiz com boas ou más cores, segundo as impressoens, que Ibes fi__e_ o bom ou máo acolhimento, que experimentarem. Seria, por tanto, muito para lamentar, que tam sabias medidas se frustrassem, pelo máo modo cia execução ; e sua importância he de tal magnitude para a prosperidade do paiz, que bem vale a pena de o Governo escolher pessoa ou pessoas, que exclusivamente se encarreguem de formar os planos, para a boa accommodaçaõ dos novos colonos. 

Fig. 06 –  Todo o desconforto, angustias e intrigas foram esquecidas no meio da viagem quando os veleiros ultrapassavam a linha do Equador e iniciavam a rota no hemisfério Sul Festejos organizados pelo capitão e pela sua tripulação ara uma forma de manter a autoridade do barco evitando revoltas e motins a bordo

O Intendente geral da Policia tem até agora tido este cuidado: mas duvidamos que as suas outras occupaçoens lhe deixem tempo para cuidar deste negocio, com a attençaõ que se requer.
Naõ sabemos que se lhe tenham destinado fundos, para as despezas, que esta diligencia necessita. Nem nos consta, que haja algum plano combinado para ser seguido invariavelmente, seja pelo actual Intendente, seja por outras pessoas, que lhe succêdam no lugar; ou que para o futuro sejam encarregadas do cuidado dos emigrados»
CORREIO BRAZILINSE - ABRIL de 1819 - VOL. XXII. Nº 131 - p. 452

Fig. 07 – O gráfico mostra a população da EUROPA, em abril de 1819, distribuída conforme a sua etnia.  Este número é semelhante  a população de BRASIL no início do III milênio[1]  Os suíços foram uma das primeiras populações que iniciaram o fantástico movimento populacional europeu do colonialismo europeu que se derramou sobre as Américas, África, Ásia e Austrália ao longo de século XIX. A maioria compelida pela ERA INDUSTRIAL ima consequente acumulação urbana e a desvalorização do produto agrícola tradicional

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 Entre outras consideraçoens, que se requerem na execução deste plano, he o pagamento futuro das despezas, que Governo fizer: esta retribuição deve ser tardia, para naõ vexar os novos colonos; mas convém que seja certa, para naõ exhaurir o Erário. Sobre tudo he essencial fazer indubitavel a segurança pessoal dos indivíduos; contra o que está a ley novisima sobre as sociedades clandestinas ; as prizoens arbitrarias dos que falláram mal do Banco do Rio-de-Janeiro; e outras misérias desta natureza, que na Europa tem feito demasiado estrondo, desacreditando o Governo, por se lhe attribuir com isto o character de arbitrário : obstáculo invencível no plano de emigração

Fig. 08 – A cidade do Rio de Janeiro como capital de REINO UNIDO PORTUGAL-BRASI- ALGARVES L havia experimentado tranfirmaçoes urbanas e necessitva de um forte amparo da produção agrícola de subsistência imediata e diferente da agricultura de exportação. A leva de imigrantes suíços destinava-se a cultivar a região serrana e com pequenas propriedades unifamiliares..

A múltipla etnia dos suíços era um ponto favorável para tornar o Brasil multiétnico e multicultural. Como COLONOS traziam na sua bagagem a CULTURA e as TÉCNICAS do seu pais de origem a serem experimentados no NOVO MUNDO. No aspecto político os tradicionais cantões suíços tinham um acúmulo de convivências pacificas e integrativas que certamente se projetou através destes que procuraram refazer estas experiências no Brasil.

Fig. 09 –  O que os suíços encontraram foi a cena brutal da floresta, dos mistérios e da força da natureza indomada do BRASIL  O clima sem neve, os novos e desconhecidos vegetais e a alimentação somava-se com as doenças e pragas das lavouras e presentes na criações de animais  eram tantos outros desafios para estes recém chegados


O rude impacto de natureza bruta, com clima inverso à sua origem e vegetais e alimentos da nova terra, fizeram com que muitos suíços procurassem um lugar no Rio de Janeiro onde exerciam o artesanato do seu pais de origem. Eles provinham da cultura medieval onde o agricultor dominava o artesanato nas suas mais variadas expressões. Assim sentiam-se a vontade também no meio urbano onde escravo era treinado e sem a mínima autonomia de delibera e decidir num eventual ofício que era obrigado a exercer. Além do mais, os DONOS do PODER jamais exerciam qualquer oficio na qual necessitavam usar as suas imaculadas mãos. 

Fig. 10 – Uma antiga fazenda do MORRO QUEIMADO decadente e as senzalas dos escravos foram os primeiros abrigos dos imigrantes suíços no BRASIL e que re-denominaram o lugar de de NOVA FRIBURGO. Nome que lhes lembrava a sua MISSÂO de COLONOS de uma cultura multissecular que mudava de endereço sem esquecer as suas raízes nativas
O investimento do erário público no imigrante foi amplamente recuperado com os impostos gerados pelos descendentes diretos e indiretos dos COLONOS suíços e das outras etnias subsequentes. Evidente que se trata de retornos a longo prazo e cuja medida e avaliação sobre passa gerações, regimes e governos.  Esta evidência é possível avaliar ao comparar regiões brasileiras potencialmente bem mais ricas e produtivas, mas permaneceram a margem do movimento dos colonos europeus mais adiantados na cultura, na técnica e na política que trouxeram nas pobres e rotas bagagens de estrangeiros.
Esta contribuição política era indispensável para o Brasil atingir um grau mínimo da sua soberania. Os GRITOS, as INTRIGAS PALACIANAS e as DECLARAÇÕES BOMBÁSTICAS pouco significariam e seriam sufocados como foi a INCONFIDÊNCIA MINEIRA ou REVOLUÇÂO de RECIFE em 1817, carentes deste PODER ORIGINÁRIO CONSOLIDADO. O respeito interno e externo a esta SOBERANIA seria maior na medida em que ela viessem de agentes não contaminados pela COLONIALISMO VETUSTO IBÉRICO e apoiado na ESCRAVIDÂO.
Neste aspecto é claro o prognóstico do Correio Braziliense ao afirmar
. A abolição do trafico da escravatura terá lugar mais dia menos dia; e o melhor preparativo, para esse acontecimento, he a introducçaõ de braços, que substituam os Africanos.
Esta afirmação foi e continua a ser muito mal interpretada quando estes mesmo imigrantes são reduzido e tratados como “NOVOS ESCRAVOS”.

Fig. 11 – A atual NOVA FRIBURGO na REGIÂO SERRANA do RIO DE JANEIRO, lembra a terra de origem e ao mesmo tempo a enorme contribuição no desenvolvimento de terras férteis pequenas e  apertada entre picos de uma serra. O fenômeno irá se repetir no Rio Grande do sul quando foi destinado aos imigrantes italianos a serra gaúcha com enorme desvantagem para terras planas e férteis porém ocupadas por enormes latifúndios improdutivos ou pouca produção. Os retornos destes latifúndios em  impostos -  ao erário público-  é muito menor comparada com aquilo  que os imigrantes europeus conseguiram realizar em estreitos vales e agressivas serras. Emigrantes e os seus descendentes contribuem com milhares de vezes aquilo que foi investido na sua migração ao BRASIL A somatória das contribuições ao erário público deixam em situação vexatória os proprietários das terras planas e férteis ocupadas por enormes latifúndios.

Na conclusão não é possível silenciar as 311 vítimas fatais deste projeto. Entre cada 100 emigrantes que partiram da Suíça, 15 deles terminaram os seus dias sem ver e pisar a terra que buscavam para seu futuro.

FONTES BIBLIOGRÁFICAS relativa à IMIGRAÇÃO BRASILEIRA
CONSTANTINO, Núncia Maria Santoro (1944-2014)  Italianos em núcleos urbanos e na capital do Rio Grande do Sul 1986 4 p.
-----------------O italiano da esquina: meridionais na sociedade porto-alegrense e permanência da identidade entre moranenses. São Paulo  1990 389 f.

CULTURA  ITALIANA – 130 anos = Cultura italiana – 130 anni / org. Antônio Suliani e Frei Rovílio Costa - ed   bilíngüe – Porto Alegre :  Nova Prova,   2005,  340 p. il. 25 x 29 cm.

Ondas de migrantes, crônicas de 138anis de Brod no Brasil; Vida, obra, escritos.../ Organização de Danilo Bersch e. et al.- Lajeado RS: Univates, 2006, 580 p. il ISBN 85-98611-35-2 

RUGENDAS, João Mauricio (1804-1858) Viagem Pitoresca ao BRASIL 1822-1825 e 1845 –Tradução de Segio MILLET( 6º  ed). São Paulo: Livraria Editpra Martins 1967, 161 p.,  110 gravuras
SIMMEL, Georg  Sociología y estudios sobre las formas de socialización. Madrid: Alianza. 1986,  817.  2v.

TUBINO, Nina A germanidade no Brasil  Porto Alegre: Sociedade Germânia, 2007, 208, il .  ISBN 978-85-999117-15-6

FONTES NUMÉRICAS DIGITAIS.
IMIGRAÇÂO SUIÇA AO BRASIL 1819-1820

COLÔNIA SUIÇA em NOVA FRIBURGO

RELATO da VIAGEM dos SUIÇOS ao BRASIL

NASCIMENTO de NOVA FRIBURGO

MEMÒRIA da IMIGRAÇÂO SUIÇA

A saga de Mathias SIMON (1788-1866) e dos seus descendentes no BRASIL
http://mathiassimon1829.blogspot.com.br/

VIDEO

POPULAÇÃO BRASIL 1980-2010

FIBURGO SUIÇA 2019

 MIGRANTES no MEDITERRÂNEO em ABRIL de 2019
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